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LIÇÃO 12 – NÃO COBIÇARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 12 - NÃO COBIÇARÁS - 1º TRIMESTRE 2015
(Êx 20.17; 1 Rs 21.1-5,9,10,15,16)
INTRODUÇÃO
O décimo mandamento, “Não cobiçarás” (Êx 20.17), foi um mandamento instituído por Deus para que a nação de Israel não violasse nenhum dos mandamentos anteriores do Decálogo. Se o oitavo mandamento, por exemplo, proibia o roubo, o décimo mandamento proibia o desejo de roubar. Nesta lição, iremos analisar exegeticamente este preceito; teremos uma visão geral sobre a cobiça no AT e no NT; veremos ainda alguns exemplos bíblicos de pessoas que caíram neste terrível pecado; e, por fim, como vencer a cobiça pelas riquezas, uma prática nociva tão comum em nossos dias.
I – A EXEGESE DO DÉCIMO MANDAMENTO
“O verbo hebraico que aparece no texto de (Êx 20.17) é “hãmad”, que significa “desejar, ter prazer em, cobiçar, ter concupiscência de”; já em (Dt 5.21) podemos notar a presença de um outro verbo hebraico “ãwãh”, que significa “desejar ardentemente, ansiar, cobiçar, anelar” (SOARES, 2014, p. 133 – acréscimo nosso). A Septuaginta, que é a tradução do AT em hebraico para o grego, traduz estes dois termos, pelo verbo grego “epithyméo”. Logo, o substantivo grego que expressa um desejo é “epithymia” (Mt 5.28; Lc 15.16; Rm 7.7).
1.1. “Epithymia”, desejos bons ou maus. “O verbo “epithyméo” significa literalmente “desejar apaixonadamente”. O vocábulo grego é neutro, podendo fazer referência a qualquer apetite legítimo ou ilegítimo. Portanto, os desejos podem ser positivos ou negativos. Um desejo pode ser apenas isso, porém, quando não se estabelece limites, este sentimento primário evolui para a paixão. A paixão por sua vez, é um “sentimento ou uma emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (FERREIRA, 2004, p. 1468); quando ela domina o coração do homem, o sentimento primário eleva-se ao extremo e, esse extremo é exatamente o que a Bíblia chama de cobiça. Existem desejos (cobiças) tão intensos que envolvem a própria alma (Dt 14.26)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 2, pp. 79-80 – acréscimo nosso).
II – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO ANTIGO TESTAMENTO
“A cobiça é definida como o desejo desordenado de adquirir coisas, posição social, fama, proeminência secular ou religiosa, etc. Pode incluir a tentativa de apossar-se do que pertence ao próximo. Ela geralmente aumenta com a idade, ao invés de diminuir, dando origem a certos números de males. Esta obra da carne promove a alienação de Deus, a opressão e a crueldade contra o próximo, a traição e as manipulações e desonestidades de toda espécie. Quase sempre, o desejo desordenado da cobiça provoca alguma ação para que o cobiçoso adquira o que quer, ou para que persiga o possuidor do objeto ou da pessoa cobiçada” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).
2.1. Significado do décimo mandamento. “Não cobiçarás”, não significa que uma pessoa não possa ADMIRAR bens e aptidões de outros indivíduos. O mandamento proíbe o desejo corrompido que destrói os relacionamentos e pode levar um indivíduo a desejar o sofrimento daquele que têm a aptidão ou objeto cobiçado”. (ADEYEMO, 2010, p. 114 – grifo nosso).
2.2. Objetivo do décimo mandamento. “A posição desse mandamento no final da lista indica que ele trata de qualquer pendência que ainda resta no âmbito relacional, pois abrange todas as formas possíveis de relacionamento – com Deus, com a família e com a sociedade mais ampla. A confiabilidade e o respeito por outros são elementos essenciais, pois nenhuma sociedade construída com base em relacionamentos falsos pode sobreviver à instabilidade e aos problemas resultantes. Se pessoas e nações tivessem obedecido aos Dez Mandamentos, muitos traumas poderiam ter sido evitados” (ADEYEMO 2010, p. 114).
2.3. O que não cobiçar. “O mandamento proíbe cobiçar a casa, a mulher, os servos, os animais ou qualquer coisa do próximo (Êx 201.17; Dt 521). A casa aqui indicava a família, no sentido antigo da palavra, e a ideia de esposa é primária. Isto é explicitamente demonstrado em Deuteronômio 5.21, onde a esposa é mencionada em primeiro lugar. Boi e jumento são a riqueza típica do camponês ou seminômade da Idade do Bronze, para quem as perplexidades da sociedade desenvolvida ainda não haviam surgido. Os servos ou os “escravos” eram por sua vez, a única outra forma de propriedade móvel” (COLE, 1981, p. 155).
2.4. A abrangência do cobiçar. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao próximo, contudo, como Deus não só vê a ação concreta, mas a motivação que leva a ação, podemos identificar nesta verdade, o lado espiritual do Decálogo, mostrando que nem tudo é jurídico, e com isto, entendemos que o décimo mandamento é a ponte que leva ao cumprimento dos demais, isto é, não cobiçar outros deuses, outras formas de culto, a mulher e os bens do próximo (Êx 20.17).
III – ENTENDENDO A COBIÇA NA PRÁTICA
Todos nós externamos vontades e biblicamente há implicações. Existem vontades ou desejos lícitos e ilícitos e, o décimo mandamento previne o coração exatamente dos desejos ilícitos, isto é, da cobiça.
DESEJOS LÍCITOS REFERÊNCIAS DESEJOS ILÍCITOS REFERÊNCIAS
Jesus desejou comer a Páscoa
“... Desejei muito...”
(Lc 22.15).
Ananias e Safira desejaram prestígio
“Porque formaste este designo...” (At 4.34-37; 5).
Daniel desejou conhecer os desígnios de Deus
“Então tive desejo de conhecer a verdade...”
(Lc 15.16).
Diótrefes desejou a primazia da igreja
“Procura ter entre eles o primado...” (3 Jo 9).
IV – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO NOVO TESTAMENTO
4.1. Na perspectiva de Cristo. “Não cobiçarás...” se distingue dos outros nove mandamentos por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar (a cobiça) ao próprio ato em si” (Mt 5.28; Mc 7.21-23;) (SOARES, 2014, p. 134 – acréscimo nosso).
4.2. Na perspectiva do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo trata esta obra carnal se utilizando de um sinônimo. Ele destaca a avareza, o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, ou seja, a vontade de adquirir riquezas; os cobiçosos anelam por ter mais dinheiro (At 20.33; 1 Tm 6.9; Rm 7.7). Este pecado é alistado entre os pecados frisados por Paulo, em Ef 4.19; aparece na lista dos vícios dos povos pagãos, em Rm 1.29. Apesar da cobiça não ser especificamente alistada entre as obras da carne em Gl 5.19-21, ela é uma das causas de várias daquelas obras carnais, como o adultério, o ódio, as dissensões, a beligerância que é a pessoa que suscita guerras, etc., devendo ser incluída entre as “tais coisas” que Paulo mencionou, e que não permitem que uma pessoa chegue ao Reino de Deus (Gl 5.21).” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).
V – PERSONAGENS BÍBLICOS QUE CAÍRAM NESTE PECADO
Na tabela abaixo, destacamos alguns exemplos práticos de personagens que caíram neste pecado.
PERSONAGENS REFERÊNCIAS DESCRIÇÃO DA COBIÇA
Lúcifer
“... E serei semelhante ao Altíssimo...” (Is 14.12-15).
Cobiçou ser igual a Deus
Adão e Eva
“... Desejável para dar entendimento...” (Gn 3.6).
Cobiçou saber como Deus
Acã
“... Cobicei-os e tomei-os...” (Js 7.21).
Cobiçou os despojos de Jericó
Davi
“… mandou trazer...” (2 Sm 11.2-4 ).
Cobiçou a mulher de Urias
Absalão
“... Furtava Absalão o coração...” (2 Sm 15.1-16).
Cobiçou o trono de Davi seu pai
Geazi
“Tomar dele alguma coisa” (2 Rs 5.20).
Cobiçou os pertences de Naamã
Acabe
“... Dá-me a tua vinha...” (1 Rs 21.2).
Cobiçou a propriedade de Nabote
VI – VENCENDO A COBIÇA PELA RIQUEZA
Nas Escrituras encontramos o antídoto para este veneno mortal. Vejamos: (1) Jesus nos ensina que não precisamos andar ansiosos com as coisas desta vida, Ele supre toda as nossas necessidades (Mt 6.25,26); (2) o apóstolo Paulo por sua vez, nos ensina que devemos aprender a nos contentarmos com o que temos, desejar apaixonadamente a riqueza é uma laço que nos leva a perdição e a ruína (Fp 4.11,12; 1 Tm 6.9); e por fim (3) o escritor anônimo da carta aos Hebreus nos consola com as palavra de Cristo: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5).
CONCLUSÃO
A cobiça é uma obra da carne que dá origem a todos os outros pecados. Por meio deste pecado o mal se introduziu na criação. O mandamento “não cobiçarás” nos protege das ambições erradas, levando-nos a um nível de relacionamento piedoso para com Deus, com a nossa família e com a sociedade.
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 12 - NÃO COBIÇARÁS - 1º TRIMESTRE 2015
(Êx 20.17; 1 Rs 21.1-5,9,10,15,16)
INTRODUÇÃO
O décimo mandamento, “Não cobiçarás” (Êx 20.17), foi um mandamento instituído por Deus para que a nação de Israel não violasse nenhum dos mandamentos anteriores do Decálogo. Se o oitavo mandamento, por exemplo, proibia o roubo, o décimo mandamento proibia o desejo de roubar. Nesta lição, iremos analisar exegeticamente este preceito; teremos uma visão geral sobre a cobiça no AT e no NT; veremos ainda alguns exemplos bíblicos de pessoas que caíram neste terrível pecado; e, por fim, como vencer a cobiça pelas riquezas, uma prática nociva tão comum em nossos dias.
I – A EXEGESE DO DÉCIMO MANDAMENTO
“O verbo hebraico que aparece no texto de (Êx 20.17) é “hãmad”, que significa “desejar, ter prazer em, cobiçar, ter concupiscência de”; já em (Dt 5.21) podemos notar a presença de um outro verbo hebraico “ãwãh”, que significa “desejar ardentemente, ansiar, cobiçar, anelar” (SOARES, 2014, p. 133 – acréscimo nosso). A Septuaginta, que é a tradução do AT em hebraico para o grego, traduz estes dois termos, pelo verbo grego “epithyméo”. Logo, o substantivo grego que expressa um desejo é “epithymia” (Mt 5.28; Lc 15.16; Rm 7.7).
1.1. “Epithymia”, desejos bons ou maus. “O verbo “epithyméo” significa literalmente “desejar apaixonadamente”. O vocábulo grego é neutro, podendo fazer referência a qualquer apetite legítimo ou ilegítimo. Portanto, os desejos podem ser positivos ou negativos. Um desejo pode ser apenas isso, porém, quando não se estabelece limites, este sentimento primário evolui para a paixão. A paixão por sua vez, é um “sentimento ou uma emoção levados a um alto grau de intensidade, sobrepondo-se à lucidez e à razão” (FERREIRA, 2004, p. 1468); quando ela domina o coração do homem, o sentimento primário eleva-se ao extremo e, esse extremo é exatamente o que a Bíblia chama de cobiça. Existem desejos (cobiças) tão intensos que envolvem a própria alma (Dt 14.26)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 2, pp. 79-80 – acréscimo nosso).
II – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO ANTIGO TESTAMENTO
“A cobiça é definida como o desejo desordenado de adquirir coisas, posição social, fama, proeminência secular ou religiosa, etc. Pode incluir a tentativa de apossar-se do que pertence ao próximo. Ela geralmente aumenta com a idade, ao invés de diminuir, dando origem a certos números de males. Esta obra da carne promove a alienação de Deus, a opressão e a crueldade contra o próximo, a traição e as manipulações e desonestidades de toda espécie. Quase sempre, o desejo desordenado da cobiça provoca alguma ação para que o cobiçoso adquira o que quer, ou para que persiga o possuidor do objeto ou da pessoa cobiçada” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).
