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LIÇÃO 01 – O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - 2° TRIMESTRE 2015 (EBD Tube)

O Quê? DA LIÇÃO 01 - LUCAS INSPIRADO - 2° TRIMESTRE 2015 (EBD Tube)

LIÇÃO 01 – O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - 2° TRIMESTRE 2015 (Francisco Barbosa)

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

O Evangelho de Lucas é um dos livros mais belos e fascinantes do mundo. De fato, o terceiro Evangelho se distingue pelo seu estilo literário, pelo seu vocabulário e uso que faz do grego, considerado pelos eruditos como o mais refinado do Novo Testamento. Mas a sua maior beleza está em narrar a história da salvação (Lc 19-10). O autor procura mostrar, sempre de forma bem documentada, que o plano de Deus em salvar a humanidade, revelado através da história, cumpriu-se cabalmente em Cristo quando Ele se deu como sacrifício expiador pelos pecadores (Jo 10.11). Deus continua sendo Senhor da história e o advento do Messias para estabelecer o seu Reino é a prova disso. Lucas mostra que é através do Espírito Santo, primeiramente operando no ministério de Jesus e, posteriormente na Igreja, que esse propósito se efetiva. [Comentário: Lucas, o médico amado, não foi um apóstolo nem tampouco foi uma testemunha ocular da vida de Jesus, todavia deixou uma das mais belas obras literárias já escritas sobre os feitos do Salvador e os primeiros anos da comunidade cristã. Homem crente, cheio do Espírito do Senhor, com ampla visão da necessidade da obra, Lucas empregou seus dons ligados à palavra escrita para proclamar o que sabia a respeito de Jesus Cristo. Ele fora evangelista, pastor e chamado de “médico amado”, um tratamento afetivo que lhe dispensa Paulo em Cl 4.14. Seus pais eram de origem grega. Provavelmente converteu-se com a pregação de Paulo. Por ter amplo vocabulário e dom da comunicação, ao escrever o terceiro Evangelho e Atos, Lucas oferece-nos maior quantidade de informações históricas do que qualquer outro autor do Novo Testamento. Lucas é o autor do terceiro Evangelho e do livro de Atos (At 1.1-5). Os dois livros mostram uma similaridade de estilo. O escritor foi um companheiro de viagem de Paulo (At 16. 10-17).  E os dois documentos são dirigidos à mesma pessoa: Teófilo. O evangelho de Lucas foi escrito por volta do ano 60 d.C.] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!


1 - O TERCEIRO EVANGELHO

1. Autoria e data. Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14), a quem é atribuída a autoria do terceiro Evangelho, é citado no Novo Testamento três vezes. Todas as citações estão nas epístolas paulinas e são usadas no contexto do aprisionamento do apóstolo Paulo (Cl 4.14; Fm 24; 2 Tm
4.11). Embora o autor do terceiro Evangelho não se identifique pelo nome, isso não depõe contra a autoria lucana. Desde os seus primórdios, a Igreja Cristã atribui a Lucas a autoria do terceiro Evangelho. A crítica contra a autoria de Lucas não tem conseguido apresentar argumentos sólidos para demover a Igreja de sua posição. A erudição conservadora assegura que Lucas escreveu a sua obra (aproximadamente) no início dos anos sessenta do primeiro século da era cristã.  [Comentário: O Evangelho Segundo Lucas (em grego: Τὸ κατὰ Λουκᾶν εὐαγγέλιον; transl.: To kata Loukan euangelion) é o terceiro dos quatro evangelhos canônicos. Ele relata a vida e o ministério de Jesus de Nazaré, detalhando a história dos acontecimentos de Seu nascimento até Sua Ascensão. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o evangelista. Certas histórias populares, como o Filho Pródigo e o Bom samaritano, são encontrados somente neste evangelho. A obra tem uma ênfase especial sobre a oração, a atividade do Espírito Santo, a alegria e o cuidado de Deus para com os pobres, as crianças e as mulheres. Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus, mas volta sua atenção especialmente para a humanidade dEle, com Sua compaixão para com os fracos, os aflitos e os marginalizados. Com base em Lucas 1.1-4 e Atos 1.1-3, é evidente que o mesmo autor escreveu ambos Lucas e Atos, dirigindo os dois ao "excelentíssimo Teófilo", possivelmente um dignitário romano. A tradição desde os primeiros dias da igreja foi que Lucas, um médico e companheiro próximo ao Apóstolo Paulo, escreveu tanto Lucas e Atos (Colossenses 4.14; 2 Timóteo 4.11). Isto faria de Lucas o único gentio a escrever um dos livros da Escritura. De acordo com o prefácio do livro, o propósito de Lucas é relatar o início do Cristianismo, enquanto procura o significado teológico da história. A erudição cristã tradicional tem datado a composição do evangelho para o início dos anos 60 d.C., enquanto a alta crítica data para décadas mais tarde do século. Irineu, um dos pais da Igreja, já citava o Evangelho Segundo Lucas em seus escritos, por volta do ano 180 d.C. Alguns intérpretes argumentam a favor de uma data entre 75 e 85 d.C., afirmando que algumas passagens de Lucas pressupõem a destruição de Jerusalém, fato ocorrido em 70 d.C. (ex. 19.43; 21.20, 24). Mas essas passagens falam daquilo que era costumeiro quando um exército sitiava uma cidade da época, e não se podem acrescentar novas conclusões além daquilo que foi profetizado por Jesus. Jesus profetizou que as políticas em vigência levariam à ruína da nação no devido tempo. Alguns poucos críticos argumentam a favor de uma data no século II, mas parece não haver boas razões para isso. Com as informações que dispomos a data mais razoável é no início dos anos 60.] 

2. A obra. Lucas era historiador e médico. Ele escreveu sua obra em dois volumes (Lc 1.1-4; At 1.1,2). 0 terceiro Evangelho é a primeira parte desse trabalho e é uma narrativa da vida e obra de Jesus, enquanto os Atos dos Apóstolos compõem a segunda parte e narram o caminhar espiritual dos primeiros cristãos da Igreja Primitiva.  [Comentário: Muitos acreditam que o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos originalmente constituíam uma obra de dois volumes, compostos em grego koiné, que os estudiosos chamam de Lucas-Atos. O Evangelho de Lucas é único por ser uma narração meticulosa -- uma "exposição em ordem" (Lucas 1.3) compatível com a mente médica de Lucas -- muitas vezes dando detalhes que as outras narrativas omitem. A história de Lucas da vida do Grande Médico enfatiza o seu ministério - e compaixão – aos gentios, samaritanos, mulheres, crianças, cobradores de impostos, pecadores e outros considerados marginalizados em Israel. O estilo de Lucas é o mais literário de todos eles. Graham Stanton avalia a abertura do Evangelho de Lucas como "a frase mais refinada de todo o período pós-clássico da literatura grega". Linguisticamente, o Evangelho de Lucas divide-se em três seções. O prefácio (1:1-4), escrito num bom estilo clássico. O restante do capítulo 1 e o capítulo 2 têm um sabor nitidamente hebraico. É tão marcante que certo número de estudiosos chegou à conclusão de que aqui temos uma tradução de um original em hebraico. A partir de 3:1, Lucas escreve num tipo de grego helenístico que relembra fortemente a Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento. O vocabulário é extensivo e Lucas utiliza 266 palavras (além dos nomes próprios) que não são achados noutras partes do Novo Testamento. O estilo do Evangelho constantemente lembra a septuaginta. As citações do Antigo Testamento de Lucas são comumente tiradas daquela versão, e normalmente o autor emprega as formas de nomes próprios achadas ali. Às vezes a linguagem de Lucas contém hebraísmos e, às vezes, aramaísmos. Além disso, sua linguagem é mais semítica nalguns trechos do que noutros. Esses fatos parecem melhor explicados como sendo a reflexão das fontes de Lucas.Texto extraído de http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Lucas

3. Os destinatários originais. O doutor Lucas endereçou seu Evangelho a Teófilo, certamente uma pessoa importante que devia ocupar uma alta posição social, sendo citado como "excelentíssimo". Pode se dizer que além deste ilustre destinatário, Lucas também escreveu aos gentios. O terceiro Evangelho pode ser classificado como sendo de natureza soteriológica e carismática. Soteriológica, porque narra o plano da salvação, e carismática porque dá amplo destaque ao papel do Espírito Santo como capacitador do ministério de Jesus Cristo. [Comentário: Tal como Marcos (mas ao contrário de Mateus), o público alvo é a população de gentios de língua grega, assegurando aos leitores que o cristianismo não uma seita exclusivamente judaica, mas uma religião mundial. O Evangelho de Lucas é especificamente endereçado a Teófilo (Lucas 1:3), cujo nome significa "aquele que ama a Deus". A maneira mais natural de entender a expressão é que Teófilo ("θεόφιλος" (Theóphilos), neles citado, significa "amigo de Deus", "amado por Deus" ou "amando a Deus" em grego clássico.) é uma pessoa de verdade e o mecenas de Lucas, provavelmente pagando os custos da publicação do livro, sendo por isso a ele dirigido. O adjetivo "excelentíssimo" significa que Teófilo era uma pessoa de posição. Teófilo, no entanto, era mais que um publicador. A mensagem desse evangelho visava à instrução não só daqueles entre os quais o livro circularia, mas também dele próprio (Lucas 1:4). O fato do evangelho ser dirigido a Teófilo não reduz nem limita seu propósito. O livro foi escrito para fortalecer a fé de todos os crentes e para reagir aos ataques dos incrédulos. Foi apresentado para substituir relatórios desconexos e infundados a respeito de Jesus. Lucas queria demonstrar que o lugar ocupado pelo gentio convertido no reino de Deus baseia-se nos ensinos de Jesus. Queria recomendar a pregação do evangelho ao mundo inteiro. Texto adaptado, com alguns acréscimos, de:http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelho_segundo_Lucas. Não se conhece a verdadeira identidade de Teófilo e há variadas conjecturas e tradições sobre quem poderia sê-lo: O Easton's Bible Dictionary, considerando que Lucas se refere a Teófilo com o mesmo honorífico que Paulo se dirige a Félix, supõe que Teófilo era uma pessoa importante, possivelmente um oficial romano. Segundo John Wesley, o honorífico era usado para os governadores romanos. Teófilo seria um personagem importante de Alexandria. Teófilo seria o patrono de Lucas, a quem ele dedica o livro, segundo Matthew Henry. Albert Barnes comenta sobre a hipótese de que Teófilo não seria o nome de uma pessoa, mas teria o significado literal de "amigo de Deus", ou um homem piedoso, porém rejeita esta hipótese por causa do tratamento honorífico. Teófilo provavelmente seria um grego ou romano convertido, um amigo de Lucas, que havia pedido um relato sobre os eventos, e havia recebido uma carta privada, que ele mesmo publicou.http://pt.wikipedia.org/wiki/Te%C3%B3filo_(B%C3%ADblia)

SÍNTESE DO TÓPICO I
Lucas, o médico amado, é o autor do terceiro Evangelho, que foi endereçado a Teófilo, um gentio.


 A fé cristã não se trata de uma Lenda ou fábula engenhosamente inventada. São fatos históricos.

II-OS FUNDAMENTOS E HISTORICIDADE DA FÉ CRISTÃ

1. O cristianismo no seu contexto histórico. Lucas mostra com riqueza de detalhes sob que circunstâncias históricas se deram os fatos por ele narrados. Vejamos: "E, no ano quinze do império de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, e Herodes, tetrarca da Galileia, e seu irmão Filipe, tetrarca da Itureia e da província de Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo Anás e Caifás sumos sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias" (Lc 3.1,2). Esses dados têm um propósito claro: mostrar que o plano da salvação no cristianismo pode ser localizado com precisão dentro da história. A fé cristã, portanto, não se trata de uma lenda ou fábula engenhosamente inventada. São fatos históricos que poderiam ser testados e provados e, dessa forma, podem ser aceitos por todos aqueles que procuram a verdade.  [Comentário: Todo cristão deve buscar na História da Igreja as origens para a defesa de sua fé, já que o Cristianismo é uma religião histórica e apela para os fatos da história como argumento comprobatório de sua veracidade. O ambiente histórico em que Cristo surgiu cooperou de modo colossal para a disseminação do evangelho. Dentro desse período três povos merecem destaque pela sua rica contribuição: os Judeus, os Romanos e os Gregos. A longa referência cronológica de Lucas começa com o ministério de João Batista, provavelmente cerca de 27 a 29 d.C. Diz-se que um tetrarca era um rei sem importância. Lucas cita Herodes Agripa como tetrarca da Galiléia. É dito, ainda, de dois sumos sacerdotes, Anás e Caifás. Os judeus tinham um só sumo sacerdote por vez. Anás tinha sido deposto pelos romanos, que, para o seu lugar, escolheram Caifás, seu genro. Os romanos cuidavam para que Caifás exercesse as funções oficiais, porém muitos judeus ainda consideravam Anás o verdadeiro sumo sacerdote e sua influência era grande por traz do genro.] 

