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LIÇÃO 13 – A IGREJA E A LEI DE DEUS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Luciano de Paula Lourenço)
INTRODUÇÃO
Com esta Aula finalizamos o estudo do Decálogo, salientando que ele é um fundamento sólido sobre o qual podemos construir nossa vida moral; é uma moldura que continua sendo preenchida pelo andar diário no Espírito. Com relação ao Decálogo, Hans Ulrich afirma: (1)
O Decálogo é um modelo para o exercício de boas obras. As multiformes obras de misericórdia e diaconia, a defesa da honra, da propriedade e da vida do próximo, bem como as ações sociais, que visam o bem-estar social e comunitário, emanam das versões construtivas dos dez mandamentos. O cristão anda nas boas obras que Deus preparou de antemão para ele (Ef 2:10).
O Decálogo é um modelo para a vida abundante. Ele mesmo contém a promessa de bênção: “...faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos" (Ex 20:6; Dt 5:10). Repetidas vezes Deus promete Sua bênção aos que guardam diligentemente Seus mandamentos: "Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais..." (Dt 4:1). Levítico 26:3-13; Deuteronômio 5:33; 7:12-26; 28:1-14 também mostram as bênçãos decorrentes da obediência aos dez mandamentos. O profeta Isaías reconhece que, se tivesse dado ouvidos aos mandamentos do Senhor, o povo escolhido não teria passado pelo exílio, mas sim desfrutado da vida abundante. Então, a paz do Senhor seria como um rio e Sua justiça, como as ondas do mar (Is 48:18).
O Decálogo é um modelo para a transformação da sociedade. Ele não é apenas um modelo para o exercício de boas obras e um meio para a vida abundante, é também um modelo exemplar para a transformação da sociedade. A obediência simples ao Decálogo transforma as atitudes do homem para com seu próximo. Em vez de assassinar um inimigo pessoal, ele o abençoa; em vez de furtar, trabalha e ajuda ao necessitado; em vez de dizer falso testemunho, pratica e diz a verdade; em vez de roubar a mulher do próximo vive na pureza sexual e apoia o matrimônio monogâmico; em vez de cobiçar, faz atos de misericórdia. Em vez de guardar para si a fé e a experiência do senhorio de Cristo, o ser humano brilha como luz e penetra como sal neste mundo (Mt 5:14-16); não conserva este mundo na situação em que se encontra, mas transforma-o com o amor, a paz e a esperança de Deus. Não se conforma com a injustiça, a miséria e a desonestidade generalizada. É um exemplo de devoção e fidelidade a Cristo em seu lar, no trato com seus vizinhos, no exercício de boas obras, na profissão e nos deveres e responsabilidades civis, para que o reino do Senhor venha e Sua vontade seja feita tanto nos céus como na terra.
I. O QUE SIGNIFICA “CUMPRIR A LEI”?
“Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”(Mt 5:17). Aqui, o Filho de Deus está afirmando que veio a este mundo para cumprir a Lei com todas as suas 613 disposições, ordenanças e proibições. Ele conduziu a Lei ao seu final; ela está cumprida. Por que Ele o fez? Encontramos a resposta quando lemos o versículo inteiro: “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Jesus cumpriu a Lei para todos, mas Sua obra é eficaz apenas para todo aquele que crê.
Segundo Samuel Rindlisbacher, o Senhor Jesus, cabeça da Igreja (Ef 5:23), validou toda a Lei Mosaica, inclusive as 613 disposições, ordens e proibições, ao afirmar: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei” (Lc 16:17). Ele avançou mais um passo, dizendo: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5:17). Jesus, ao nascer, também foi colocado sob a Lei: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4). Ele foi criado e educado segundo os preceitos da Lei, pois cumpria suas exigências. Todavia, foi essa mesma Lei que O condenou à morte. Quando tomou sobre Si todos os nossos pecados, teve de morrer por eles, pois a Lei assim o exige. Vemos que a Lei foi cumprida e vivida por Jesus, e através dEle ela alcançou seu objetivo. Por isso está escrito que “... o fim da Lei é Cristo” (Rm 10:4).
Quando sou confrontado com a Lei Mosaica, ela me apresenta uma exigência que devo cumprir. Deus diz em Sua Lei: “... eu sou santo...” e exige de nós: “... vós sereis santos...” (Lv 11:44-45). Assim, a Lei me coloca diante do problema do pecado, que não posso resolver sozinho. O apóstolo Paulo escreve: “... eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado” (Rm 7:14).
A lei expõe e revela nossa incapacidade de atender às exigências divinas, pois ela nos confronta com o padrão de Deus. Ela nos mostra a verdadeira maneira de adorá-lo, estabelece as diretrizes segundo as quais devemos viver e regulamenta nossas relações com nosso próximo. Além disso, a Lei é o fundamento que um dia norteará a sentença que receberemos quando nossa vida for julgada por Deus. Pela Lei, reconhecemos quem é Deus e como nós devemos ser e nos portar. Mas existe uma coisa que a Lei não pode: ela não consegue nos salvar. Ela nos expõe diante de Deus e mostra que somos pecadores culpados. Essa é sua função.
II. O SENHOR JESUS VIVEU A LEI
Deus enviou a sua Lei com os preceitos morais, civis e cerimoniais para ajudar as pessoas a amá-lo com seu coração e mente. Entretanto, na época de Jesus os lideres religiosos haviam transformado a Lei de Deus em confuso emaranhado de regras. Quando Jesus falou sobre nova forma de entender a Lei, Ele estava tentando fazer com que as pessoas se voltassem ao seu significado original. Jesus não falava contra a Lei, mas contra os danos e excessos aos quais ela havia sido submetida.
Os textos de Mateus 5:17,18 mostram a expressa e total obediência de Jesus à Lei do Antigo Testamento, pois a Lei não pode ser anulada. Jesus não veio como um rabino trazendo um ensino recém-elaborado, Ele veio como o Messias prometido com uma mensagem que fora transmitida desde o início dos séculos – “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir”. Jesus completa e transcende a Lei. Ele viveu a Lei. Ele cumpriu todos os preceitos.
Quanto aos preceitos morais, o pr. Esequias Soares diz que os Dez Mandamentos são representados pelos dois grandes mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12:28-33). Na verdade, “desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22:40). Trata-se de uma combinação de duas passagens da lei (Lv 19.18; Dt 6.4,5). São preceitos que foram resgatados na Nova Aliança e adaptados à graça, de modo que a Igreja segue a lei de Cristo, ou seja, a lei do amor, e não o sistema mosaico (Rm 6:14; 13:9,10;Gl 5:18).
Quanto aos preceitos cerimoniais, o Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Lc 24:46). As instituições de Israel com suas festas, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5:4,5; 1Co 5:7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2:17).
Quanto aos preceitos civis, segundo o pr. Esequias Soares, Jesus cumpriu também o sistema jurídico da lei. Com sua morte, Ele transferiu os privilégios de Israel para a Igreja (1Pe 2:9,10). Jesus disse às autoridades judaicas que "o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos" (Mt 21:43). Com isso, Israel deixou de ser um Estado Teocrático. A Igreja é a plataforma de Deus na Terra, a coluna e firmeza da verdade (1Tm 3:15).
Portanto, a Lei do Antigo Testamento deve ser agora interpretada e reaplicada à luz de Jesus. Deus não mudou de ideia e a vinda de Jesus fazia parte do plano de Deus para trazer novamente o ser humano ao status quo da Criação.
III. A LEI NÃO PODE SER REVOGADA
Jesus posicionou-se claramente a favor do código legal mosaico, pois disse: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17). “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido” (Mt 5:18).
Entretanto, Ele rejeitou com veemência as ordenanças humanas e as obrigações impostas apenas pela tradição judaica (compiladas, posteriormente, no Talmude), afirmando: “Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens, como o lavar dos jarros e dos copos, e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas. E dizia-lhes: Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição. invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradição, que vós ordenastes. E muitas coisas fazeis semelhantes a estas” (Mc 7:8-10,13).
A maioria dos líderes revolucionários se desfaz de todas as ligações com o passado e repudiam a ordem tradicional em questão, mas o Senhor Jesus Cristo não. Ele sustentou a lei de Moisés e insistiu em que ela tinha de ser cumprida.
Jesus não veio para revogar a Lei ou os profetas, mas para cumprir. Ele deixou bem claro que nem um “jota” ou um “til” jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. O “jota” é a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita, é a décima letra e se chama iode; o “til” é um pequeno sinal diacrítico que serve para distinguir uma letra da outra. Jesus acreditava na inspiração literal da Bíblia, mesmo que fosse aparentemente um detalhe insignificante. Nada nas Escrituras, mesmo o menor “til”, existe sem significado.
“... até que o céu e a terra passem...”. Jesus não só cumpriu a lei, mas “até que o céu e a terra passem” (significando até o fim do mundo) a lei não será modificada. Nem um jota ou um til se omitirá da lei, nem o menor traço de uma pena será colocado ao lado da lei de Deus. A afirmação de Jesus certifica a absoluta autoridade de cada palavra e letra da Escritura. Tudo o que foi profetizado na lei de Deus será cumprido, e os seus propósitos serão alcançados. Tudo se cumprirá.
E Jesus continua dizendo:
“Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus “(Mt 5:19).
Notamos que Jesus antecipou uma tendência natural das pessoas de abrandar os mandamentos de Deus. As pessoas tendem a atenuar, racionalizar os significados. Mas aquele, pois, que violar um destes mandamentos, e ensinar outras pessoas a fazerem o mesmo, será considerado omenor no reino dos céus. O espantoso é que tais pessoas são permitidas no reino, mas devemos lembrar que a entrada no reino é determinada por sua obediência e fidelidade enquanto estiver na terra.