2.1. Significado do décimo mandamento. “Não cobiçarás”, não significa que uma pessoa não possa ADMIRAR bens e aptidões de outros indivíduos. O mandamento proíbe o desejo corrompido que destrói os relacionamentos e pode levar um indivíduo a desejar o sofrimento daquele que têm a aptidão ou objeto cobiçado”. (ADEYEMO, 2010, p. 114 – grifo nosso).
2.2. Objetivo do décimo mandamento. “A posição desse mandamento no final da lista indica que ele trata de qualquer pendência que ainda resta no âmbito relacional, pois abrange todas as formas possíveis de relacionamento – com Deus, com a família e com a sociedade mais ampla. A confiabilidade e o respeito por outros são elementos essenciais, pois nenhuma sociedade construída com base em relacionamentos falsos pode sobreviver à instabilidade e aos problemas resultantes. Se pessoas e nações tivessem obedecido aos Dez Mandamentos, muitos traumas poderiam ter sido evitados” (ADEYEMO 2010, p. 114).
2.3. O que não cobiçar. “O mandamento proíbe cobiçar a casa, a mulher, os servos, os animais ou qualquer coisa do próximo (Êx 201.17; Dt 521). A casa aqui indicava a família, no sentido antigo da palavra, e a ideia de esposa é primária. Isto é explicitamente demonstrado em Deuteronômio 5.21, onde a esposa é mencionada em primeiro lugar. Boi e jumento são a riqueza típica do camponês ou seminômade da Idade do Bronze, para quem as perplexidades da sociedade desenvolvida ainda não haviam surgido. Os servos ou os “escravos” eram por sua vez, a única outra forma de propriedade móvel” (COLE, 1981, p. 155).
2.4. A abrangência do cobiçar. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao próximo, contudo, como Deus não só vê a ação concreta, mas a motivação que leva a ação, podemos identificar nesta verdade, o lado espiritual do Decálogo, mostrando que nem tudo é jurídico, e com isto, entendemos que o décimo mandamento é a ponte que leva ao cumprimento dos demais, isto é, não cobiçar outros deuses, outras formas de culto, a mulher e os bens do próximo (Êx 20.17).
III – ENTENDENDO A COBIÇA NA PRÁTICA
Todos nós externamos vontades e biblicamente há implicações. Existem vontades ou desejos lícitos e ilícitos e, o décimo mandamento previne o coração exatamente dos desejos ilícitos, isto é, da cobiça.
DESEJOS LÍCITOS REFERÊNCIAS DESEJOS ILÍCITOS REFERÊNCIAS
Jesus desejou comer a Páscoa
“... Desejei muito...”
(Lc 22.15).
Ananias e Safira desejaram prestígio
“Porque formaste este designo...” (At 4.34-37; 5).
Daniel desejou conhecer os desígnios de Deus
“Então tive desejo de conhecer a verdade...”
(Lc 15.16).
Diótrefes desejou a primazia da igreja
“Procura ter entre eles o primado...” (3 Jo 9).
IV – A COBIÇA NA PERSPECTIVA DO NOVO TESTAMENTO
4.1. Na perspectiva de Cristo. “Não cobiçarás...” se distingue dos outros nove mandamentos por se tratar da motivação, e não do ato. Assim, é possível violar esse preceito sem que haja comprovação concreta. É o décimo mandamento que golpeia a própria raiz do pecado, o coração pecaminoso e o desejo perverso. Cristo aborda a responsabilidade sobre o pecado do pensamento, pois toda ação humana começa no seu coração, inclusive comparou o desejo de pecar (a cobiça) ao próprio ato em si” (Mt 5.28; Mc 7.21-23;) (SOARES, 2014, p. 134 – acréscimo nosso).
4.2. Na perspectiva do apóstolo Paulo. O apóstolo Paulo trata esta obra carnal se utilizando de um sinônimo. Ele destaca a avareza, o apego demasiado e sórdido ao dinheiro, ou seja, a vontade de adquirir riquezas; os cobiçosos anelam por ter mais dinheiro (At 20.33; 1 Tm 6.9; Rm 7.7). Este pecado é alistado entre os pecados frisados por Paulo, em Ef 4.19; aparece na lista dos vícios dos povos pagãos, em Rm 1.29. Apesar da cobiça não ser especificamente alistada entre as obras da carne em Gl 5.19-21, ela é uma das causas de várias daquelas obras carnais, como o adultério, o ódio, as dissensões, a beligerância que é a pessoa que suscita guerras, etc., devendo ser incluída entre as “tais coisas” que Paulo mencionou, e que não permitem que uma pessoa chegue ao Reino de Deus (Gl 5.21).” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 774 – acréscimo nosso).
V – PERSONAGENS BÍBLICOS QUE CAÍRAM NESTE PECADO
Na tabela abaixo, destacamos alguns exemplos práticos de personagens que caíram neste pecado.
PERSONAGENS REFERÊNCIAS DESCRIÇÃO DA COBIÇA
Lúcifer
“... E serei semelhante ao Altíssimo...” (Is 14.12-15).
Cobiçou ser igual a Deus
Adão e Eva
“... Desejável para dar entendimento...” (Gn 3.6).
Cobiçou saber como Deus
Acã
“... Cobicei-os e tomei-os...” (Js 7.21).
Cobiçou os despojos de Jericó
Davi
“… mandou trazer...” (2 Sm 11.2-4 ).
Cobiçou a mulher de Urias
Absalão
“... Furtava Absalão o coração...” (2 Sm 15.1-16).
Cobiçou o trono de Davi seu pai
Geazi
“Tomar dele alguma coisa” (2 Rs 5.20).
Cobiçou os pertences de Naamã
Acabe
“... Dá-me a tua vinha...” (1 Rs 21.2).
Cobiçou a propriedade de Nabote
VI – VENCENDO A COBIÇA PELA RIQUEZA
Nas Escrituras encontramos o antídoto para este veneno mortal. Vejamos: (1) Jesus nos ensina que não precisamos andar ansiosos com as coisas desta vida, Ele supre toda as nossas necessidades (Mt 6.25,26); (2) o apóstolo Paulo por sua vez, nos ensina que devemos aprender a nos contentarmos com o que temos, desejar apaixonadamente a riqueza é uma laço que nos leva a perdição e a ruína (Fp 4.11,12; 1 Tm 6.9); e por fim (3) o escritor anônimo da carta aos Hebreus nos consola com as palavra de Cristo: “Não te deixarei, nem te desampararei” (Hb 13.5).
CONCLUSÃO
A cobiça é uma obra da carne que dá origem a todos os outros pecados. Por meio deste pecado o mal se introduziu na criação. O mandamento “não cobiçarás” nos protege das ambições erradas, levando-nos a um nível de relacionamento piedoso para com Deus, com a nossa família e com a sociedade.
LIÇÃO 12 – NÃO COBIÇARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa)
NÃO COBIÇARÁS
Texto Áureo At. 20.33 – Leitura Bíblica Ex. 20.17; I Rs. 21.1-5, 9, 10, 15, 16
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
A cobiça está causando estragos à sociedade na qual vivemos, as pessoas estão pagando um preço elevado por causa desse pecado. Diante dessa realidade, nos voltaremos, na aula de hoje, para os perigos individuais e coletivos da cobiça. Inicialmente mostraremos que esse pecado acabou sendo naturalizado, sendo inclusive incentivado pela propaganda. Por fim, analisaremos os reflexos de uma sociedade gananciosa, e a necessidade de resgatar o princípio bíblico do contentamento.
1. UM PECADO NATURALIZADO
A cobiça é proibida no décimo e último mandamento, a palavra do Senhor é enfática: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do eu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex. 20.17). O verbo cobiçar, nesse mandamento, é chamad e expressa o desejo desenfreado de possuir algo ou alguém. Esse tipo de desejo é identificado no Jardim do Eden, quando Eva cobiçou comer o fruto proibido (Gn. 3.6). Com base em Ex. 20.17, é possível identificar vários tipos de cobiças: bens materiais, tais como carros luxuosos, e mansões bem localizadas. A indústria da beleza faz também com que as pessoas desejam possuir homens e mulheres com corpos esculturais. Há uma tendência à insatisfação, ninguém fica feliz com o último veículo que adquiriu, logo após colocá-lo na garagem, lamentam não ser igual ao do vizinho. Há aqueles que não se satisfazem com seu cônjuge, estão sempre em busca da mulher do próximo, resultando em adultério (Mt. 5.28). Em relação aos bens materiais, a igreja conseguiu institucionalizar a cobiça, denominando-a de prosperidade, que na verdade é ganância. Muitos crentes, influenciados pela teologia da ganância, pedem para satisfazer seus desejos descabidos (Tg. 4.13). As promessas alusivas à Israel, e que se concretizarão no Milênio, estão sendo tomadas individualmente por alguns crentes, que arrogam ser proprietários das “bênçãos” de Deus.
2. QUANDO A COBIÇA SE PROPAGA
Alguns crentes deixaram de medir as consequências da cobiça, não poucos estão endividados por seguirem a pauta da teologia da ganância. Tiago revela os estragos desse tipo de pecado, por causa dele pessoas estão contendendo umas com as outras (Tg. 4.1,2). O princípio da meritocracia tem seu lado positivo e negativo, é preciso ter cautela para não assumi-lo cegamente. Há aqueles que por acharem que merecem o que têm, defendem que podem desejar o que quiserem. Essa atitude é incitada pelos meios de comunicação, principalmente através da propaganda, para alimentar o consumo desenfreado. Mas Jesus advertiu em relação ao pecado da cobiça, listando-o entre outros, tais como roubo, assassinato e adultério (Mt. 7.21,22). Entre aqueles que ficarão fora do reino de Deus, apresentados por Paulo em I Co. 6.9,10 estão os cobiçosos. Há exemplos bíblicos de problemas causados individualmente e coletivamente por causa da cobiça, as mais conhecidas são a de Acã (Js. 7.21) e Acabe (I Rs. 21.1-3). No contexto do Novo Testamento, o desejo por possuir cada vez mais é uma demonstração de carnalidade, e mostra ausência do fruto do Espírito, considerando que um dos seus aspectos é o autocontrole (Gl. 5.16-22). Apelando mais uma vez a Tiago, sabemos que uma vez que a pessoa cultiva esse pecado no coração, o final será a ruína, que gera a morte (Tg. 1.14,15). Mas há aqueles, inclusive nas igrejas, que acham normal cobiçar, gostariam de estar na lista dos mais ricos da Revista Forbes. Paulo, no entanto, adverte que aqueles que querem ser ricos caem em tentação, em concupiscências loucas, que levam à perdição (I Tm. 6.9).
3. CULTIVE O CONTENTAMENTO
Os cristãos precisam fugir desse modelo mundano, que alimenta a ganância, e naturaliza a cobiça. Para tanto devem saber que “é grande ganho a piedade com contentamento” (I Tm. 6.6). Por isso, devemos aprender a cultivar a satisfação, saber distinguir o que é necessário do supérfluo. De modo que, conforme instrui o autor da Epístola aos Hebreus, nossos costumes devem ser sem avareza, contentando-nos com o que temos (Hb. 13.5). Essa é uma prática que se concretiza ao longo da experiência com Deus, ao aprendizado na dependência, sabendo que Ele nos provê “o pão nosso de cada dia” (Mt. 6.11). Na escola de Cristo, aprendemos, como fez Paulo, a estar contente com o que se tem, saber estar abatido pela privação, e se for o caso, a ter em abundância (Fp. 4.11-13). Por deixarem de cultivar essa disciplina cristã, muitos cristãos estão dobrados diante de Mamom (Mt. 6.24). Ao invés de investir neste mundo tenebroso, cuja riqueza perece, e causa ansiedade (Mt. 6.19-21), busquemos primeiro o Reino de Deus, e o necessário nos será dado (Mt. 6. 33). O texto, no seu devido contexto, nos diz que “estas coisas”, isto é, alimentação e vestimenta, não “todas as coisas”, como apregoa a teologia da ganância. Tenhamos cuidado para não dar primazia ao dinheiro em nossas vidas, pois a esse respeito alertou o Apóstolo que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males (I Tm. 6.10). Uma vida cristã sadia não está pautada na cobiça, na insatisfação defendida pela sociedade, mas na gratidão ao Senhor, reconhecendo que Ele sempre nos dá mais do que mereceremos.