2. Discipulado através dos fatos. A palavra grega katecheo, traduzida como "informado" ou “instruído" no versículo 4, deu origem à palavra portuguesa catequese. Esse vocábulo significa também: doutrinar, ensinar e convencer. Nesse contexto possui o sentido de "discipular". Lucas escreveu o seu Evangelho para formar discípulos. O discipulado, para ser autêntico, deve fundamentar-se na veracidade dos fatos da fé cristã. Nos primeiros versículos do seu Evangelho, Lucas revela, portanto, quais seriam as razões da sua obra (Lucas 1.1-4). O terceiro Evangelho foi escrito para mostrar os fundamentos das verdades nas quais os cristãos são instruídos. [Comentário: A fé cristã está bem fundamentada. Mas, quais são exatamente os fundamentos? Isso é um pouco mais difícil. Há uma série de maneiras de se responder a esta pergunta. Poderíamos olhar para a história da igreja e o que o povo de Deus sempre acreditou. Poderíamos olhar para os antigos credos e confissões da igreja. Poderíamos olhar para os maiores temas da Bíblia (por exemplo, a aliança, o amor, a glória, a expiação) e as passagens mais importantes (por exemplo, Gênesis 1, Êxodo 20, Mateus 5-7, João 3, Romanos 8).]

SÍNTESE DO TÓPICO II
A veracidade dos fatos narrados por Lucas pode ser comprovada peta história.

CONHEÇA MAIS
*Como o Evangelho de Lucas
Retrata a Cristo
“No Evangelho de Lucas, Cristo é retratado como o Homem Perfeito e de grande empatia. A genealogia é rastreada desde Davi e Abraão até Adão, nosso antepassado comum, apresentando-o, deste modo, como alguém da nossa raça”. Para conhecer mais leia Introdução ao Novo Testamento. CPAD, pág 77

III-A UNIVERSALIDADE DA SALVAÇÃO

1. A história da salvação. A teologia cristã destaca que Lucas divide a história da salvação em três estágios: o tempo do Antigo Testamento; o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. O terceiro Evangelho registra as duas primeiras etapas e o Livro de Atos, a terceira (Lc 16.16). No contexto de Lucas a expressão a "Lei e os Profetas" é uma referência ao Antigo Testamento, onde é narrado o plano de Deus para o povo de Israel. A frase "anunciado o Reino de Deus" se refere ao tempo de Jesus que, através do Espírito Santo, realiza manifesta o Reino de Deus. O tempo da Igreja ocorre quando o Espirito Santo, que estava sobre Jesus, é derramado sobre todos os crentes.  [Comentário: O Evangelho de Lucas testemunha uma proposta de libertação e salvação universal, se estende a todos e a tudo, não porque o povo judeu a recusou, mas porque está no plano libertador e salvífico do Deus da vida favorecer toda a humanidade e toda a biodiversidade. O plano libertador-salvífico, segundo o evangelista Lucas, começa com o movimento de Jesus Cristo, no evangelho, e continua no livro de Atos dos Apóstolos sob a ação do Espírito Santo prolongando-se na(s) Igreja(s) – comunidades de fé, amor e esperança - pelo mundo afora. No plano teológico da obra de Lucas, o tempo da promessa é o Primeiro Testamento, o tempo de Jesus é o evangelho e o tempo da(s) Igreja(s) está em Atos dos Apóstolos. Assim Lucas apresenta uma visão unitária de um único projeto de libertação-salvação, querido pelo Deus da Bíblia, para o ser humano de todos os tempos e testemunhado em sua plenitude em Jesus de Nazaré por meio do dom e da presença do Espírito Santo nas comunidades cristãs. A cristologia de Lucas revela Jesus como eminentemente compassivo-misericordioso (Lc 7,13; 10,33; 15,20), Salvador de todos (Lc 2,32), curador de todas as doenças (Lc 19,5; 15,2); acolhedor dos samaritanos (Lc 10,29-37; 17,11-19); acolhedor amoroso das mulheres (Lc 8,2-3; 23,49) e praticamente da “comunhão de mesa” com pecadores ao sentar-se à mesa e comer junto com eles (Lc 5,29-30; 15,2; 19,7). O templo e a cidade de Jerusalém como lugares exclusivos de salvação ou revelação são superados. O povo de Israel, segundo Lucas, não é mais o “povo eleito” por excelência. Basta perceber a prioridade que Lucas dá aos samaritanos e aos gentios. Lucas nos alerta que o lugar por excelência da revelação de Deus é a pessoa de Jesus. O Menino Jesus é reconhecido como “bendito” (Lc 1,42); na sua humanidade “visita” o seu povo e toda a humanidade (Lc 1,68.78; 3,6). Deus, em Jesus, visita amorosamente o povo e dá início, assim, a um tempo de salvação, paz, reconciliação e perdão. http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517759-evangelho-de-lucas-teologia-da-historia]

2. A salvação em seu aspecto universal. O aspecto universal da salvação, revelado no terceiro Evangelho pode ser facilmente observado pelo seu amplo destaque dado aos gentios. O próprio Lucas endereça a sua obra a um gentio, Teófilo (Lc 1.1,2). A descendência de Cristo, o Messias prometido, vai até Adão, o pai de todos, e não apenas até Abraão, o pai dos judeus (Lc 3.23-38). Fica, portanto, revelado que os gentios, e não somente os judeus, estão incluídos no plano salvífico de Deus (Lc 2.32; 24.47). Destaque especial é dado para os samaritanos (Lc 9.51-56; 10.25-37; 17.11-19). Há ainda outras particularidades do Evangelho de Lucas que mostram o interesse de Deus por toda a humanidade, especialmente os pobres e excluídos (Lc 19-1-10; 7.36-50, 23.39-43; 18.9-14). [Comentário: A genealogia de Lucas difere da que está em Mt 1.2-17, começando com Adão, ao invés de Abraão. Vemos a largura desse grande amor de DEUS na universalidade da salvação acerca da qual Lucas escreve. A própria palavra “salvação” está ausente de Mateus e Marcos e ocorre uma só vez em João. Lucas, no entanto, empregou soteria quatro vezes e soterion duas vezes. Além disto, emprega o termo “Salvador” duas vezes (e duas vezes mais em Atos), e empregou o verbo “salvar” mais frequentemente do que qualquer outro Evangelista. Lucas nos conta que a mensagem do anjo dizia respeito aos homens em geral, e não a Israel especialmente (2:14). Faz a genealogia de Jesus remontar até Adão (3:38), o progenitor da raça humana, não parando em Abraão, o pai da nação judaica (conforme faz Mateus). Conta-nos acerca dos samaritanos, como, por exemplo, quando os discípulos queriam invocar fogo contra eles (9:51-54), ou na bem conhecida parábola do Bom Samaritano (10:30-37), ou na informação de que o leproso agradecido era desta raça (17:16). Refere-se aos gentios no cântico de Simeão (2:32) e nos conta que Jesus falou com aprovação acerca de não israelitas tais como a viúva de Sarepta e Naamã, o sírio (4:25-27). Conta-nos acerca da cura do escravo de um centurião (7:2-10). Registra palavras acerca de pessoas que vem de todas as direções da bússola para assentarem-se no reino de Deus (13:39) e da grande comissão para pregar o evangelho em todas as nações (24:47). Sustenta-se geralmente que sua história da missão dos setenta (10:1-20) tem relevância para os gentios. Fica claro que Lucas tinha profundo interesse pela solicitude de Deus para com todas as pessoas. Não devemos, no entanto, entender tudo isto como se ele quisesse dizer que todos seriam salvos. Vê a igreja existente num mundo hostil. Distingue entre “os filhos do mundo” e “os filhos da luz” (16.8; cf. 12.29-30, 51 ss.). O evangelho é oferecido gratuitamente a todos os homens, mas eles têm uma responsabilidade no sentido de se arrependerem, e serão julgados no devido tempo (Atos 17:30-31). O julgamento não é um tema infrequente neste Evangelho (cf. 12.13ss.; 17.26ss.). Nem devemos entender isto no sentido de depreciar a importância de Israel no propósito de Deus. Uma das coisas fascinantes no escrito de Lucas é a maneira em que este gentio ressalta a importância do Templo e de Jerusalém. Começa e termina seu Evangelho com pessoas no templo em Jerusalém, em contraste com o Evangelho “judaico” de Mateus, cuja cena de abertura ressalta o lugar dos magos gentios e que termina com uma comissão na Galiléia no sentido de os seguidores de Jesus irem para todo o mundo. Lucas menciona que Jesus foi apresentado no Templo como nenê, e que o visitou como menino. Ocorre de novo como o clímax da narrativa da tentação de Jesus, e como o lugar para o clímax da obra de Jesus em prol dos homens. Entre estas referências, uma seção considerável do Evangelho é ocupada com uma viagem para Jerusalém (9.51-19.45; note a ênfase em Jerusalém como o destino, 9.51, 53; 13.22; 17.11; 18.31; 19.28; cf. 13.33-34). Ao todo, refere-se a Jerusalém 31 vezes em contraste com 13 vezes em Mateus, 10 vezes em Marcos e 12 vezes em João. O universalismo de Lucas é real, mas não devemos deixar que ocultasse de nós uma “qualidade judaica” muito real.] 

SÍNTESE DO TÓPICO III
Todos estão incluídos no plano salvífico de Deus: gentios e judeus.

O discipulado, para ser autêntico, deve fundamentar-se na veracidade dos fatos da fé cristã.


IV- A IDENTIDADE DE JESUS. O MESSIAS ESPERADO

1. Jesus, o homem perfeito. No Evangelho de Lucas, Jesus aparece como o "Filho de Deus" (Lc 1.35) e Filho do Homem" (Lc 5.24). São expressões messiânicas que revelam a deidade de Jesus. A primeira expressão mostra Jesus como verdadeiro Deus enquanto a segunda, que ocorre 25 vezes no terceiro Evangelho, mostra-o como verdadeiro homem. Ele é o Filho do Homem, o Homem Perfeito. Ao usar o título "Filho do Homem" para si mesmo, Jesus evita ser confundido com o Messias político esperado pelos judeus. Como Homem Perfeito, Jesus era obediente a seus pais. Todavia, estava consciente de sua natureza divina (Lc 2.4-52). É como o Homem Perfeito que Jesus enfrenta, e derrota, Satanás na tentação do deserto (Lc 4.1-13).[Comentário: O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88 vezes. O que isso significa? A Bíblia não diz que Jesus era o Filho de Deus? Então como Jesus também poderia ser o Filho do Homem? O primeiro significado para o termo "Filho do Homem" é usado em referência à profecia de Daniel 7:13-14: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído." O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo em referência a Si mesmo, Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” a Si mesmo. Os judeus daquela época com certeza estariam bem familiarizados com o termo e a quem se referia. Ele estava proclamando ser o Messias. O segundo significado para o termo "Filho do Homem" é que Jesus realmente era um ser humano. Deus chamou o profeta Ezequiel de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano. Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). 1 João 4:2 nos diz: "Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus." Sim, Jesus era o Filho de Deus – Ele era Deus em Sua essência. Sim, Jesus também era o Filho do Homem – Ele era um ser humano em Sua essência. Em resumo, a frase "Filho do Homem" indica que Jesus é o Messias e que Ele realmente é um ser humano. Leia mais:http://www.gotquestions.org/Portugues/Jesus-filho-homem.html#ixzz3VjhVKV9u.]
2. O Messias e o Espírito Santo. Lucas revela que Jesus, o Messias, como Homem Perfeito, dependia do Espírito Santo no desempenho do seu ministério (Lc 4.18). Isaías, o profeta messiânico, mostra a estreita relação que o Messias manteria com o Espírito do Senhor (Is 11.1,2; 42.1). 0 Messias seria aquele sobre quem repousaria o Espírito do Senhor, tal como profetizara Isaías e Jesus aplicara a si, na sinagoga em Nazaré (Lc 4.16-19; Is 61.1).[Comentário: Os escritores dos evangelhos, especialmente Lucas, concebiam em todo o ministério de Jesus como estando sob o poder do Espírito Santo. Depois de declarar que Jesus estava “cheio do Espírito Santo” e que foi levado pelo Espírito no deserto por quarenta dias, em Lc 4.1, ele declara, em Lc 4.14, que Jesus “retornou no poder do Espírito para a Galiléia.” Isto é seguido no versículo seguinte, um resumo geral de suas atividades: “E ensinava nas sinagogas, sendo glorificado por todos.” Então, como que para completar o ensino como a relação entre o Espírito de Jesus, ele narra a visita à Nazaré e a citação por Jesus na sinagoga das palavras de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim”, com a descrição detalhada da sua atividade messiânica, ou seja, a pregação aos pobres, o anúncio da liberação aos cativos, a recuperação da vista aos cegos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor (Is 61.1). Jesus proclama o cumprimento desta profecia em si mesmo (Lc 4.21). Em Mt 12.18 uma citação de Is 42.1-3 é feita em conexão com o trabalho de cura milagrosa de Jesus. É uma passagem de rara beleza e descreve o Messias como um tranquilo e discreto ministro das necessidades humanas, dotado de poder irresistível e paciência infinita. Assim, os ideais do Antigo Testamento sobre as operações do Espírito de Deus se realizam, especialmente no ministério público de Jesus. Os termos globais da descrição tornam incontestavelmente claros em que os escritores do Novo Testamento encaravam toda a vida pública de Jesus como sendo dirigida pelo Espírito de Deus.]