Como a Lei e os Profetas apontam na direção de Jesus e dos seus ensinos, aquele que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. Aqueles que tratarem qualquer parte da Lei como “pequena” e, portanto, passível de ser infringida, serão chamados de “menores” e, provavelmente excluídos. Jesus explicou aos seus discípulos que os homens responsáveis pela transmissão da mensagem deveriam viver e ensinar cuidadosamente, levando em consideração a importância da Palavra de Deus, se quiserem realizar grandes conquistas para Ele.
IV. A LEI E O EVANGELHO
A lei não foi dada como meio de salvação (At 13:39; Gl 2:16,21; 3:11), mas com a intenção de mostrar ao povo sua pecaminosidade (Rm 3:20b; 5:20; 7:7; 1Co 15:56; Gl 3:19) e então encaminhá-lo a Deus para a graciosa salvação oferecida por ele. Foi dada à nação de Israel, apesar de conter princípios morais válidos para o povo de qualquer época (Rm 2:14,15). Deus testou Israel sob a lei como um exemplo da raça humana, e a culpa de Israel provou a culpa do mundo (Rm 3:19).
A lei tinha atrelada a ela a penalidade da morte (Gl 3:10); e a quebra de um mandamento tornava o homem culpado de todos (Tg 2:10), já que as pessoas tinham quebrado a lei, estavam sob pena de morte. A retidão e a santidade de Deus exigiam que a penalidade fosse paga. Foi por essa razão que Jesus veio ao mundo: para pagar a penalidade por meio da sua morte. Ele morreu como substituto para os transgressores da lei, a pesar de ele mesmo não ser transgressor. Ele não deixou a lei de lado; pelo contrário, preencheu todas as exigências da lei cumprindo os mais rígidos requisitos mediante sua vida e morte. Assim, o evangelho não derruba a lei, mas a sustenta, e mostra como as exigências da lei foram totalmente satisfeitas pela obra redentora de Cristo.
Portanto, a pessoa que confia em Jesus não está mais sob a lei, está sob a graça (Rm 6:14). Ela está morta para lei por intermédio da obra de Cristo. A penalidade da lei deve ser paga uma única vez; já que Cristo pagou a pena, o crente não precisa pagá-la. É nesse sentido que a lei perdeu o brilho para o crente (2Co 3:7-11). A lei era um preceptor até a chegada de Cristo, mas, após a salvação, esse preceptor não é mais necessário (Gl 3:20,25).
No entanto, enquanto o crente não está sob a lei, isso não significa que ele está sem lei. Ele está atado por uma corrente mais forte que a lei, pois ele está sob a lei de Cristo (1Co 9:21). Seu comportamento está moldado não por temor à punição, mas por um desejo de agradar o Salvador. Cristo se tornou a lei da sua vida (João 13:15; 15:12; Ef 5:1,2; 1João 2:6; 3:16).
Uma pergunta comum numa discussão quanto à atitude do crente para com a lei é: “Devo obedecer aos Dez Mandamentos?”. A resposta é que certos princípios contidos na lei são de relevância duradoura. Sempre foi errado roubar, cobiçar ou assassinar. Nove dos Dez Mandamentos são repetidos no Novo Testamento, com uma distinção importante: não foram dados como lei (atrelados a uma penalidade), mas como treinamento para a justiça ao povo de Deus (2Tm 3:16b). O único mandamento não repetido é o preceito do sábado; os crentes nunca são ensinados a guardar o sábado (isto é, o sétimo dia da semana – sábado).
O ministério da lei para os que não são salvos ainda não cessou: “Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo” (1Tm 1:8). E seu uso legítimo é produzir o conhecimento do pecado e, assim, levar ao entendimento. Mas a lei não é para os que já são salvos: “não se promulga lei para quem é justo” (1Tm 1:9).
A justiça exigida pela lei é cumprida naqueles “que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Rm 8:4). De fato, os ensinamentos do Senhor no sermão do Monte estabeleceram um padrão mais elevado que o estabelecido pela lei. Por exemplo, a lei disse: “Não matarás”. Jesus, porém, disse: “Nem mesmo irai-vos”. Portanto, o sermão do Monte não apenas sustenta a lei e os profetas, mas os intensifica e os conduz implicações mais intensas (2) .
CONCLUSÃO
O nosso Senhor resumiu toda a lei ao dizer que o seu objetivo é levar os homens à plenitude do amor. Portanto, quer cumprir a Lei de Deus de todo coração? Ame! Contra o amor não há lei. Por quê? O amor é o cumprimento da lei. Em vez de decorarmos uma lista de "pode não pode", devemos fazer tudo baseado no amor divino, então cumpriremos a lei de Deus na íntegra. Disse o apóstolo Paulo: “... tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13:9,10).
Deus os abençoe sobremaneira e até o próximo trimestre, se Deus quiser!
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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
LIÇÃO 13 – A IGREJA E A LEI DE DEUS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa)
A IGREJA E A LEI DE DEUS
Texto Áureo Rm. 3.31 – Leitura Bíblica Mt. 5.17-20; Rm. 7.7-12
Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD
INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, a fim de reforçar as orientações apresentadas, refletiremos a respeito da relação entre lei e graça no contexto da igreja. Inicialmente meditaremos sobre o significado da lei de Deus para os israelitas, em seguida, analisaremos a abordagem de Jesus no que tange à lei, e ao final, compararemos o papel da lei e da graça para a igreja. Concluiremos mostrando que os Dez Mandamentos se aplicam à igreja, mas que são cumpridos no amor-agape.
1. A LEI DE DEUS
A revelação da lei de Deus deixou os israelitas atônitos, de acordo com o registro bíblico, “todo o povo viu os trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs-se de longe” (Ex. 20.18). Isso aconteceu depois que o Senhor desceu sobre o monte Sinai, de modo que aquele povo pode testemunhar a glória de Deus (Ex. 19.18). Diante daquela manifestação gloriosa – shekinah – o povo se distanciou do lugar, permanecendo distante. Isso tem a ver com a demonstração da grandiosidade divina, e na limitação humana. Os israelitas interpretaram a lei como instrumento de julgamento, deixando de atentar para seu lado positivo (Ex. 20.19). Com base nessa tradição, uma ala do judaísmo preferiu um relacionamento distante de Yahweh. Ele chegaram a pedir a Moisés que intercedesse por eles, não queriam ouvir a revelação diretamente de Deus (Ex. 20.19). Foi nesse contexto que Moisés se colocou como mediador entre Deus e os homes, assumindo a condição de profeta. Esse testemunho é dado em Dt. 5.5 “naquele tempo, eu estava em pé entre o Senhor e vós, para vos notificar a palavra do Senhor, porque temestes o fogo e não subistes ao monte”. O povo teve dificuldade de compreender o espírito da lei, ao invés de vê-la como uma dádiva, para evitar que eles pecassem, e fossem destruídos, assumiram apenas o lado negativo (Ex. 20.20). Nos tempos de Jesus muitos religiosos interpretaram erroneamente a Lei, tornando-a um fardo para as pessoas. O legalismo presente em algumas igrejas evangélicas é um reflexo desse equívoco.
2. JESUS E O CUMPRIMENTO DA LEI
A própria Lei tem seus limites, ninguém é capaz de guarda-la, estamos fadados ao fracasso, pela condição pecaminosa. É justamente por esse motivo que Paulo explica que nenhuma carne será justificada diante de Deus pelas obras da Lei. O próprio Apóstolo deixa claro que o papel da Lei e apenas revelar o pecado (Rm. 3.20). Tiago reforça esse argumento ao declarar que qualquer que tropeçar em um só ponto da lei torna-se culpado de todos (Tg. 2.10). A lei pode apenas condenar, ela não tem poder para salvar, identifica a doença, mas não provê o remédio. Por isso temos a necessidade de um melhor Mediador, providenciado pelo próprio Deus. A providência divina é atestada por Paulo, afirmando que há apenas um Mediador entre Deus e os homens (I Tm. 2.5,6). Por meio de Cristo Deus providenciou o que a lei não pode fazer (Rm. 8.3), dando-nos um Mediador superior a Moisés (Hb. 3.3; 8.6; 9.15; 12.22-24). Isso significa que não estamos sem Lei para Deus, estamos agora debaixo da Lei de Cristo (I Co. 9.21). A obra redentora de Cristo cumpriu a Lei, Ele mesmo declarou que não veio para destruir a lei, mas para cumpri-la (Mt. 5.17,18). Na sua morte Jesus cumpriu a lei cerimonial (Mc. 27.50,51;Lc. 24.46), bem como as instituições festivas e sacrificiais (Hb. 5.4,5; I Co. 5.7). Em consequência disso não nos cabe mais ficar presos às cerimônias do culto judaico, como apregoam algumas igrejas judaizantes (Cl. 2.17).