CONCLUSÃO
A cobiça está destruindo muitas vidas, até mesmo daqueles que são considerados evangélicos. Por causa da ganância muitos não conseguem mais encontrar satisfação, nem mesmo na presença de Deus. O Senhor revelou a Abraão que Ele, e somente Ele, é nossa maior recompensa, o Grande Galardão (Gn. 15.1). Quando encontramos plena satisfação em Deus, podemos trabalhar com afinco, buscar suprir as necessidades pessoais e familiares, mas sem nos tornar escravos do consumismo.
LIÇÃO 12 – NÃO COBIÇARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Luciano de Paula Lourenço)
INTRODUÇÃO
Nesta Aula trataremos a respeito do Décimo Mandamento: “não cobiçarás…” (Êx 20:17; Dt 5:21). A cobiça é um desejo forte, constante e insaciável; ela pode levar o homem a pisar no seu próximo para subir na vida, chegando a roubar e matar. Deus estabeleceu limites: Adão poderia comer do fruto de todas as árvores, exceto uma (Gn 2:16,17). Quando desejamos o que Deus proibiu, está caracterizada a cobiça. O Décimo Mandamento assevera: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex 20:17). Portanto, o direito do outro é um dos nossos limites.
I. O DÉCIMO MANDAMENTO
1. Abrangência. Este mandamento inibe a cobiça em geral. Especificamente, proíbe a cobiça da mulher, dos empregados, dos animais e de todos os bens materiais e ideais do próximo. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê, afirma Esequias Soares.
“Enquanto os mandamentos anteriores referem-se ao comportamento exterior e direto da pessoa, o Décimo Mandamento reporta-se ao comportamento subjetivo, íntimo e interior do indivíduo. Ou seja, este mandamento está relacionado ao que a pessoa pensa e sente quando da sua peregrinação existencial” (Ensinador Cristão).
Segundo pr. Esequias Soares, a subjetividade é a característica distintiva deste mandamento em relação aos outros, pois não é possível ser conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois Ele conhece o mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1Rs 8:39; 1Cr 28:9; Jr 17:10; At 1:24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro.
O Senhor Jesus disse que é do mais íntimo do ser humano que procede todo o tipo de pecado: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7:21-23). Essas palavras mostram a dura realidade: o que o ser humano realmente é, isso afeta o que ele diz (Mt 12:34, 35). Toda ação humana começa no seu coração (Tg 1:14, 15), afirma Esequias Soares.
2. Objetivo. ”O propósito divino é estabelecer limites à vontade humana, para que haja respeito mútuo entre as pessoas e seus bens”. Quando Deus ordenou: “não cobiçarás” - não pretendia inibir os desejos do coração humano, mas, sim, orientar a nossa conduta para o bem. Aliás, os mandamentos não podem ser vistos como proibições, e sim, normas de vida que facilitam e aperfeiçoam a nossa caminhada.
3. Contexto. Quando Moisés passou as santas instruções do Senhor (Êx 20), ele apresentava um programa orientador para o povo que vivia no deserto e haveria de conquistar a terra prometida. Nesta nova terra, o povo enfrentaria situações novas, gente diferente e problemas diversos. Então, vem a Palavra do Senhor - “não cobiçarás” - como se lhes dissesse: “controlem os seus desejos”, principalmente no que envolve os bens do próximo. Isto se aplica, com todas as letras, ao povo de Deus da Nova Aliança.
II. A COBIÇA
1. Significado. Segundo o Rev. Hans Ulrich Reifler, a palavra hebraica bíblica para “cobiça”(chamad), refere-se “aos sentimentos íntimos que revelam como intrigas para se apoderar dos bens do próximo”. Já em grego, segundo o mesmo autor, há três palavras diferentes que traduzem a ideia da cobiça. A primeira é pleonexia, que significa o desejo incontrolável de possuir o mundo e seus bens materiais, poder, influência e prestígio. A segunda palavra é philarguria, que significa amor desordenado pelo mundo. Este termo expressa que o mundo é o objeto da cobiça, o ídolo do qual o homem cobiçoso não se pode separar. A terceira palavra grega no Novo Testamento éepithumia, que pode ser traduzida por cobiça, intenção impura, ambição, desejo intenso, desejo ardente, aspiração. Em síntese, estes termos indicam o desejo incontrolável de possuir o mundo e os seus bens materiais, poder, influência e prestígio, ou “o amor desordenado pelo mundo”, “intenção impura”, “desejo ardente”.
O mundo em que vivemos é orientado por um estilo de vida materialista, hedonista e pragmatista, todavia, o Evangelho demanda de cada um de nós um estilo rigorosamente contrário ao mundano. Gênesis 3:6 descreve as características principais da cobiça. A árvore da vida era boa para comer, agradável aos olhos e desejável para o entendimento. A cobiça estimula o paladar, influencia a vista e afeta a mente humana. Eva, ao receber esses três estímulos, cedeu à tentação e comeu o fruto proibido, dando-o também ao marido. O primeiro pecado do homem foi resultado da cobiça de Eva, por causa da beleza da árvore da vida.A história do dilúvio mostra que o problema da multiplicação da maldade está na cobiça que nasce dos maus desígnios do homem - “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração“ (Gn 6:5).
2. Cobiçar. Originalmente, cobiçar é mais do que simplesmente desejar algo; frequentemente relaciona-se a tomar providências para se apossar de algo, planejando, arquitetando, almejando andar nos caminhos dos outros. É “desejar mais do que é suficiente”. É o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence a outrem. O Décimo Mandamento termina com as palavras: “nem coisa alguma do teu próximo”.
Existe o desejo legítimo e a cobiça. O primeiro refere-se ao suprimento das necessidades e, em alguns casos, um pouco mais, atingindo o nível do conforto; o segundo vai muito além, alcança o excesso e avança rumo ao proibido. Mas onde está a exata fronteira entre uma e outra coisa? É difícil dizer onde o desejo correto se transforma em cobiça, assim como não podemos determinar com certeza a exata quantidade de comida que alguém precisa consumir. Cada indivíduo é capaz de reconhecer que a sua necessidade foi suprida e seu apetite saciado. Depois disso, o desejo torna-se cobiça. Disse o sábio Salomão: “Se achaste mel, come somente o que te basta, para que porventura não te fartes dele, e venhas a vomitar” (Pv 25:16).
3. A versão inibidora e crítica do Décimo Mandamento no Antigo e no Novo Testamento, segundo Hans Ulrich Reifler. (*)
a) No Antigo Testamento. Números 11:4 descreve a cobiça dos israelitas como um grande desejo: “E o populacho, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e também disseram: quem nos dará carne a comer?“. É incrível como a cobiça pode ser tão forte, a ponto de levar as pessoas ao choro.
A queda moral do rei Davi, relatada em 2Samuel 11:1ss., mostra como o Décimo Mandamento afeta também o Sétimo e o Sexto Mandamentos. A cobiça por Bate-Seba levou o rei Davi ao adultério e ao homicídio premeditado.
O profeta Isaías ensina que a cobiça causa indignação a Deus, fazendo-O ferir o povo e se esconder (Is 57:17a). Infelizmente, o povo escolhido optou pelo caminho da cobiça. Contudo, mesmo mantendo essa rebeldia contra Javé, Ele deseja sará-los, guiá-los, consolá-los (Is 57:17b-18).
Jeremias refere-se às multiformes iniquidades de Jerusalém, que a conduzirão à queda (Jr 6:9ss.). Um desses pecados é a ganância generalizada entre crianças e adultos, e até entre líderes espirituais (profetas, sacerdotes). Novamente, a cobiça é vista em combinação com outros deslizes contra a lei moral de Deus. É a ganância que leva à falsidade (Jr 6:13). Mais tarde, o profeta prediz que, em consequência dessa ganância, as mulheres e os campos serão entregues a outros. Esta profecia trágica cumpriu-se literalmente com a invasão de Nabucodonosor, quando as mulheres judias foram violadas e a terra da promissão foi tomada.
Em Jeremias 22:17, o profeta vê como a ganância leva ao derramamento de sangue inocente, à violência e extorsão. Este círculo vicioso é indicado também por Miquéias, quando escreve que a cobiça leva à usurpação de campos e casas (Mq 2:2).
b) No Novo Testamento. Segundo Hans Ulrich, no Novo Testamento, a palavra predominante para cobiça é pleonexia, o desejo incontrolável de possuir o mundo, poder, influência, bens materiais. O apóstolo Paulo segue a tradição de Jesus (Mc 7:22) e encara a cobiça como um vício.
Além de vício (1Co 5:10,11; 6:10: Ef 5:5), a cobiça ou avareza é encarada também como característica dos gentios (Ef 4:19), idolatria (Cl 3:5) e prática herética (1Ts 2:5). Veja também o mesmo ensino confirmado pelo apóstolo Pedro em 2Pedro 2:3,14.
Jesus adverte repetidas vezes contra a cobiça, haja vista que o homem não vive só de seus bens materiais (Mt 5:28; 16:26; Mc 7:22; Lc 12:15).
Em Romanos 7:7, epithumia é o equivalente para a palavra hebraica chamad, usada no Décimo Mandamento. Parece que, para Paulo, a cobiça ou concupiscência é um pecado particularmente ruim (Rm 7:7,8). Ele também diz que o desejo ardente de comer carne, manifestado pelos israelitas no deserto, é um exemplo clássico de cobiça (compare 1Co 10:6 com Nm 11:4).
Para Tiago, a cobiça nasce no coração do homem e gera o pecado que, por fim, acaba levando à morte (Tg 1:14,15). A cobiça nem sempre leva aos resultados desejados: “Cobiçais, e nada tendes” (Tg 4:2).
III. A VINHA DE NABOTE
1. Proposta recusada. Acabe possuía riqueza e todo tipo de bens materiais, mas dirigiu seus olhos e sua cobiça à propriedade de subsistência de Nabote, seu vizinho. Seu desejo incontido desencadeou uma série de pecados: abuso de autoridade, acusação, falso testemunho, homicídio e roubo (1Rs 21). A proposta que Acabe fez a Nabote parecia justa, generosa e irrecusável, pois oferecia em troca uma outra vinha melhor, ou se desejasse, lhe daria em dinheiro o que ela valia. Acontece que o valor da vinha para Nabote ia para além das questões mercantilistas. Ele considerava aquela propriedade uma herança inegociável, e cuja venda implicaria em transgressão ao mandamento do Senhor (cf Lv 25:13-28 e Nm 36:7,9). Nabote procedeu corretamente. De acordo com o livro de Levitico, a terra pertencia ao Senhor (Lv 25:23). Assim sendo, Nabote não poderia vender aquilo que lhe fora dado como uma herança do Senhor. Diante da resposta e posicionamento de Nabote, a reação de Acabe foi de desgosto e indignação, pois o seu capricho não fora alcançado, o que desencadeou no rei uma crise emocional (1Rs 21:4). Mas, Acabe queria aquela propriedade a qualquer custo; aquele espaço de terra, era o seu objeto de maior desejo. Por ser rei, imaginava que podia atropelar a lei de Deus e emplacar injustiça social.
2. O direito de propriedade. A principal causa da cobiça de Acabe: o domínio incontrolado do “ter”, de “possuir”, aquilo que é do outro, neste caso a vinha de Nabote. Esta vinha era próxima ao palácio real, isto é, da casa de verão, e, aparentemente, Acabe, levado por um capricho, desejava transformá-la em um jardim.
“Porém Nabote disse a Acabe: guarda-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus pais” (1Rs 21:3). Entendemos pelo texto sagrado que aquela propriedade fora passada a Nabote por herança, o que fortalecia a convicção de Nabote de que ele não deveria vendê-la nem trocá-la por outra propriedade. É provável que Nabote tenha sido criado naquele terreno, dedicando-se com seus pais ao cultivo de uvas. Se Nabote tivesse feita essa venda ou trocada por outra vinha, ele teria transgredido não só uma tradição, como também a sua consciência (cf Lv 25:23-28; Num 36:7ss). Acabe reconhecia isso; ele era cônscio de que Nabote estava religiosamente obrigado a conservar a posse de sua terra e que essa obrigação não poderia ser contrariada. Entretanto, ele ainda assim queria essa área; ele estava totalmente dominado pela cobiça, qual um viciado de drogas; somente a casa de verão não lhe satisfazia, queria agora construir uma horta ao lado dela para que seus desejos pudessem ser realizados; não se importava em quebrar o mandamento divino “não cobiçarás” (Ex 20:17). Desta feita, o que fez Acabe diante da resposta negativa de seu súdito? Ficou entristecido, como uma criança mimada, e não quis se alimentar. O desejo despertado pela cobiça é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do cobiçoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4).
