A PAZ DO SENHOR!

LIÇÃO 02 – O NASCIMENTO DE JESUS - 2° TRIMESTRE 2015 (Francisco Barbosa)

O Nascimento de Jesus

TEXTO ÁUREO

VERDADE PRÁTICA
"E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." (Lc 2.7)
Deus revelou seu amor à humanidade ao enviar a este mundo o seu Filho Jesus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Lc 1.55
Deus é fiel e cumpre as suas promessas

Quinta - Lc 2.18
Deus revela a realeza do Messias para toda a humanidade
Terça - Lc 1.41
Deus revitaliza as profecias a respeito do Messias
Sexta - Lc 2.25-26
Deus revela-se aos piedosos e às minorias
Quarta - Lc 4.18;6.20
Deus revela-se aos carentes e necessitados
Sábado - Lc 2.36-38
Deus revela-se aos humildes e contritos de coração

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 2.1-7
1 - E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que  todo o mundo se alistasse.
2 - (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria.)
3 - E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.
4 - E subiu da Galileia também José, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade

de Davi chamada Belém (porque era da casa  e família de Davi),
5 - afim de alistar-se com Maria, sua mulher; que estava grávida.
6 - E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz.
7 - E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

HINOS SUGERIDOS: 169,184, 185 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar que a vinda de Jesus Cristo ao mundo é uma prova do amor de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a: Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I.   Apresentar o nascimento de Jesus no contexto profético.
II.  Conhecer como se deu o anúncio do nascimento de Jesus segundo Lucas.
III. Explicar o porquê de o nascimento de Jesus ter ocorrido entre os pobres.
IV. Mostrar o nascimento de Jesus dentro do judaísmo.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Lucas narra o nascimento de Jesus, situando-o no contento das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O "silêncio profético", que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado! O nascimento de Jesus significava boas novas de alegria para todo o povo. Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma. Deus mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens. [Comentário: Após uma rápida introdução (1.1-4), Lucas relata o anúncio dos anjos com respeito aos nascimentos vindouros de João Batista (w 5-25) e de Jesus (w. 26-38), narra a alegria das duas parentas, Isabel e Maria (vv. 39-45) e inclui uma cópia do magnífico cântico de louvor, em forma de poema, “o cântico de Maria”, comumente conhecido como “o Magnificat” (w. 46-56). Lucas descreve as circunstâncias extraordinárias do nascimento de João e o sentimento pela expectativa criada na região (vv. 57-66). Finalmente, Lucas inclui uma declaração profética de Zacarias, o pai de João, ao identificar a missão de seu filho como o precursor do Messias {w. 67-80). Ao juntar todo esse material, muitos dos quais exclusivos de seu Evangelho, Lucas chama a atenção para o clima de expectativa que Deus começava a criar entre seu povo como preparativo para o aparecimento do Salvador. Todavia, o autor também chama nossa atenção para as magníficas características de Maria e Isabel, mulheres de fé e compromisso.RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652. O termo plenitude significa literalmente "completude", com isso o texto de Lucas nos diz que que Cristo veio no momento certo, na hora que deveria, Ele veio na Plenitude dos tempos; se Cristo fosse enviado em qualquer outro momento da história o cristianismo não teria o mesmo impacto como tem hoje, como diz o Rev. Herminsten Maia (pastor presbiteriano, teólogo e escritor. Coordenador do Departamento de Teologia Sistemática no Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, em São Paulo.): "Deus não intervém na história, Ele controla a história". Deus é soberano. O tempo entre a última parte do Antigo Testamento e a aparição de Cristo é conhecido como o "silêncio profético", porque não houve nenhuma palavra profética de Deus durante esse período, alguns o chamam de “400 anos de silêncio”. A atmosfera política, religiosa e social da Palestina mudou significantemente durante esse período. Muito do que aconteceu foi predito pelo profeta Daniel (veja Daniel capítulos 2,7,8 e 11 e compare os eventos históricos).] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!

Continue a leitura clicando abaixo:


I - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO

1. Poesia e profecia. No relato do nascimento de Jesus há duas belíssimas poesias conhecidas na teologia cristã como Magnificat de Maria, a mãe de Jesus, e o Benedictus de Zacarias, o sacerdote (Lc 1.46-55,67-79). Esses cânticos são de natureza profética e como tal contextualizam o nascimento de Cristo dentro das promessas de Deus a seu povo. Maria, por exemplo, diz que, ao nascer Jesus, Deus estava se lembrando das promessas feitas a Abraão {Lc 1.55). Por outro lado, Zacarias afirma da mesma forma que tal visitação era o cumprimento do que Deus havia prometido na antiguidade aos profetas (Lc 1.70). 0 nascimento de Jesus não se tratava, portanto, de um evento sem nexo com a história bíblica. Foi um fato que aconteceu na plenitude dos tempos e testemunhou o cumprimento das promessa de Deus (Gl 4.4). [Comentário: O Magnificat (1.46-56). Alguns questionam se uma jovem e inculta criatura poderia compor esse magnífico poema profético. Não obstante, Maria estava bem familiarizada com as passagens do Antigo Testamento, pois as ouvia nos momentos de louvor na sinagoga e em sua casa. Maria, sem dúvida alguma, sabia tudo sobre a visita do anjo e pode ter escrito seu salmo durante semanas, orientada pelo Espírito que falava através dela. Seu poema em formato de louvor é dividido em quatro partes distintas. 1) louvor e agradecimento pessoal (w. 46-48); 2) celebração aos atributos de Deus (w. 49,50); 3) proclamação da correção da injustiça (w. 51-53); e 4) louvor pela misericórdia demonstrada a Israel (vv. 54,56). O Benedictus (1.67-80). O poema profético de louvor de Zacarias a Deus, pelo Messias (vv. 68-75) e o papel de seu filho, João (w. 76-79). RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652.] 