3. LEI E GRAÇA
A lei é boa e santa, serve para mostrar o pecado (Gl. 3.11,24,25), mas não pode libertar o homem do pecado (Rm. 7.12). Após a regeneração o cristão se coloca na dependência do Espírito Santo, e passa a produzir Seu fruto (Gl. 5.22). A produção do fruto do Espírito resulta no processo de santificação (Rm. 8.1-7). Por meio dEle nos tornamos cumpridores de toda a lei, na medida em que demonstramos amor a Deus e ao próximo (Mc. 12.28-33), nisso se resume a lei e os profetas (Mt. 22.40). A igreja segue a Lei de Cristo, que se concretiza no amor, não mais na lei mosaica (Rm. 6.14; 13.9,10; Gl. 5.18). De modo que, como dizia Agostinho, “ame a Deus e faça o que quiser”. Essa declaração reflete a prática do cristão debaixo da graça, que é o favor imerecido de Deus, tudo que fazermos deve ser motivado pelo ágape. Foi justamente isso que Jesus disse ao declarar que a justiça dos Seus seguidores deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20). Os religiosos do tempo de Jesus se firmavam na observância a preceitos externos, mas os seguidores de Cristo obedecem por amor (Jo. 14.21). Estamos libertos da lei mosaica, mas não estamos livres da Lei de Cristo (Rm. 3.28), mas por causa do amor que temos por Ele, e em reconhecimento da graça de Deus que nos alcançou, a obediência não nos é um fardo, pois sabemos que o jugo de Jesus é leve e suave (Mt. 11.28). Porque Ele nos amou primeiro, e provou entregando Sua vida por nós obedecemos com alegria (Jo. 3.16; Rm. 5.8; I Jo. 4.19).
CONCLUSÃO
Os dez mandamentos têm o seu valor para a igreja atual, principalmente se atentarmos para seus princípios imutáveis. Interpretá-los, à luz do evangelho de Cristo, considerando-O como Mediador superior a Moisés, possibilita aplicações que conduzem a uma vida santa. Mas todos esses mandamentos podem ser reduzidos ao agape, a expressão do amor divino dirige-nos para a obediência, com satisfação de estar no centro da vontade de Deus (Rm. 12.1,2).
LIÇÃO 13 – A IGREJA E A LEI DE DEUS - 1° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 13 - A IGREJA E A LEI DE DEUS - 1º TRIMESTRE 2015
(Mt 5.17-20; Rm 7.7-12)
INTRODUÇÃO
A Lei e os profetas duraram até João Batista e tiveram seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Todavia, os
princípios morais nela contidos devem ser praticados pelos cristãos, com exceção do sábado como nos ensina o NT. Nesta
lição destacaremos as diferenças entre Israel e a Igreja pois ambos encontram-se sob alianças diferentes. Destacaremos
ainda se a Igreja necessita guardar a lei ou não; e por fim, veremos que o amor é o cumprimento da Lei.
I – A LEI, SUA TRÍPLICE DIVISÃO E SEU CUMPRIMENTO EM CRISTO
“A Lei de Deus contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade Divina quanto a condução dos negócios,
interesses e necessidades humanas na família, na sociedade e no Estado. Embora entregue a Israel, a parte ética da Lei de
Deus é aplicável aos demais povos, tendo em vista a sua universalidade e reivindicações eternas (ANDRADE, 2006, p.
252). Segundo Stamps (1995, p, 146) a Lei de Moisés, do hebraico “Torah” que significa “ensino ou instrução” admite
uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a
lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 – 23.33); e, (c) a lei cerimonial, que trata da
forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx 24.12 – 31.18). Toda esta lei durou
até João Batista (Mt 11.13) e foi cumprida completamente por Cristo (Mt 5.17).
II – A LEI MORAL É IRREVOGÁVEL
As leis morais de Deus são aquelas leis que são baseadas na natureza de Deus. O próprio Deus é o padrão
absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis, mesmo
pelo próprio Deus. Visto que a natureza moral de Deus não muda e não pode mudar (Êx 3.14; Is 41.4; Hb 1.11, 12), as leis
que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas, universalmente obrigatórias, e eternas. A lei moral de
Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez na Escritura indica plenitude ou completude. Assim,
os Dez Mandamentos representam o padrão ético inteiro dado à humanidade por toda a Bíblia. Diante dessa afirmação
nos perguntamos: se os dez mandamentos dados na Antiga Aliança já passaram, vivem então os cristãos sem eles? Podem
tomar o nome de Deus em vão, matar, roubar etc.? Por certo que não, pois que o Novo Testamento proíbe tais pecados
(Êx 20.3; Mt 4.10; Êx 20.4; Lc 16.13; Êx 20.7; Mt 5.34; Êx 20.8; At 15.28,29; Êx 20.12; Mt 10.37; Êx 20.13; Mt 5.22; Êx
20.14; Mt 5.28; Êx 20.15; Mt 5.40; Êx 20.16; Mt 12.36; Êx 20.17; Lc 12.15). Somente a guarda do sábado é que não
encontramos referência no NT para que o cristão guarde (At 15.28,29; Cl 2.16).
III – AS DIFERENÇAS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA
O termo pacto ou aliança em hebraico é de berit, e berit karat que significa “fazer (lit. ‘cortar’ ou ‘lapidar’) uma
aliança”. Em grego o termo é diatheke (que pode significar tanto um “pacto” como “último desejo e testamento”), e o
verbo diatithemi (At 3.25; Hb 8.10; 9.16; 10.16). Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. A Antiga
Aliança foi feita no deserto do Sinai entre Deus e a nação de Israel (Êx 19; 24). Já a Nova Aliança foi feita por Cristo na
cruz do Calvário entre Deus e a Igreja (Mt 26.28). Vejamos as diferenças entre ambas alianças, a fim de que possamos
entender a superioridade de uma em relação a outra.
ANTIGA ALIANÇA NOVA ALIANÇA
Antiga (Êx 34.27-28) Nova (Jr 31.31-34; Hb 12.24)
Ratificada com sangue de animais (Êx 24.6-8) Ratificada com o sangue do Filho de Deus (Hb 9.14; Lc 22.20)
Mediador: Moisés (II Co 3.7-b) Mediador: Cristo (II Co 3.3-14; Hb 8.6- 9,15)
Alcance: Israel (Êx 24.7,8) Alcance: Povos, tribos, línguas e nações (Mt 26.28; Ap 5.9)
Gravada em pedras (II Co 3.7-a) Escrita no coração (II Co 3.2,3)
Veio em glória (II Co 3.7-a) Tem excelente glória (II Co 3.10)
Ministério da condenação (II Co 3.9) Ministério da justificação (At 13.38,39)
É um jugo de servidão (At 15.10) Traz liberdade (II Co 3.17)
Acaba com morte (II Co 3.6,7) Vivifica (II Co 3.6)
Era transitória (II Co 3.7,11) É permanente (II Co 3.11; Hb 13.20)
IV – A IGREJA DEVE GUARDAR OU NÃO A LEI
A palavra “lei”, nas quatrocentas vezes em que ocorre na Bíblia, nunca se refere apenas ao decálogo como sendo
este a lei moral, nem aos demais preceitos como sendo lei cerimonial. Toda vez que o Novo Testamento fala de lei referese
à lei contida no Pentateuco como um todo. Cristo nos libertou da maldição da lei fazendo-se maldição por nós
(Gl 3.13). Pelo fato de, como cristãos, estarmos libertos da lei, não significa que estamos sem lei, pois estamos debaixo da
lei de Cristo (I Co 9.21).
4.1 Neolegalismo. O legalismo é a “tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das
observâncias práticas e obrigações eclesiásticas. No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos
crentes oriundos do Judaísmo que, interpretando erroneamente o evangelho de Cristo, queriam forçar os gentios a
guardarem a Lei de Moisés afim de serem salvos” (ANDRADE, 2006, p. 251). Os modernos defensores do neolegalismo
procuram enganar os incautos com citação de textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de
vista. Mas a Bíblia, inspirada pelo Espírito Santo, constitui um todo em si mesma. “Só podemos aceitar como doutrina
bíblica aquelas que estão respaldadas em todo o contexto bíblico. É errado considerar toda palavra “mandamento” como
uma referência ao Decálogo, e é errado ensinar que Jesus cumpriu na cruz somente os mandamentos “cerimoniais”, ele
cumpriu toda a Lei em si mesmo” (ALMEIDA, 1996, p. 09).
4.2 Antinomismo (contra lei). “Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se observar as leis morais do
Antigo Testamento. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés.
Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o
Criador incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e
sublimá-los” (ANDRADE, 2006, p. 51). Certos grupos libertinos que vieram depois de Paulo, levaram seus ensinamentos
ao extremo. Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de
sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. O
próprio Paulo havia previsto este abuso, repudiando-o completamente (Rm 6.1,2).
V – O AMOR É O CUMPRIMENTO DA LEI
A obediência aos mandamentos somente por obediência, trata-se de puro legalismo. O intuito divino é que o
mandamento fosse obedecido por amor. Esse padrão está delineado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 6.5;
11.1; Mt 22.37-39; Lc 10.27).
5.1 O amor a motivação certa para a obediência da Lei. Deus esperou de Israel que a Lei entregue por Ele, fosse
obedecida tendo como motivação o amor e não por medo, interesses pessoais ou por obrigação (Dt 6.5; 11.1), embora a
sujeição a Lei tinha como implicações o temor, as bençãos materiais e o compromisso assumido na aliança (Êx 20.20;
24.7; Is 1.19; Dt 28.1-2; Lv 26.15). A palavra motivação diz respeito a intenção, propósito ou objetivo com que se faz as
coisas. Foi justamente nesse ponto que o povo de Israel tropeçou (Is 29.13; Mt 15.8). A mesma motivação se exige dos
cristãos no NT (Jo 14.15,21;23-24; I Jo 5.2).
5.2 O amor é o cumprimento da Lei. Ao ser indagado sobre qual os dois maiores mandamentos da Lei, Jesus respondeu:
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração [...] este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante
a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Como podemos ver, o amor é o cumprimento da Lei
(Mt 22.35-40). Essa mesma perspectiva nos ensinou o apóstolo Paulo (Rm 13.8,10).