SÍNTESE DO TÓPICO IV
Lucas apresenta Jesus como o Filho de Deus e o Filho do Homem, ressaltando tanto a sua humanidade quanto a sua divindade.

A descendência de Cristo, o Messias prometido, vai até Adão, o pai de todos, e não apenas até Abraão, o pai dos judeus.


CONCLUSÃO

O terceiro Evangelho é considerado a coroa dos Evangelhos sinóticos. Enquanto o Evangelho de Mateus enfoca a realeza do Messias e Marcos o poder, Lucas enfatiza o amor de Deus. Lucas é o Evangelho do Homem Perfeito; da alegria (Lc 1.28; 2.11; 19-37; 24.53); da misericórdia (Lc 1.78,79); do perdão (7.36-50; 19.1-10); da oração (Lc 6.12; 11.1; 22.39-45); dos pobres e necessitados (Lc A.18) e do poder e da força do Espírito Santo (Lc 1.15,35; 3-22; 4.1; 4.14; 4.17-20; 10.21; 11.13; 24.49). Lucas é, portanto, o Evangelho do crente que quer conhecer melhor o seu Senhor e ser cheio do Espírito Santo.  [Comentário: “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem” (Lc 1.1-4). O Evangelho de Lucas apresenta Jesus não somente como o Messias prometido por Deus ao povo de Israel, mas como Salvador da Humanidade. Ele nos conta sobre os pais de Jesus, conta também sobre o nascimento de seu primo João Batista (Lc 3.16), a trajetória de José e Maria até Belém, lugar em que Jesus nasceu, e ficou numa manjedoura (Lc 2. 4-7). O Evangelho de Lucas apresenta muitos fatos importantes e lições significantes sobre Jesus Cristo. Primeiro, o Evangelho claramente estabelece que Jesus Cristo é o Messias profetizado no Velho Testamento. Segundo, o Evangelho prova que Jesus é o Filho de Deus, assim como Ele clama. Terceiro, esse evangelho confirma que Jesus tem autoridade completa sobre qualquer coisa nesse mundo, incluindo o mal (Lucas 4.12, 35, 9.38, 11.14), a natureza (Lucas 8.22-25, 9.12-17, 5.4-11), a morte (Lucas 8.41-42, 7.11-15), doenças (Lucas 5.12-13, 7.1-10, 4.38-35, 5.18-25, 6.6-10, 18.35-43), perdão de pecados (Lucas 5.24, 7.48), bênçãos (Lucas 6.20-22) e a autoridade de dar vida eterna no céu (Lucas 23.43). Jesus demonstrou o milagre de superar Sua própria morte através da Sua ressurreição depois de ter sido crucificado na cruz romana. O Evangelho de Lucas providencia uma narrativa de primeira mão dos eventos da vida de Cristo, baseado nos próprios Apóstolos ou outras testemunhas.]  “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
Campina Grande-PB
Março de 2015

LIÇÃO 01 – O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - 2° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 01 – O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - 2º TRIMESTRE 2015
(Lc 1.1-4)
INTRODUÇÃO
A lição do segundo trimestre de 2015 tem como título: Jesus, o Homem Perfeito – O Evangelho de Lucas, o médico amado, onde teremos a oportunidade de estudar treze lições baseadas no Evangelho de Lucas - o terceiro livro do NT. Nesta primeira lição, traremos importantes informações sobre a autoria, propósito, destinatário, tema do livro, contexto e data. Destacaremos características específicas do evangelho segundo Lucas; e, por fim, pontuaremos os três aspectos da contribuição lucana para a Igreja de Cristo.
I – INFORMAÇÕES SOBRE O TERCEIRO EVANGELHO
1.1 Autoria. Embora o nome de Lucas não conste, explicitamente nas páginas do evangelho que leva o seu nome, as evidências disponíveis tendem a concordar e confirmar a tradição. Clemente de Alexandria, Tertuliano, Orígenes (pais da igreja) o identificam como autor deste evangelho. Eusébio, historiador da igreja, escreveu: “Lucas, natural de Antioquia, médico de profissão, fora companheiro de Paulo por longo tempo e conhecia os demais apóstolos. Ele nos deixou em dois livros divinamente inspirados, a saber o Evangelho e Atos” (EUSÉBIO, apud, HENDRIKSEN, 2003, p. 24). Ainda “de acordo com a tradição, Lucas era um gentio. O apóstolo Paulo parece confirmar isso quando distingue Lucas daqueles que eram “da circuncisão” (Cl 4.11, 14). Isso faria de Lucas o único gentio que escreveu livros da Escritura. Ele é responsável por uma porção significativa do Novo Testamento, tendo escrito tanto o Evangelho quanto o livro de Atos (Lc 1.1-4; At 1.1-3). Muito pouco se sabe sobre Lucas. O apóstolo Paulo se refere a Lucas como médico (Cl 4.14). Eusébio e Jerônimo o identificam como natural da Antioquia da Síria (o que pode explicar por que muito do livro de Atos é centrado em Antioquia (At 11.19- 27; 13.1-3; 14.26; 15.22-23,30-35; 18.22-23). Lucas foi companheiro constante do apóstolo Paulo, ao menos no tempo entre a visão sobre a Macedônia (At 16.9-10) até a época do martírio do apóstolo (II Tm 4.11)” (MACARTHUR, 2011, p. 5 – acréscimo nosso).
1.2 Propósito do Autor e destinatário. Parece que muitas pessoas haviam escrito a respeito de Jesus e sua vida admirável, talvez de maneiras incompletas e contraditórias; e Lucas desejava suprir uma narrativa em ordem e digna de confiança para Teófilo (cujo nome significa literalmente “que ama a Deus”) (Lc 1.1-4). “Essa designação, que pode ser um apelido ou um pseudônimo, é acompanhada por um tratamento formal “excelentíssimo” possivelmente significando que “Teófilo” fosse um renomado dignitário romano, talvez um dos que haviam se voltado para Cristo “da casa de César” (Fp 4.22)” (MACARTHUR, 2011, p. 6). O fato de Lucas ter dado o mesmo título a Teófilo que deu depois a Félix (At 23.26; 24.3) e Festo (At 26.25), indica que Teófilo era uma personagem de posição e influência. “É possível também que Teófilo não fosse o único destinatário porque Lucas pode ter tido o interesse de suprir um evangelho em ordem e completo para leitores não judeus. E Lucas também desejava apresentar um Salvador universal, um grande e compassivo Médico, Mestre e Profeta, que viera aliviar os sofrimentos humanos e salvar as almas dos homens” (CHAMPLIN, 2004, vol. 3, pp. 909,910 – acréscimo nosso). “Orígenes afirmava que o Evangelho de Lucas foi escrito “por amor aos conversos gentílicos” (HENDRIKSEN, 2003, p. 36).
1.3 Tema do livro. “Enquanto João trata da divindade dAquele que tornou-se homem, Lucas ressalta a humanidade dAquele que é divino. A frase chave é o “Filho do homem” (Lc 5.23; 6.5,22; 7.34; 9.22,26,44,56,58). O versículo chave é: “O Filho do homem veio para buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). É com esse intento, de destacar Jesus como Filho do homem, que Lucas narra os eventos, salientando a humanidade de Jesus. Sua genealogia é traçada até Adão (Lc 3.23-38). É esse Evangelho que registra mais detalhadamente os eventos na vida de Sua mãe, do Seu nascimento, da Sua infância e da Sua mocidade. São as parábolas de Lucas que têm mais cor humana. Contudo Lucas não se esquece, de forma alguma, da superabundante glória da divindade e da majestade de Jesus Cristo (Lc 1.32-35)” (BOYER, 2011, vol. 02, p. 16 – acréscimo nosso).
1.4 Contexto e Data. O lugar da composição deste evangelho tem de ser deixado na área das hipóteses, porquanto não temos qualquer evidência certa a esse respeito. “Embora a tradição antiga associe Lucas a Antioquia da Síria, não, poderíamos afirmar que, só por isso, Lucas ali escreveu o seu evangelho. As cidades de Roma, Éfeso e Corinto também têm sido sugeridas. Quanto a data alguns crêem que há evidências que indicam que esse evangelho foi escrito após a destruição de Jerusalém, o que também é verdade quanto ao evangelho de Mateus, o que o situaria entre 70 e 80 d.C., como data de sua autoria. Todavia, pode ter precedido a esse acontecimento; e, nesse caso, poderia ser situado entre 60 e 70 d.C. Lucas teve contatos constantes com Marcos (Cl 4.10,14; Fm 24; At 12.12,25; 13.13; 15.37,41; II Tm 4.11-13), pelo que teve acesso ao seu evangelho, provavelmente pouco tempo depois de haver sido completado” (CHAMPLIN, 2004, vol. 3, p. 909 – acréscimo nosso).
II – CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DO EVANGELHO CONFORME LUCAS
CARACTERÍSTICAS REFERÊNCIAS
O evangelho
detalhista
O Evangelho segundo Lucas é a narrativa mais completa da vida de Jesus que veio até nós proveniente da era apostólica. Teve a intenção de ser uma descrição minuciosa do curso da vida do Salvador. É ele quem descreve o nascimento e a infância de Jesus Cristo e de Seu precursor (Lc 15-25; 2.26-45).
O evangelho
da oração
Lucas disse mais sobre a oração do que qualquer outro Evangelista. Ele mostra Jesus em oração nos momentos mais importantes da sua vida. Somente Lucas nos relata as parábolas do “Amigo importuno” (Lc 11.5-13), do “Juiz Iníquo” (Lc 18.1-8), e do “Fariseu e o Publicano” (Lc 18.9-14) que visam estimular a prática da oração.
O evangelho que ressalta as mulheres
Lucas em seu Evangelho dá um lugar muito especial à mulher. O relato do nascimento é dado do ponto de vista de Maria (Lc 2.26,27). Em Lucas nós lemos a respeito de Isabel, de Ana, da viúva de Naim, da mulher que lavou os pés do Jesus na casa do Simão o fariseu (Lc 1.5,6; 7.12,37). É Lucas o que nos faz vívida a imagem de Marta e Maria e de Maria Madalena (Lc 10.38-40; 24.10).
O evangelho
do louvor
Neste evangelho a frase louvando a Deus aparece com mais frequência que em todo o resto do Novo Testamento. Este louvor alcança seu ponto culminante nos três grandes hinos que Lucas registrou: o Cântico de Maria “Magnificat” (Lc 1.46-55), o Cântico de Zacarias “Benedictus” (Lc 1.68-79); e o Cântico de Simeão “Nunc Dimittis” (Lc 2.29-32).
O evangelho
das parábolas
(1) Os dois devedores (Lc 7.41-43), (2) O bom samaritano (Lc 10.25-37), (3) O amigo importuno (Lc 11.5-8), (4) O rico insensato (Lc 12.116-21), (5) Os servos vigilantes (Lc 12.35-40), (6) O mordomo (Lc 12.42-48), (7) A figueira estéril (Lc 13.6-9), (8) A grande ceia (Lc 14.16-224), (9) A construção de uma torre (Lc 14.28-33), (10) A moeda perdida (Lc 15.8-10), (11) O filho perdido (Lc 15.11-32), (12) O administrador infiel (Lc 16.1.13), (13) O senhor e seu servo (Lc 17.7-10), (15) A viúva importuna (Lc 18.1-8), (16) O fariseu e o publicano (Lc 18.10-14), (17) As dez minas (Lc 19.12-27).
O evangelho
universal
A característica mais proeminente de Lucas é que seu evangelho é universal. Jesus é para todos os homens sem distinção. O reino dos céus está aberto para os samaritanos (Lc 9.51-56). Ele mostra Jesus falando dos gentios a quem os judeus ortodoxos consideravam impuros, citando à viúva da Sarepta e a Naamã o sírio como exemplos de fé (Lc 4.25-27). Elogia o centurião romano por sua fé (Lc 7.9). E, ainda destaca as palavras do Mestre a cerca da inclusão dos gentios no Reino de Deus (Lc 13.29).
III – A CONTRIBUIÇÃO LUCANA SOB DIVERSOS ASPECTOS
3.1 Lucas como escritor. “Como historiador Lucas é um escritor extremamente cuidadoso. Os primeiros quatro versículos proclama que seu trabalho é o produto de uma investigação esmerada” (BARCLAY, p. 5 – acréscimo nosso). Ao escrever este evangelho ele fala que: (1) o evangelho é um fato não um mito ou uma lenda (Lc 1.1-b); (2) diz também que fez uma pesquisa de campo, entrevistando as testemunhas oculares (Lc 2.2-a); (3) discorre ainda a história de forma ordenada, não sem nexo (Lc 3.1-a); e (4) tinha a finalidade de dar fundamentação histórica a fé cristã (Lc 1.4).
3.3 Lucas como médico. Paulo se refere a Lucas como médico (Cl 4.14). Sem dúvida, Ele teria sido uma verdadeira ajuda para o apóstolo em suas aflições, algumas das quais eram de caráter físico. O interesse de Lucas por questões médicas é evidente pelo grande destaque que ele dá ao ministério de curas de Jesus (Lc 4.38-40; 5.15-25; 6.17-19; 7.11-15; 8.43-47, 49-56; 9.2,6,11; 13.11-13; 14.2-4; 17.12-14; 22.50-51). Vejamos ainda o recorte que Lucas dá aos detalhes das enfermidades: Lucas 4.38 com Mateus 8.14 e Marcos 1.30 (a natureza ou grau da febre da sogra de Pedro); Lucas 5.12 com Mateus 8.2 e Marcos 1.40 (a lepra); e Lucas 8.43 com Marcos 5.26 (a mulher e os médicos).
3.3 Lucas como missionário. Lucas, mais do que qualquer outro dos evangelistas, destacou o âmbito universal do convite do evangelho. Ele retratou Jesus como Filho do Homem, rejeitado por Israel, e então oferecido ao mundo. Lucas repetidamente conta relatos de gentios, samaritanos e outros personagens tidos como indignos que encontraram graça aos olhos de Jesus (Lc 7.36-50; 19.1-10; 23.43).
CONCLUSÃO
Ao estudarmos o evangelho conforme Lucas, aprendemos que Deus ama judeus e gentios e que Cristo é o Salvador de todo aquele que crê independente de cor, raça, sexo, condição social. Esta é a principal verdade que Lucas desejou dizer a Teófilo e ao mundo.