3. O pecado de Acabe e Jezabel. Acabe cobiçou a vinha de Nabote com tanta intensidade que não conseguiu mais comer, de tanto desgosto (1Rs 21:1-7). A mesma cobiça inflamou sua mulher Jezabel, causando o assassinato de Nabote (1Rs 23:8-16). Ao observar o estado em que se encontrava Acabe, Jezabel, sua mulher, procurou tomar conhecimento do que havia acontecido, o que lhe foi relatado pelo rei (1Rs 21.5-6). Diante do que ouviu, Jezabel, que já havia em outros episódios demonstrado a sua influência e força no reino, que tomava decisões sem pedir a aprovação do seu manipulável e omisso marido, possuidora de um temperamento difícil e cruel em suas deliberações, toma para si as dores de Acabe e declara: “governas tu, com efeito, sobre Israel? Levanta-te, come, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita” (1Rs 21:7). Jezabel se coloca aqui como aquela que satisfará a cobiça de Acabe. Uma esposa sábia não adota tal postura, antes, aconselha o seu marido sobre os princípios do contentamento. Enfim, o desejo exacerbado e maligno de Acabe resultou no assassinato do obediente Nabote, resultando assim na inobediência a outro mandamento da lei moral de Deus: “não matarás” (Ex 20:13).
Novamente vemos que o pecado da cobiça pode conduzir o homem a atos criminosos. A quebra premeditada do Décimo Mandamento leva, mais cedo ou mais tarde, à quebra de outros mandamentos.
Atualmente, muitos líderes e irmãos caprichosos, que não se contentam com aquilo que possuem, e que acham que seus desejos precisam ser atendidos e satisfeitos por todos, estão dominados pela cobiça. Tenhamos cuidado, pois a cobiça é abominação ao Senhor (Dt 7:25); é a raiz de todos os males (Tg 4:15,15).
4. O fruto da cobiça. O fruto da cobiça de Acabe: assassinato do obediente Nabote. O pecado de Acabe envolveu várias pessoas, inclusive os anciãos e os nobres de Israel (1Rs 21:8), os quais sem temor e piedade co-participaram do plano maligno da esposa de Acabe. Como Acabe não se apossou imediatamente da vinha de Nabote, Jezabel continuou com seu plano diabólico. Sem escrúpulos, sem temor a Deus, sem piedade e sem misericórdia, Jezabel articula um plano onde Nabote seria vitimado por uma terrível calúnia. Usando o nome e o sinete de seu marido, ela escreveu cartas aos anciãos e aos nobres da cidade e que habitavam com Nabote, onde dizia o seguinte: “Apregoai um jejum e trazei Nabote para a frente do povo. Fazei sentar defronte dele dois homens malignos, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois, levai-o para fora e apedrejai-o, para que morra. Os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que nela habitavam fizeram como Jezabel lhes ordenara, segundo estava escrito nas cartas que lhes havia mandado. Apregoaram um jejum e trouxeram Nabote para a frente do povo. Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu“.
“O maligno plano de Jezabel se reveste de um caráter espiritual, com direito a proclamação de um jejum e com o argumento de que Nabote teria blasfemado contra Deus (e contra o rei). É possível “espiritualizar” até a cobiça. Em nome de Deus, e com a máscara da falsa espiritualidade, muitas barbáries e injustiças foram e são realizadas sob a influência do “espírito de Jezabel”; muitas cobiças são alimentadas à custa da destruição de vidas, casamento e famílias” (pr. Altair Germano).
Nunca foi exposta a falsa acusação de blasfêmia levantada contra Nabote perante a assembleia dos anciãos e dos nobres. Este sincero israelita foi apedrejado de acordo com a lei (cf Lv 24:13-16), sob o testemunho de duas pessoas (falsas testemunhas, claro) que teriam presenciado a suposta ofensa (cf Dt 17:6,7). Com o assassinato de Nabote, Acabe se apropriou indevidamente da sua vinha.
É curioso ver que pessoas malignas não adoram ao Senhor nem o temem, mas não se furtam de usar o nome do Senhor para perverter o juízo e cometer atrocidades. Mas lembremo-nos de que Deus não se deixa escarnecer nem deixa seu nome ser usado em vão.
4. Consequência da cobiça de Acabe e Jezabel. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte (1Rs 21; 2Rs 10:1-14). A sentença do julgamento de Acabe e Jezabel foi transmitida por Elias, o profeta:
“Então, veio a palavra do SENHOR a Elias, o tisbita, dizendo: Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde tem descido para a possuir. E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porventura, não mataste e tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo. E também acerca de Jezabel falou o SENHOR, dizendo: Os cães comerão Jezabel junto ao antemuro de Jezreel” (1Rs 21:18,19,23).
Acabe ainda se recusou a admitir seu pecado contra Deus; em vez de fazê-lo, acusou Elias de ser seu inimigo (cf 1Rs 21:20). É quase impossível que os que se tornam cegos pela cobiça e pelo ódio, enxerguem seus próprios erros.
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isto também ceifará” (Gl 6:7).
CONCLUSÃO
Todo ato de cobiça além de reprovado por Deus, será também duramente punido por Ele. Assim como Nabote, os que são vitimados por causa de sua obediência a Deus, e diante da cobiça alheia, são por Ele devidamente justificados e vingados. Portanto, todos aqueles que de alguma maneira detém o poder e dele abusam para realizar propósitos pessoais e até malignos, sofrerão consequências desastrosas. De Deus ninguém zomba! A quem muito for dado muito será cobrado. Pense nisso!
———
Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO - 4° TRIMESTRE 2014 (IEAD-PE)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 11.1-3,21-23,31,36)
INTRODUÇÃO
O capítulo 11 do livro de Daniel, descreve a quarta e a última visão do conteúdo profético do livro. A visão diz
respeito aos reinos que se seguirão sucessivamente até chegar ao governo do Anticristo, prefigurado na pessoa de Antíoco
Epifânio, um rei selêucida, que surgiu no período Interbíblico. Veremos nesta lição, o período entre os Testamentos; a
ascensão do governo de Antíoco Epifânio; quem foi Antíoco Epifânio e, a semelhança do seu governo com o do Anticristo.
I – O PERÍODO INTERBÍBLICO
O período entre os dois Testamentos foi um espaço de quatrocentos anos, conhecido como Interbíblico ou
Intertestamental. Esta época compreende o retorno dos judeus do exílio até o nascimento de Jesus e, é considerado como o
período do silêncio divino. Contudo, nesta época, acontecimentos proféticos cumpriram-se na íntegra, trazendo o
surgimento de um personagem importantíssimo tanto para a história bíblica, quanto para a história secular. “As condições
gerais desse período podem ser relembradas sabendo-se que houve quatro tempos distintos em que esses quatrocentos anos
podem ser divididos: (1) o período persa, 430-322 a.C.; (2) o período grego, 321-167 a.C; (3) o período da independência,
167-63 a.C; e (4) o período romano, 63 a.C. até Jesus Cristo” (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226 – acréscimo nosso).
II – O SURGIMENTO DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO
Com a queda do Império Persa em cerca 331 a.C., Alexandre o Grande, tronou-se um imponente imperador,
conquistando também a Palestina em cerca de 332 a.C. Em cumprimento do que está escrito em (Dn 11.3,4), Alexandre o
Grande morreu precocemente no apogeu do seu poder e, o seu reino foi divido e repartido entre quatro dos seus generais, a
saber, Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu. Seleuco governou a Síria, a Babilônia e a Média (o Reino do Norte); e,
Ptolomeu governou o Egito (o Reino do Sul). A princípio, a Palestina ficou debaixo do controle sírio, mas não muito
depois passou para o controle egípcio, ficando assim durante cerca de cem anos, até 198 a.C. Neste ínterim, os selêucidas (o
Reino do Sul) reconquistaram a Palestina, e nos anos 175-164 a.C., os judeus foram severamente perseguidos por Antíoco
IV ou Epifânio, que estava resolvido a exterminá-los, juntamente com a sua fé em Deus. (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226
– acréscimo nosso).
III – ANTÍOCO EPIFÂNIO NA VISÃO HISTÓRICA E NA VISÃO PROFÉTICA DE DANIEL
“Antíoco Epifânio (175 a 164 a.C.); filho de Antíoco o Grande, rei dos selêucidas, do Reino do Norte; governou
onze anos e, morreu no ano 164 a.C. Foi o grande perseguidor dos judeus na Palestina. Ele foi em sua geração, o homem
mais desprezível, narrado nesta profecia; um tipo do futuro Anticristo, “[...] o homem do pecado, o filho da perdição” (2
Ts 2.3);” (SILVA, 1986, p. 211 – acréscimo nosso). “Antíoco tentou incorporar os judeus em seu programa de helenização,
ou seja, implantar nos judeus a cultura grega; mudando suas leis, proibindo o culto e os costumes religiosos deles sob pena
de morte” (CHAMPLIN, 2013, vol. 1, p. 194 – acréscimo nosso). Abaixo destacamos informações bíblicas a respeito deste
homem.
3.1 “Depois se levantará um homem vil...” (Dn 11.21a). “Antíoco Epifânio é apresentado como um homem vil, alguém em
quem não se pode confiar; um maquinador e um impostor. É o ‘pequeno chifre’ citado no livro de Daniel 8.9-27. Ele é
chamado de o Anticristo do Antigo Testamento e, é visto prefigurando o Anticristo do fim dos tempos” (ADEYEMO, 2010,
p.1037 - acréscimo nosso).
3.2 “[...] ao qual não tinham dado dignidade real...” (Dn 11.21b). “Antíoco Epifânio não estava na linha da sucessão, mas
tornou-se rei por manipulação, traição e lisonjas, isto é, a política usual. O trono deveria ser de Demétrio Soter, filho e
sucessor direto de Seleuco IV Filopater, o atual rei do Reino do Norte, que segundo a profecia morreu “sem ira e sem
batalha” (Dn 11.20), envenenado por Heliodoro, seu irmão de criação.” (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423). “Demétrio
Soter , estava sendo mantido refém em Roma. E com o trono desocupado, Antíoco usurpou o trono e assumiu o poder na
Síria” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso).
3.3 “[...] mas ele virá caladamente...” (Dn 11.21c, 24). A expressão “caladamente” no texto revela a sagacidade deste
tirano. “Antíoco Epifânio era um pensador hábil e um orador habilidoso, cujas guerras com palavra eram tão eficazes como
suas guerras com armas. Gostava de valer-se de traições, lisonjas e truques. A palavra hebraica para as lisonjas é 'halaqlaq',
que tem o sentido básico de 'esperteza suave' (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423 – grifo nosso). “Conforme a descrição
dos escritos antigos, Antíoco Epifânio às vezes fugia secretamente da corte e ia para cidade disfarçado, fazendo amizades
com os estrangeiros mais desprezíveis que visitavam o país. Ele praticava os caprichos mais esquisitos, levando alguns a
acreditar que fosse um imbecil e, a outros que fosse um louco” (HENRY, 2010, p. 897 – acréscimo nosso).
3.4 “E com os braços de uma inundação...” (Dn 11.22). “Antíoco Epifânio era alguém que sabia falar, mas também era
um bom guerreiro. Alcançou êxito em sua primeira ação militar, no momento em que as suas forças militares arrasaram os
exércitos egípcios como se fosse uma enchente/dilúvio, uma expressão usada para ataque militar (Dn 9.26)” (CHAMPLIN,
2001, vol. 5, p. 3423 – acréscimo nosso).
3.5 “[…] como também o príncipe do concerto” (Dn 11.22). “Ele encomendou o assassinato do sumo sacerdote de
Jerusalém, Onias III, a quem a profecia se refere como príncipe da aliança, que foi morto pelo seu próprio irmão, Menelau,
que o traiu, a pedido do próprio Antíoco” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso). “Em Daniel 11.28,30 e 32 a
palavra 'aliança' ou 'concerto' é usada para se referir ao Estado judeu, que na época era uma teocracia (o Governo de Deus),
tendo o sumo sacerdote como seu líder” (ADEYEMO, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).