5.3 O amor a capacidade para a cumprimento da Lei. No ato da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e
a produzir o fruto do Espírito, que são qualidades morais e espirituais cultivadas na personalidade cristã dentre eles o
amor (Gl 5.22). A Bíblia diz que Deus é amor (Ef 5.2; I Jo 4.8) e ele nos confere o seu amor, pela operação do Espírito na
alma. O amor é a virtude que pré dispõe alguém desejar o bem de outrem. Do grego “ágape”, é o maior de todos os
sentimentos e o fundamento sobre o qual os dons e as as outras virtudes do Espírito Santo estão edificados (I Co 13.1-3).
“O amor é uma planta tenra da qual o Espírito cuida. Se o amor estiver ausente, então é que o Espírito não habita em nós”
Assim sendo, é impossível amar a Deus e odiar a um ser humano. Só ama verdadeiramente aquele que nasceu de Deus,
porquanto o “amor cristão” é uma qualidade eminentemente espiritual. Outrossim, aquele que não ama também não
conhece a Deus (I Jo 4.8), porque Deus é a própria essência do amor, sendo altruísmo puro. Por semelhante modo, não
amar é andar nas trevas (I Jo 2.11)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 141).
CONCLUSÃO
A Lei não foi concedida a Israel como um fim em si mesma, pois o homem por si só não tem condições de
cumpri-la, fazendo-se necessário ser salvo pela graça independente das obras. Todavia, este homem depois de salvo, passa
a produzir, pelo Espírito a virtude do amor que lhe dá condições de andar nos princípios da Lei.
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 13 - A IGREJA E A LEI DE DEUS - 1º TRIMESTRE 2015
(Mt 5.17-20; Rm 7.7-12)
INTRODUÇÃO
A Lei e os profetas duraram até João Batista e tiveram seu cumprimento pleno em Jesus Cristo. Todavia, os
princípios morais nela contidos devem ser praticados pelos cristãos, com exceção do sábado como nos ensina o NT. Nesta
lição destacaremos as diferenças entre Israel e a Igreja pois ambos encontram-se sob alianças diferentes. Destacaremos
ainda se a Igreja necessita guardar a lei ou não; e por fim, veremos que o amor é o cumprimento da Lei.
I – A LEI, SUA TRÍPLICE DIVISÃO E SEU CUMPRIMENTO EM CRISTO
“A Lei de Deus contida no Pentateuco, é a expressão máxima da vontade Divina quanto a condução dos negócios,
interesses e necessidades humanas na família, na sociedade e no Estado. Embora entregue a Israel, a parte ética da Lei de
Deus é aplicável aos demais povos, tendo em vista a sua universalidade e reivindicações eternas (ANDRADE, 2006, p.
252). Segundo Stamps (1995, p, 146) a Lei de Moisés, do hebraico “Torah” que significa “ensino ou instrução” admite
uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx 20.1-17); (b) a
lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (Êx 21.1 – 23.33); e, (c) a lei cerimonial, que trata da
forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (Êx 24.12 – 31.18). Toda esta lei durou
até João Batista (Mt 11.13) e foi cumprida completamente por Cristo (Mt 5.17).
II – A LEI MORAL É IRREVOGÁVEL
As leis morais de Deus são aquelas leis que são baseadas na natureza de Deus. O próprio Deus é o padrão
absoluto de justiça. Visto que as leis morais refletem sua natureza e caráter, elas são “imutáveis e irrevogáveis, mesmo
pelo próprio Deus. Visto que a natureza moral de Deus não muda e não pode mudar (Êx 3.14; Is 41.4; Hb 1.11, 12), as leis
que são baseadas nessa natureza são absolutas. Elas são perfeitas, universalmente obrigatórias, e eternas. A lei moral de
Deus é resumida nos Dez Mandamentos (o Decálogo). O número dez na Escritura indica plenitude ou completude. Assim,
os Dez Mandamentos representam o padrão ético inteiro dado à humanidade por toda a Bíblia. Diante dessa afirmação
nos perguntamos: se os dez mandamentos dados na Antiga Aliança já passaram, vivem então os cristãos sem eles? Podem
tomar o nome de Deus em vão, matar, roubar etc.? Por certo que não, pois que o Novo Testamento proíbe tais pecados
(Êx 20.3; Mt 4.10; Êx 20.4; Lc 16.13; Êx 20.7; Mt 5.34; Êx 20.8; At 15.28,29; Êx 20.12; Mt 10.37; Êx 20.13; Mt 5.22; Êx
20.14; Mt 5.28; Êx 20.15; Mt 5.40; Êx 20.16; Mt 12.36; Êx 20.17; Lc 12.15). Somente a guarda do sábado é que não
encontramos referência no NT para que o cristão guarde (At 15.28,29; Cl 2.16).
III – AS DIFERENÇAS ENTRE A ANTIGA E A NOVA ALIANÇA
O termo pacto ou aliança em hebraico é de berit, e berit karat que significa “fazer (lit. ‘cortar’ ou ‘lapidar’) uma
aliança”. Em grego o termo é diatheke (que pode significar tanto um “pacto” como “último desejo e testamento”), e o
verbo diatithemi (At 3.25; Hb 8.10; 9.16; 10.16). Uma aliança é um acordo feito entre duas ou mais pessoas. A Antiga
Aliança foi feita no deserto do Sinai entre Deus e a nação de Israel (Êx 19; 24). Já a Nova Aliança foi feita por Cristo na
cruz do Calvário entre Deus e a Igreja (Mt 26.28). Vejamos as diferenças entre ambas alianças, a fim de que possamos
entender a superioridade de uma em relação a outra.
ANTIGA ALIANÇA NOVA ALIANÇA
Antiga (Êx 34.27-28) Nova (Jr 31.31-34; Hb 12.24)
Ratificada com sangue de animais (Êx 24.6-8) Ratificada com o sangue do Filho de Deus (Hb 9.14; Lc 22.20)
Mediador: Moisés (II Co 3.7-b) Mediador: Cristo (II Co 3.3-14; Hb 8.6- 9,15)
Alcance: Israel (Êx 24.7,8) Alcance: Povos, tribos, línguas e nações (Mt 26.28; Ap 5.9)
Gravada em pedras (II Co 3.7-a) Escrita no coração (II Co 3.2,3)
Veio em glória (II Co 3.7-a) Tem excelente glória (II Co 3.10)
Ministério da condenação (II Co 3.9) Ministério da justificação (At 13.38,39)
É um jugo de servidão (At 15.10) Traz liberdade (II Co 3.17)
Acaba com morte (II Co 3.6,7) Vivifica (II Co 3.6)
Era transitória (II Co 3.7,11) É permanente (II Co 3.11; Hb 13.20)
IV – A IGREJA DEVE GUARDAR OU NÃO A LEI
A palavra “lei”, nas quatrocentas vezes em que ocorre na Bíblia, nunca se refere apenas ao decálogo como sendo
este a lei moral, nem aos demais preceitos como sendo lei cerimonial. Toda vez que o Novo Testamento fala de lei referese
à lei contida no Pentateuco como um todo. Cristo nos libertou da maldição da lei fazendo-se maldição por nós
(Gl 3.13). Pelo fato de, como cristãos, estarmos libertos da lei, não significa que estamos sem lei, pois estamos debaixo da
lei de Cristo (I Co 9.21).
4.1 Neolegalismo. O legalismo é a “tendência a se reduzir a fé cristã aos aspectos puramente materiais e formais das
observâncias práticas e obrigações eclesiásticas. No Novo Testamento, o legalismo foi introduzido na Igreja Cristã pelos
crentes oriundos do Judaísmo que, interpretando erroneamente o evangelho de Cristo, queriam forçar os gentios a
guardarem a Lei de Moisés afim de serem salvos” (ANDRADE, 2006, p. 251). Os modernos defensores do neolegalismo
procuram enganar os incautos com citação de textos bíblicos isolados, os quais eles torcem em favor de seus pontos de
vista. Mas a Bíblia, inspirada pelo Espírito Santo, constitui um todo em si mesma. “Só podemos aceitar como doutrina
bíblica aquelas que estão respaldadas em todo o contexto bíblico. É errado considerar toda palavra “mandamento” como
uma referência ao Decálogo, e é errado ensinar que Jesus cumpriu na cruz somente os mandamentos “cerimoniais”, ele
cumpriu toda a Lei em si mesmo” (ALMEIDA, 1996, p. 09).
4.2 Antinomismo (contra lei). “Doutrina que assevera não haver mais necessidade de se observar as leis morais do
Antigo Testamento. Alegam os antinomistas que, salvos pela fé em Cristo Jesus, já estamos livres da tutela de Moisés.
Ignoram, porém, serem as ordenanças morais do Antigo Testamento pertencentes ao elenco do direito natural que o
Criador incrustara na alma de Adão. Todo crente piedoso os observa; pois o Cristo não veio ab rogá-los; veio cumpri-los e
sublimá-los” (ANDRADE, 2006, p. 51). Certos grupos libertinos que vieram depois de Paulo, levaram seus ensinamentos
ao extremo. Estes afirmavam que, desde que uma pessoa tivesse fé em Cristo (isto é, cresse nas coisas certas a respeito de
sua divindade e em sua obra realizada para conceder perdão), não importaria se os atos dela fossem bons ou maus. O
próprio Paulo havia previsto este abuso, repudiando-o completamente (Rm 6.1,2).