LIÇÃO 01 – O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - 2° TRIMESTRE 2015 (Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa)

O EVANGELHO SEGUNDO LUCAS
  Texto Áureo Lc. 1.4 – Leitura Bíblica  Lc. 1.1-4


 Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Este trimestre da Escola Bíblica Dominical será predominantemente cristocêntrico. Estudaremos o evangelho segundo Lucas, enfocando a vida e o ministério de Jesus. Na aula de hoje faremos uma incursão sobre os aspectos contextualizadores desse livro: autoria, data, local e destinatário. Trataremos também a respeito do gênero, contexto e ênfase teológica. Ao final, ressaltaremos a pessoa de Jesus na teologia lucana, como Servo e Filho do Homem.

1. AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIO
Esse evangelho não explicita diretamente quem teria sido o autor do livro. Irineu, um dos pais da igreja, escreveu que “Lucas, companheiro de viagem de Paulo, registrou o evangelho por este pregado em um livro”. O médico amado, como ficou conhecido esse evangelista, escreveu depois da ascensão de Jesus, durante o período que acompanhava Paulo em suas viagens missionárias (Cl. 4.14; Fm. 24; II Tm. 4.11). O autor se aproxima da teologia paulina, principalmente em relação à universalidade da salvação (Lc. 4.27; 24.47), a necessidade da fé para a salvação (Lc. 8.12; 18.8), o amor de Deus pelos pecadores (Lc. 15.11), bem como a identificação de Jesus como Senhor (Kyrios em grego). Como Paulo, Lucas não viu o Senhor em carne, por isso dependeu de informações coletadas. Esse evangelho foi escrito por volta do ano 60 d. C., provavelmente fora da Palestina, considerando que Lucas era um cristão gentio. Os estudiosos admitem que Mateus tenha escrito para os judeus, Marcos para os romanos, e Lucas para os gregos. O evangelista destinou o seu livro a Teófilo, um homem culto e influente, a quem também dedicou o livro de Atos (At. 1.1-4). É possível que Teófilo tenha recebido a fé cristã, e tenha sentido a necessidade de conhecer melhor o Salvador. Esse deveria circular entre os gentios, a fim de que todos os povos fossem alcançados pela graça salvadora de Jesus Cristo.

2. DIVISÃO, GÊNERO E ÊNFASE TEOLÓGICA
Esse evangelho, diferentemente dos demais, inicia com um prólogo, no qual o autor expõe o material que dispôs para escrever (Lc. 1.1-4). O autor destaca, em sua narrativa, a infância de Jesus, dando atenção especial também às mulheres e aos pobres. O texto pode ser assim dividido: Introdução (1.1-4.13), o ministério de Jesus na Galileia (4.14 – 9.50), relato de viagem e sermões (9.51-19.27) e o ministério de Jesus em Jerusalém (19.28 – 24;53). No texto grego esse evangelho é o maior livro do Novo Testamento, com aproximadamente 96 páginas, sendo caracterizado por um estilo literário mais refinado, bastante próximo do grego que lembra a erudição da Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento hebraico. A fim de evitar confusão em relação à cultura judaica, o autor deixa de enfocar aspectos tratados nos outros sinópticos, tais como os sentimentos de Jesus (Lc. 6.10; 18.22), a cura de Jesus pelo toque (Lc. 6.19;b5.13), entre outros. Logo no início Jesus é identificado como Kyrios, o Senhor (Lc. 5.8; 7.13; 10.1,41; 22.61). A narrativa lucana é caracterizada pela acuidade histórica, pois mesmo não tendo sido uma testemunha ocular, busca informações confiáveis das testemunhas oculares. Ele investigou tudo cuidadosamente, “desde o princípio” (1.3), com a meticulosidade de um historiador. O resultado pode ser identificado na exposição de relatos desconsiderados nos outros evangelhos, tais como a infância de Jesus, a pesca maravilhosa, o chamado de Pedro, as parábolas da ovelha perdida, moeda perdida e do filho perdido, do rico insensato, do administrador infiel, do fariseu e do publicano, entre outros. Lucas também é considerado um evangelista pentecostal, considerando suas alusões ao Espírito Santo, tanto no evangelho quanto em Atos.

3. JESUS, O HOMEM PERFEITO EM LUCAS
O tema central do evangelho segundo Lucas é Jesus Cristo, reconhecido como o Senhor (Lc. 2.1), e o Homem Perfeito (Lc. 5.24). Em sua narrativa Lucas ressalta a identificação de Jesus com os marginalizados, notadamente as mulheres, as crianças e os pobres. Os pecadores que eram desprezados pela sociedade eram acolhidos por Jesus (Lc. 5.1; 7.36) Até mesmo os samaritanos, que eram desdenhados pelos judeus, são alcançados pela graça de Cristo (Lc. 10.30). Lucas mostra que o amor de Deus se destina a todos, principalmente aos grupos minoritários, como os pobres. Historicamente, o autor responsabiliza a liderança judaica, em consonância com as autoridades romanas, pela morte de Jesus (Lc. 20.20,26; 23.2-25). Lucas utiliza expressões messiânicas, que aludem à divindade de Jesus, como Deus Verdadeiro. Ele faz referência ao título “Filho do Homem”, que Jesus atribuiu a Si mesmo, a fim de demonstrar sua natureza humana. Por outro lado, o Senhor também estava ciente da Sua natureza divina (Lc. 2.4-52), sendo Ele o modelo de Homem Perfeito, que enfrenta e derrota Satanás (Lc. 4.1-13). Como Homem Perfeito, Jesus dependeu da atuação do Espírito Santo, realizando por intermédio dEle, milagres e maravilhas (Is. 11.1,2; 42.1). O Messias tinha uma missão a cumprir, e essa seria realizada pelo poder do Espírito (Lc. 4.16-19; Is. 61.1). Jesus não deixou de ser Deus ao se fazer Homem, mas abdicou das prerrogativas de usar Seu poder para fazer milagres, dependendo dos dons do Espírito Santo.

CONCLUSÃO


Que dizem ser o Filho do Homem? Perguntou certa feita o próprio Jesus (Mt. 16.13-20). A resposta a esse pergunta é crucial a fim de distinguir uma cristologia falsa ou verdadeira. Ao longo das próximas aulas estudaremos com maiores detalhes a respeito da vida e ministério de Jesus, com base no evangelho segundo Lucas. Esperamos que, ao longo das próximas semanas, possamos reconhecer o senhorio de Cristo, como fez Tomé, prostrando-se aos Seus pés, chamando-O de “meu Senhor, e Deus meu” (Jo. 20.28).

LIÇÃO 01 – DEUS DÁ SUA LEI AO POVO DE ISRAEL - 1° TRIMESTRE 2015 (Professor ALRS)

O Quê? DA LIÇÃO 01 - MOISÉS E O PENTATEUCO - 1° TRIMESTRE 2015 (Professor ALRS)

LIÇÃO 01 – DEUS DÁ SUA LEI AO POVO DE ISRAEL - 1° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)

Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais Pastor Presidente: Aílton José Alves Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524 
LIÇÃO 01 – DEUS DÁ A SUA LEI AO POVO DE ISRAEL - 1º TRIMESTRE 2015 (Êx 20.18-22,24; 24.4,6-8)
 INTRODUÇÃO A lição do primeiro trimestre de 2015 tem como título: A Lei de Deus – Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança, onde teremos a oportunidade de estudar treze lições baseadas nos Dez Mandamentos. Nesta primeira lição, definiremos a palavra Decálogo usada acerca dos Dez Mandamentos; destacaremos algumas características da Lei que a faz mais sublime que qualquer outra legislação; e, por fim, veremos cada mandamento e a sua devida explicação e aplicação tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. 
I – O DECÁLOGO: OS DEZ MANDAMENTOS Essa palavra vem do grego “deka” dez e “logos” palavra, ou seja, “dez palavras”. “Esse é um titulo usado para indicar os Dez Mandamentos. Esses mandamentos, dados por Deus a Moisés, no monte Sinai, tornaram-se a base da legislação levítica. Uma das mais duradouras legislações de todos os tempos. Em sua forma mais familiar, esses mandamentos acham-se em Êxodo 20:2-17. O decálogo é mais que um código de leis. Antes, é a base do pacto teocrático (governo de Deus) que separou o povo de Israel como um veículo do favor divino, como um elemento através do qual a mensagem espiritual haveria de ser transmitida. Os inúmeros preceitos que aparecem em seguida, governando cada aspecto da vida diária, ensinam-nos que Deus está atento a todos os aspectos da nossa vida. Esse elaborado sistema tinha o intuito de governar a vida física dos israelitas, mas também tinha funções educativas. O próprio decálogo estabelece alguns princípios perfeitamente éticos, cuja aplicação pode ser vasta e abrangente” (CHAMPLIN, 2004, pp. 25,125 – acréscimo nosso).
 II – CARACTERÍSTICAS DA LEI 2.1 Origem divina (Êx 20.1). Embora muitas vezes a Lei do Senhor dada através de Moisés seja chamada de Lei de Moisés (Js 8.31; I Rs 2.3; Ed 7.6; Lc 2.22;24.44; I Co 9.9); o registro do capítulo 20 do livro do Êxodo nos mostra que Deus é a origem da Lei. “Durante todas as negociações entre israelitas e egípcios, quando os primeiros eram escravos dos últimos, o papel de Moisés era, antes de mais nada, o de mediador. Deus não falou com Faraó, mas mandou Moisés lhe falar. Ele continuou nesse papel durante a Páscoa “Falai a toda a congregação de Israel” (Êx 12.3) e o êxodo “Fala aos filhos de Israel” (Êx 14.2). No Sinai, sua função continuava sendo a de transmitir a palavra de Deus ao povo “Estas são as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êx 19.6). Por outro lado, na revelação do Decálogo esse aspecto foi omitido. Moisés ouviu juntamente com o povo, ao qual Deus falou de modo direto (Êx 20.1). Essa é uma forma de a Bíblia nos dizer que, quando lemos o Decálogo, estamos frente a frente com a excelência da vontade de Deus para seus seguidores, no que diz respeito a estilo de vida e compromisso moral. Observe a sequência aos Dez Mandamentos: “eu falei convosco desde os céus” (Êx 20.22), não do Sinai (HAMILTON, 2007, p. 215 – acréscimo e grifo nosso). 2.2 Princípios imutáveis (Êx 24.12). A Lei foi escrita em tábuas de pedra pelo próprio Deus. “Nos países orientais, a pedra simbolizava a perpetuidade da lei, ali contida. As tábuas de pedra estavam escritas em ambas as faces, indicando quão completa era aquela legislação. Subsequentemente, as tábuas de pedra foram guardadas no lugar sagrado do tabernáculo, salientando o ato e a importância da revelação divina” (CHAMPLIN, 2004, p. 125). 2.3 Objetivos definidos. Todo o povo precisa ter leis, e até as tribos mais primitivas contam com sua legislação, formal ou informal. Com o povo de Israel não podia ser diferente. Deus revelou sua Lei para os israelitas no Sinai (Êx 20.1,2). A Lei era necessária por pelos menos três motivos: 2.3.1 Proporcionar uma norma moral para os redimidos. A Lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (Êx 19.4-6; 20.1-17) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A Lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (Êx 19.4; 20.2) a fim de instruí-lo na vontade do Senhor, para que pudesse realizar o propósito de Deus (Êx 19.6). Logo, a revelação foi dada “não para dar, mas para orientar a vida” (Lv 20.22,23). 2.3.2 Demonstrar a natureza e o caráter de Deus. A Lei expressava a natureza e o caráter de Deus, isto é, seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal, e sobretudo que o Deus de Israel é Santo (Lv 11.44,45; 19.2; 20.7,26; 21.8). A Bíblia denomina Deus de “santo” (Sl 99.3). Ele é chamado de o “Santo de Israel” no (Sl 89.18); e, no livro do profeta Isaías, aproximadamente trinta vezes (Is 1.4; 57.15). A santidade é uma característica da própria natureza de Deus, e não somente expressão de um procedimento santo. Ele mesmo diz: “Eu sou santo” (Lv 19.2; Sl 99.6,9; I Pe 1.16). 2.3.3 Mostrar à humanidade seu estado pecaminoso e revelar que só pela graça podemos ser salvos. O apóstolo Paulo disse que “nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Ela não fôra dada como um meio de se alcançar a salvação, mas “nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl 3.24). A palavra grega traduzida por “aio” é “paidagõgos” que significa “instrutor”, “professor” e indica um escravo, cuja tarefa era cuidar de uma criança até que ela chegasse a idade adulta. A Lei serviu de aio para mostrar os nossos pecados e nos conduzir a Cristo (Gl 3.25).
 III – OS DEZ MANDAMENTOS E SUA INTERPRETAÇÃO Constituindo-se na essência do Pentateuco, o Decálogo é a mais perfeita das leis escritas. Vejamos na tabela abaixo quais os princípios morais dos Dez Mandamentos ensinados no AT e reafirmados no NT: Nº MANDAMENTO E EXPLICAÇÃO PRINCÍPIO AFIRMAÇÃO NO AT REAFIRMAÇÃO NO NT I “Não terás outros deuses diante de mim”. Há um só Deus e só a ele havemos de oferecer culto. A adoração a anjos, a santos ou qualquer outra coisa é violação do primeiro mandamento. A unicidade de Deus Êx 20.3 At 14.15 II “Não farás para ti imagem de escultura [...]”. Proíbe-se não somente a adoração de imagens ou de deuses falsos, mas também prestar culto ao verdadeiro Deus em forma errada. Ele é espírito e não tem forma (Jo 4.24). A espiritualidade de Deus Êx 20.4 I Jo 5.21 III “Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão [...]”. Originalmente este mandamento se referia a não jurar pelo nome de Deus se o juramento fosse falso (Lv 19.12), mas se permitia jurar pelo seu nome se fosse verdadeiro (Dt 10.20). Contudo, Jesus proibiu terminantemente jurar pelas coisas sagradas (Mt 5.34-37). A simples palavra de um filho de Deus deve ser verdadeira, sem recorrer a juramentos (Tg 5.12). A santidade de Deus Êx 20.7 Tg 5.12 IV “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”. Um dia da semana pertence a Deus. Reconhece-se a soberania de Deus guardando o dia de repouso, visto que esse dia nos lembra que Deus é o Criador a quem devemos culto e serviço. Todavia, o sábado judaico não é obrigatório para os cristãos, pois já não estamos sob o jugo da Lei (Rm 6.14). A soberania de Deus Êx 20.8 Não reafirmado (At 15.28,29) V “Honra a teu pai e a tua mãe [...]”. O homem que não honra a seus pais tampouco honrará a Deus, pois esta é a base do respeito a toda a autoridade. Respeito aos representantes de Deus Êx 20.12 Ef 6.1 VI “Não matarás”. Este mandamento proíbe o homicídio mas não a pena capital, visto que a própria lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado. A vida humana é sagrada Êx 20.13 I Jo 3.15 VII “Não adulterarás”. Este mandamento protege o matrimônio por ser uma instituição sagrada instituída por Deus. Isto vigora tanto para o homem como para a mulher (Lv 20.10). A família é sagrada Êx 20.14 I Co 6.9-10 VIII “Não furtarás”. Este mandamento diz respeito a roubo de bens e, provavelmente, a sequestros. O direito de propriedade é confirmado, e condena-se qualquer tentativa de se conseguir algo de forma ilícita. Respeito a propriedade alheia Êx 20.15 Ef 4.28 IX “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo”. Este mandamento compreende qualquer conversa mal-intencionada, proposital ou não, que levante dúvidas sobre a integridade do caráter de alguém. A justiça Êx 20.16 Cl 3.9-10 X “Não cobiçarás [...]”. A cobiça é o ponto de partida de muitos dos pecados contra Deus e contra os homens. O controle dos desejos Êx 20.17 Ef 5.3
 CONCLUSÃO Após a saída do Egito o povo de Israel recebeu no Sinai a Lei do Senhor a fim de andar de forma agradável ao seus olhos. Assim como Israel, Deus nos resgatou do cativeiro do pecado e nos presentou com a Sua Palavra a fim de guiarmos a nossa vida segundo a sua perspectiva. Os princípios morais do Decálogo são imutáveis, e, portanto servem tanto para Israel como para a Igreja.

LIÇÃO 01 – DEUS DÁ SUA LEI AO POVO DE ISRAEL - 1° TRIMESTRE 2015 (Francisco A. Barbosa)

1º Trimestre de 2015
Lição 1
4 de janeiro de 2015

LIÇÃO1: DEUS DÁ SUA LEI AO POVO DE ISRAEL


TEXTO ÁUREO
“Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e os concertos, e a lei, e o culto, e as promessas.” (Rm 9.4)

VERDADE PRÁTICA
Uma nova nação despontava no horizonte e precisava de uma legislação que definisse as bases em que o povo devia viver, isto é, fundamentada nas promessas feitas aos patriarcas






LEITURA DIÁRIA
Segunda - Êx 34.27
A promulgação da lei é a cerimônia oficial do concerto que Deus fez
S
Terça - Êx 19.8
Israel faz voto de fidelidade e obediência à lei de Deus
T
Quarta - Gn 15.18
Deus já havia feito um concerto com Abraão
Q
Quinta - Gn 26.28-30
Era comum celebrar um concerto com festa
Q
Sexta - Rm 7.12
A lei é santa e veio de Deus, portanto, era preciso observá-la
S
Sábado - Ne 8.1
A origem da lei é o próprio Deus, por isso era preciso obedecer-lhe.
S


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Êxodo 20.18-22, 24; 24.4, 6-8.
20.18 - E todo o povo viu os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs-se de longe.
19 - E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos.
20 - E disse Moisés ao povo: Não temais, que Deus veio para provar-vos e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis.
21 - E o povo estava em pé de longe: Moisés, porém, se chegou à escuridade onde Deus estava.
22 - Então, disse o SENHOR a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: Vós tendes visto que eu falei convosco desde os céus.
24 - Um altar de terra me farás e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas ofertas pacíficas, e as tuas ovelhas, e as tuas vacas: em todo lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei ali e te abençoarei.
24.4 - E Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR, e levantou-se pela manhã de madrugada, e edificou um altar ao pé do monte e doze monumentos, segundo as doze tribos de Israel;
6 - E Moisés tomou a metade do sangue e a pôs em bacias; e a outra metade do sangue espargiu sobre o altar.
7 - E tomou o livro do concerto e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que o SENHOR tem falado faremos e obedeceremos.
8 - Então, tomou Moisés aquele sangue, e o espargiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue do concerto que o SENHOR tem feito convosco sobre todas estas palavras.


OBJETIVO GERAL

Explicar o processo de desenvolvimento da Lei de Deus


OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a: Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I. Conhecer como a Lei foi promulgada;
II. Afirmar a autoria de Moisés, e
III. Conceituar "Concerto" ou "Aliança".
IV. Classificar os sacrifícios que foram estabelecidos com a Lei


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COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

O tema do presente trimestre são os Dez Mandamentos, a base de toda a legislação mosaica. Aqui vamos iniciar com a solenidade da promulgação da lei, no Sinai*, a cerimônia do concerto que Deus fez com Israel. O evento envolveu holocaustos e a leitura do livro da lei num ritual com profundas implicações messiânicas. [Comentário: Iniciamos 2015 com um currículo novo. A primeira lição trata dos “Dez Mandamentos”. O que os Dez Mandamentos têm a nos dizer hoje? O objetivo deste trimestre é ajudar o povo de Deus a distinguir entre lei e evangelho, lembrando que os Dez Mandamentos não são a lei, mas parte dela, que introduz o sistema legal de Moisés. Quando lemos os Dez Mandamentos, quase sempre, não paramos para refletir no contexto de libertação em que o povo judeu estava situado. Geralmente olhamos para os mandamentos como “leis fixas ou regras duras” e não damo-nos conta de que a existência deste código divino tinha o objetivo de garantir a liberdade recém-conquistada pelos israelitas. Há pouco, o povo judeu fora liberto da opressão dos egípcios. Os mandamentos foram dados pelo Eterno para conduzir Israel a uma vida de santidade prática. Neles, o povo poderia ver a natureza de Deus e seu plano, segundo o qual deveriam viver. Os israelitas sofreram as influências da cultura, da religião, da filosofia de vida egípcia, etc. Não há como ficar incólume sob 430 anos de influência em uma cultura majoritária como a do Egito Antigo. Por isso, a providência divina foi a de estabelecer princípios divinos e de vida para os judeus a fim de que o processo de libertação do povo não fosse em vão. Voltar ao “espírito” do Egito, em pleno deserto, seria a sombra que os hebreus conviveriam por 40 longos anos. Mas, Deus estava disposto a libertá-los para sempre dessa sombra.] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!