2. A restauração do Espírito profético. Já observamos que, na teologia lucana, o Espírito Santo ocupa um lugar especial. Encontramos 17 referências ao Espírito Santo no terceiro Evangelho e 54 no livro de Atos dos Apóstolos. Isso é significativo se levarmos em conta que Mateus fala apenas 12 vezes no Espírito Santo e Marcos 6. Lucas focaliza o revestimento do Espírito, mostrando que o dom profético, silenciado no período Interbíblico, foi revivificado com a vinda do Messias. Não é à toa que a maioria das referências ao Espírito, nesse Evangelho, ocorra nos dois primeiros capítulos que relatam o nascimento de Jesus (Lc 1.41,67; 2.25-27). [Comentário: Já foi dito neste livro que Lucas demonstra um interesse ímpar na pessoa do Espírito Santo e como Ele se relaciona com o ministério de Jesus. Lucas faz um desenho detalhado do contexto profético a fim de mostrar que o Espírito profético havia sido revivificado. Os expositores bíblicos David W. Pao e Echard J. Schnabel denominam esse aspecto da teologia carismática de Lucas de “o alvorecer da era escatológica”, e escrevem: “O surgimento de João Batista significa o retorno da profecia e dos atos salvíficos de Deus na história, essa sessão destaca o despertar da era escatológica. A intensidade da presença do Espírito Santo enfatiza essa afirmação: Isabel “ficou cheia do Espírito Santo” (1.41), e assim também Zacarias (1.67). O ministério de João Batista é caracterizado como um ministério do Espírito (1.15). Simeão, que aguarda com expectativa a consolação de Israel (cf. Is 40.1), recebe o Espírito (2.25) e a revelação do Espírito Santo de que “ele não morreria antes de ver o Cristo da parte do Senhor” (2.26). Embora a presença do Espírito possa ser encontrada nos relatos de personagens do AT (e.g., Josué [Nm 27.18], Sansão [Jz 13.25], Davi (1 Sm 16.13], essa intensidade só encontra correspondência no acontecimento do Pentecostes, relatado no segundo volume de Lucas (At 2), no qual as promessas proferidas por João (Lc 3.16) e por Jesus (Lc 11.13; 12.12; At 1.8) são cumpridas. Esses acontecimentos apontam para o cumprimento de antigas promessas que falam do papel do Espírito no tempo do fim (v. esp. Is 32.14-17 [cf. Lc 24.49; At 1.8]; J1 2.28-32 [cf. At 2.17-21]), quando Deus restaurará seu povo para sua glória (At 3.19-20)”. A teologia de Lucas, portanto, tanto no terceiro evangelho como nos Atos dos Apóstolos é uma teologia da Salvação de Deus. Durante seu ministério terreno, capacitado pelo Espírito Santo, conforme o testemunho do terceiro evangelho, Jesus a proclamou (Lc 4.18; At 10.38). Glorificado à direita do Pai nos céus, e através do mesmo Espírito que outorgou aos que lhe obedecem, conforme o testemunho de Atos dos Apóstolos (At 2.33; 5.32), o Senhor está dando-lhes continuidade. O Espírito Santo sempre esteve presente na história do povo de Deus. Ele esteve presente na história do antigo Israel, esteve presente no ministério de Jesus e dos apóstolos e agora está presente na igreja hodierna! José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 32-33. . Simeão é descrito como justo. Também o era José, o esposo de Maria (Mt 1.29); e o era a própria Maria, bem como Zacarias e Isabel (Lc 1.6). E não nos esqueçamos de José de Arimatéia (23.50). Simeão “era justo e devoto”. Veja outros exemplos de pessoas devotas em Atos 2.5; 8.2; 22.12. Com a máxima prudência, essas pessoas se encarregaram dos deveres que Deus lhes designara. São conscientes em seus planos, tendo sempre como objetivo melhorar o bem-estar delas mesmas e de seu próximo, para a glória de Deus. A combinação “justo e devoto” bem que poderia indicar que Simeão se conduzia de tal modo que sua conduta com respeito aos homens (era justo) e para com Deus (era piedoso) era alvo da aprovação divina. Este homem “estava esperando a consolação de Israel”. Realmente, as condições em Israel eram bem precárias, precaríssimas no tempo em que Jesus nasceu em Belém. Pense na perda da independência política, no cruel rei Herodes, na degeneração da religião que passara a ser algo completamente externo, no legalismo de escribas e fariseus e de seus muitos seguidores, no mundanismo dos saduceus, no silêncio da voz profética etc. Mas em meio a toda essa obscuridade, degradação e desespero havia homens que olhavam com esperança, com sinceridade, “para a consolação de Israel”. Havia homens ... e também mulheres! Já foram mencionadas Maria e Isabel. Um pouco mais adiante Lucas porá Ana na lista. A frase “todos os que estavam esperando a redenção de Jerusalém” (2.38) indica que esse grupo de homens e mulheres piedosos era considerável. Que esses homens e mulheres eram deveras justificados nessa esperança é evidente à luz da profecia. Por exemplo, estude as muitas profecias de Isaías nas quais se prometem bênçãos tais como consolo, paz e alegria, associando-as com a era messiânica (Is 7.14; 9.1-7; 11.1- 10; 40.1-11; 49.8-13; 51.1-6, 12-16; 52.13-55.13; 60.1-3; cap. 61; 66.13). Simeão fora dotado com uma bênção muito rara e especial. De alguma forma, mesmo antes do Pentecostes, o Espírito Santo já estava habitando nele. Ele estava constantemente sob a influência do Espírito. Esse mesmo Consolador lhe revelara que não morreria sem antes ver o Cristo de Deus. Para ter mais luz sobre a expressão, o Cristo de Deus, ou do Senhor, veja Salmo 2.2; 45.7; 110.1; Isaías 61.1; Lucas 4.18. HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas I. Editora Cultura Cristã. pag. 230-231.] 

SÍNTESE DO TÓPICO I
0 nascimento de Jesus se deu na plenitude dos tempos, cumprindo todas as profecias bíblicas.


No plenitude dos tempos, Jesus veio ao mundo. Ele é o Messias.

II-O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS

1. Zacarias e Izabel. Em sua narrativa dos fatos que precederam o anúncio do nascimento de Jesus, Lucas diz que o sacerdote Zacarias havia entrado no "templo para ofertar incenso" (Lc 1.9). A queima do incenso fazia parte do ritual do Templo e ocorria no período da manhã e à tarde (Êx 30.1-8; 1 Rs 7.48-50). Foi durante um desses turnos que um anjo de Deus apareceu a Zacarias para informar-lhe que a sua oração havia sido ouvida pelo Senhor e que a sua mulher, embora já não fosse mais fértil, geraria um menino, cujo nome seria João (Lc 1.13). João, o Batista, nasceu para ser o precursor do Messias, anunciando a sua missão. Ele seria a "Voz do que clama no deserto" e precederia o Senhor, preparando o seu caminho (Lc 3.4,5).[Comentário: Exercendo ele o sacerdócio diante de Deus (8) indica que se tratava de um sacerdote - em uma época em que o sacerdócio era frequentemente corrupto e secularizado - que percebia o caráter sagrado do seu trabalho e o relacionamento, tanto do seu trabalho quanto da sua pessoa, com Deus. Deus não somente escolhe grandes homens para executarem grandes tarefas, mas Ele também destina grandes pais para esses homens - grandes, de acordo com o padrão de Deus. Na ordem da sua turma significa a ordem de Abias (veja o comentário sobre o versículo 5). Na Páscoa, no Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos todos os sacerdotes serviam simultaneamente, mas durante o resto do ano cada uma das 24 ordens servia durante uma semana a cada seis meses. Zacarias estava servindo durante uma dessas semanas no Templo. Depois de terminar o seu período de serviço, ele retornaria à sua casa. Os deveres do sacerdote eram atribuídos por meio da sorte sagrada (9). A maior honra que um sacerdote poderia ter era a de oferecer incenso, e um sacerdote não poderia tirar outra sorte melhor durante aquela semana de serviço. O incenso era oferecido antes do sacrifício matinal, e depois do sacrifício vespertino, no altar do incenso. Este altar se localizava no Tempo, imediatamente antes do véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Toda a multidão... estava fora, orando, à hora do incenso (10). Esta era uma ocasião altamente sagrada. O incenso oferecido simbolizava as orações do povo, que eram ofertadas ao mesmo tempo, pelas mulheres no pátio das mulheres, pelos homens no pátio dos homens e pelos demais sacerdotes no pátio dos sacerdotes. Então, um anjo do Senhor lhe apareceu [a Zacarias] (11). A voz divina da revelação não havia se pronunciado durante quatro séculos. Então, de repente, apareceu o anjo do Senhor. Observamos que o anjo não “se aproximou”, ele apareceu - de repente, sem aviso. O fato de ele ter aparecido a um sacerdote no Templo ressalta as características de Antigo Testamento desse início da revelação do Novo Testamento. João seria um precursor do Cristo que viria e do seu Reino. Ele também seria um elo com a revelação do Antigo Testamento, que agora estava chegando ao seu final. A direita do altar do incenso é o lado norte, entre o altar do incenso e a mesa dos pães da proposição. Observamos como Lucas é específico com os mínimos detalhes. Esta é uma característica que podemos observar em todo o seu Evangelho, e é mais uma prova da sua autenticidade. Zacarias... turbou-se... e caiu temor sobre ele (12). Esta era uma reação natural sob estas circunstâncias incomuns. O anjo lhe disse... não temas (13). Embora o medo fosse a reação humana natural, a missão do anjo proporcionava motivo para alegria. A sua presença não era uma indicação do desagrado de Deus, mas da Sua aprovação, e da adequação de Zacarias para uma tarefa divina muito significativa. ... a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho. A oração à qual o anjo se refere deve ter sido feita em um período anterior da vida de Zacarias; a sua dificuldade em acreditar na promessa do anjo evidencia que há muito tempo ele já tinha deixado de orar por um filho, ou até mesmo de esperar por ele. Mas Deus não se esquece das orações passadas. O que parece ser uma demora ou uma recusa da parte de Deus, é somente a Sua perfeita sabedoria e o Seu perfeito planejamento. Alguns estudiosos opinam que a oração mencionada aqui foi para a vinda do Messias ou para a libertação de Israel, mas isto não seria coerente com o contexto. Sem dúvida, Zacarias orava frequentemente pedindo essas coisas, mas a oração mencionada era aquela em que ele pedia um filho. E lhe porás o nome de João. Deus não apenas convocava e enviava os seus profetas, mas também frequentemente lhes dava o nome. “João” significa “Jeová mostra graça” ou “a misericórdia” ou “a graça de Jeová”.2 Este era um nome apropriado para alguém cujo ministério demonstra tão claramente a lembrança e a misericórdia de Deus para com o seu povo. Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 358-359.]