V – O AMOR É O CUMPRIMENTO DA LEI
A obediência aos mandamentos somente por obediência, trata-se de puro legalismo. O intuito divino é que o
mandamento fosse obedecido por amor. Esse padrão está delineado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento (Dt 6.5;
11.1; Mt 22.37-39; Lc 10.27).
5.1 O amor a motivação certa para a obediência da Lei. Deus esperou de Israel que a Lei entregue por Ele, fosse
obedecida tendo como motivação o amor e não por medo, interesses pessoais ou por obrigação (Dt 6.5; 11.1), embora a
sujeição a Lei tinha como implicações o temor, as bençãos materiais e o compromisso assumido na aliança (Êx 20.20;
24.7; Is 1.19; Dt 28.1-2; Lv 26.15). A palavra motivação diz respeito a intenção, propósito ou objetivo com que se faz as
coisas. Foi justamente nesse ponto que o povo de Israel tropeçou (Is 29.13; Mt 15.8). A mesma motivação se exige dos
cristãos no NT (Jo 14.15,21;23-24; I Jo 5.2).
5.2 O amor é o cumprimento da Lei. Ao ser indagado sobre qual os dois maiores mandamentos da Lei, Jesus respondeu:
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração [...] este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante
a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Como podemos ver, o amor é o cumprimento da Lei
(Mt 22.35-40). Essa mesma perspectiva nos ensinou o apóstolo Paulo (Rm 13.8,10).
5.3 O amor a capacidade para a cumprimento da Lei. No ato da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e
a produzir o fruto do Espírito, que são qualidades morais e espirituais cultivadas na personalidade cristã dentre eles o
amor (Gl 5.22). A Bíblia diz que Deus é amor (Ef 5.2; I Jo 4.8) e ele nos confere o seu amor, pela operação do Espírito na
alma. O amor é a virtude que pré dispõe alguém desejar o bem de outrem. Do grego “ágape”, é o maior de todos os
sentimentos e o fundamento sobre o qual os dons e as as outras virtudes do Espírito Santo estão edificados (I Co 13.1-3).
“O amor é uma planta tenra da qual o Espírito cuida. Se o amor estiver ausente, então é que o Espírito não habita em nós”
Assim sendo, é impossível amar a Deus e odiar a um ser humano. Só ama verdadeiramente aquele que nasceu de Deus,
porquanto o “amor cristão” é uma qualidade eminentemente espiritual. Outrossim, aquele que não ama também não
conhece a Deus (I Jo 4.8), porque Deus é a própria essência do amor, sendo altruísmo puro. Por semelhante modo, não
amar é andar nas trevas (I Jo 2.11)” (CHAMPLIN, 2004, vol. 1, p. 141).
CONCLUSÃO
A Lei não foi concedida a Israel como um fim em si mesma, pois o homem por si só não tem condições de
cumpri-la, fazendo-se necessário ser salvo pela graça independente das obras. Todavia, este homem depois de salvo, passa
a produzir, pelo Espírito a virtude do amor que lhe dá condições de andar nos princípios da Lei.
LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL - 4º TRIMESTRE 2014 (IEAD/PE)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 12.1-4; 7-9,11-13)
INTRODUÇÃO
Em Daniel, capítulos 10-12, o profeta recebe a revelação dos últimos acontecimentos com a nação de Israel. A
nação escolhida fará um acordo de paz por sete anos com o Anticristo - o chifre pequeno (Dn 7.8). Na metade do tempo
proposto, o Anticristo desencadeará uma grande perseguição contra o povo judeu. Todavia, Deus protegerá os fiéis. Nesta
lição destacaremos o cuidado divino com o Israel fiel durante esse período turbulento; veremos informações sobre a
Grande Tribulação; e, ainda pontuaremos como se dará a conversão dos judeus durante a angústia de Jacó.
I – O CUIDADO DIVINO COM ISRAEL DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO
“As profecias de Daniel até 11.35 podem ser com relativa facilidade relacionadas a acontecimentos da história
antiga, os quais lhes deram cumprimento, mas, a partir daí até o final do capítulo 12, não encontramos qualquer
correspondência com a história passada, pois dizem respeito a eventos que ainda estão porvir” (GILBERTO, 2010, p. 62 –
acréscimo nosso). O capítulo 12 do livro de Daniel inicia mostrando que Deus dará proteção ao remanescente judeu:
1.1 Proteção espiritual (Dn 12.1). Deus protegerá o seu povo remanescente através do arcanjo Miguel no período
sombrio da Grande Tribulação. “Este ser angelical é citado nas Escrituras como um anjo guerreiro; seu nome significa:
“Quem é semelhante a Deus?”. Ele é sempre citado em conexão com a guerra (Dn 10.13,21; 12.1; Ap 12.7). Em Dn
10.13,21, ele é apontado como o anjo guardião da nação de Israel (Dn 12.1). Miguel é o chefe, o comandante, o capitão
dos exércitos celestes, em oposição as hostes espirituais das trevas. A expressão o “Arcanjo” designa algum altíssimo
poder angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena; “arcanjo” ou “arca”, como já ficou
demonstrado, sugere um “anjo comandante”, principal e poderoso” (SILVA, 1986, p. 195 – grifo nosso). “Miguel não só
aparece num momento especifico, mas há um tempo em que ele será ativo, um período que coincidirá com a época do
Anticristo (Dn 11.45). Miguel também se levantará quando o Anticristo começar sua carreira (Dn 11.36), ou, mais
provavelmente, no meio da carreira do Anticristo, quando ele volta sua atenção para a terra gloriosa (Dn 11.41). Ele está
pronto para lutar, pois é um momento crítico para Israel. O agente de Satanás, o Anticristo, está prestes a desatar o mais
horrendo genocídio jamais experimentado na história da humanidade” (TOKUNBOH, 2010, p. 1038 – grifo nosso).
1.2 Proteção física (Dn 11.41). Tanto o profeta Daniel como João o escritor do livro do Apocalipse nos mostram que,
durante o tempo da Grande Tribulação haverá uma área demarcada por Deus, diante da face do destruidor, que ele não
terá acesso. Esta área servirá de “refúgio” para o seu povo: o remanescente. “Tanto no Antigo como no Novo Testamento,
esse lugar de “refúgio” tem vários nomes: (a) O lugar preparado por Deus (Ap 12.6); (b) O refúgio (Is 16.4); (c) O quarto
(Is 26.20); e, (d) O isolamento (SI 55.5-8). Na simbologia profética, isso significa “o deserto dos povos” (Ez 20.35). Será,
sem dúvida, o que está depreendido do presente texto: “Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom”. Esses
países serão os únicos a escaparem da influência do Anticristo. Essa região será demarcada por Deus naqueles dias
sombrios da Grande Tribulação e servirá de “refúgio perante a face do destruidor” (Is 16.4). O monte Sião será também
demarcado (Ob v.17; Ap 14.1). Todos esses lugares acima mencionados se transformarão no “deserto de Deus”,
preparado para a “mulher” (o Israel Fiel) durante a época da Grande Angústia (Sl 60.8-12; Is 16.4; 26.20; 64.10; Jr 32.2;
40.11; Ez 20.35; Dn 11.41; Os 2.14; Mt 24.36; Ap 12.6,13-17) (SILVA, 1986, pp. 222,223 – acréscimo e grifo nosso).
II – QUANDO E COMO SERÁ A GRANDE TRIBULAÇÃO
A Bíblia nos diz que o Anticristo aparecerá logo após o Arrebatamento da Igreja (II Ts 2.6). Ele proporá a
algumas nações e a Israel um pacto de sete anos “E ele firmará aliança com muitos por uma semana” (Dn 9.24-a).
Todavia, após o término da primeira fase do seu governo (três anos e meio), o Anticristo irá se voltar contra Israel,
rompendo a aliança de paz que havia feito com os judeus por sete anos e desencadeará uma grande perseguição contra
este povo e sua religião “e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações
virá o assolador, e isso até à consumação [...]” (Dn 9.27-b; cf. Dn 7.25).
2.1 A grande tribulação (Dn 12.1-b). É a “provação a que sera submetida a descendência de Israel durante a Grande
Tribulação. A expressão usada pelo profeta Jeremias nos dá uma ideia desse momento difícil: “Ah! porque aquele dia e
tão grande, que não houve outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; todavia, há de ser livre dela” (Jr 30.7).
Angústia fala de um aperto sem referências, quer na história sagrada, quer na história secular do povo de Deus. É o
sofrimento dos sofrimentos! (ANDRADE, sd, p. 21 – acréscimo e grifo nosso). Em Marcos 13.19, Jesus acrescenta ainda
mais informações. Eis algumas informações sobre este período de tentação que há de vir: (a) durará três anos e meio
(Dn 7.25; Dn 12.1,7; Ap 11.2; 13.5,6); (b) será um tempo de angústia incomparável (Jr 30.7; Dn 12.1; Mc 3.19; Lc
21.25 ) e, (c) alcançará Israel e o mundo gentio (Dn 7.24,25; Ap 3.10).
2.2 Haverá salvação durante este período (Dn 12.1-c). É importante destacar que durante o período sombrio da Grande
Tribulação “muitos judeus e gentios aceitarão a Cristo no período posterior ao Arrebatamento da Igreja, mas serão
martirizados. Em Apocalipse 7.1-8, o apóstolo João foi informado de que 144.000 israelitas, 12.000 de cada uma das
tribos enumeradas, seriam selados por Deus no decorrer da Grande Tribulação. Em Apocalipse 14.1, eles aparecem sobre
o monte Sião. Em Apocalipse 7.9-17, muitos serão martirizados, crentes de todos os países e raças. Estes aparecem
triunfantes, nos céus. Eles serão mortos na Terra, durante a Grande Tribulação, pelo ditador mundial, que exigirá que
todos o adorem sob pena de morte (Ap 13.15)” (WALWOORD, 2002, p. 240 – grifo nosso).