I. A PROMULGAÇÃO DA LEI

1. A solenidade. O ritual do concerto e da promulgação da lei no pé do monte Sinai aconteceu cerca de três meses após a saída de Israel do Egito (Êx 19.1-3). Os israelitas permaneceram ali durante um ano (Nm 10.11,12). A revelação da lei começa aqui e vai até o livro de Levítico (Lv 27.34). O livro de Números registra as jornadas de Israel no deserto, e Deuteronômio é o discurso em que Moisés recapitula a lei e traz ao povo uma reflexão sobre os acontecimentos no deserto desde a saída do Egito, exortando Israel à fidelidade a Deus (Dt 1.3; 4.1). [Comentário: O local onde nos encontramos é o Monte Sinai, de significado desconhecido, sendo uma possível derivação da palavra seneh, um arbusto espinhoso daquela região, ou pode ser uma referência ao deus lua Sin, cujo culto havia-se espalhado por toda a Arábia. Às vezes esse monte é chamado apenas de "a montanha de Deus" como em Ex 3.1 e 4.27; Sinai e Horebe. Essas variações podem referir-se ao mesmo monte, ou podem estar em vista montanhas diferentes localizadas na península. O escritor protestante americano Norman Russel Champlin afirma que foram necessários três meses para que Israel chegasse ao Sinai, depois de haver escapado da servidão no Egito. Na ocasião, um grande acontecimento esperava por eles, o pacto sinaítico. No terceiro mês. Ou seja, no terceiro mês do calendário religioso, que tinha início na páscoa, no mês de abibe (nisã). Entre os israelitas também havia um calendário civil. O terceiro mês do calendário religioso chamava-se sivã, correspondente ao nosso mês de maio. O Targum de Jonathan diz que a chegada de Israel ao Sinai ocorreu quarenta e cinco dias depois da partida do Egito, presumivelmente cinco dias antes da lei ter sido dada, ou seja, no sexto dia do mês de sivã. No primeiro dia desse mês, eles chegaram ao Sinai, e ali acamparam-se. No dia seguinte, Moisés subiu ao monte em sua entrevista com YAHWEH (hebraico: יהוה) ou com Sua teofania. No terceiro dia, ele reuniu os anciãos do povo (vs. 7), e lhes declarou as palavras de Deus. Três dias mais tarde, que foi o sexto dia do mês de sivã, foi dada a lei aos anciãos do povo, e, deles, para todos os israelitas. A exatidão desses cálculos, porém, dificilmente pode ser averiguada (Êx 19.2). O autor sacro oferece aqui uma pequena digressão a fim de lembrar-nos os movimentos de Israel após a partida de Refidim (Êx 17.1) para o Sinai. O Sinai foi um dos pontos de parada, onde Israel deveria permanecer por onze meses e seis dias. Fica entendido que YAHWEH (יהוה) se manifestava ali de maneira especial, tal como os gregos pensavam que o Olimpo era a residência de deuses. Assim, Moisés subiu ao monte cheio de expectativa, em busca de uma entrevista com o Senhor. O autor liga a cena da sarça ardente (cap. 3) com a cena deste capítulo. Chegara o momento de outra grande revelação.CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 383.]

2. A credibilidade de Moisés. Diante de tudo o que aconteceu, quem poderia questionar a legitimidade de Moisés como mediador entre Deus e o povo? Quem podia duvidar da autenticidade e da autoridade da lei (Êx 20.22)? Não seria exagero afirmar que Deus quis fortalecer a autoridade de Moisés com aquelas manifestações sobrenaturais (Êx 19.9). A manifestação visível do poder de Deus ao povo era uma prova irrefutável de sua origem divina (Êx 20.18-22; 19.16-19). As coisas de Deus são sempre às claras. Uma das grandezas do cristianismo é que ele foi erigido sobre fatos. Os evangelhos estão repletos dos milagres que Jesus operou diante do povo (Jo 18.19-21). [Comentário:Os israelitas tinham pedido que Moisés atuasse como mediador entre Deus e eles mesmos (vs. 19), quando Moisés já estava atuando nessa capacidade. YAHWEH (יהוה) instruiu Moisés para que transmitisse ao povo a Sua palavra, e assim teve início a multiplicação dos dez mandamentos básicos; e essa multiplicação, mediante a Interpretação, nunca terminou para o judaísmo. YAHWEH (יהוה) enviava a Sua mensagem do Seu céu, o que significa que estamos falando em termos de revelação. As coisas ditas pelo Senhor seriam posteriormente formuladas nas Escrituras. O fato de que a voz de YAHWEH (יהוה) era ouvida por Moisés servia de motivo para o povo de Israel obedecer, pois as palavras subiam acima da compreensão imediata deles. Segundo o comentarista bíblico e pastor presbiteriano inglês Matthew Henry, isto pareceu, também, ter particularmente a finalidade de honrar Moisés: “Para que o povo ouça, falando eu contigo, e para que também te creiam eternamente”, v. 9. Desta maneira, a correspondência devia ser primeiro estabelecida por uma manifestação perceptível da glória divina, e depois deveria ter continuidade, de modo mais silencioso, pelo ministério de Moisés. De igual maneira, o Espírito Santo desceu visivelmente sobre Cristo, no seu batismo, e todos os que estavam presentes ouviram Deus falando com Ele (Mt 3.17), para que posteriormente, sem a repetição de tais sinais visíveis, pudessem crer nele. E da mesma maneira, o Espírito desceu em línguas partidas sobre os apóstolos (At 2.3) para que as pessoas cressem neles. Observe que quando as pessoas se declararam dispostas a obedecer à voz de Deus, então Deus prometeu que eles ouviriam a sua voz. Pois, se alguém quiser fazer a vontade dele, irá conhecê-la, João 7.17. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 290.]

3. A lei. A lei de Moisés é o alicerce de toda a Bíblia, e os judeus a consideram "a expressão máxima da vontade de Deus". O termo hebraico torah aparece no Antigo Testamento como "instrução, ensino, lei, decreto, código legal, norma", e vem da raiz de um verbo que significa "instruir, ensinar". A Septuaginta emprega a palavra grega nomos, "lei, norma",  usada também no Novo Testamento. Além de designar toda a legislação mosaica (Dt 1.5; 30.10) - o Pentateuco (Lc 24.44; Jo 1.45) - indica também o Antigo Testamento (Jo 10.34, 35; Rm 3.19; 1 Co 14.21). Segundo os antigos rabinos, a lei contém 613 preceitos contendo 248 mandamentos e 365 proibições. [Comentário: Torah (hebraico תּוֹרָה, instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. É o equivalente ao Pentateuco ma Bíblia Cristã. Chamada também de Lei de Moisés (Torat Moshê, תּוֹרַת־מֹשֶׁה), por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (Talmud) e os ensinamentos rabínicos. A Bíblia de Estudo Genebra (Cultura Cristã e SBB) traz a seguinte nota: “Os seres humanos não foram criados autônomos (isto é, seres livres para seguirem sua própria lei), mas foram criados seres teônomos, ou seja, para estarem sujeitos à lei de Deus. Isso não constituía uma privação para o homem, porque Deus o criou de tal maneira que uma obediência agradecida poderia proporcionar-lhe a mais alta felicidade. Dever e prazer seriam coincidentes, como ocorreu com Jesus (Jo 4.34; cf. SI 112.1; 119.14, 16,47-48,97-113, 127-128, 163-167). O coração humano decaído odeia a lei de Deus, tanto pelo fato de ser uma lei quanto por ela vir de Deus. Os que conhecem a Cristo, contudo, descobrem não só que amam a lei e querem guardá-la tanto para agradarem a Deus e como gratidão pela graça (Rm 7.18-22; 12.1-2) mas também que o Espírito Santo os conduz a um grau de obediência que nunca tiveram antes (Rm 7 .6; 8.4-6; Hb 10.16). A lei moral de Deus está abundantemente exposta nas Escrituras, no Decálogo (Os Dez Mandamentos), em outros estatutos de Moisés, em sermões de profetas, no ensino de Jesus e nas cartas do Novo Testamento. A lei reflete o caráter santo de Deus e seu propósito para os seres humanos que criou. Deus ordena o comportamento que lhe agrada e proíbe aquilo que o ofende. Jesus resume a lei moral nos dois grandes mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo (Mt 22.37-40). Ele diz que desses dois dependem todas as instruções morais do Antigo Testamento. O ensino moral de Cristo e de seus apóstolos é a velha lei aprofundada e reaplicada a novas circunstâncias, as da vida no Reino de Deus, onde o Salvador reina, e na era pós-pentecostes do Espírito, quando o povo de Deus é chamado a viver uma vida santificada no meio de um mundo hostil (Jo 17.6-19). A lei bíblica é de várias espécies. As leis morais ordenam o comportamento pessoal e comunitário, que sempre são de nosso dever observar. As leis políticas do Antigo Testamento aplicavam princípios da lei moral à situação nacional de Israel, quando Israel era uma teocracia, como povo de Deus na terra. As leis do Antigo Testamento a respeito de purificação cerimonial, regime alimentar e sacrifícios eram estatutos temporários, com o objetivo de instruir o povo. Essas leis foram canceladas pelo Novo Testamento, porque o seu significado simbólico foi cumprido (Mt 15.20; Me 7.15-19; At 10.9-16; Hb 10.1-14: 13.9-10). A combinação de leis morais, judiciais e rituais nos livros de Moisés comunicam a mensagem de que a vida sob a orientação de Deus não deve ser vista nem vivida em compartimentos, mas como uma unidade multifacetada. Comunicam também que a autoridade de Deus como legislador deu força igual a todo o código. Contudo, as leis eram de diferentes espécies e tinham diferentes propósitos. As leis políticas e cerimoniais tinham aplicação limitada, enquanto parece claro, tanto do contexto imediato quanto do ensino de Jesus, que a afirmação de Jesus a respeito da imutável força universal da lei se refere à lei moral como tal (Mt 5.17-19; cf. Lc 16.16-17). Deus exige a total obediência de cada pessoa a todas as implicações de sua lei. Como diz o Catecismo Maior de Westminster; p. 99: "A lei ... obriga todos à plena conformidade do homem integral à retidão dela e à inteira obediência para sempre"; "a lei é espiritual e, assim, se estende tanto ao entendimento, à vontade, às afeições e a todas as outras potências da alma, quanto às palavras, às obras e ao procedimento." Em outras palavras, tanto os desejos quanto as ações devem ser retos. Jesus condena a hipocrisia que oculta a corrupção íntima com fingimentos exteriores (Mt 15. 7-8; 23.25-28). Além disso, as decorrências da lei são parte de seu conteúdo: "onde um dever é ordenado, o pecado contrário é proibido; e, onde um pecado é proibido, o dever contrário é ordenado".” Bíblia de Estudo de Genebra. Editoras Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 103.]

PONTO CENTRAL
Deus revelou a sua Lei aos homens através de Moisés, o seu servo.  Mas a revelação plena consiste em Cristo,o Filho de Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO I
A Lei foi entregue a Moisés no Monte Sinai. O legislador de Israel cumpriu o papel de mediador entre a vontade de Deus e o povo de Israel


II. OS CÓDIGOS

1. Classificação. Os críticos costumam fragmentar os escritos de Moisés. Consideram a legislação mosaica uma coleção de diversos códigos produzidos num longo lapso de tempo. A classificação apresentada é a seguinte: os Dez Mandamentos encabeçam a lista desses expositores (Êx 20.1-17; Dt 5.6-21). Em seguida, há o que eles denominam Código da Aliança (Êx 20.22-23.33). O que vem depois é o Código de Santidade (Lv 17-26). O Código Sacerdotal é o restante do livro de Levítico e o Código Deuteronômico (Dt 12-26). ).[Comentário: O Pentateuco é uma coletânea de escritos diversos. Nele encontramos história, poema, genealogia, narrativa, prescrição e exortação, tudo com um objetivo único: que Israel seja instruído quanto ao significado e propósito. O comentarista deste trimestre, o Pastor Esequias Soares, escreve em sua obra que serve de apoio a estas lições, Os dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança (CPAD): “Os códigos do Pentateuco são seções distintas no sistema mosaico que a crítica considera porções legais produzidas durante um longo lapso de tempo. Os críticos afirmam ter encontrado sete grupos: os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17; Dt5.6-21); o que eles costumam chamar de Código da Aliança (Êx 20.22-23.33); Ritual do Decálogo (Êx 34.10-26); Código de Santidade (Lv 17- 26); Código Sacerdotal (Lv 1-16); o Código Deuteronômico (Dt 12-26); além do discurso sobre as bênçãos e as maldições (Dt 27-28). Outros expositores mais ousados chegam a afirmar que o texto se constituía dos Dez Mandamentos sem as explicações de Êxodo 20.4-6, 9-11 e Deuteronômio 5.9, 10, 13-15, as quais teriam sido acrescentadas posteriormente. Há, na verdade, entre os críticos judeus e cristãos mais conservadores, a ideia de que Moisés recebeu as tábuas sem as respectivas explicações, mas que Deus mandou o próprio Moisés incluí-las no livro da Lei.” Esequias Soares. Os dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 21-22.]