2. José e Maria. Cerca de seis meses após o anúncio do nascimento de João, o Batista, o anjo Gabriel é enviado a Nazaré, lugar onde moravam José e sua noiva, Maria. Ela era uma virgem e estava noiva de José. O anúncio de que ela geraria um filho, sem que para isso fosse necessário haver intercurso sexual, deixou-a apreensiva (Lc 1.34). 0 anjo informa-lhe que desceria sobre ela o Espírito Santo e o poder de Deus a envolveria com a sua sombra (Lc 1.35). Aqui está o milagre da encarnação - O Filho de Deus fazendo-se carne, a fim de que, através desse grande mistério, possamos alcançar a salvação (Jo 1.1,14). [Comentário: «...como será isto...». Este versículo afirma a intenção do autor de ensinar o nascimento virginal de Jesus. Ver Luc. 1:27. Neste ponto começou o segundo estágio da experiência espiritual de Maria—a perplexidade. (Ver notas, no vs. 29, sobre os quatro estágios dessa experiência: temor e perplexidade (vss. 29 e 34) e administração da graça divina e, finalmente, obediência (vss. 37 e 38). O pronunciamento do anjo causou-lhe espanto, porque suas implicações eram gigantescas, e a perplexidade foi, aprofundada pelo pensamento, que Maria compreendeu pelo menos em parte, que aquele grande Filho haveria de nascer de uma virgem. Maria ficara perplexa ante o fato de que ela haveria de ser a progenitora do Messias davídico, e também porque isso era um anúncio virtual de que teria um filho antes da consumação de seu matrimônio, como ocorrência inteiramente desvinculada desse casamento. Maria, mostrando-se digna representante das mulheres da mais profunda confiança no Senhor,—não requereu um sinal—ou qualquer espécie de confirmação, mas aceitou a declaração por um notável ato de fé. O vs. 45 afirma a sua crença: «Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor». «...descerá sobre ti o Espirito Santo. ..» Diz Bengel, in loc: «O que denota a operação mais suave e gentil do poder divino, indicando que o fogo divino não consumiria a Maria, mas a tornaria frutífera». (Ver também Êx. 33:33 e Marc. 9:7). O mito clássico a respeito de Semele e Jove apresenta-o aparecendo a ela com o mesmo aspecto que ele tinha no mais alto céu, e o resultado foi que ela foi consumida pelo seu relâmpago, com todos os seus terrores e trovões. Mas aqui é prometida a Maria—a glória—do resplendor divino, porém para encobrir a Maria e servir-lhe de consolo, tal como uma nuvem que oculta os raios consumidores do sol. A referência a Deus Pai, com o título de «Altíssimo», é repetida neste caso. Ver vs. 32. «Filho de Deus». Embora esse apelativo tenha uma aplicação mais ampla do que apenas o nome de «Cristo», e talvez não contenha qualquer ideia de deidade, dependendo do contexto em que se encontra, aparece aqui para indicar uma relação toda especial com Deus—provavelmente a participação na mesma essência—assim ensinando indiretamente a divindade de Cristo. Foi atribuído, sob diferentes circunstâncias a Israel, a reis e a sacerdotes, como título. Em algumas referências, quando Cristo está em foco, não há qualquer intenção de destacar essa relação especial com Deus ou com a natureza divina de Jesus. Se acompanhar o uso dessa expressão pelas páginas sagradas, haveremos de encontrar as seguintes declarações: 1. Jesus é identificado com o personagem profético do Messias davídico do V.T. 2. Reivindica uma relação especial, existente entre Jesus e Deus Pai. 3. Às vezes indica a natureza divina de Jesus, e até mesmo a perfeita união com o Pai (João 5:19,30; 16:32; Heb. 1:3,4). 4. Embora tenha sido inicialmente aplicada ao Messias davídico, posteriormente assume qualidades transcendentais e se torna um título de Jesus Cristo, com o intuito de indicar a sua natureza divina. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 16. A informação adicional que o anjo transmite a Maria, respondendo à sua pergunta a respeito do nascimento deste príncipe. 1. A pergunta que ela faz é apropriada: “Como se fará isto?”, v. 34. Como eu posso conceber um filho na atualidade (pois foi isto o que o anjo quis dizer), se eu “não conheço varão”? Deverá ser de outra maneira, e não pelo modo normal de concepção? Se for assim, diga-me “como se fará isto?” Ela sabia que o Messias devia nascer de uma virgem; e, se ela devia ser a sua mãe, ela queria saber como isto aconteceria. Estas não eram palavras resultantes da sua falta de confiança, ou de qualquer dúvida sobre o que o anjo lhe havia dito, mas de um desejo de receber mais orientação. 2. A resposta que ela recebe é satisfatória, v. 35. (1) Ela irá conceber pelo poder do “Espírito Santo”, cuja obra é santificar, e portanto, santificar a virgem, para este propósito. O Espírito Santo é chamado de “virtude do Altíssimo”. Ela pergunta “como se fará isto? Isto é suficiente para ajudá-la a superar as dificuldades que parecem existir. Um poder divino o realizará, não o poder de um anjo empregado para isto, como em outros milagres. Mas, o poder do próprio “Espírito Santo”. (2) Ela não deve fazer perguntas a respeito da maneira como isto se realizará, pois o Espírito Santo, sendo “a virtude do Altíssimo”, irá cobri-la “com a sua sombra”, como a nuvem cobriu o tabernáculo quando a glória de Deus tomou posse dele, para escondê-lo daqueles que poderiam - com excessiva curiosidade - observar o que acontecia, “bisbilhotando” os seus mistérios. A formação de cada bebê no útero, e a entrada do espírito da vida nele, são mistérios da natureza; ninguém conhece “o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida”, Eclesiastes 11.5. Nós fomos formados no oculto, Salmos 139.15,16. A formação do menino Jesus é um mistério ainda maior, sem controvérsia, “grande é o mistério da piedade”, Deus manifestado em carne, 1 Timóteo 3.16. E uma coisa nova criada na terra (Jr 31.22), a cujo respeito nós não devemos cobiçar conhecer além do que está escrito. (3) A criança que ela irá conceber é santa, e portanto não deve ser concebida da maneira normal, porque ela não deverá compartilhar da corrupção e da contaminação comuns à natureza humana. O bebê é mencionado enfaticamente como “o Santo”, como nunca houve; e Ele será chamado de “Filho de Deus”, como o Filho de Deus por geração eterna, o que indica como Ele será formado pelo Espírito Santo, nesta concepção. A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD. pag. 517.]

SÍNTESE DO TÓPICO II
0 anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento do Filho de Deus.

CONHEÇA MAIS
*0 local de nascimento do Salvador
“Jesus nasceu em Belém, ao sul de Jerusalém, mas passou a infância e juventude em Nazaré, cidade próxima ao mar da Galileia, no norte. Belém, o lugar onde Jesus nasceu, é hoje uma região em conflito." Para conhecer mais leia Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p. 21.

III - O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES
1. A nobreza dos pobres. É um fato de fácil constatação o destaque que os pobres recebem no Evangelho de Lucas. Quando deu início ao seu ministério, Jesus o fez dizendo as seguintes palavras: "0 Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres" (Lc 4.18). Os pobres faziam parte das bem-aventuranças de Jesus (Lc 6.20). Pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais. No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo. Jesus veio para todos, independente da condição social. O Filho de Deus dedicou total atenção as minorias do seu tempo: as mulheres, crianças, gentios, leprosos, etc. Ele chegou a ser chamado de amigo de publicanos e pecadores, pois estava sempre perto dos mais necessitados. Como Igreja do Senhor, temos atendido os desvalidos em suas necessidades? Será que temos seguido o exemplo do Salvador? Como "sal" da terra e "luz" do mundo precisamos revelar Cristo aos carentes e necessitados, pois eles conhecerão o amor de Cristo mediante as nossas ações. [Comentário: Evangelizar os pobres (18), ou “pregar o evangelho aos pobres”. O termo evangelho significa “boas-novas” ou “boas notícias”. Os pobres pareciam mais dispostos a ouvir Jesus. As suas necessidades faziam com que eles se voltassem para o Salvador. Ninguém, rico ou pobre, consegue encontrar Jesus até que perceba sua destituição espiritual, busque a Cristo, e confesse a Ele as suas necessidades. Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 387. Por isso, a segunda coisa que Jesus diz para caracterizar a proclamação que lhe fora confiada é que ela precisa ser levada aos pobres, aos pedintes e mendicantes, isto é, aos que se encontram fracos e com o coração deprimido, prostrando-se por isso em súplica perante Deus, uma boa mensagem que alegra justamente a estes. – Por isso, lemos no v. 18: Ele me enviou para evangelizar aos indigentes. A expressão “indigente” refere-se aos materialmente pobres e que se tornaram também interiormente pobres pelo Espírito Santo (cf. Comentário Esperança, Mateus, o exposto sobre Mt 5.3, p. 76s). Aqueles que têm consciência dessa sua miséria (cf. a primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha) são receptivos para a boa nova da graça. “Jesus não se considera enviado aos que acreditam que não precisam de ajuda nem de quem os auxilie, mas àqueles que sofrem com a própria situação e com a situação do mundo, esperando por socorro. É para estes que a mensagem de Jesus é notícia alegre”, diz um comentarista. O fato de que as ilustrações são retiradas da esfera social, anunciando primeiro aos indigentes e desprezados na vida a salvação e alegria, não constitui apenas uma predileção de Lucas, mas está profundamente embasado em toda a revelação de Deus com tal, porque representava a vinda de Deus aos humanos. Não obstante Lucas não perde nenhuma oportunidade para dar destaque especial a esse aspecto. Afinal, não há melhor forma de retratar a graça do que pela condescendência com o que não é nada. Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.] 