3.6 “[...] seu coração será contra o concerto...” (Dn 11.28,31). “Na sua viagem para o norte, através de Israel para a Síria
com as suas riquezas, Antíoco propagou uma sedição, ou seja, uma sequência de assassinatos bárbaros, roubos, catástrofes.
Ele atacou o templo de Jerusalém, colocando no lugar Santo uma imagem do deus grego, Zeus; esse altar a Zeus é o que os
judeus chamam de abominação desoladora; profanou os ritos dos sacrifícios quando ofereceu uma porca no altar do
Senhor” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso); “os judeus consideravam os porcos imundos (Lv 11.4,7,8);
além disso, os sacrifícios eram normalmente feitos com animais machos (Lv 8.18-21). Desse modo, o sacrifício de uma
porca foi uma tentativa de sujar e desonrar a religião judaica” (DYER, sd, p.12) . “Antíoco ainda massacrou 80.000 judeus,
levou 40.000 como prisioneiros de guerra e, vendeu outros 40.000 como escravos” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 –
acréscimo nosso).
3.7. “E esse rei fará conforme a sua vontade...” (Dn 11.36). Neste ponto, o autor apresenta um rei que governará “no fim
do tempo” (Dn 11.40). O seu reinado de terror inaugura um ‘tempo de angústia’ sem paralelos na história humana (Dn 12.1;
Mt 21.21,29-31); este rei não pode ser Antíoco Epifânio, mas é um personagem perverso e tirânico do fim dos tempos. Esta
descrição está em conformidade com a descrição deste personagem, apresentado em outras passagens da Bíblia (Dn 7.8-
11,20-27; 2 Ts 2.3,10; Ap 13.4-8; 19.19-20), e foi aceita por toda a História da Igreja (por exemplo, Crisóstomo, Jerônimo,
Teodoreto e Lutero) (DEFESA DA FÉ, 2010, p.1363).
IV – SEMELHANÇAS DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO COM O GOVERNO DO ANTICRISTO
“Aqui, as histórias dos dois “anticristos” são colocadas de costas uma para a outra, não simplesmente por ênfase, mas
porque ambas envolvem o ódio aberto contra Deus e a perseguição aos judeus, à plataforma de ambos os governos se
assemelham.” (ADEYEMO, et al, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).
DESCRIÇÃO ANTÍOCO EPIFÂNIO ANTICRISTO
Significado do nome “Opositor” No grego “antichristos” “contra Cristo”
A promoção da mentira Dn 11.21,23,24,27 2 Ts 2.11
A promoção do pecado Dn 11.25-30 2 Ts 2.3
A promoção do culto a Satanás Dn 11.31 Dn 11.45; 2 Ts 2.4
A promoção de uma economia única Dn 11.22, 23 Ap 13. 16-18
CONCLUSÃO
Como podemos ver, Antíoco Epifânio prefigura o Anticristo que há de vir. Assim como este perverso imperador
perseguiu os judeus com roubos, assassinatos, profanando o sagrado e com tantas outras catástrofes, semelhantemente, o
Anticristo, o homem do pecado, perseguirá os judeus, cometendo as maiores atrocidades, a fim de destruí-los, mas assim
como Antíoco Epifânio foi extirpado, o Anticristo com o seu governo também será, pois o Senhor, que é o Rei dos Reis e
Senhor dos Senhores, destruirá o Anticristo pelo assopro da sua boca e pelo esplendor da sua vinda (2 Ts 2.8).
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 11.1-3,21-23,31,36)
INTRODUÇÃO
O capítulo 11 do livro de Daniel, descreve a quarta e a última visão do conteúdo profético do livro. A visão diz
respeito aos reinos que se seguirão sucessivamente até chegar ao governo do Anticristo, prefigurado na pessoa de Antíoco
Epifânio, um rei selêucida, que surgiu no período Interbíblico. Veremos nesta lição, o período entre os Testamentos; a
ascensão do governo de Antíoco Epifânio; quem foi Antíoco Epifânio e, a semelhança do seu governo com o do Anticristo.
I – O PERÍODO INTERBÍBLICO
O período entre os dois Testamentos foi um espaço de quatrocentos anos, conhecido como Interbíblico ou
Intertestamental. Esta época compreende o retorno dos judeus do exílio até o nascimento de Jesus e, é considerado como o
período do silêncio divino. Contudo, nesta época, acontecimentos proféticos cumpriram-se na íntegra, trazendo o
surgimento de um personagem importantíssimo tanto para a história bíblica, quanto para a história secular. “As condições
gerais desse período podem ser relembradas sabendo-se que houve quatro tempos distintos em que esses quatrocentos anos
podem ser divididos: (1) o período persa, 430-322 a.C.; (2) o período grego, 321-167 a.C; (3) o período da independência,
167-63 a.C; e (4) o período romano, 63 a.C. até Jesus Cristo” (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226 – acréscimo nosso).
II – O SURGIMENTO DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO
Com a queda do Império Persa em cerca 331 a.C., Alexandre o Grande, tronou-se um imponente imperador,
conquistando também a Palestina em cerca de 332 a.C. Em cumprimento do que está escrito em (Dn 11.3,4), Alexandre o
Grande morreu precocemente no apogeu do seu poder e, o seu reino foi divido e repartido entre quatro dos seus generais, a
saber, Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu. Seleuco governou a Síria, a Babilônia e a Média (o Reino do Norte); e,
Ptolomeu governou o Egito (o Reino do Sul). A princípio, a Palestina ficou debaixo do controle sírio, mas não muito
depois passou para o controle egípcio, ficando assim durante cerca de cem anos, até 198 a.C. Neste ínterim, os selêucidas (o
Reino do Sul) reconquistaram a Palestina, e nos anos 175-164 a.C., os judeus foram severamente perseguidos por Antíoco
IV ou Epifânio, que estava resolvido a exterminá-los, juntamente com a sua fé em Deus. (CHAMPLIN, 2013, vol. 5, p. 226
– acréscimo nosso).
III – ANTÍOCO EPIFÂNIO NA VISÃO HISTÓRICA E NA VISÃO PROFÉTICA DE DANIEL
“Antíoco Epifânio (175 a 164 a.C.); filho de Antíoco o Grande, rei dos selêucidas, do Reino do Norte; governou
onze anos e, morreu no ano 164 a.C. Foi o grande perseguidor dos judeus na Palestina. Ele foi em sua geração, o homem
mais desprezível, narrado nesta profecia; um tipo do futuro Anticristo, “[...] o homem do pecado, o filho da perdição” (2
Ts 2.3);” (SILVA, 1986, p. 211 – acréscimo nosso). “Antíoco tentou incorporar os judeus em seu programa de helenização,
ou seja, implantar nos judeus a cultura grega; mudando suas leis, proibindo o culto e os costumes religiosos deles sob pena
de morte” (CHAMPLIN, 2013, vol. 1, p. 194 – acréscimo nosso). Abaixo destacamos informações bíblicas a respeito deste
homem.
3.1 “Depois se levantará um homem vil...” (Dn 11.21a). “Antíoco Epifânio é apresentado como um homem vil, alguém em
quem não se pode confiar; um maquinador e um impostor. É o ‘pequeno chifre’ citado no livro de Daniel 8.9-27. Ele é
chamado de o Anticristo do Antigo Testamento e, é visto prefigurando o Anticristo do fim dos tempos” (ADEYEMO, 2010,
p.1037 - acréscimo nosso).
3.2 “[...] ao qual não tinham dado dignidade real...” (Dn 11.21b). “Antíoco Epifânio não estava na linha da sucessão, mas
tornou-se rei por manipulação, traição e lisonjas, isto é, a política usual. O trono deveria ser de Demétrio Soter, filho e
sucessor direto de Seleuco IV Filopater, o atual rei do Reino do Norte, que segundo a profecia morreu “sem ira e sem
batalha” (Dn 11.20), envenenado por Heliodoro, seu irmão de criação.” (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423). “Demétrio
Soter , estava sendo mantido refém em Roma. E com o trono desocupado, Antíoco usurpou o trono e assumiu o poder na
Síria” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso).
3.3 “[...] mas ele virá caladamente...” (Dn 11.21c, 24). A expressão “caladamente” no texto revela a sagacidade deste
tirano. “Antíoco Epifânio era um pensador hábil e um orador habilidoso, cujas guerras com palavra eram tão eficazes como
suas guerras com armas. Gostava de valer-se de traições, lisonjas e truques. A palavra hebraica para as lisonjas é 'halaqlaq',
que tem o sentido básico de 'esperteza suave' (CHAMPLIN, 2001, vol. 5, p. 3423 – grifo nosso). “Conforme a descrição
dos escritos antigos, Antíoco Epifânio às vezes fugia secretamente da corte e ia para cidade disfarçado, fazendo amizades
com os estrangeiros mais desprezíveis que visitavam o país. Ele praticava os caprichos mais esquisitos, levando alguns a
acreditar que fosse um imbecil e, a outros que fosse um louco” (HENRY, 2010, p. 897 – acréscimo nosso).
3.4 “E com os braços de uma inundação...” (Dn 11.22). “Antíoco Epifânio era alguém que sabia falar, mas também era
um bom guerreiro. Alcançou êxito em sua primeira ação militar, no momento em que as suas forças militares arrasaram os
exércitos egípcios como se fosse uma enchente/dilúvio, uma expressão usada para ataque militar (Dn 9.26)” (CHAMPLIN,
2001, vol. 5, p. 3423 – acréscimo nosso).
3.5 “[…] como também o príncipe do concerto” (Dn 11.22). “Ele encomendou o assassinato do sumo sacerdote de
Jerusalém, Onias III, a quem a profecia se refere como príncipe da aliança, que foi morto pelo seu próprio irmão, Menelau,
que o traiu, a pedido do próprio Antíoco” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso). “Em Daniel 11.28,30 e 32 a
palavra 'aliança' ou 'concerto' é usada para se referir ao Estado judeu, que na época era uma teocracia (o Governo de Deus),
tendo o sumo sacerdote como seu líder” (ADEYEMO, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).
3.6 “[...] seu coração será contra o concerto...” (Dn 11.28,31). “Na sua viagem para o norte, através de Israel para a Síria
com as suas riquezas, Antíoco propagou uma sedição, ou seja, uma sequência de assassinatos bárbaros, roubos, catástrofes.
Ele atacou o templo de Jerusalém, colocando no lugar Santo uma imagem do deus grego, Zeus; esse altar a Zeus é o que os
judeus chamam de abominação desoladora; profanou os ritos dos sacrifícios quando ofereceu uma porca no altar do
Senhor” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 – acréscimo nosso); “os judeus consideravam os porcos imundos (Lv 11.4,7,8);
além disso, os sacrifícios eram normalmente feitos com animais machos (Lv 8.18-21). Desse modo, o sacrifício de uma
porca foi uma tentativa de sujar e desonrar a religião judaica” (DYER, sd, p.12) . “Antíoco ainda massacrou 80.000 judeus,
levou 40.000 como prisioneiros de guerra e, vendeu outros 40.000 como escravos” (MACARTHUR, 2010, p. 1095 –
acréscimo nosso).
3.7. “E esse rei fará conforme a sua vontade...” (Dn 11.36). Neste ponto, o autor apresenta um rei que governará “no fim
do tempo” (Dn 11.40). O seu reinado de terror inaugura um ‘tempo de angústia’ sem paralelos na história humana (Dn 12.1;
Mt 21.21,29-31); este rei não pode ser Antíoco Epifânio, mas é um personagem perverso e tirânico do fim dos tempos. Esta
descrição está em conformidade com a descrição deste personagem, apresentado em outras passagens da Bíblia (Dn 7.8-
11,20-27; 2 Ts 2.3,10; Ap 13.4-8; 19.19-20), e foi aceita por toda a História da Igreja (por exemplo, Crisóstomo, Jerônimo,
Teodoreto e Lutero) (DEFESA DA FÉ, 2010, p.1363).
IV – SEMELHANÇAS DO GOVERNO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO COM O GOVERNO DO ANTICRISTO
“Aqui, as histórias dos dois “anticristos” são colocadas de costas uma para a outra, não simplesmente por ênfase, mas
porque ambas envolvem o ódio aberto contra Deus e a perseguição aos judeus, à plataforma de ambos os governos se
assemelham.” (ADEYEMO, et al, 2010, p.1037 - acréscimo nosso).