2. O que há de concreto? Estas seções ou códigos são realmente identificáveis no Pentateuco; no entanto, é inaceitável a ideia de sua existência independente de cada um deles na história. O argumento dos críticos contraria todo o pensamento bíblico. Não existem provas bíblicas nem extrabíblicas de qualquer código isolado no Antigo Israel. A Bíblia inteira atribui a autoria a Moisés, e o próprio Senhor Jesus Cristo chamava o Pentateuco de "lei de Moisés" (Lc 24.44). ). [Comentário: A visão das Escrituras de que Moisés era o autor humano do Pentateuco é sustentada pelas evidências. Há seis passagens no Pentateuco que declaram especificamente a autoria de Moisés (Êx 17.14; 24.4-8; 34.27; Nm 33.1,2; Dt 31.9,24-26; 31.22,30-32.43). Três dessas referências estão ligadas às partes legislativas, e três às partes históricas. Estas 6 partes são partes integrais do seu contexto, de forma que as referências citadas provavelmente atribuem a Moisés a autoria de uma boa parte do contexto em que elas ocorrem. Com relação a Gênesis, nenhuma declaração específica de autoria é encontrada no livro. Mas Gênesis é uma parte integrante do Pentateuco. Sua narrativa conduz a acontecimentos relatados em Êxodo, e sem ela o Êxodo não seria compreensível. O Êxodo pressupõe claramente Gênesis; de fato, sua primeira palavra hebraica voe, normalmente traduzida como "e", mostra que deve ser conectada com o que precede em Gênesis. Se Moisés foi o autor dos últimos 4 livros do Pentateuco, também foi o autor de Gênesis. Ao longo dos últimos 4 livros do Pentateuco, Moisés foi o personagem principal. Ele era o mediador pelo qual Deus falava à nação ao transmitir sua lei. Deus deu a este patriarca as instruções para a construção do Tabernáculo, e lhe revelou as leis com relação à adoração. Cada vez mais, lemos sentenças como "Então, disse o Senhor a Moisés", "Como o Senhor ordenara a Moisés" etc. Quando chegamos a Deuteronômio, estamos na mesma atmosfera. O livro começa com "Estas são as palavras que Moisés falou..." Em todo o livro de Deuteronômio, Moisés aparece como a figura central. Nos demais livros e passagens do AT, o Pentateuco é uniformemente considerado como obra de Moisés. É correto dizer que a única lei autorizada que é reconhecida no AT é a lei de Moisés; o mesmo é verdade em relação ao NT. Citações feitas do Pentateuco atribuem sua autoria a Moisés (cf. Mt 19.8; Mc 10.3-5; Lc 24.27,44; Jo 5.46,47; 7.19; At 3.22; Ap 15.3 etc). Tanto o AT como o NT consideram Moisés como o autor humano da lei. No século XVIII, surgiu a visão de que o Pentateuco não era inteiramente uma obra de Moisés. Pensou-se que a presença de diferentes nomes divinos em Gênesis fosse uma marca de diferentes autores. Finalmente, assumiu-se que Gênesis consistia de três documentos principais, que foram finalmente reunidos por um redator. Pensou-se que estes 3 documentos, ou partes deles tivessem sido encontrados também em Êxodo, Levítico e Números, sendo que Deuteronômio foi atribuído a uma fonte diferente. No entanto, a hipótese documentária, como é chamada, embora sustentada por muitos estudiosos, destrói a verdadeira unidade e harmonia do Pentateuco. E uma teoria que não tem o suporte dos fatos e, portanto, deve ser abandonada. PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1499-1500.]

SÍNTESE DO TÓPICO II
Embora os críticos bíblicos afirmem que os escritos atribuídos a Moisés são fragmentados, a Bíblia inteira, bem como o testemunho de Jesus Cristo, atribui a Moisés a autoria do Pentateuco (Lc 24.44).


III. O CONCERTO

1. O que é um concerto? O termo usado no Antigo Testamento para "concerto" é berit, "pacto, aliança", que literalmente indica obrigação entre pessoas como amigos, marido e mulher; entre grupos de pessoas; ou entre divindade e indivíduo ou um povo. Sua etimologia é incerta. A Septuaginta emprega o termo grego diatheke, "pacto, aliança, testamento", ou seja, a mesma palavra usada por Jesus ao instituir a Ceia do Senhor. O Antigo Testamento fala de três concertos: com Noé, com Abraão e com Israel no monte Sinai (Gn 9.8-17; 15.18; Êx24.8). O Novo Testamento fala do novo concerto que o Senhor Jesus fez com toda a humanidade (Mt 26.28; Hb 8.13). [Comentário: Em hebraico, uma "aliança" é determinada pelo termo berit, e berit karat significa "fazer (lit., 'cortar' ou 'lapidar') uma aliança". Em grego o termo é diatheke (que pode significar tanto "pacto"como "último desejo e testamento"), e o verbo é diatithemi (At 3.25; Hb 8.10; 9.16; 10.16). Uma aliança é um acordo entre duas ou mais pessoas em que quatro elementos estão presentes: partes, condições, resultados, garantias. As alianças bíblicas são importantes como uma chave para duas grandes facetas da verdade: Soteriologia - O plano de Deus através de Jesus Cristo para redimir os seus eleitos, está revelado de uma maneira ampla e profunda nas sucessivas alianças. Mais uma vez cito Russell Norman Champlin, que chama berit depacto e enumera-os assim: 1. O pacto edênico (Gn 1.26-28). Esse pacto condicionava a vida do homem em seu estado de inocência; 2. O pacto adâmico (Gn 3.14-19). Esse pacto condicionava a vida do homem após a queda, dando-lhe a promessa da redenção; 3. Opacto noaico (Gn 9.1 e ss). Esse pacto estabeleceu o principio do governo humano; 4. Opacto abraâmico (Gn 15.8). Esse pacto diz respeito à fundação física e espiritual de Israel, impondo condições aos que quisessem pertencer ao Israel espiritual; 5. O pacto mosaico(Êx 19.25; 20.1-24.11 e 24.12-31.18). A lei foi dada, supostamente como meio de vida, mas terminou por ser o motivo da morte e da condenação; 6. O pacto palestiniano (Dt 28-30). Esse prometeu a restauração de Israel no tempo devido; 7. O pacto davidico (2 Sm 7.8-17). Esse pacto estabeleceu a perpetuidade da família e do reino davídico, cumprido em Cristo como Rei (Mt 1.1; Lc 1.31-33; Rm 1.3). Isso inclui o reino milenar (2 Sm 7.8-17; Zc 12.8; Lc 1.31,33; At 15.14-17; I Co 15.24), que tipifica o reino eterno de Cristo. 8. O novo pacto. Esse repousa sobre a obra sacrificial e sacerdotal de Cristo, tendo por fito garantir a bênção eterna e a salvação para os homens. Apesar dos homens não poderem produzir nada que esse pacto exigia, por si mesmos, a verdade é que ele está condicionado à fé e à outorga da alma nas mãos de Cristo. O trecho de Hb 10.19 – 12.3 é, essencialmente, uma descrição de como esse novo pacto é melhor. Ê o pacto mosaico que está em foco no trecho de Hb 8.6, contrastado com o novo. Fazia exigências impossíveis aos homens, transformando-os em escravos. Mas não era capaz de dar-lhes a força para viverem à altura dessas exigências. Portanto. o pacto baseado na lei estava condenado ao fracasso. No novo pacto foi dada a lei do Espírito de Deus que opera no coração e em que as operações intimas do Espírito garantem o cumprimento das condições. Dai vem o sucesso desse novo pacto. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 6.]

2. Preparativos. Até este ponto na história dos israelitas, Deus vinha agindo em cumprimento às promessas feitas aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó (Gn 15.18; 17.19; Êx 2.24). Essa promessa precisava ser levada avante. Agora os filhos de Israel formavam um grande aglomerado de pessoas, e essa multidão precisava ser organizada como nação e estabelecida uma forma de governo com estatutos que constituíssem sua lei. [Comentário:Preparação para o Pacto (19.1-25): Agora os israelitas tinham chegado ao monte Sinai. Ali eles permaneceram, pelo resto dos eventos registrados no trecho compreendido entre Êxodo 19.1 e Números 10.10. Estiveram ali pelo período de onze meses e seis dias, desde o décimo quinto dia do terceiro mês de seu primeiro ano de jornadas (ver Êx 12.2,6 e 19.1) até ao vigésimo dia do segundo mês de seu segundo ano de jornadas (Nm 10.11). Ao receber a lei de Moisés, o povo de Israel tornou-se uma virtual teocracia, ganhando assim a característica distintiva que fez deles o povo de Israel. Desse modo, o Pacto Abraâmico estava adquirindo novas dimensões. Israel era agora a nação consagrada à lei, porquanto aquilo que o evangelho é para a Igreja, a lei o é para Israel. Somente em Cristo o Pacto Abraâmico receberia ainda maiores dimensões e espiritualidade do que recebeu com Moisés (Gl. 3.14 ss). A redenção da servidão ao Egito tinha sido completa; muitos milagres tinham levado Israel até àquela parada prolongada, no Sinai. Naquele lugar, um novo pacto seria estabelecido que tornaria Israel a nação distintiva em que ela se tornou. A lei de Moisés era a constituição de Israel, a base do estado teocrático, sob YAHWEH (יהוה), o Deus único e verdadeiro. Ficou assim estabelecido, de modo absoluto, o monoteísmo, se porventura isso já não tinha acontecido antes. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 382.]

3. O concerto do Sinai. O concerto do Sinai não era apenas a ratificação da promessa feita a Abraão, mas sua aprovação oficial (Gn 15.18; Gl 3.17). As duas partes envolvidas eram, de um lado, o grande Deus Jeová: "se diligentemente ouvirdes a minha voz" (Êx 19.5); e, de outro, Israel: "Tudo o que o SENHOR tem falado faremos" (Êx 19.8). O povo reafirma esse compromisso mais adiante (Êx 24.7). Era um concerto temporal, local e nacional com mediador falível, ao passo que o de Cristo tinha aplicação universal, foi em favor de toda a raça humana e o Mediador era perfeito. [Comentário: O Pacto Mosaico. As alianças bíblicas (brit) fazem declarações sobre o que Deus pretende ou está comprometido a fazer. Ao mesmo tempo em que Moisés ou o Pacto da Lei compartilham essa característica essencial com outros pactos bíblicos, eles são também diferentes entre si. A aliança original que Deus fez com Abraão continha um número de declarações “E far-te-ei” feitas pelo Senhor (Gn 12). Foram dadas a essas promessas força legal e formal em um pacto de sangue (Gn 1 5). Nessa época, Deus fez Abraão adormecer, e o Senhor passou sozinho entre as partes dos animais sacrificados. O Senhor, então, demonstrou que manteria as promessas feitas a Abraão não importando o que ele fizesse. Outras alianças, tais como a de Davi e a Nova Aliança, são também compromissos unilaterais. Deus fará o que prometeu independente da forma como o homem se comporte. O que distingue a Aliança (Lei) Mosaica é o que Deus declara que fará dependendo de como o seu povo se comportará. O povo de Deus será abençoado e protegido se amar e obedecer ao Senhor. Se, por outro lado, o povo de Deus desviar-se para cultuar divindades pagãs e abandonar os caminhos corretos, então o Todo-Poderoso o disciplinará e o punirá. Somente aqui o que Deus fizer será em resposta às escolhas de Israel. Há outras diferenças entre o Pacto Mosaico e os outros. Os outros tratam do que Deus fará no final da história. Este pacto refere-se ao que Deus fará a cada geração enquanto a história se desenrola. Os outros são pactos permanentes. O Mosaico é um pacto temporário, valendo somente até Jesus, o Redentor prometido. Hoje o Deus da Lei do AT continua a revelar a natureza santa do Senhor e seus padrões morais. Entretanto, hoje o Santo Espírito de Deus nos capacita a ter uma vida de amor que cada vez mais demonstre perfeitamente o caráter do nosso Senhor. RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 62.]