2. A realeza do Messias. A mensagem angélica anunciada aos pastores que se encontravam no campo era que havia nascido na ''cidade de Davi, [...] o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc
2.11). Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica (Mq 5.2). Mas o Messias não apenas nasce em Belém, cidade de Davi, Ele também possui realeza porque é da descendência de Davi, como atesta a sua árvore genealógica (Lc 3.23-38). Mas não era só isso. Lucas também detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias aos camponeses! Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor (Lc 2.11). Essas palavras proferidas pelo anjo, além de mostrar a realeza do Messias, destacam também a sua divindade. Jesus é Deus feito homem! [Comentário: «...nasceu na cidade de Davi...». Aqui encontramos o paradoxo da encarnação. Quão estranhamente se combinam as palavras destes versículos: «...o Salvador...Cristo, o Senhor...uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura... Essas frases têm sido ouvidas e lidas tão frequentemente que a primeira impressão deixada por elas já se embotou para muitos. Não obstante, por si mesmas devem ter parecido a princípio impossíveis e inacreditáveis. Seria uma manjedoura lugar próprio para aquele que foi enviado pelo Deus altíssimo? Um estábulo seria o lugar onde se esperaria encontrar o Salvador recém-nascido? No entanto, o mistério e a maravilha da encarnação se fazem presentes precisamente no fato que essas coisas assim aconteceram. Pois por ocasião do nascimento de Jesus, em Belém, e em tudo que a vida de Jesus haveria de revelar posteriormente, encontramos a mensagem de que não somente existe Deus, mas também que Deus se aproxima extraordinariamente de nós. Crer que Deus está acima de nós é uma coisa. Crer que Deus é uma força suficiente para nós é uma confiança inteiramente diferente, inspiradora. E crer que Deus é não somente todo-poderoso, mas também se mostra todo-suficiente, e é Deus conosco, Deus próximo de nós, é algo que nem podemos começar a compreender, e é a melhor de todas as coisas» (Walter Russel Bowie, in loc.). Naturalmente que devemos observar, em companhia de quase todos os comentaristas das Escrituras, que—a humildade do nascimento—de Jesus concorda com a posição por ele ocupada na vida, e com as suas maneiras. E também se coaduna com aqueles para quem veio ministrar. Ele tratava com as pessoas em suas ocupações ordinárias, trabalhou como carpinteiro, falava sobre mulheres que teciam e amassavam a massa, sobre o semeador em seu trabalho de semeadura, e sobre os pastores que vigiavam os seus rebanhos. Jesus cresceu como todo homem deve crescer, e desenvolveu-se como todo homem deveria fazê-lo. Aprendeu a andar com Deus, e, na qualidade de homem, desenvolveu grandes poderes espirituais. Jesus foi, ao mesmo tempo, o caminho e o indicador do caminho. E do modo como ele andou também nos compete andar; e assim como ele compartilhou plenamente de nossa natureza, assim também haveremos de compartilhar plenamente da dele. (Ver humanidade de Cristo e sua importância para nós, em Fil. 2:7, bem como a transformação de nossa natureza na dele, em Rom. 8:29 e Efé. 1:23). «Existem alguns trechos, nas Escrituras, onde as palavras Cristo e Senhor aparecem juntas. No cap. 23:2 temos Cristo, o Rei, e em Atos 2:36 encontramos Cristo e Senhor. E não vejo outra maneira de compreender a palavra ‘Senhor’ senão como um paralelo do termo hebraico Jeová» (Alford, in loc., apoiado por outros comentaristas e intérpretes, como Wordsworth). A conexão entre Cristo e Senhor também ocorre em Col. 3:24. O povo, ao tempo do império romano, acostumara-se a intitular o imperador de «Salvador»; mas os cristãos aplicam esse titulo a Jesus Cristo. Muitas dificuldades e perseguições houve contra os cristãos, por causa dessa doutrina. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 29.] 

SÍNTESE DO TÓPICO III
Os pastores que estavam no campo foram os primeiros a saber que o Filho de Deus havia nascido.

No anúncio do nascimento de Jesus, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo.


IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO

1. Judeus piedosos. Lucas mostra que o nascimento de Jesus aconteceu sob o judaísmo piedoso. Ele ocorre dentro do contexto daqueles que alimentavam a esperança messiânica. São pessoas piedosas que aguardavam o Messias e, quando Ele se revelou, elas prontamente o reconheceram. Primeiramente, Lucas cita Zacarias, um sacerdote piedoso e sua esposa, Isabel. A Escritura sublinha que ambos eram justos diante de Deus e viviam irrepreensivelmente nos preceitos e mandamentos do Senhor (Lc 1.6). Lucas apresenta também Simeão, outro judeu piedoso de Jerusalém, e que esperava a consolação de Israel. A ele foi revelado, pelo Espírito Santo, que não morreria antes que visse o Messias {Lc 2.25,26). Da mesma forma a profetisa Ana, uma viúva piedosa, que continuamente orava a Deus e jejuava. Quando viu o menino Jesus, deu graças a Deus por Ele e falava da sua missão messiânica (Lc 2.36-38). [Comentário:  Simeão era nome bem comum, e com esse nome figuram diversos personagens bíblicos bem conhecidos. Alguns têm pensado que esse Simeão tivesse sido filho dó famoso rabino Hilel e pai de Gamaliel, mencionado em Atos 5:34, e que foi o mestre de Saulo de Tarso. Acerca disso não possuímos qualquer informação segura. Mas os pormenores com que contamos são suficientes em si mesmos. Simeão era homem justo, piedoso, devoto (palavra empregada somente por Lucas, neste ponto, e em parte alguma do N.T. encontrada além desta passagem; significa temente a Deus, e os seus cognatos podem ser encontrados em Heb. 4:5-7 e 12:28. Quando aplicada a questões religiosas enfatiza o elemento da circunspecção, da cautela, da observância cuidadosa dos preceitos divinos, e por isso mesmo expressa muito bem a ideia da piedade, segundo é retratada no V.T., com suas muitas leis e ordenanças. Ver também Atos 2:5). Esse homem, pois, esperava a consolação de Israel, o que é uma referência direta à promessa e às profecias messiânicas. Pelo texto também ficamos sabendo que ele recebeu uma revelação especial para entender aquele acontecimento, e que o mesmo deveria estar bem próximo. (Ver os vss. 35 e 30). O vs. 35 indica, igualmente, que ele percebeu que o sofrimento faria parte do destino do Messias, tanto quanto a glória; mas essa glória futura do Messias não é omitida. Se Simeão entendeu ou não perfeitamente tudo quanto estava envolvido nessas profecias, não sabemos dizer; mas o mais certo é que ele não percebia todo o seu alcance. Lemos, na história, que Simeão não era o único a esperar pelo Messias, naqueles dias, pois através da leitura das profecias de Daniel, tal como aquela encontrada em Dan. 9:26, um remanescente esperava o cumprimento das promessas messiânicas justamente no tempo de Jesus Cristo. Algumas lendas se têm desenvolvido em torno da pessoa de Simeão, como no caso de muitas outras histórias presas ao Antigo ou ao Novo Testamentos, onde realmente não possuímos qualquer informação sólida que esclareça as identidades. Entretanto, o evangelista teve o cuidado de tornar conhecida a identidade desse homem quanto ao seu estado espiritual, embora não nos informasse sobre as suas circunstâncias humanas. A inscrição na lápide de um soldado, no estado de Virgínia, nos Estados Unidos da América do Norte, expressa a mesma ideia, ao dizer: «Quem foram eles, ninguém sabe; que foram eles, todos sabem». «Revelara-lhe o Espírito Santo...». Certa passagem, em Eyth. Zig,, menciona uma tradição com esse sentido; mas provavelmente não é uma tradição separada, mas apenas uma tradição que procura ornar o texto. Sabemos tão-somente que Simeão gozava de uma presença especial do Espírito Santo e sua orientação, análoga àquela forma superior de vida espiritual que, em dias mais antigos, era expressa pela expressão «andar com-Deus». Lucas indica que, por causa dessa unção especial do espírito, Simeão foi conduzido ao templo naquele dia particular, e que reconheceu ao Cristo. Tudo isso parece indicar alguma forma especial de manifestação do Espírito Santo em sua vida. Não lemos que a Simeão tivesse sido revelado qualquer coisa sobre Jesus, sobre as narrativas acerca de seu nascimento, sobre o milagre de sua concepção virginal ou sobre as visitações angelicais; não obstante, reconheceu a identidade da criança. Bengel observa a doce antítese que aqui aparece entre dois espetáculos, o fato de ter visto «o Cristo do Senhor», antes que ele «visse a morte». Lange observa admiravelmente que «Simeão, no sentido mais nobre do termo, é o eterno judeu do Velho Pacto que não pode morrer antes de ter visto o Messias prometido. Foi-lhe permitido dormir na paz de seu Senhor, antes da crucificação dele». A expressão «o Cristo do Senhor » é um título judaico, anterior ao cristianismo, que significa «o Messias de Deus», isto é, o ungido de Deus. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 33.]