DESCRIÇÃO ANTÍOCO EPIFÂNIO ANTICRISTO
Significado do nome “Opositor” No grego “antichristos” “contra Cristo”
A promoção da mentira Dn 11.21,23,24,27 2 Ts 2.11
A promoção do pecado Dn 11.25-30 2 Ts 2.3
A promoção do culto a Satanás Dn 11.31 Dn 11.45; 2 Ts 2.4
A promoção de uma economia única Dn 11.22, 23 Ap 13. 16-18
CONCLUSÃO
Como podemos ver, Antíoco Epifânio prefigura o Anticristo que há de vir. Assim como este perverso imperador
perseguiu os judeus com roubos, assassinatos, profanando o sagrado e com tantas outras catástrofes, semelhantemente, o
Anticristo, o homem do pecado, perseguirá os judeus, cometendo as maiores atrocidades, a fim de destruí-los, mas assim
como Antíoco Epifânio foi extirpado, o Anticristo com o seu governo também será, pois o Senhor, que é o Rei dos Reis e
Senhor dos Senhores, destruirá o Anticristo pelo assopro da sua boca e pelo esplendor da sua vinda (2 Ts 2.8).
LIÇÃO 12 – UM TIPO DO FUTURO ANTICRISTO - 4° TRIMESTRE 2014 (Francisco A. Barbosa)
4º Trimestre de 2014
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Lição 12
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21 de Dezembro de 2014
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Lição 12: Um Tipo do futuro Anticristo
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TEXTO ÁUREO
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“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2.3).
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VERDADE PRÁTICA
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As conquistas ditatoriais e as atrocidades de Antíoco Epifânio dão uma noção do que será o futuro Anticristo na Grande Tribulação.
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HINOS SUGERIDOS
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8, 123, 191.
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LEITURA DIÁRIA
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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Daniel 11.1-3,21-23,31,36.
1 - Eu, pois, no primeiro ano de Dario, medo, levantei-me para o animar e fortalecer.
2 - E, agora, te declararei a verdade: Eis que ainda três reis estarão na Pérsia, e o quarto será cumulado de grandes riquezas mais do que todos; e, esforçando-se com as suas riquezas, agitará todos contra o reino da Grécia.
3 - Depois, se levantará um rei valente, que reinará com grande domínio e fará o que lhe aprouver.
21 - Depois, se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente e tomará o reino com engano.
22 - E, com os braços de uma inundação, serão arrancados de diante dele; e serão quebrantados, como também o príncipe do concerto.
23 - E, depois do concerto com ele, usará de engano; e subirá e será fortalecido com pouca gente.
31 - E sairão a ele uns braços, que profanarão o santuário e a fortaleza, e tirarão o contínuo sacrifício, estabelecendo a abominação desoladora.
36 - E esse rei fará conforme a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Conhecer as predições proféticas do capítulo onze de Daniel.
- Destacar o caráter perverso de Antíoco Epifânio, o imperador da Síria.
- Saber que Antíoco Epifânio prefigura o Anticristo que há de vir.
PALAVRA CHAVE
Anticristo: Falso Cristo; falso profeta.
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
No capítulo onze, Deus revela a Daniel eventos proféticos que se cumpriram no período interbíblico, ou seja, o período entre o Antigo e o Novo Testamentos. Nesta revelação profética destaca-se o personagem histórico que estudaremos nesta lição, Antíoco Epifânio. Esse personagem prefigura o Anticristo revelado em o Novo Testamento (Mt 24.15; 2Ts 2.3-12). [Comentário: O capítulo 11 traz uma profecia que abrange os dois últimos Impérios, o Medo-persa e o Grego. O seu cumprimento se inicia, literalmente, a partir do final dos dias da vida de Daniel sob o reinado de Dario, o medo. Neste capítulo Deus revela a Daniel eventos proféticos que se cumpriram no período interbíblico, ou seja, aquele período entre o Antigo e o Novo Testamentos. Porém, a revelação maior dessa profecia diz respeito ao personagem histórico Antíoco Epifânio. Esse personagem refere-se a um futuro rei com as mesmas características que aparecerá, escatologicamente, no futuro, como o Anticristo revelado no Novo Testamento. As profecias do capítulo 11 se cumpriram e ocorreram entre os reinados de Dario, o medo (539 a. C.) e Antíoco Epifânio (175-163 a. C.). Porém, a parte do texto dos versículos 36-45 diz respeito a Israel em tempos ainda não cumpridos e que estão relacionados intimamente com os capítulos 12 de Daniel e 13 de Apocalipse] Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!
I. PREDIÇÕES PROFÉTICAS CUMPRIDAS COM EXATIDÃO (11.2-20)
Essas profecias reveladas a Daniel cumpriram-se fielmente por uns 500 anos até o período interbíblico, que vai do fim de Malaquias ao início de Mateus.
1. A revelação sobre o fim do Império Medo-Persa (11.2). Aparece no versículo primeiro o nome do rei “Dario, o medo” que é o mesmo de Daniel 5.31. A história bíblica diz que Ciro constituiu a Dario como rei. No capítulo onze é revelado a Daniel uma sucessão de reis que vai de Ciro até o desmoronamento do reino de Alexandre. Foi revelado a Daniel que o rei valente (v.3), Alexandre, se levantaria e dominaria muitos reinos, todavia o Senhor mostrou também que embora imponente, o reino de Alexandre seria partido aos quatro ventos do céu (v.4). Os reinos deste mundo, por mais importantes que sejam, são todos passageiros. Somente o Reino de Deus é eterno. A história apresenta diferentes datas quanto a estes reis, mas isso não afeta o cumprimento, com exatidão, dos fatos proféticos do capítulo onze. [Comentário: O primeiro ano do reinado de Dario foi em 539 a. C., conforme se pode constatar nos textos de Dn 6.1 e 9.1.0 mensageiro de 11.1 é mesmo de 10.20,21 que veio a Daniel, não apenas para confortá-lo, mas continuar a revelar o futuro de dois Impérios: o medo-persa e o grego (11.2-4). A revelação sobre o fim do Império Medo-persa (11.2). Aparece no versículo 1 o rei “Dario, o medo” que é o mesmo de Dn 5.31. No capítulo 9.1, ele é chamado “Dario, filho de Assuero”. A história bíblica diz que Ciro constituiu a Dario como rei enquanto ele estava no campo de batalha na conquista de outras terras e nações. Porém, o versículo 2 fala de três reis e destaca um quarto. Os três primeiros reis persas em sequência normal são, segundo Scofield, em seu comentário: Ciro II (550-530 a. C.), Cambises II (529-522 a. C.) e Dario I Histapes (521-486 a. C.). O quarto rei é Xerxes (486-465 a. C). Existe pouca informação acerca desses reis, sobre os quais Daniel citou que reinariam em sequência, não por muito tempo. Porém, os dados proféticos são precisos e confirmados pela própria história. As evidências históricas do cumprimento da profecia são tão reais, que os críticos da Bíblia sugerem que a profecia foi escrita, pelo menos 400 anos depois de Daniel, depois que tudo tinha acontecido. Entretanto, a revelação futura dada a Daniel encontra respaldo histórico e credibilidade porque Deus cumpre sua palavra. Além dos fatos cumpridos, a profecia aponta para o futuro, com o aparecimento do Anticristo, um tipo de Antíoco Epifânio. Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 150. Ele prevê o reino dos quatro reis persas (v. 2): “Agora, te declararei a verdade”, isto é, o verdadeiro significado das visões da grande imagem, e das quatro bestas, e explicarei com termos simples aquilo que antes foi representado através de tipologias difíceis. (1) Levantar-se-ão três reis na Pérsia, além de Dario, em cujo reino essa profecia foi datada (cap. 9.1). Broughton entende que esses reis eram Ciro, Artaxasta ou Artaxerxes, chamado pelos gregos de Cambises, e o Assuero que se casou com Ester, também chamado de Dario, filho de Histaspe. E, de acordo com Heródoto, a esses três reis os persas deram os seguintes atributos - Ciro era um pai, Cambises era um mestre, e Dario era um colecionador. (2) Haveria um quarto rei, muito mais rico do que todos eles, Xerxes, cuja riqueza foi registrada pelos autores gregos. Por causa do seu poder (do seu vasto exército que consistia de pelo menos 800.000 homens) e das suas riquezas, com as quais ele mantinha e pagava o seu vasto exército, ele era capaz de incitar a todos contra o reino da Grécia. A expedição de Xerxes contra a Grécia ficou famosa na história, assim como a vergonhosa derrota que sofreu. Aquele que quando partiu ameaçava ser o terror da Grécia, quando retornou não passava de um alvo do seu desdém. Ninguém precisava descrever a Daniel o desapontamento que Xerxes sentiu, pois ele havia feito o possível para obstruir a construção do templo. Mas, cerca de trinta anos após o primeiro retorno do cativeiro, Dario, um jovem rei, recomeçou a construção do Templo e atribuiu à mão de Deus as derrotas dos seus predecessores que haviam impedido essa reconstrução (Ed 6.7) HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 894-895.]
2. Um rei valente (11.3). O rei valente que seria levantado era Alexandre Magno. A importância dessa profecia está no fato de que é Deus que dirige a história para que sua soberana vontade seja exercida especialmente em relação a Israel.
Até o versículo 35 a profecia de Daniel se concentra em revelar os reinos gentílicos. Depois, o foco principal passa a ser o povo de Deus e seus sofrimentos.
Os reis do Sul descritos no versículo cinco eram os Ptolomeus, sucessores de Ptolomeu Soter, general de Alexandre. E os reis do Norte (v.6) eram os Selêucidas, sucessores de Seleuco I, que governou parte da Ásia Menor e Síria. [Comentário: Daniel previu as conquistas de Alexandre e a divisão do seu reino (v. 3). Alexandre é aquele poderoso rei que iria se opor aos reis da Pérsia e governar com grande autoridade e um poder despótico sobre muitos reinos, pois agia de acordo com a sua vontade, e da mesma forma desfazia o que havia feito. No entanto, a lei dos medos e dos persas impedia que os seus reis fizessem o mesmo. Depois de conquistar a Ásia, Alexandre quis ser adorado como um deus. Então esta palavra foi cumprida, que ele agiria de acordo com a sua vontade. Essa era a sua pretensão, embora fosse uma prerrogativa divina. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 895. Depois se levantará um rei, poderoso. Esse poderoso rei seria Alexandre, o Grande, cabeça do império greco-macedônio, que derrubou o império persa, fechando as páginas da história sobre aquela potência. Quando Alexandre se pôs de pé, o mundo todo foi abalado, e em breve (no curto espaço de onze anos — 334-323 A. C.) o mundo inteiro da época estava sob seus pés. Alexandre morreu com apenas 32 anos de idade, devido à malária e às complicações com o alcoolismo. Talvez seu extraordinário poder e sucesso tenha decorrido do poder concedido pelo anjo guardião da Grécia (ver Dn 10.20). Ele fazia tudo de acordo com os ditames de sua vontade (cf. os vss. 16 e 36 e também Dn 8.4). Quintus Curtius, História de Alexandre X.5.35, diz: “Pelo favor de sua fortuna, ele parecia, aos povos, ser capaz de fazer o que bem entendesse". CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3421.]
3. A divisão do reino entre quatro generais (11.4-20). Afirma o versículo quatro que “estando ele em pé, o seu reino será quebrado”. Alexandre morreu na Babilônia aos 33 anos de idade. O seu reino, como havia sido revelado pelo Senhor, “foi repartido para os quatro ventos do céu” (v.4). Alexandre não teve um sucessor e seu reino foi dividido entre os seus quatro generais: Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu. Ainda que os historiadores neguem a questão da soberania de Deus no destino das nações, não podemos duvidar que Ele permite que reinos sejam estabelecidos e destruídos. “Os quatro ventos do céu” (v.4) lembra a profecia sobre a figura das quatro cabeças do leopardo alado (7.6) e a visão do bode com quatro chifres notáveis (8.8). As figuras são diferentes, mas as representações dessas figuras são as mesmas, porque falam do Império Grego e sua divisão, depois da morte de Alexandre. Cassandro reinou na Macedônia; Lisímaco reinou na Trácia e Ásia Menor; Ptolomeu reinou no Egito e Seleuco reinou sobre a Síria e o restante do Oriente Médio.