III – A CONVERSÃO DE TODO ISRAEL NO PERÍODO DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Alguns teólogos afirmam que Deus rejeitou para sempre a nação de Israel, que a mesma está debaixo de
maldição, e que a Igreja tomou o lugar de Israel no plano e propósito divinos. Consequentemente, essa APLICAÇÃO
ERRÔNEA de termos, significaria que a nação judaica está eternamente separada de Deus. Jamais poderá voltar a gozar
do favor divino. Mas em Romanos caps. 9 a 11, o apóstolo Paulo claramente revela a restauração da nação e que no plano
de Deus o povo judeu ainda será muito abençoado. Israel será por “cabeça das nações e não por cauda” (Dt 28.13).
3.1 Primeira parte (Israel confessa o pecado). “Naqueles dias, os lideres de Israel por fim reconhecerão o motivo de a
tribulação ter vindo sobre eles, o que deverá ocorrer por intermédio do estudo das Escrituras, da pregação dos 144.000,
das palavras das duas testemunhas. Muito provavelmente, será uma combinação de todos estes fatores, mas os líderes, de
alguma forma, dar-se-ão conta do pecado da nação. Embora, no passado, tenham levado a nação a rejeitar o messiado de
Jesus, agora farão com que a nação o aceite. A regeneração da nação, portanto, virá através da confissão nacional. Então,
toda a nação será salva, cumprindo a profecia de Romanos 11.25-27. “Todo o Israel” significa exatamente isto, ou seja,
todo judeu que estiver vivo naquele momento. Será o terço sobrevivente dos judeus que estavam vivos no inicio da
Grande Tribulação (Zc 13.8-9)” (LAHAYE, 2010, pp. 115,116 – acréscimo e grifo nosso). (Cf. Ez 37.11).
3.2 Segunda parte (Israel clama pelo Messias). “O segundo aspecto que conduz a segunda vinda é a súplica de Israel
pela volta do Messias, a fim de salvar a nação dos exércitos do mundo, os quais tencionam destruí-la e encontram-se
reunidos nas cercanias de Bozra. A intercessão dos judeus é abordada em muitas partes das Escrituras. Zacarias 12.10-
13.1 descreve este evento. O rogo pela volta do Messias não ficará restrito aos judeus de Bozra, mas também se estenderá
aos judeus que ainda estiverem em Jerusalém. Eles confessarão o pecado da nação e orarão pelo retorno de Jesus, para
que os salve das aflições daquele momento. Clamarão por aquEle a quem crucificaram. Este será o resultado do derramar
do Espirito Santo (Zc 12.10), da lamentação de Israel pelo Messias (Zc 12.11-14) e da purificação dos pecados da nação
(Zc 13.1)” (LAHAYE, 2010, p. 116). (Cf. 37.9-14).
IV – A SEGUNDA FASE DA SEGUNDA VINDA DE JESUS PARA IMPLANTAR O SEU REINO
A segunda fase da Segunda Vinda de Cristo é conhecida como a “manifestação gloriosa” (veja Tt 2.13), e é
descrita em detalhes em Apocalipse 19.11-20. “A Bíblia nos mostra que finalmente chegará o “grande dia do Senhor” e
a pedra cairá “nos pés” da estátua (nos dias do Anticristo). Então... “o ferro, o barro, o cobre, a prata, e o ouro, serão
esmiuçados como a pragana das eiras, no estio” (Dn 2.34,35; 8.25; 9.27; 11.45; M t 21.44; 2 Rs 2.8; Ap 19.20.) Todos
sabemos que este império de ferro tem atravessado séculos e até milênios, mas “chegará ao seu fim” como está predito
na “Escritura da Verdade”. Cristo (a grande pedra) como sabemos, não cairá na cabeça (Império Babilônico) da estátua,
nem em seu peito (Império Medo-persa), nem no ventre (Império Grego), nem nas suas pernas (Império Romano)
compreendendo de 754 a.C. a 455 d.C. Todos sabemos que, quando Jesus veio a este mundo como meigo Salvador, não
destruiu o Império Romano, pelo contrário, este poder de ferro o crucificou, e prosperou ainda por cinco séculos. Mas,
como já ficou demonstrado acima, chegará o dia em que a pedra cairá “nos pés” da estátua (no Armagedom), e tudo que
diz respeito a esse sistema político mundial terminará no vale de Armagedom pelo triunfo de Cristo (Ap 19.11-21)”
(SILVA, 1986, p. 226 – acréscimo e grifo nosso).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a nação de Israel pagou um alto preço por ter rejeitado o Jesus, o Messias. Setenta semanas
de anos foram determinadas sobre o povo. Todavia, o povo judeu não foi rejeitado por Deus. Quando o seu povo se sentir
acoado pelo Anticristo e seus exércitos no vale do Armagedom, eles clamarão por livramento e o Cristo a quem eles
haviam crucificado descerá para lhes proporcionar livramento e implantar o Reino Milenial como anunciado pelos santos
profetas.
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL - 4º TRIMESTRE 2014
(Dn 12.1-4; 7-9,11-13)
INTRODUÇÃO
Em Daniel, capítulos 10-12, o profeta recebe a revelação dos últimos acontecimentos com a nação de Israel. A
nação escolhida fará um acordo de paz por sete anos com o Anticristo - o chifre pequeno (Dn 7.8). Na metade do tempo
proposto, o Anticristo desencadeará uma grande perseguição contra o povo judeu. Todavia, Deus protegerá os fiéis. Nesta
lição destacaremos o cuidado divino com o Israel fiel durante esse período turbulento; veremos informações sobre a
Grande Tribulação; e, ainda pontuaremos como se dará a conversão dos judeus durante a angústia de Jacó.
I – O CUIDADO DIVINO COM ISRAEL DURANTE A GRANDE TRIBULAÇÃO
“As profecias de Daniel até 11.35 podem ser com relativa facilidade relacionadas a acontecimentos da história
antiga, os quais lhes deram cumprimento, mas, a partir daí até o final do capítulo 12, não encontramos qualquer
correspondência com a história passada, pois dizem respeito a eventos que ainda estão porvir” (GILBERTO, 2010, p. 62 –
acréscimo nosso). O capítulo 12 do livro de Daniel inicia mostrando que Deus dará proteção ao remanescente judeu:
1.1 Proteção espiritual (Dn 12.1). Deus protegerá o seu povo remanescente através do arcanjo Miguel no período
sombrio da Grande Tribulação. “Este ser angelical é citado nas Escrituras como um anjo guerreiro; seu nome significa:
“Quem é semelhante a Deus?”. Ele é sempre citado em conexão com a guerra (Dn 10.13,21; 12.1; Ap 12.7). Em Dn
10.13,21, ele é apontado como o anjo guardião da nação de Israel (Dn 12.1). Miguel é o chefe, o comandante, o capitão
dos exércitos celestes, em oposição as hostes espirituais das trevas. A expressão o “Arcanjo” designa algum altíssimo
poder angelical, dotado de autoridade sobre larga área, celestial ou terrena; “arcanjo” ou “arca”, como já ficou
demonstrado, sugere um “anjo comandante”, principal e poderoso” (SILVA, 1986, p. 195 – grifo nosso). “Miguel não só
aparece num momento especifico, mas há um tempo em que ele será ativo, um período que coincidirá com a época do
Anticristo (Dn 11.45). Miguel também se levantará quando o Anticristo começar sua carreira (Dn 11.36), ou, mais
provavelmente, no meio da carreira do Anticristo, quando ele volta sua atenção para a terra gloriosa (Dn 11.41). Ele está
pronto para lutar, pois é um momento crítico para Israel. O agente de Satanás, o Anticristo, está prestes a desatar o mais
horrendo genocídio jamais experimentado na história da humanidade” (TOKUNBOH, 2010, p. 1038 – grifo nosso).
1.2 Proteção física (Dn 11.41). Tanto o profeta Daniel como João o escritor do livro do Apocalipse nos mostram que,
durante o tempo da Grande Tribulação haverá uma área demarcada por Deus, diante da face do destruidor, que ele não
terá acesso. Esta área servirá de “refúgio” para o seu povo: o remanescente. “Tanto no Antigo como no Novo Testamento,
esse lugar de “refúgio” tem vários nomes: (a) O lugar preparado por Deus (Ap 12.6); (b) O refúgio (Is 16.4); (c) O quarto
(Is 26.20); e, (d) O isolamento (SI 55.5-8). Na simbologia profética, isso significa “o deserto dos povos” (Ez 20.35). Será,
sem dúvida, o que está depreendido do presente texto: “Edom e Moabe, e as primícias dos filhos de Amom”. Esses
países serão os únicos a escaparem da influência do Anticristo. Essa região será demarcada por Deus naqueles dias
sombrios da Grande Tribulação e servirá de “refúgio perante a face do destruidor” (Is 16.4). O monte Sião será também
demarcado (Ob v.17; Ap 14.1). Todos esses lugares acima mencionados se transformarão no “deserto de Deus”,
preparado para a “mulher” (o Israel Fiel) durante a época da Grande Angústia (Sl 60.8-12; Is 16.4; 26.20; 64.10; Jr 32.2;
40.11; Ez 20.35; Dn 11.41; Os 2.14; Mt 24.36; Ap 12.6,13-17) (SILVA, 1986, pp. 222,223 – acréscimo e grifo nosso).