2. Rituais sagrados. Lucas coloca o cristianismo dentro do contexto do judaísmo e não como uma seita derivada deste. Como qualquer judeu de seu tempo, Jesus se submete aos rituais da religião judaica (Lc 2.21-24). Como Homem Perfeito, Ele cumpriu toda a lei de Moisés.[Comentário: «...circuncidado o menino, deram-lhe o nome Jesus...» Uma vez mais vemos que uma criança recebe nome por ocasião de sua circuncisão. Quanto a uma explicação completa a esse respeito, bem como acerca do sentido e da história do rito da circuncisão, ver as notas em Luc. 1:59. «Jesus». (Luc. 1:31). Lucas teve o cuidado de salientar que esse nome foi dado de acordo com a proclamação angelical (1:31). «..purificação deles...» Alguns manuscritos, principalmente o códex (D) dizem dela, referindo-se à purificação de Maria após o parto, e isso é seguido por algumas traduções, tal como a KJ; mas essa alteração de «deles» para «dela» foi efetuada a fim de fazer o texto conformar-se à regulamentação de Lev. 12:6. Assim sendo, quase todos os mss e traduções dizem «deles». Após o parto, a mulher ficava cerimonialmente impura (separada da adoração formal) durante quarenta dias, se o filho fosse do sexo masculino, e durante oitenta dias, se fosse uma menina. (Ver Lev. 12:1-8. onde se leem esses regulamentos bíblicos). A impureza podia ser física. cerimonial ou moral. Aquele que participasse da adoração deveria ser fisicamente puro, além de estar cerimonialmente limpo (mediante observância de muitas leis variegadas concernentes ao que podia ser tocado, comido, etc.) e moralmente limpo, através da observância da lei moral, Principalmente os dez mandamentos. É possível que o fluxo de sangue, após o nascimento de uma criança, assim tomando a mãe supostamente «fisicamente inquira», tivesse dado lugar a esse regulamento e à subsequente cerimônia de purificação da mãe. No N .T., o evangelho eliminou tais leis como princípios de adoração. Embora muitas delas são proveitosas como medidas de higiene. Os judeus ampliavam a grandes proporções as coisas mais comezinhas, e algumas leis, que eles mesmos reputavam secundárias, acerca da impureza, eram observadas como grandes questões religiosas. No fim do período do tempo designado pela lei, a mãe oferecia certos sacrifícios no templo, estipulados pela lei, devido à sua impureza, e assim ela ficava cerimonialmente limpa. «.. .para o apresentarem ao Senhor. » Isso foi feito de conformidade com a estipulação de Êx. 13:2, quando o primogênito era criança do sexo masculino. Obviamente era um testemunho da ideia do sacerdócio dos primogênitos, como sobrevivente da ideia em prática, mesmo depois das funções desse sacerdócio terem sido superadas pelo sacerdócio dos filhos de Aarão. Os primogênitos de cada família ainda tinham por obrigação levar uma vida consagrada e tinham de reputar-se pessoas dedicadas a certos misteres especiais. (Ver Heb. 12:23, que indica que todos os crentes devem pensar sobre si mesmos nesses termos, porquanto todos os crentes são «primogênitos» e «primícias» da humanidade, segundo aprendemos em Tia. 1:18). Como expressão formal dessa obrigação, o pagamento de pequena quantia em dinheiro era esperado, feito ao sacerdócio aarônico (ver Núm. 18:15). O rito da apresentação era diferente do rito da purificação, mas é patente que os dois ritos são mesclados nesta narrativa de Lucas. A lei provia a «redenção» dos meninos primogênitos mediante a oferta de um substituto (Êx. 13:13), mas Lucas omite qualquer menção sobre isso. Lucas apresenta—o quadro inteiro—como apresentação do menino Jesus ao serviço de Deus, e a história foi arranjada de acordo com a narrativa acerca de Samuel, que encontramos na passagem de I Sam. 1:24-28. «...para oferecer um sacrifício... » A citação é tirada de Lev. 12:8, e isso fala sobre o sacrifício que deveria ser oferecido pela mãe pobre, incapaz de oferecer um cordeiro; em outras palavras, era o sacrifício oferecido pelos pobres, o que nos serve para indicar o estado financeiro da família de José. O preço dos pombos seria o equivalente a alguns poucos centavos. De conformidade com o trecho de Êx. 13:2-12, todos os primogênitos deveriam ser redimidos por tal orientação como—memorial— do fato que as famílias israelitas foram poupadas, quando o anjo destruidor passou por cima do sangue, durante a «páscoa». Também lemos que se dois pombinhos fossem dispendiosos demais para uma família, então poderia ser oferecida uma porção de farinha de trigo, embora sem os usuais acompanhamentos fragrantes de azeite e incenso, o que também se dava no caso da oferta pelo pecado. (Ver Lev. 12:6-8 e 5:7-11). Assim sendo, vemos que a família do Senhor Jesus era pobre, embora não vivesse em pobreza abjeta, posto que preferiram a categoria intermediária. (Á visita dos magos, segundo ficou registrada exclusivamente pelo evangelho de Mateus—2:1-12—mui provavelmente antecedeu a essa ação no templo. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 32-33.]

SÍNTESE DO TÓPICO IV
José e Maria, como pais piedosos, seguiram todos os rituais do judaísmo no nascimento de Jesus.

Lucas lembra o fato de que Cristo nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica.


CONCLUSÃO

Já observamos que Lucas procura situar o nascimento de Jesus dento do contexto histórico. Dessa forma ele dá detalhes sobre fatos da história universal mostrando que Deus foi, é e continuará sendo Senhor da História. É dentro dessa história que se cumpre as profecias. O Messias prometido, diferentemente do Messias esperado pelos judeus, nasce em uma manjedoura e não em um palácio. Os pobres, e não os ricos, são os convidados a participar do seu natal. A Lógica do Reino de Deus se manifesta oposta à do reino dos homens. Todos aqueles que se sentem carentes e necessitados são convidados a participarem dele. [Comentário: “A religião judaica foi tipo que uma "terra arada" e o cristianismo foi a semente plantada nessa terra. Quando ocorreu a diáspora judaica, os judeus espalharam a ideia de que: iria vir um messias, e ele ia ser a esperança do mundo, ele ia ter a salvação” Plenitude dos tempos (Gálatas 4:4)-Danyllo Gomes, em http://verdadedocristianismo.blogspot.com.br/2012/03/plenitude-dos-tempos-galatas-44.html. Deus é soberano na história, preparou o cenário para a aparição do Messias, no tempo exato. A “plenitude dos tempos” é o tempo pré-determinado por Deus desde antes da fundação do mundo, para libertar os que estavam debaixo da Lei, nos tornar Seus filhos pela adoção de filhos que há em Jesus Cristo e tornar a congregar em Cristo todas as coisas. A plenitude dos tempos é o momento histórico em que Deus se fez carne para manifestar a Sua Graça e Verdade aos Seus filhos gentios.]  “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
Campina Grande-PB
Abril de 2015

LIÇÃO 02 – O NASCIMENTO DE JESUS - 2° TRIMESTRE 2015 (Luciano de Paula Lourenço)

INTRODUÇÃO

Nesta Aula trataremos acerca do Nascimento de Jesus Cristo. Indubitavelmente o maior e o mais impactante acontecimento da história da humanidade. Foi o cumprimento da promessa de Deus logo após a queda do homem, no afã de restaurá-lo ao status quo da criação (Gn 3:15). Sem esse acontecimento o ser humano estaria perdido para sempre. É possível perceber como Deus moveu céus e terra para que, na plenitude do tempo, de acordo com Gálatas 4:4, Jesus, o próprio Deus encarnado, nascesse para trazer salvação a toda humanidade: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”. O nascimento de Jesus significou boas-novas de salvação para toda a humanidade.