Nos versículos 5 a 20, temos uma sucessão de guerras entre esses quatro reis, especialmente entre Egito e Síria, entre os reinos do Norte e do Sul. O rei do Norte, Antíoco Epifânio (entre 175 e 164 a.C.) o qual tornou -se um tipo do Anticristo. [Comentário: Daniel aponta para vários reis da Síria e do Egito (v. 5-20). O poder alternou várias vezes, ora nas mãos da Síria, ora nas mãos do Egito. Vejamos inicialmente a aliança entre a Síria e o Egito (v. 5,6). Berenice, a filha do rei do Egito, Ptolomeu Filadelfo, foi dada em casamento ao rei da Síria, Antíoco II, para assegurar a aliança. Mas o casamento não teve o resultado desejado, ou seja, unir os dois reinos. Com a morte do pai de Berenice, Antíoco II voltou para sua ex-mulher, Laodice, e esta envenenou Berenice, o marido Antíoco II e o filho de Berenice, deixando um clima totalmente desfavorável para uma aliança de paz entre os dois reinos. No reinado de Ptolomeu II os judeus foram cercados de todos os favores e garantias. Ele construiu várias cidades em território palestino com o propósito de ganhar a amizade do povo judeu. Foi nesse período que a Septuaginta foi feita, a versão grega do Antigo Testamento. A seguir, observemos a derrota da Síria pelo Egito (v. 7-12). O irmão de Berenice, Ptolomeu III, venceu a batalha contra o Norte e matou todos os que assassinaram sua irmã. Também levou todos os tesouros da Síria de volta para sua terra. Por algum tempo houve considerável superioridade dos ptolomeus sobre os selêucidas. Notemos agora a derrota do Egito pela Síria (v. 13-16). Embora o Egito esteja fortificado, ele será destruído. A superioridade do Sul durou pouco. O Norte teve uma decisiva vitória em Sidom (v. 15). Antíoco, o Grande, rei do Norte, parecia invencível. Ninguém era capaz de lhe resistir (v. 16). Finalmente, vejamos o impasse entre a Síria e o Egito (v. 17-20). O rei da Síria, Antíoco, o Grande, dá sua filha ao rei do Egito em casamento para destruir internamente o reino (v. 17). O rei do Norte, para conquistar o Sul, mudou de tática. Antíoco concluiu que a melhor maneira de vencer o Sul seria por meio do uso de sutileza. Muito convincentemente foi ao Egito e contratou o casamento de sua filha, Cleópatra, com o rei Ptolomeu V que na época tinha apenas 12 anos de idade. O casamento realizou-se cinco anos depois. Pensou que por intermédio desse casamento firmaria seu poder sobre o reino do Sul. O plano falhou miseravelmente, pois Cleópatra não fez o jogo do pai, ficando do lado de seu marido. Assim, a profecia cumpriu-se mais uma vez (v.17). Antíoco, assim, resolve conquistar outros mundos e é fragorosamente derrotado (v. 18). Foi uma enorme derrota que causou o fim das ambições territoriais de Antíoco (v. 19). Selêuco Filopater, seu sucessor, mandou confiscar os tesouros do templo de Jerusalém. Mas essa ordem nunca foi cumprida. Crê-se que Heliodoro, o emissário responsável por saquear o templo de Jerusalém, advertido por uma visão, desistiu de executar esse ato sacrílego. Crê-se ainda que o próprio Heliodoro o tenha envenenado (v. 20). Assim, cada detalhe profetizado aconteceu integralmente. O povo judeu muito sofreu com essas sucessivas guerras, visto que seu território servia de passagem e, às vezes, também de campo de batalha para os dois exércitos rivais. LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 137-139.]
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O capítulo onze de Daniel é uma profecia a respeito da queda do império medo-persa, a ascensão do império grego e a sua posterior divisão em quatro partes.
II. O CARÁTER PERVERSO DE ANTÍOCO EPIFÂNIO (11.21-35)
Os quatro generais de Alexandre que se tornaram reis não se contentaram com seus territórios e passaram a lutar entre si. Seleuco IV ocupava o trono da Síria em Antioquia e reinou de 187 a 175 a.C. Ele morreu envenenado e seu filho deveria assumir o trono, mas seu tio Antíoco Epifânio tomou o trono da forma mais ignominiosa e detestável possível. Assumiu o trono sírio e mudou seu título de Antíoco IV para Antíoco Epifânio, isto é, o glorioso.
1. Antíoco Epifânio foi um rei perverso e bestial. Ele chegou ao poder em 175 a.C. e tinha apenas 40 anos de idade. O vocábulo Antíoco significa adversário, e Epifânio significa ilustre, o que é uma contradição. Segundo a história, reinou apenas onze anos, e morreu em 164 a.C. Porém, em seus poucos anos de reinado usou artifícios mentirosos, enganosos e cruéis como ninguém. Antíoco Epifânio não tinha escrúpulo. Sua ascensão ao trono da Síria foi através de intrigas e engano (11.21). Ele derramou muito sangue em guerras. Enriqueceu com os despojos quando lutou contra o Egito (11.25-28). O versículo vinte e um o chama de “homem vil”, porque fingindo amizade e aliança, entrou no Egito e se apoderou do reino de Ptolomeu Filometer. [Comentário: Dn 11.25-28 Suscitará a sua força e o seu ânimo contra o rei do Sul. Tendo consolidado seu poder, Antioco atacou o Egito, porque ali havia mais poder e bens a serem obtidos. O “rei do sul” foi atacado em 170 a.C. Nas fronteiras com o Egito, ele teve de enfrentar o exército egípcio. Isso ocorreu em Pelúsio, que ficava perto do delta do rio Nilo. Embora os egípcios contassem com numeroso exército, foram derrotados. Então Antioco resolveu mostrar-se amigo desse povo, e ambos os lados favoreciam a cessação das hostilidades, mas suas esperanças nunca se cristalizaram, pois ambos se mostravam espertos e enganadores, o que novamente é próprio da política. “Em 169 a.C., Antioco invadiu o Egito e capturou Ptolomeu VI. Mas dificuldades em sua pátria o forçaram a deixar o Egito e, a caminho de volta (levando muito despojo), ele saqueou Jerusalém e o tesouro do templo” (Oxford Annotated Bible, na introdução aos vss. 25-28). Foi nesse tempo que começaram as grandes atrocidades de Antioco IV Epifânio contra os judeus, e essa circunstância inspirou o autor sacro a passar algum tempo descrevendo o sucesso das campanhas de Antioco. O vs. 25 mostra-nos que seu sucesso contra o Egito foi prejudicado por conspirações em sua pátria, traições da parte de alguns de seu próprio povo. Eles “fizeram planos contra ele”. O vs. 26 pode referir-se a parte das conspirações contra Epifânio. As pessoas que tinham aceitado riquezas da parte dele não hesitaram em atacá-lo pelas costas. E também deram-lhe maus conselhos que o levaram a entrar em conflito com seu sobrinho, o qual, eventualmente, foi feito cativo. O fato de Antioco ter saqueado Jerusalém incluiu, naturalmente, grande matança do povo judeu (Veja I Macabeus 1.20-24; II Macabeus 5.11-16; Josefo, Guerras, 1.1.1; Antiq. XII.5.3). Tendo aprisionado seu sobrinho, Ptolomeu, ele fingiu estar agindo em seu favor, mas o que sucedeu foi que conseguiu submeter larga porção do Egito. Foi forçado a parar em Alexandria. O romano Polílio Laenas estragou os planos de Antioco. Ele precisou evacuar o Egito, pelo que sua ira se voltou contra os judeus não helenizados de Jerusalém. Antioco contaminou o templo em 167 a.C. O vs. 27 refere-se à falsa barganha de Antioco no Egito. Os dois reis que figuram naquele versículo são Antioco e Ptolomeu Filometer, seu sobrinho. Teoricamente, Filometer estava em aliança com seu tio contra o irmão mais novo do usurpador. Foi assim que Antioco reuniu riquezas e conquistou terras, presumivelmente em favor de Filometer, mas, na realidade, ele não se importava em nada com seu sobrinho. Ele agia em interesse próprio o tempo todo. Todo esse esquema teve um fim nomeado, que alguns estudiosos fazem ser uma referência escatológica, transferindo tudo para o fim dos tempos e elegendo o anticristo como a verdadeira personagem traiçoeira. Ou o fim pode ter sido do poder e da vida de Antioco, ou então da guerra. Mas alguns insistem em dizer: “O Fim”. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3423.]
2. Antíoco Epifânio invadiu Jerusalém (11.28). Antíoco Epifânio, depois de ter entrado no Egito e ter tomado posse do reino de Ptolomeu VI (vv.25,26), resolveu investir contra a Terra Santa, especialmente, Jerusalém. Ele tinha um ódio enorme de Israel. Por isso, partiu para a profanação do Templo e fez cessar os sacrifícios diários (11.30,31). Houve resistência da parte de judeus fieis que não cederam aos abusos de poder e a arrogância desse rei sírio. Ele ordenou o sacrifício de porcos sobre o altar sagrado para profanar o Santuário. [Comentário: Antioco voltou para sua terra levando muitos despojos, pelo que seu tempo passado no Egito não foi desperdiçado. O grande saque do Egito é referido em I Macabeus 1.19. Passando por Jerusalém, ele ainda foi prejudicial. Entre outras coisas, quis reintegrar Menelau como sumo-sacerdote e expulsou Jasom. Talvez seja isso o que está em vista na expressão “santa aliança", ou seja, fazer Jasom ficar no poder. Outros estudiosos, contudo, mais corretamente, referem-se à fé judaica quando lêem “santa aliança”, pois essa fé se baseava nos pactos, a começar por Abraão Cf. I Macabeus 1.15,63 quanto à distheke agia, “santa aliança”. Ver também I Macabeus 1.20-24 e 29.36. Antioco causou muitos danos a Jerusalém, por causa do conflito entre Jasom e Menelau. Ele saqueou o tesouro do templo e estacionou tropas na cidade para manter a ordem. Contaminou o templo ao oferecer uma porca sobre o altar, e então retornou à própria terra. “Antioco lançou um grande exército contra Jerusalém e tomou-a em ataque relâmpago; matou 40.000 pessoas; vendeu muitos judeus como escravos; cozinhou carne de porco e salpicou o caldo sobre o altar; invadiu o Santo dos Santos; pilhou os vasos de ouro e outros itens sagrados do tesouro, que alcançaram o valor de mil talentos; restaurou Menelau ao ofício sumo-sacerdotal e fez de Filipe o governador frígio de Judá (I Macabeus 1.24; II Macabeus 5.21)” (Adam Clarke, in loc., ao descrever os leitos de Antioco Epifânio). A interpretação escatológica vê o anticristo tipificado em tudo isso. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3423-3424.]
3. Antíoco Epifânio era cruel (vv.31-35). Ao invadir Jerusalém, Antíoco Epifânio desrespeitou valores morais e éticos da sociedade israelita. Estabeleceu regulamentações contra a circuncisão, a observância do sábado e outras práticas dietéticas do povo hebreu. O versículo 31 fala da “abominação desoladora”, quando Epifânio construiu um altar a Zeus, deus grego, sobre o altar dos holocaustos no Templo. [Comentário: Sua crueldade (v. 31-35). Antíoco Epifânio possuía um ódio infernal por Israel. Ele profanou o templo e fez cessar os sacrifícios diários (v. 31). Ele levantou um altar pagão no templo e mandou sacrificar um porco no altar e borrifar o sangue no templo. Ele seduziu os judeus apóstatas (v. 31b,32). Contudo, aqueles que conheciam a Deus eram fortes e ativos (v. 32) e não cederam nem à sedução nem à violência. Homens com percepção espiritual circulavam entre o povo ensinando as Escrituras (v. 33). Continuaram pregando, mesmo sob perseguição e morte (v. 33-35). Muitos desses sábios morreram, mas aqueles que sobreviveram permaneceram puros até o fim. Um grupo de judeus, liderados pelo sacerdote Matatias, resistiu às ordens sacrílegas de Antíoco Epifânio e começou uma guerra de resistência, chamada a guerra dos macabeus. Evis Carballosa registra esse fato assim: O terrível ataque de Antíoco Epifânio não enfraqueceu o espírito dos judeus fiéis. Ao contrário, a perseguição fez com que muitos se unissem para dar começo ao que se conhece como a guerra dos macabeus. O líder do movimento contra Antíoco foi um ancião sacerdote chamado Matatias. O fiel sacerdote não só se recusou a obedecer a ordem de oferecer sacrifícios a um deus pagão, mas também matou o emissário real e destruiu o altar pagão. Seguidamente, Matatias e seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas organizavam uma guerra de guerrilhas que começou a causar sérios estragos entre as forças de Antíoco. No ano 166 a. C., só uns meses depois de começada a guerra, Matatias morreu e um de seus filhos, Judas, sucedeu-o como líder do movimento. Antíoco pensava que seu exército destruiria a rebelião em curto espaço de tempo, m as equivocou-se. O exército sírio sofreu derrota após derrota. E m dezembro do ano 164 a.C., o exército dos macabeus marchou triunfante pelas ruas de Jerusalém. Em 25 de dezembro desse ano, o templo foi purificado e restaurado o culto a YAHVEH. LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 140-141.]