II – QUANDO E COMO SERÁ A GRANDE TRIBULAÇÃO
A Bíblia nos diz que o Anticristo aparecerá logo após o Arrebatamento da Igreja (II Ts 2.6). Ele proporá a
algumas nações e a Israel um pacto de sete anos “E ele firmará aliança com muitos por uma semana” (Dn 9.24-a).
Todavia, após o término da primeira fase do seu governo (três anos e meio), o Anticristo irá se voltar contra Israel,
rompendo a aliança de paz que havia feito com os judeus por sete anos e desencadeará uma grande perseguição contra
este povo e sua religião “e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações
virá o assolador, e isso até à consumação [...]” (Dn 9.27-b; cf. Dn 7.25).
2.1 A grande tribulação (Dn 12.1-b). É a “provação a que sera submetida a descendência de Israel durante a Grande
Tribulação. A expressão usada pelo profeta Jeremias nos dá uma ideia desse momento difícil: “Ah! porque aquele dia e
tão grande, que não houve outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; todavia, há de ser livre dela” (Jr 30.7).
Angústia fala de um aperto sem referências, quer na história sagrada, quer na história secular do povo de Deus. É o
sofrimento dos sofrimentos! (ANDRADE, sd, p. 21 – acréscimo e grifo nosso). Em Marcos 13.19, Jesus acrescenta ainda
mais informações. Eis algumas informações sobre este período de tentação que há de vir: (a) durará três anos e meio
(Dn 7.25; Dn 12.1,7; Ap 11.2; 13.5,6); (b) será um tempo de angústia incomparável (Jr 30.7; Dn 12.1; Mc 3.19; Lc
21.25 ) e, (c) alcançará Israel e o mundo gentio (Dn 7.24,25; Ap 3.10).
2.2 Haverá salvação durante este período (Dn 12.1-c). É importante destacar que durante o período sombrio da Grande
Tribulação “muitos judeus e gentios aceitarão a Cristo no período posterior ao Arrebatamento da Igreja, mas serão
martirizados. Em Apocalipse 7.1-8, o apóstolo João foi informado de que 144.000 israelitas, 12.000 de cada uma das
tribos enumeradas, seriam selados por Deus no decorrer da Grande Tribulação. Em Apocalipse 14.1, eles aparecem sobre
o monte Sião. Em Apocalipse 7.9-17, muitos serão martirizados, crentes de todos os países e raças. Estes aparecem
triunfantes, nos céus. Eles serão mortos na Terra, durante a Grande Tribulação, pelo ditador mundial, que exigirá que
todos o adorem sob pena de morte (Ap 13.15)” (WALWOORD, 2002, p. 240 – grifo nosso).
III – A CONVERSÃO DE TODO ISRAEL NO PERÍODO DA GRANDE TRIBULAÇÃO
Alguns teólogos afirmam que Deus rejeitou para sempre a nação de Israel, que a mesma está debaixo de
maldição, e que a Igreja tomou o lugar de Israel no plano e propósito divinos. Consequentemente, essa APLICAÇÃO
ERRÔNEA de termos, significaria que a nação judaica está eternamente separada de Deus. Jamais poderá voltar a gozar
do favor divino. Mas em Romanos caps. 9 a 11, o apóstolo Paulo claramente revela a restauração da nação e que no plano
de Deus o povo judeu ainda será muito abençoado. Israel será por “cabeça das nações e não por cauda” (Dt 28.13).
3.1 Primeira parte (Israel confessa o pecado). “Naqueles dias, os lideres de Israel por fim reconhecerão o motivo de a
tribulação ter vindo sobre eles, o que deverá ocorrer por intermédio do estudo das Escrituras, da pregação dos 144.000,
das palavras das duas testemunhas. Muito provavelmente, será uma combinação de todos estes fatores, mas os líderes, de
alguma forma, dar-se-ão conta do pecado da nação. Embora, no passado, tenham levado a nação a rejeitar o messiado de
Jesus, agora farão com que a nação o aceite. A regeneração da nação, portanto, virá através da confissão nacional. Então,
toda a nação será salva, cumprindo a profecia de Romanos 11.25-27. “Todo o Israel” significa exatamente isto, ou seja,
todo judeu que estiver vivo naquele momento. Será o terço sobrevivente dos judeus que estavam vivos no inicio da
Grande Tribulação (Zc 13.8-9)” (LAHAYE, 2010, pp. 115,116 – acréscimo e grifo nosso). (Cf. Ez 37.11).
3.2 Segunda parte (Israel clama pelo Messias). “O segundo aspecto que conduz a segunda vinda é a súplica de Israel
pela volta do Messias, a fim de salvar a nação dos exércitos do mundo, os quais tencionam destruí-la e encontram-se
reunidos nas cercanias de Bozra. A intercessão dos judeus é abordada em muitas partes das Escrituras. Zacarias 12.10-
13.1 descreve este evento. O rogo pela volta do Messias não ficará restrito aos judeus de Bozra, mas também se estenderá
aos judeus que ainda estiverem em Jerusalém. Eles confessarão o pecado da nação e orarão pelo retorno de Jesus, para
que os salve das aflições daquele momento. Clamarão por aquEle a quem crucificaram. Este será o resultado do derramar
do Espirito Santo (Zc 12.10), da lamentação de Israel pelo Messias (Zc 12.11-14) e da purificação dos pecados da nação
(Zc 13.1)” (LAHAYE, 2010, p. 116). (Cf. 37.9-14).
IV – A SEGUNDA FASE DA SEGUNDA VINDA DE JESUS PARA IMPLANTAR O SEU REINO
A segunda fase da Segunda Vinda de Cristo é conhecida como a “manifestação gloriosa” (veja Tt 2.13), e é
descrita em detalhes em Apocalipse 19.11-20. “A Bíblia nos mostra que finalmente chegará o “grande dia do Senhor” e
a pedra cairá “nos pés” da estátua (nos dias do Anticristo). Então... “o ferro, o barro, o cobre, a prata, e o ouro, serão
esmiuçados como a pragana das eiras, no estio” (Dn 2.34,35; 8.25; 9.27; 11.45; M t 21.44; 2 Rs 2.8; Ap 19.20.) Todos
sabemos que este império de ferro tem atravessado séculos e até milênios, mas “chegará ao seu fim” como está predito
na “Escritura da Verdade”. Cristo (a grande pedra) como sabemos, não cairá na cabeça (Império Babilônico) da estátua,
nem em seu peito (Império Medo-persa), nem no ventre (Império Grego), nem nas suas pernas (Império Romano)
compreendendo de 754 a.C. a 455 d.C. Todos sabemos que, quando Jesus veio a este mundo como meigo Salvador, não
destruiu o Império Romano, pelo contrário, este poder de ferro o crucificou, e prosperou ainda por cinco séculos. Mas,
como já ficou demonstrado acima, chegará o dia em que a pedra cairá “nos pés” da estátua (no Armagedom), e tudo que
diz respeito a esse sistema político mundial terminará no vale de Armagedom pelo triunfo de Cristo (Ap 19.11-21)”
(SILVA, 1986, p. 226 – acréscimo e grifo nosso).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a nação de Israel pagou um alto preço por ter rejeitado o Jesus, o Messias. Setenta semanas
de anos foram determinadas sobre o povo. Todavia, o povo judeu não foi rejeitado por Deus. Quando o seu povo se sentir
acoado pelo Anticristo e seus exércitos no vale do Armagedom, eles clamarão por livramento e o Cristo a quem eles
haviam crucificado descerá para lhes proporcionar livramento e implantar o Reino Milenial como anunciado pelos santos
profetas.
LIÇÃO 13 – O TEMPO DA PROFECIA DE DANIEL - 4° TRIMESTRE 2014 (Francisco A. Barbosa)
4º Trimestre de 2014
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Lição 13
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28 de Dezembro de 2014
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Lição 13: O tempo da profecia de Daniel
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TEXTO ÁUREO
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“Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição” (2Ts 2.3). [homem do pecado: - “homem da injustiça” em alguns manuscritos. É chamado de anticristo nas cartas de João.]
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VERDADE PRÁTICA
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O tempo do fim é a ocasião em que Deus fará com que o seu Reino triunfe sobre todos os poderes do mal.
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HINOS SUGERIDOS
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2, 334, 432.
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LEITURA DIÁRIA
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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Daniel 12.1-4,7-9,11-13.
1 - E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo, e haverá um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, livrar-se-á o teu povo, todo aquele que se achar escrito no livro.
2 - E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno.
3 - Os sábios, pois, resplandecerão como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas, sempre e eternamente.
4 - E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará.
7 - E ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a sua mão direita e a sua mão esquerda ao céu e jurou, por aquele que vive eternamente, que depois de um tempo, de tempos e metade de um tempo, e quando tiverem acabado de destruir o poder do povo santo, todas essas coisas serão cumpridas.
8 - Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso, eu disse: Senhor meu, qual será o fim dessas coisas?
9 - E ele disse: Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim.
11 - E, desde o tempo em que o contínuo sacrifício for tirado e posta a abominação desoladora, haverá mil duzentos e noventa dias.
12 - Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias.
13 - Tu, porém, vai até ao fim; porque repousarás e estarás na tua sorte, no fim dos dias.
OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Compreender o tempo do cumprimento da profecia entregue a Daniel.
- Explicar a doutrina da ressurreição do corpo na Bíblia.
- Reconhecer a nossa limitação e finitude como seres humanos.