I. O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO

Deus usou César Augusto (Lc 2:1), o imperador romano, para a concretização dos seus planos. Ele foi o primeiro imperador chamado de Augusto, título dado pelo Senado que significava exaltado, denotando dignidade e pressupondo veneração religiosa. Deus, em sua soberania, o usou para publicar um decreto, fazendo o Messias nascer em Belém de Judá, na nação de Israel, para cumprir as profecias do Antigo Testamento.

O imperador César Augusto, que era reverenciado como divindade, foi usado pelo verdadeiro Deus para determinar a ida de José e Maria à cidade de Davi para registrarem-se – “Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade” (Lc 2:3). Nessa ocasião, como na eternidade havia sido planejado, Deus veio ao mundo, encarnado, nascendo exatamente em Belém, como já havia sido profetizado pelos profetas (Mq 5:2).

Belém era uma pequena vila, talvez com apenas uma hospedaria, e tinha recebido muitas pessoas de outros locais por causa do recenseamento. Estava lotada e, por isso, José e Maria não acharam lugar e ficaram mesmo numa rude estrebaria, onde nasceu o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Salvador do mundo.

Segundo estudiosos, César Augusto com seu decreto objetivava arrecadar mais impostos, recrutar para o serviço militar e fazer a contagem dos povos conquistados para dimensionar a grandeza do seu império, porém, Deus o escolhera como um instrumento para realizar os planos eternos da salvação da humanidade.

O decreto de César Augusto foi editado no tempo perfeito de Deus e de acordo com o seu perfeito plano de trazer seu Filho ao mundo. Jesus, portanto, nasceu em Belém para que, também se cumprisse a profecia que diz: “Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5:2). Jesus nasceu numa simples manjedoura (Lc 2:7), com toda simplicidade incontestável (Lc 2:12).

1. Poesia e profecia. Em Lucas 1:46-56 temos o registro do cântico de Maria. Esse cântico é famoso e tem sido conhecido como o Magnificat. É um irrompimento de louvor. Há, em especial, um bom número de semelhanças com o cântico de Ana (1Sm 2:1-10). As palavras de Maria expressam o louvor de sua alma que transbordou de alegria ao receber a bondade de Deus. Foi uma expressão de profunda satisfação de Maria diante da bondade divina. O cântico pode ser dividido em três estrofes. (1)

- Na primeira estrofe, nos versos 46 a 50, destacamos:

a) O louvor de Maria por ter sido a escolhida para ser o veículo que traria Cristo ao mundo. Não foi ela quem escolheu ser a mãe do Senhor. Foi o próprio Deus que soberanamente a escolheu para trazer Jesus a terra. Nós não podemos transformar Maria numa deusa, nem numa corredentora ao lado de Cristo, pois a Bíblia diz que há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo, homem (1Tm 2:5). Porém, não podemos deixar de reconhecer a posição única dessa mulher como bem-aventurada entre todas as mulheres.

b) O fato de Maria chamar Deus de meu Salvador demonstra que precisava de um Salvador, precisava de salvação. Maria era como nós, necessitada de salvação. Esse é o motivo por que não podemos levantar um altar em sua honra.

c) Maria afirmou a sua baixeza, isto é, a sua total dependência de Deus, e sua completa incapacidade diante dos assombrosos planos divinos, revelando sua profunda humildade.

d) Maria reconheceu o poderio do Senhor que faz grandes coisas, e fez em particular a ela, escolhendo-a.

e) Maria ressaltou a santidade e a misericórdia divina que se estende de geração em geração a todos os que o temem, isto é, aqueles que vivem de acordo com a sua vontade!

- Na segunda estrofe, nos versos 53 a 53, podemos ressaltar:

a) Maria fez ressoar o clamor dos humilhados e rejeitados pela sociedade.

b) Maria mostrou que Deus agiu com o seu poderoso braço, intervindo na história do homem que soberbamente desprezava os mais pobres.

c) Nas suas palavras é possível unir a ação divina no passado e no futuro.

d) Ao olhar para o futuro, Maria profetizou, pois o tempo do verbo no original é um "ariosto profético", demonstrando que essa ação divina é contrária aos soberbos e poderosos.

e) Quando Deus age, Ele é quem exalta aquele que se humilha sob sua poderosa mão divina.

- Na terceira estrofe, nos versos 54 e 55, encontramos:

a) A garantia do cuidado e do amparo divino.

b) A relação servil de Israel para com Deus.

c) A constância de Deus, caracterizada por sua misericórdia.

d) A destinação da misericórdia divina a toda descendência de Abraão, não só física, mas espiritual.

e) A fidelidade de Deus em cumprir as suas promessas.

Em Lucas 1:56 vemos que Maria ficou com Isabel por mais três meses, provavelmente até que sua prima desse à luz, voltando depois para sua casa, em Nazaré. Certamente naquela cidade se realizaram os acontecimentos descritos em Mateus 1:18-25, que nos fala sobre a instrução divina para José receber Maria, que estava grávida, pois o que nela estava sendo gerado era obra do Espirito Santo.

2. A restauração do Espírito profético. Lucas enfatiza a pessoa do Espírito Santo tanto no Evangelho quanto em Atos, mencionando-o 53 vezes nos dois livros. E, prossegue seu registro mostrando que estava sendo inaugurada uma nova maneira de Deus relacionar-se com o homem: Estava sendo iniciada a "era do Espírito".

Em Lucas 1:41 temos o relato de um milagre. Trata-se de um fato sobrenatural. Não há explicação natural para a situação descrita aqui. Vemos que a criança estremeceu no ventre da mãe após a saudação de Maria, e Isabel ficou cheia, plena, do Espírito Santo. No verso 42 Isabel, cheia do Espírito Santo, saúda Maria com as seguintes palavras: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre!”. Somente pelo Espírito Santo é que Isabel poderia saudar Maria daquela maneira. E como você pode perceber por essa saudação, Maria já estava grávida. Foi pelo Espírito Santo que Isabel reconheceu que sua prima estava gerando o Redentor da humanidade. É só pelo Espírito Santo que um homem pode reconhecer que Jesus é Deus e deve ser seu Senhor!

Em Lucas 1:43,44 Isabel continuou falando pelo Espírito, reconhecendo que a criança que estava sendo gerada em Maria era o seu Senhor! Isabel, cheia de fé, também disse que João, em seu ventre, alegrou-se pela presença do Salvador em sua casa. De alguma maneira que nós, humanos, não conseguimos entender, o Espírito Santo produziu alegria na criança que ainda nem tinha nascido.

Lucas 1:45 diz que aquele momento foi muito importante para as duas primas. Para Isabel foi marcante, porque ficou cheia do Espírito Santo. Para Maria foi importante, porque recebeu o testemunho de uma pessoa que também estava sendo usada de modo especial pelo Espírito Santo. Maria precisava daquele momento, daquele encontro com Isabel. Ela era muito jovem e Isabel já tinha uma idade avançada. Isabel podia ajudar muito a prima numa ocasião como aquela.

E como Isabel ajudou Maria? Isabel chamou Maria de mulher bendita entre as mulheres. Não disse que ela era bendita acima das mulheres, mas que era abençoada entre as mulheres. Isabel ressaltou a fé de Maria. Ao contrário de Zacarias, Maria creu! Isabel também confirmou que Maria confiou plenamente nas palavras do Senhor. Era uma mulher que precisava de encorajamento e de compreensão numa ocasião como aquela. E em Isabel Maria encontrou grande ajuda.

Você tem sido uma fonte de encorajamento para os seus irmãos? Tem sido um apoio para as horas de dificuldades daqueles que convivem com você?

II. O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS

1. Zacarias e Izabel. Em Lucas 1:6 lemos o seguinte a respeito de Zacarias e Isabel: “Ambos eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor. Eles estavam em comunhão com Deus”.

Mas apesar de andarem em comunhão com Deus, enfrentavam um problema que lhes tirava toda a alegria. Eles não tinham filhos. Para um casal judeu isso era muito triste. De acordo com Lc 1:7 eles formavam um casal de velhos e não tinham filhos. Era uma grande tristeza para uma mulher judia.