SINOPSE DO TÓPICO (2)
O imperador Antíoco Epifânio era perverso, bestial e cruel. Ele arrasou a cidade de Jerusalém.
III. ANTÍOCO EPIFÂNIO, TIPO DO ANTICRISTO
1. O “homem vil” que chega ao poder. Até o versículo 35 a história se cumpriu perfeitamente. A partir do versículo 36, os fatos acontecem de modo especial e fala de um rei que agirá segundo a sua própria vontade. Trata-se de um homem que chega ao poder, prospera, cresce em força e, então, investe contra o Deus de Israel. Esse rei, na figura de Antíoco Epifânio, assume o papel de divindade. Essa profecia tem o respaldo do Novo Testamento nas palavras de Paulo, quando diz que “se opõe contra tudo que se chama Deus ou se adora” (2Ts 2.4). [Comentário: O rei obstinado — o Anticristo (11.36-45). Jerônimo deu uma dupla interpretação a essa parte (11.21-45): a primeira, em referência a Antíoco Epifânio, e a segunda, ao Anticristo. Mas muitos comentaristas conservadores, incluindo Young e Seiss, entendem que os versículos 21-35 se referem de maneira apropriada a Antíoco e secundariamente ao Anticristo, e os versículos 36-45 devem referir-se a alguém maior, mais profano e ímpio do que Antíoco. E esse rei fará conforme a sua vontade, e se levantará, e se engrandecerá sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas incríveis e será próspero (36). Aqui a figura clara de Antíoco começa a desvanecer no meio da escuridão e um aspecto disforme do Anticristo começa a tomar forma nas sombras do pano de fundo. Lembramo-nos das advertências de Paulo acerca do “homem do pecado” (2 Ts 2.3-4) e da visão de João acerca da “besta” (Ap 13.5-8). Vemos claramente refletido o “pequeno chifre” dos capítulos 7 e 8 de Daniel. Uma diferença interessante aparece quando comparamos os dois pequenos chifres com esse rei furioso do capítulo 11. Enquanto o pequeno chifre do capítulo 8 e o rei furioso do capítulo 11 estão relacionados ao terceiro reino da profecia de Daniel, a Grécia, o pequeno chifre do capítulo 7, surge do quarto reino, Roma. Talvez isso nos deve lembrar que o Anticristo vai procurar tomar para si toda a glória e poder do empreendimento humano e combinar a cultura da Grécia e a glória de Roma. Não nos deveria surpreender que o caráter culminante do mal buscará usurpar para si toda a bondade humana bem como a adoração divina. Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 542]
2. O futuro governante mundial no “tempo do fim”. Nos versículos 36 a 45 do capítulo onze está escrito que ele fará conforme sua própria vontade. O versículo quarenta fala do “fim do tempo” apontando para a Grande Tribulação que é a septuagésima semana do texto de Daniel 9.27. Nesse período, os reis do Norte e do Sul se unirão numa coligação de nações na “terra gloriosa” (11.41) para a grande batalha do Armagedom, onde o Anticristo será derrotado na Segunda Vinda de Cristo (Ap 19.11-20). [Comentário: “E no fim do tempo” (11.40). Na verdade, os versículos 40 a 45 retratam as lutas finais de Antíoco Epifânio com o Egito, o rei do Sul, seu rival maior naquele tempo. Porém, a descrição desses conflitos prenunciam os atos futuros do Anticristo. No versículo 45 está descrito o fim de Antíoco Epifânio. Ninguém ostenta uma glória que só pertence ao Deus Todo-Poderoso. Nos versículos 36-45 está descrito que ele fará conforme sua própria vontade. Quando o versículo 40 fala do “fim do tempo” estava apontando, não só para o fim do personagem histórico Antíoco Epifânio, mas estava apontando para um tempo especial que a Bíblia descreve como sendo a Grande Tribulação, identificada como a 70a Semana do capítulo 9.27. (11.41) Segundo o texto, os reis do norte e do sul (Egito e Síria) se unirão numa coligação de nações na “terra gloriosa”(11.41) para a grande batalha do Armagedom, onde o Anticristo será derrotado na segunda Vinda de Cristo (Ap 19.11-20). (11.41-43) Escatologicamente, esses versículos falam da extensão do reino do Anticristo. Ele entrará na “terra gloriosa” que é Jerusalém e promoverá grande perseguição aos judeus existentes. Os povos que rodeiam como Edom,Moabe e Amon, identificados hoje, como a Jordânia e pequenas nações próximas estarão sob o seu domínio. Porém, os povos do Oriente, como a China e rumores vindos do Norte, a Rússia, mobilizarão seus exércitos e poderes bélicos para combater o Anticristo na “terra santa”. (11.44,45) A destruição do Anticristo. Esses versículos indicam que a força de governo do Anticristo será arrojada por terra e suplantada pela vinda gloriosa de Jesus Cristo, o glorioso Messias, desejado e sonhado dia e noite pelos judeus (Zc 14.1,2). Depois de sete anos da Grande Tribulação, no seu final, o Senhor matará com o sopro da sua boca e com o esplendor da sua vinda (2 Ts 2.7,8). “mas o seu fim virá” (11.44,45). Subtende-se que a expressão “entre o mar Grande e o monte santo” refere-se ao Mar Mediterrâneo (“o mar grande”, e “o monte santo e glorioso” não é outro que não o lugar do Templo de Deus em Jerusalém. O Anticristo armará suas tendas militares em Jerusalém, nas cercanias do vale do Armagedom (Ap 16.16; Zc 14), mas será neste vale que ele será derrotado pelo Messias glorioso. O falso Profeta e ele serão lançados no lago de fogo para sempre, e o Senhor instalará seu reino de mil anos (Ap 19.11-21). Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 155-156.]
3. Precisão profética. Como vimos, Antíoco Epifânio é um personagem da história que representa o rei futuro, o Anticristo, que provocará o grande conflito com Israel e fará tudo para destruir a nação, até que venha o Senhor para aniquilar o seu poder. [Comentário: Stuart Olyott aponta várias lições decorrentes do estudo deste precioso texto: a primeira é que a Palavra de Deus é absolutamente confiável. O livro de Daniel foi escrito no século 6 a.C. Ele conta a história .minuciosamente antes dela acontecer. Isso prova que a Palavra de Deus é infalível, inerrante e sobrenatural. A Palavra de Deus não apenas contém a verdade, ela é a verdade infalível e inerrante. Assim como ela é confiável nos relatos históricos, também o é em sua revelação acerca de Deus, do homem e da salvação, também como da consumação dos séculos. É loucura consumada ignorar, negligenciar ou descrer desse livro. A segunda lição é que Deus é o Senhor soberano da história. Como poderia o Senhor ter dado a Daniel uma detalhada visão do futuro, se esse estivesse fora de seu controle? Tudo aconteceu como Deus disse. Ele é quem levanta reis e abate reis. Ele levanta reinos e abate reinos. Tudo acontece como Deus disse. O que fora profetizado se cumpriu. Tudo o que ocorre na história, ocorre porque está escrito no livro de Deus. Tudo que acontece confirma os decretos de Deus. Todas as coisas se movem em direção ao triunfo final de nosso Senhor Jesus Cristo e ao castigo final e eterno dos ímpios. Osvaldo Litz interpreta corretamente quando diz: O real valor da profecia não está na predição, mas em nos mostrar tudo acontecendo sob a onipotência de Deus, para que à luz da profecia achem os o caminho certo em meio às tentações e aos perigos e estejam os consolados em tudo. Pois para os discípulos de Jesus sobre todos os acontecimentos do tempo do fim estão também as palavras de Jesus: ‘Levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima. A terceira lição é que Deus continua Deus, ainda que não O vejamos em parte alguma. Vimos o anjo anunciar o futuro a Daniel. Nesse relato não há qualquer menção à pessoa de Deus. Há um verdadeiro catálogo de guerras, alianças, casamentos, traições e uma quantidade estonteante de reis que surgem e desaparecem. O homem ocupa todo o cenário. Frequentemente, temos a impressão de que os acontecimentos são controlados pelo homem mais forte de sua respectiva época. Deus não é mencionado em parte alguma. Aparentemente, é como se a história nada tivesse a ver com Ele. Mas, mesmo nesse tempo, Deus continua o Senhor da história. Esse fato continua sendo verdade, ainda que pareça não existir evidência de que Deus está trabalhando. A atenção do mundo estava voltada para os medos e persas, para os gregos ou para os reinos dos ptolomeus e selêucidas. Nesse tempo, o povo de Deus parecia apagado. Tinha, sim, muita tribulação e perplexidade. Mas nesse tempo, Deus continua o Senhor de toda a história. Mesmo quando não pode ser visto, Ele está governando os assuntos do mundo e também os destinos do Seu povo. Deus continua Deus ainda que não vejamos em parte alguma. LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 142-144.]
SINOPSE DO TÓPICO (3)
Antíoco Epifânio assumiu o papel de divindade tal qual o apóstolo Paulo revela acerca do Anticristo: “se opõe contra tudo que se chama Deus ou se adora”.
CONCLUSÃO
A Bíblia declara que o “último dia” não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja manifestado “o homem da iniquidade, o filho da perdição” que é o Anticristo (2Ts 2.3). Isto se dará no período da Grande Tribulação, todavia, a Igreja do Senhor não estará mais na Terra e assim não verá o Anticristo. [Comentário: A figura de Antíoco Epifânio representa o ápice do cumprimento da profecia bíblica. Foi um ser cruel e histórico. Entrou no lugar santo o blasfemou. Voltou-se contra o Deus de Israel profanando o altar do Templo. Antíoco Epifânio é uma prova de como uma profecia bíblica cumpri-se na história. Mostra como Deus é atemporal e encontra-se para além da história. De acordo com os estudiosos da linha dispensasionalista, até o versículo trinta e cinco do capítulo onze de Daniel vemos a exata descrição de Antíoco Epifânio. Pelo caráter traiçoeiro, cruel, astuto e enganador de Antíoco Epifânio é que muitos estudiosos colocam como um tipo do Anticristo de acordo com o Novo Testamento. Estudar a história de um povo para compreendermos o todo de uma profecia é uma tarefa importantíssima.]
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!
Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere!
Hoje, em CampinaGrande-PB
Dezembro de 2014.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
LAHAYE, Tim; HINDSON (Ed.). Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004.
SILVA, Severino Pedro. Daniel Versículo por Versículo: As visões para estes últimos dias. 13ª Edição. RJ: CPAD, 2005.
EXERCÍCIOS
1. Quem constituiu a Dario como rei?
R. A história bíblica diz que Ciro constituiu a Dario como rei.
2. Qual é a importância da profecia a respeito do Império Grego?
R. A importância dessa profecia está no fato de que é Deus que dirige a história para que sua soberana vontade seja exercida especialmente em relação a Israel.
3. Quais eram os quatro generais de Alexandre?
R. Os seus quatro generais eram Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu.
4. Segundo a lição, qual é o significado do nome Antíoco Epifânio?
R. O vocábulo Antíoco significa adversário, e Epifânio significa ilustre.
5. Antíoco Epifânio é um tipo de quem?
R. Um tipo do Anticristo.
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