4. O livro do concerto. Moisés "tomou o livro do concerto e o leu aos ouvidos do povo" (24.7). O concerto foi feito sob as palavras desse livro que continha os mandamentos e os direitos e deveres para a vida de Israel (24.8). Deus já havia mandado Moisés escrever os acontecimentos ocorridos até a guerra dos amalequitas (Êx 17.14). Mas aqui o texto se refere a uma coleção de ordenanças escritas pelo próprio Moisés (24.4). Segundo Umberto Cassuto, professor das universidades de Milão, Roma e Jerusalém, esse livro continha Êxodo 19-20.19 e 20.22-23.33. Nessa época, a revelação do Sinai ainda estava em andamento. [Comentário: O livro da aliança (hebraico aepher habberit) foi lido por Moisés como a base do pacto de YAHWEH (יהוה) com Israel (Êx 24.7). Não há certeza sobre que livro era esse, mas, provavelmente, era ou incluía o decálogo, isto é, Êxodo 20.2-17. Entretanto, a expressão também foi aplicada a Êxodo 20.22 22: 33. Em 2º Reis, a expressão refere-se à lei deuteronômica como um todo. Seja como for, estamos tratando da mais antiga codificação da lei de Israel, que consiste em juízos (mispatim) e estatutos (debarim). Os juízos eram mandamentos positivos: ...faze isto... e os estatutos eram mandamentos negativos: Não. Também havia provisões chamadas leis participiais, porquanto, no hebraico, são expressos por algum verbo no tempo particípio: Fazendo isto ou aquilo, morrerá. A grosso modo, podemos dizer que o ..livro da aliança.. é o decálogo, com seus comentários e implicações. Um código, similar quanto. a certos pontos, é o de Hamurabi, embora ali os homens estivessem divididos em três classes: a aristocracia, a classe comum dos cidadãos e os escravos. E as leis eram bastante desiguais, quando aplicadas a essas três classes. Algumas das provisões, porém, eram idênticas, como, para exemplificar, a sentença de morte contra o sequestro. (Êx 21.16; Dt 24.7; Código de Hamurabi, nº 14). Quanto ao furto, as leis hebraicas não requeriam a morte, e o código de Hamurabi requeria a punição capital, embora com o tempo, isso fosse relaxado para o roubo de objetos religiosos ou de propriedades do estado, posteriormente, foi requerida uma sêxtupla devolução. Ambos esses códigos permitiam que as dividas fossem saldadas mediante a servidão, havendo provisões para a redenção, a fim de que os cidadãos não se tomassem escravos permanente Êx 21.2-11; Dt 15.12-18; Código de Hamurabi nº 117-119. A lei de Talião, em face da qual o castigo aplicado correspondia exatamente ao dano praticado, era aplicada de forma um tanto mais dura no código de Hamurabi (nº 198), do que na lei mosaica. Diz Êxodo 21.23-25: «Mas se houver dano grave, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe... O povo comum e 'os escravos eram menos protegidos nas leis babilônicas do que na lei mosaica. Um pastor que perdesse uma ou várias ovelhas, tinha de fazer reparação em valores, de acordo com o Código de Hamurabi nº 267. A lei. mosaica (Êx 22.10-13) era mais suave, porquanto admitia perdas que não se deviam à culpa do pastor, como o ataque de algum animal feroz. Nesses casos, bastava-lhe fazer um juramento de sua inocência, e nada precisava pagar. Essas e outras comparações demonstram que o Código de Hamurabi, bem como outras legislações existentes na região, juntamente com as leis do Antigo Testamento, estavam alicerçadas sobre algum fundo comum de leis. Mas, em diversas provisões, as leis do Antigo Testamento elevaram os padrões, injetando um maior espírito de misericórdia do que outros códigos. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 869.]

SÍNTESE DO TÓPICO III
Enquanto o Antigo Testamento fala de três concertos  - os de Noé, Abraão e Israel - o Novo revela uma nova e suficiente aliança: Jesus Cristo se fez homem.


IV. O SACRIFÍCIO

1. Os holocaustos. A solenidade foi celebrada com sacrifícios de animais (20.4). O holocausto, olah, em hebraico, significa "o que sobe", pois a queima subia em forma de fumaça, como cheiro suave diante de Deus. Neste sacrifício, a vítima era completamente queimada como sinal de consagração do ofertante a Deus. A Septuaginta emprega holokautoma, derivado de duas palavras gregas: holos, "inteiro, completo, total", e kaustos, "queima". Ou seja, uma oferta totalmente queimada, ou completamente queimada no altar, era considerada o mais perfeito dos sacrifícios. [Comentário: Essa palavra vem do grego hol«inteiro». E kautoI. «queimar». A Septuaginta usa essa palavra para. traduzir o termo hebraico olah, que significa «trazido a Deus». Um sinônimo, kalil, significa «queima completa», referindo-se ao consumo dos sacrifícios em sua totalidade, incluindo os órgãos internos, a gordura e tudo o mais, até tudo tornar-se em cinzas. A olah era oferecida como expiação pelo pecado. Outros sacrifícios expiavam pelos pecados particulares, mas a olahvisava a uma expiação geral. Os holocaustos, no decorrer da sua história eram efetuados privada e publicamente. Posterior: mente transformaram-se na tamid diária, o grande sacrifício nacional, em favor de toda a nação de Israel. Essa cerimônia é que deu origem à oração judaica diária, que prevalece no judaísmo moderno. Em um sentido secundário, o termo é usado para indicar qualquer grande e terrível destruição, como a destruição de seis milhões de judeus, por determinação de Adolf Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial. Qualquer grande destruição, sem importar a sua causa, pode ser assim denominada.CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 150.]

2. O sangue. Deus mandou Moisés oferecer o sacrifício do concerto e aspergir o sangue sobre o altar e o povo (24.6, 8). Todo o sistema sacrifical fundamenta-se na ideia de substituição, e isso implica expiação, redenção, perdão e sacrifício vicário à base de sangue (Lv 17.11). O sangue aqui era o ponto de união entre Deus e seu povo; com ele, Israel começava uma nova etapa em sua história (Sl 50.5). O escritor aos Hebreus lembra que o concerto do Sinai foi celebrado com sangue e faz uma analogia com a Nova Aliança, porque o Senhor Jesus a selou com seu próprio sangue (Hb 9.18-22). [Comentário: Metade do sangue dos sacrifícios, que havia sido posto em receptáculos, a ser usado para aspergir o povo (vs. 8). A outra meta- de foi aspergida sobre o altar. Temos aí o rito da ratificação, selado a sangue. Por muitas vezes, o sangue fala de expiação; e, talvez, essa idéia esteja incluída no rito, embora a noção principal tenha sido a ratificação feita pelas duas partes interessadas: YAHWEH (יהוה) representado pelo altar, e o povo de Israel, que foi aspergido. Entre vários povos antigos havia pactos de sangue. Algumas vezes, o sangue dos sacrifícios era sorvido pelas partes envolvidas no acordo. “Deus e o povo uniram-se em sagrado companheirismo. Houve uma refeição sagrada (vss. 9-11), que também servia de meio comum de estabelecimento dessa comunhão. Provavelmente devemos pensar aqui em uma forma mais antiga, e que a aspersão do sangue simbolizava aquilo que se fazia mais antigamente, ou seja, o sangue era bebido”. A aversão de Israel ao uso de sangue como alimento não permitiria que eles bebessem do sangue. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 411. Aqui é fornecida uma razão para esta lei (v. 11): “Porquanto é o sangue que fará expiação pela alma”. E, por isto, é através do sangue que se faz a expiação, porque a vida da carne é o sangue. O pecador merece a morte. Por isto, o sacrifício deve morrer. Mas, sendo o sangue, de tal forma, a vida, a ponto de que os animais normalmente eram mortos para o uso do homem, com a extração de todo o seu sangue, Deus recomendou o espargir ou o derramar do sangue do sacrifício sobre o altar, para significar que a vida daquele sacrifício era dada a Deus, em lugar da vida do pecador, e como um resgate ou contra-oferta por ela. Por isto, sem derramamento de sangue não há remissão, Hebreus 9.22. Por esta razão, eles não deveriam comer o sangue. Além disto: (1) Esta era, então, uma razão muito boa. Pois Deus, desta maneira, desejava preservar a honra daquela forma de expiação que Ele tinha instituído, e conservar, na mente do povo, uma consideração reverente por ela. Como o sangue do concerto era algo perceptível, nenhum sangue devia ser comido ou pisoteado como algo comum, da mesma maneira como eles não deviam ter ungüento nem perfume iguais àqueles que Deus havia ordenado que eles fizessem para Ele. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 404-405.]

3. A aspersão. Moisés colocou metade do sangue em bacias e aspergiu outra metade sobre o altar (24.6). O sangue das bacias foi aspergido sobre o povo, como recipiente das bênçãos de Deus e parte do concerto. O sangue do altar representa o próprio Deus, a outra parte da aliança, visto que sem derramamento de sangue não há remissão (Hb 9.22). Tudo isso era também um prenúncio da redenção em Cristo. [Comentário: ASPERSÃO No AT, essa palavra envolve o uso de sangue, água ou azeite. O Comentário Bíblico Beacon (CPAD) traz o seguinte: “A necessidade de derramamento de sangue, tipificando a doação de vida, é resumida no versículo 22. No que tange à purificação cerimonial, as coisas, i.e., o Tabernáculo e seus acessórios de adoração, lemos o seguinte: E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue. Mas ainda mais indispensável é o sangue remidor oferecido em favor dos pecadores. Coisas requerem o aspergir de sangue quando são consagradas. Mas pessoas requerem perdão; e embora possa haver exceções em relação às coisas, não há exceção no perdão; porque sem derramamento de sangue não há remissão de forma alguma. Esta é a grande diferença entre o caminho de Deus e o caminho do homem, entre a verdadeira religião e a falsa. O homem tem uma visão inadequada do pecado e despreza o sangue como inerentemente necessário para o perdão. Mas ao exigir sangue, Deus ressalta a excessiva pecaminosidade do pecado; e ao prover o Sangue, Ele revela o seu infinito amor. O sangue do pecador pode ser poupado — mesmo o de animais — porque Deus sacrificou seu próprio “Cordeiro [...] que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).”Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Hebreus. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 83.]

SÍNTESE DO TÓPICO IV
Deus informou a Moisés, na Lei, a constituição de sacrifícios santos: os holocaustos; derramamento de sangue; aspersão do sangue


CONCLUSÃO

A grandeza do acontecimento no Sinai mostra a natureza sem igual da cerimônia, algo nunca visto. Era a manifestação do próprio Deus de maneira explícita diante de todo o povo. O que devemos aprender é que a observância meramente exterior, destituída de significado interior, não passa de simples cerimônia. A riqueza espiritual e seu significado residem na figura do Filho de Deus e no cumprimento do concerto em Cristo. [Comentário: A Lei, termo traduzido pela Septuaginta por dekalogos, “decálogo" (deka, "dez", e logos,"palavra"). O Decálogo é a única parte do Pentateuco escrita "pelo dedo de Deus" (Êx 31.18), Agostinho de Hipona diz ser linguagem figurada que significa "pelo Espírito de Deus" e, de acordo com Clemente de Alexandria, "pelo poder de Deus". É também a única porção da lei que Israel ouviu partir da voz do próprio Deus no monte quando ele transmitia essas dez palavras (Êx 19.24, 25; 20.18-20). O Decálogo se reveste de um valor especial no Pentateuco, mas para o cristianismo tem o mesmo valor que qualquer outra parte do Antigo Testamento como Escritura inspirada por Deus (2 Tm 3.16). As dez palavras foram escritas pelo próprio Deus em ambos os lados de duas tábuas de pedra, e entregues a Moisés (Êx 31.18; 32.15, 16; Dt 4.13; 5.22; 10.2-4). Os judeus, desde Fílon de Alexandria até a atualidade, dividem os Dez Mandamentos em dois grupos de cinco, um grupo para cada tábua. Agostinho de Hipona supunha haver três mandamentos na primeira tábua e sete na segunda. Calvino e muitos da atualidade acreditam que na primeira tábua estavam gravados os quatro mandamentos relativos aos deveres do homem com Deus e, na segunda, os seis mandamentos relativos ao homem e seu próximo. Alguns interpretam que o Senhor Jesus Cristo sintetizou as duas tábuas nos dois grandes mandamentos (Mt 22.34-40), com a ressalva do sábado, pois não há ensino no Novo Testamento para a observância do quarto mandamento]. “NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Francisco Barbosa
CampinaGrande-PB
Dezembro de 2014