Apesar de tudo, Zacarias servia ao Senhor no templo. Ele era da tribo de Levi e, naquele momento, estava servindo ao Senhor no altar da oração. O seu turno ou horário de trabalho era noturno. Estava pondo incenso no altar quando lhe apareceu um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do incenso. E Zacarias temeu. O fato de ter medo não depõe contra ele. Sua reação foi normal para quem vê um anjo. Se você visse um anjo não faria a mesma coisa? A sua reação seria a mesma de Zacarias e, provavelmente, você ficaria temeroso.

Porém, o anjo disse para Zacarias não temer. A oração de Zacarias e Isabel fora ouvida: “Isabel tua mulher, te dará à luz um filho, a quem darás o nome de João” (Lc 1:13).

Certamente Zacarias permanecia no templo ministrando ao Senhor, mas também orando por um filho. E a sua esposa também orava pelo mesmo motivo. Eu sei que muitos casais cristãos oram também pela benção de gerarem um filho. O povo de Deus pode orar por essa bênção, pois homens e mulheres santos do passado oraram e suas orações foram honradas.

O filho de Isabel e Zacarias deveria ser nazireu. Os nazireus não tomavam vinho ou bebida forte, não cortavam os cabelos e achavam a sua alegria no Espírito de Deus.

A missão de João Batista era muito importante. Ele era o precursor do Messias. Veio para converter os corações dos pais e dos filhos. Converter muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Converter os corações dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos. Tudo indica que havia um problema muito grande entre os pais e os filhos naquele tempo. É um problema que talvez acompanhe os séculos. Porém, o maior problema em nossos dias não está no relacionamento entre país e filhos, mas entre os pais e Deus. Quando o pai tem um relacionamento correto com Deus, não terá dificuldades para relacionar-se com seus filhos.

2. José e Maria. Em Lucas 1:26,27 lemos o que aconteceu seis meses depois que o anjo Gabriel apareceu a Zacarias. O anjo Gabriel foi enviado à cidade de Nazaré e anuncia a Maria que ele geraria um filho. Em Lucas 1:28 temos a saudação de Gabriel a Maria: “E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo”. Favorecida, ou agraciada, quer dizer que Deus a escolheu para ser o veículo por meio do qual traria o salvador ao mundo.

Em Lucas 1:29 encontramos a primeira reação de Maria ao anúncio do anjo. Ela perturbou-se muito e pôs-se a pensar no significado dessa saudação. Quando o sobrenatural toca no que é natural, produz perplexidade, produz temor. Não sei como você encararia um anjo que se apresentasse diante de você. Certamente a sua reação seria a mesma de Maria.

Em Lucas 1:30-33, Gabriel anuncia que Maria havia achado graça diante de Deus e que seria usada como instrumento divino para trazer ao mundo o Filho do Altíssimo. Que grande privilégio! Gabriel, então, descreve quem seria esse bebê que iria nascer:

a) Seu nome seria Jesus.

b) Seria chamado filho do Altíssimo.

c) Seria alguém reconhecido como filho de Davi.

d) Seria alguém da linhagem real.

e) Seria alguém que reinaria para sempre: “O seu reinado não teria fim!”.

f) Ele seria santo (Lc 1:35).

g) Seria chamado Filho de Deus.

Em Lucas 1:34 vemos a reação de Maria: “Como será isto?”. Essa foi uma boa pergunta. E ela apresentou a razão para o questionamento: "Eu nunca tive relação sexual com homem algum. Como posso dar à luz?”.

Então, em Lucas 1:35, Gabriel descreve como tudo aconteceria: O Espírito Santo teria papel fundamental, o poder do Deus Altíssimo a envolveria com a sua sombra e Maria ficaria grávida.

Vemos, aqui, que o menino que nasceria era divino, Filho de Deus, no sentido de ser da mesma natureza divina de Deus. Ele não seria filho de José, noivo de Maria.

Portanto, o nascimento de Jesus foi independente de qualquer homem. A semente humana é pecaminosa. Nenhum homem pode procriar um ser que seja santo. Todos os homens são pecadores. Davi, o rei salmista, quando falou a respeito do seu próprio nascimento, disse: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5). Quando a pessoa nasce, já possui a contaminação pelo pecado. Já nasce com o vírus do pecado.

Então, para que Jesus nascesse, teve de ser gerado de Deus, por meio do Espírito Santo. Esse é o motivo por que dizemos que Ele foi gerado por obra e graça do divino Espírito Santo.

III. O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES

1. A nobreza dos pobres. Em Lucas 2:8-20 temos o relato do anúncio angelical do nascimento do Filho do Homem aos pastores, os quais, segundo estudiosos, eram desprezados pela maioria da sociedade, porque, pelo trabalho que tinham, ficavam quase impedidos de observar a lei cerimonial. Eles não eram dignos de confiança e seus testemunhos não eram aceitos nos tribunais. Deus mobilizou seus anjos para anunciarem não a Herodes, não a César Augusto, mas aos pastores de Belém, as boas-novas de grande alegria: o nascimento de Jesus, a vinda do Salvador, o Messias, o Filho do Homem.

A beleza celestial revelada aos pastores mostra como Deus trata as pessoas de um modo diferente de nós. Aquela revelação celestial não foi feita aos reis ou imperadores da terra, não foi feita nos teatros dos grandes centros de então, nem nos palácios suntuosos dos Césares, nem dos Herodes, mas na campina de Belém onde estavam os pobres pastores. A eles Deus revelou a sua glória. Aquele momento tinha que ser revestido de glória celestial, pois a maior mensagem de todos os tempos estava sendo entregue: “Eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:10,11).

Em Lucas 2:12 os anjos dão o sinal para que os pastores encontrem Jesus: “Encontrareis uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura”. Essa é a grande notícia divina. O Rei da glória se fez homem e humilhou-se nascendo em humilhação, identificando-se com os desprezados pela sociedade.

Em Lucas 2:14 a mensagem dos anjos ecoou pelas campinas, invadindo a noite de Belém. Eles louvaram a Deus, dizendo: “Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem ele quer bem!”. A mensagem divina é de paz aos homens. O pecado trouxe inimizade, mas Jesus pode dar paz aos que creem. O homem não terá paz a não ser que tenha Cristo como seu Salvador.

Os pastores foram e viram tudo o que os anjos tinham anunciado. Ficaram maravilhados com o que viram e ouviram. Eles saíram anunciando a todos o que contemplaram (Lc 2:20). É maravilhoso quando o homem vai a Cristo e recebe a mensagem do amor divino. Ele é transformado e passa a anunciar aos outros o que Jesus representa para a sua vida. Você tem compartilhado sobre o que Jesus é para você? Ah! Precisamos mais do que nunca dar um testemunho mais vibrante da pessoa sublime e gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. O mundo necessita ouvir essa mensagem.

2. A realeza do Messias. Lucas detalha como o anjo de Deus falou da realeza do Messias e da Sua divindade aos camponeses: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu paie reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc 1:33). “Ele é o Salvador, o Cristo, o Senhor” (Lc 2:11).

Em Hb 1:8, lemos: “Mas do Filho diz: ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino”. Aqui o Filho é chamado Deus, como de fato Ele o é, além de ser também Rei, cujo cetro (símbolo da autoridade real) é de retidão.

Jesus é Rei, não só rei dos judeus (Mt 2:2; 27:11; Lc 23:3; João 1:49), mas também Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19:16). O principado está sobre os seus ombros, ou seja, o governo do mundo lhe foi destinado (Is 9:6) e, como Rei, governará o mundo com paz e justiça. Enquanto na Terra, Jesus disse que seu reino não era deste mundo (João 18:36), mas dias virão em que o reino será restabelecido em Israel (At 1:6,7) e, de Israel, Jesus reinará sobre todo o mundo por mil anos(Ap 20:1-6).

CONCLUSÃO

Jesus foi enviado a terra para trazer a paz, a alegria, o amor, o verdadeiro sentido para nossa vida e o direito de desfrutarmos da vida eterna. Não podemos esquecer que o Seu nascimento mudou a nossa história por completo. Estávamos condenados à morte e ao sofrimento eterno. Seu nascimento, Sua vida, Sua morte e Sua ressurreição trouxeram novas esperanças e a confiança de que um dia todos nós estaremos com Ele, em Sua glória, vivendo eternamente em Seu Reino. Amém!

------

Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

LIÇÃO 02 – O NASCIMENTO DE JESUS - 2° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos algumas profecias do AT que tratam do nascimento de Jesus, estudaremos alguns aspectos
relacionados quanto ao local de sua natividade e a observância da Lei pelos seus pais. Ainda analisaremos a doutrina do
auto esvaziamento ou kenosis e também da união das duas naturezas que conhecemos como união hipostática.
I - O NASCIMENTO DE JESUS E AS PROFECIAS DO AT
Muitas pessoas duvidam que Jesus tenha realmente nascido e existido, mas muitos historiadores escreveram sobre
Ele como os historiadores romano Tácito, Plínio, o historiador judeu Flávio Josefo e até o Talmude se refere a Jesus de
Nazaré como uma pessoa histórica. Os dois primeiros capítulos do Evangelho de Lucas preocupam-se com as
circunstâncias do nascimento de Jesus e indicam claramente que a vinda do Salvador foi uma intervenção direta de Deus
nos negócios humanos. Há mais de trezentas referências do AT que se cumpriram em Jesus. Vejamos algumas:
PROFECIA PROFETIZADO EM: CUMPRIDO EM:
O Messias seria filho da mulher Gn 3.15 Gl 4.4
O Messias seria descendente de Abraão, Isaque e Jacó Gn 12.3; 17.19; 28.14 At 3.25; Lc 3.23; Mt 1.1-13
O Messias descenderia da tribo de Judá Gn 49.10; Sl 2.6-9 Lc 3.33,34; Mt 1.2-3
O Messias descendente de Davi e herdeiro do trono II Sm 7.12-13; Sl 132.11; Jr 23.5 Mt 1.1,6
O Messias nasceria de uma virgem Is 7.14 Mt 1.18 Lc 1.26-35
O Messias seria chamado do Egito Os 11.1 Mt 2.15
O Messias nasceria em Belém Mq 5.2 Mt 2.1-2
II – O NASCIMENTO DE JESUS, LOCAL E O TEMPO
Sete séculos antes de Cristo, já havia profecia sobre seu nascimento. O profeta Miqueias é bem explícito em indicar
o lugar desse acontecimento de forma peremptória (decisiva, incontestável) e inegável dando-lhe seu antigo nome aramaico
Efrata, além do nome hebraico Belém, ambos significando “casa de pão”. Tanto a divindade como a humanidade de Cristo
são claramente apresentadas neste versículo: como Homem, nasceu na estrebaria em Belém; como Deus, existia “desde os
tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Is 7.13,14; 9.6,7) (SHEDD, 1997, p. 1287 – acréscimo nosso). Lucas é o
único autor dos Evangelhos que data o seu material relacionando-o com o imperador reinante da época (Lc 3.1).
Analisemos:
3.1 “E aconteceu naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse”
(Lc 2.1). A expressão “Todo o mundo...” significa todo o império romano, e não todo o mundo conhecido. Augusto
ordenou que se fizesse um alistamento do império, o qual serviria de base para o lançamento dos impostos. O decreto foi
assinado cerca de 8 a.C., mas provavelmente não entrou em vigor senão alguns anos mais tarde (MOODY, sd, p. 13).
3.2 “Este primeiro alistamento foi feito sendo Quirino presidente da Síria” (Lc 2.2). Sulpicius Quirinius foi eleito
governador da Síria em 6 d.C., e realizou um recenseamento na Judéia naquela ocasião. Há boas evidências de que ele foi
governador duas vezes, e que o seu primeiro governo foi de 4 a.C. a 1 d.C. O recenseamento anterior devia estar
terminando quando ele assumiu o governo pela primeira vez (MOODY, sd, p. 14).
3.3 “E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade” (Lc 2.3). Na Judeia cada homem voltava à cidade dos seus
ancestrais onde ficavam guardados os registros de sua família. Tanto José quanto Maria (que estava prestes a dar à luz)
eram descendentes de Davi e, portanto, foram para a capital da sua tribo para serem registrados, uma viagem difícil de mais
de 112 quilômetros através de um terreno montanhoso (MACARTHUR, 2011, p. 11).
III – O NASCIMENTO DE JESUS E A OBSERVÂNCIA DA LEI
Lucas passa a nos contar algo acerca do menino Jesus (Lc 2.21-40). Sua coletânea de informações é maior do que
em qualquer dos demais Evangelhos. A circuncisão (Lc 2.21). Jesus foi circuncidado no oitavo dia de acordo com a lei
judaica (Gn 17.12). Nasceu “sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (G1 4.4-5) e foi, portanto, sujeitado às
exigências da lei. Lucas dá ênfase à nomeação do menino, como lhe chamara o anjo. A apresentação no Templo (Lc 2.22-
24). Duas cerimônias bem separadas são envolvidas aqui: a apresentação do menino e a purificação da mãe. A apresentação
do menino segue-se do fato de que todo primogênito ao Senhor será consagrado (Êx 13.2, 12, 15; Nm 18.15). Embora
Lucas não mencione o fato, sem dúvida os cinco siclos usuais foram pagos para “redimir” o primogênito (Nm 18.15-16).
A lei levítica estipulava que, depois do nascimento de um filho, uma mulher ficaria impura durante os sete dias até
a circuncisão do menino, e que, por mais trinta e três dias, devia manter-se afastada de todas as coisas sagradas num total
de 40 dias de purificação (para uma filha, o tempo era dobrado Lv 12.1-5). Na ocasião, devia sacrificar um cordeiro e uma
pomba ou pombo. Se fosse pobre demais para um cordeiro, bastaria uma segunda pomba ou pombo (Lv 12.6-13). A oferta
de Maria, portanto, foi a dos pobres.
IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O “AUTO-ESVAZIAMENTO” OU KENOSIS
O vocábulo “kenosis”, é oriundo do verbo grego, “kenoun”, que significa “esvaziar”. Talvez ele tenha relação com
expressões do AT na Septuaginta (Tradução do Antigo Testamento para o hebraico), que descreve o ato de “derramar” (Gn
24.20), “esvaziar” (Is 53.12). A expressão “ekenôsen” não tem a intenção de falar do sentido metafísico, isto é, que Cristo
tenha se despojado de seus atributos divinos, mas é uma expressão da totalidade de sua autorrenúncia. Ele não quis usar de
todos os seus direitos pessoais e seus interesses a fim de assegurar o bem-estar dos outros (MOODY, sd, p. 15). Abaixo
destacaremos duas interpretações da kenosis para melhor nosso melhor entendimento:
4.1 A maneira errada desta doutrina. A kenosis ou Teoria Kenótica ou ainda Teologia Kenótica surgiu quando vários
teólogos interpretaram Filipenses 2.5-7 erroneamente ensinando que Jesus deixou de ser Deus no seu auto esvaziamento.
Essa opinião da doutrina da kenosis postula que Jesus se “esvaziou da forma de Deus”, retendo apenas os atributos éticos
de sua divindade como amor, misericórdia, paz etc, e abriu mão dos atributos infinitos como onipotência, onipresença,
onisciência assumindo qualidades humanas.
4.2 A maneira correta desta doutrina. Concordamos com a ideia do “auto esvaziamento de Cristo”, mas não com a
noção de que ele deixou de ser divino, como alguns teólogos afirmam. A kenosis foi mais uma aquisição de atributos
humanos do que uma desistência dos atributos divinos. O Logos se tornou carne e, enquanto nesta forma, assumiu uma
subordinação temporária. Em outras palavras, sendo o Deus encarnado, ele livremente deixou de usar seus atributos (não
deixou de tê-los) especialmente os atributos incomunicáveis, como onipresença ou onipotência, embora estes atributos
ainda fizessem parte de sua natureza divina. [...] ao retornar ao trono celestial, ele assumiu novamente a plena igualdade,
em todos os sentidos, com o Pai (FERREIRA, 2010, pp. 529,530).
V - O NASCIMENTO DE JESUS E A UNIÃO “HIPOSTÁTICA” OU A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS
A afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações
soteriológicas fundamentais. Cristo é 100% Deus e 100% homem. A doutrina da união “hipostática” é definida pela
existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se
separam e nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só “subsistência” eternamente (GRUDEM,
1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o sempre, visto que
Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano (At 1.11; Ap 5.6). Vejamos:
5.1 Jesus é plenamente Deus. Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na
Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também
manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente
a Deus (Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23; Jo 5.17; etc.). Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2),
aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado
explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.
5.2 Jesus é plenamente homem. Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena
humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam
humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às
limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo
também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52),
mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano
completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem
recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e
imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada
(MORRIS, 2007, p. 83).
CONCLUSÃO
Aprendemos que Jesus é Deus, que há diversas profecias a seu respeito no AT que se cumpriram cabalmente no
NT, e ainda estudamos sobre duas importantes doutrinas sobre a pessoa do Cristo, a saber, a doutrina do auto esvaziamento
e a das duas naturezas com suas inferências na ortodoxia cristã.