PALAVRA CHAVE
Ressurreição: Ato ou efeito de ressurgir ou ressuscitar; retorno da morte à vida.
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COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Chegamos ao fim de mais um trimestre e bem como ao de mais um ano. Os meus votos são de que ao longo deste trimestre você tenha crescido no conhecimento e na graça de nosso Senhor! Que a esperança da iminente volta de Jesus possa inflamar o seu coração! Na lição desta semana estudaremos o capítulo 12 do livro de Daniel. Nele, não encontramos nenhum aspecto profético em relação às histórias das nações, como encontramos até o capítulo 11.35, excetuando Daniel 9.27. Mas veremos os seguintes temas mencionados no último capítulo de Daniel: O tempo da profecia, a ressurreição dos mortos, a recompensa dos justos e o castigo eterno dos ímpios. Bons estudos! [Comentário:Chegamos ao fim do último trimestre de 2014. Tivemos uma revista difícil, mas cativante. Hoje, estamos no capítulo 12, uma seqüência cronológica do capítulo 11, O anjo ainda está revelando a Daniel uma brilhante descrição do tempo do fim. Segundo a interpretação dispensacionalista, os últimos três anos e meio da septuagésima semana de Daniel (Mt 24.21-28). Daniel profetiza um tempo de angústia para Israel em cumprimento a Jr 30.7 (Ap 6.17), todavia o propósito de Deus é livrar os que pertencem ao seu povo, cujos nomes estão escritos "no livro" (Fp 4.3; Ap 3.5; 21.27). Esses colocaram sua fé, em definitivo, em Jesus como seu Messias, Salvador e Senhor. Como escreve o Rev. Hernandes Dias Lopes, “Deus levanta a ponta do véu e revela o fim da história com nuanças gloriosas”.]Convido você para mergulharmos mais fundo nas Escrituras!
I. O TEMPO DA PROFECIA (Dn 12.1)
1. Qual é o tempo? (v.1). A expressão “naquele tempo” se refere ao período da Grande Tribulação. Quando o Anticristo liderará o mundo política e belicamente. Será um período de brutal e sangrenta perseguição contra os judeus e tantos quantos estiverem a favor de Israel (Dn 11.35,40). Em suas terras, o povo judeu sofreu muitas invasões de inimigos. Porém, nem as piores incursões contra Israel, como as da Babilônia e os horrores do holocausto nos dias de Hitler (1939-1945), podem se comparar com o “tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo” (v.1). A proporção deste conflito ultrapassará qualquer outro momento da história da civilização (Mt 24.21,22; cf. Jr 30.5-7). [Comentário: Haverá um tempo de angústia (1). O reino do Anticristo está em toda parte nas Escrituras retratado como uma crise do mal. As palavras de Gabriel sucintamente o descrevem como um tempo “quando a rebelião dos ímpios tiver chegado ao máximo” (8.23, NVI). Um tema recorrente nas Escrituras é o ensino que um tempo de grande angústia será o clímax da era da rebeldia do homem contra Deus e conduzirá ao ponto culminante do Reino de DEUS. Jeremias se refere ao “tempo da angústia para Jacó” (Jr 30.7). Jesus em seu discurso descreve esse tempo de angústia como “dias de vingança” (Lc 21.22) e “grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo [...] nem tampouco haverá jamais” (Mt 24.21; Mc 13.19-20). A interpretação futurista considera uma boa parte do livro de Apocalipse um retrato desse período, especialmente os capítulos 6—19. Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 543.]
2. A libertação de Israel. No livro de Daniel, o arcanjo Miguel, príncipe de Deus, entrou em batalha contra as forças do mal a fim de que o anjo Gabriel levasse a mensagem ao profeta. Miguel é o guardião de Israel contra as potestades satânicas, identificadas como “reis e príncipes da Pérsia e da Grécia”. Estes criavam obstáculos aos desígnios divinos. No capítulo doze, para proteger o povo de Deus, Miguel entrou mais uma vez em batalha contra as forças opositoras de Satanás. Aqui, há uma relação escatológica com a passagem de Apocalipse 12.7-9, isto é, a batalha de Miguel com o Dragão e os seus anjos. Segundo a visão do apóstolo João, no meio desta batalha havia uma mulher vestida com o sol, a lua sob os pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça (Ap 12.1). Esta visão não é a respeito da Igreja, mas de Israel, que receberá de Deus uma intervenção através do arcanjo Miguel (Ap 12.7,8). [Comentário: Mas a Grande Tribulação traz consigo muito mais do que o clímax do mal; ela introduz o triunfo de Deus. Um dos aspectos importantes que o livro de Daniel ensina é que os poderes do mundo celestial estão profundamente interessados e engajados nos afazeres dos homens na terra. E, naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta pelos filhos do teu povo. Esse é o arcanjo de 10.13. Vemos o clímax dramático em Apocalipse 12.7-8: “E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão; e batalhavam o dragão e os seus anjos, mas não prevaleceram”. Fica claro que o povo de Israel está envolvido no clímax da história. Seguidas vezes encontramos em Daniel as seguintes expressões: o teu povo ou os filhos do teu povo. Ao mesmo tempo é necessário guardar uma perspectiva. Deus tem uma preocupação com toda a humanidade. Os eventos que marcam o clímax das eras são cósmicos; seu impacto é internacional e mundial. A Palestina é, sem dúvida, um estágio da ação divina. Mas toda a terra e os céus constituem a cena da operação final de Deus nessa era. O ponto para o qual a história está se movendo é a culminação do Reino de Deus. Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 543.]
3. Os anjos no mundo hoje. O mundo espiritual é real e muitas vezes não o percebemos. Os anjos são espíritos ministradores em favor não só da nação de Israel, mas especialmente da Igreja de Cristo. Eles não recebem adoração de homens e nem podem interferir na vida espiritual dos filhos de Deus sem a expressa ordem do Pai. Portanto, não sejamos meninos nem infantis neste assunto (Cl 2.18; Gl 1.8). Os anjos de Deus terão uma participação especial antes e após o arrebatamento da Igreja e nas circunstâncias que envolverão Israel e o resto do mundo na Grande Tribulação (1Ts 4.13-17; Ap 12.1-9). [Comentário: O teólogo Americano, fundador do Seminário Teológico de Dallas, Lewis Sperry Chafer, escreve em sua obra Teologia Sistemática (Editora Hagnos): O serviço fiel dos anjos para a raça humana não pode ser explicado com base no próprio amor deles pela humanidade. Eles estão interessados naquilo que diz respeito ao Deus deles. Ele deu o seu Filho para morrer por uma raça perdida de homens, eles o seguem tanto quanto possível e ao menos prestam um serviço imediato, por amor dEle, onde lhes é designado. Não é imaginação, mas realidade, que os anjos são servos dos homens em milhares de maneiras. Nenhuma verdade é mais estabelecida na Escritura do que aquela que é afirmada em Hebreus 1.14: "Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" Com respeito aos ministérios específicos dos anjos na terra e em favor da raça humana — especialmente os santos — os detalhes formam um campo muito extenso de investigação que não pode ser empreendido aqui. Embora os anjos estivessem presentes na criação, nenhuma referência é feita aos ministérios deles na terra até o tempo de Abraão. Na companhia do Senhor, eles visitaram o patriarca nos carvalhais de Manre (Gn 18.1,2), e dali partiram para libertar Ló. Os anjos apareceram a Jacó e eram familiares a Moisés. Está escrito que a Lei "foi promulgada por meio de anjos" (Gl 3.19), e foi administrada por "ministério de anjos" (At 7.53). O cuidado que eles têm pelo povo eleito de Deus é afirmado em ambos os testamentos. No Salmo 91.11,12 está escrito: "Porque a seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra"; e em Hebreus 1.14: "Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" È um anjo que permanece com os três homens na fornalha de fogo (Dn 3.25), e com Daniel na cova dos leões (Dn 6.22). Em seu segundo advento, "mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt 13.41,42; cf. v. 30). Também é dito que Cristo "enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus" (Mt 24.31). A presença dos anjos nas cenas do segundo advento é enfatizada geralmente. Está escrito: "Porque o Filho do homem há de vir na glória do seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras" (Mt 16.27). "E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus; mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus" (Lc 12.8, 9). A estes deve ser acrescentado Judas 14, contexto a que as palavras milhares de santos são melhor traduzidas como santas miríades, e podem se referir a anjos. Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Editora Hagnos. Vol I-II. pag. 444-445.]
SINOPSE DO TÓPICO (1)
O capítulo doze de Daniel mostra dois mundos: o material (libertação de Israel) e o espiritual (atuação dos anjos). Deus intervindo na criação.
II. RESSURREIÇÃO E VIDA ETERNA (Dn 12.2-4)
1. Ressurreição. Quando lemos o Antigo Testamento temos a impressão de não vermos a doutrina da ressurreição dos mortos com clareza, principalmente nos livros da Lei, o Pentateuco. Entretanto, aqui, Daniel não nos deixa dúvidas quanto à veracidade desta gloriosa doutrina: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” (v.2). [Comentário: A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal (Editora CPAD) traz o seguinte comentário: “Esta é uma clara referência à ressurreição dos justos e dos ímpios, embora o destino eterno de cada grupo seja bem diferente. Até esta época, não era comum ensinar sobre a ressurreição, apesar de todos os israelitas crerem que um dia seriam incluídos na restauração do novo Reino. Esta referência à ressurreição física dos salvos e dos perdidos foi uma renúncia severa da crença comum (ver também Jó 19.25,26; Si 16.10; e Is 26.19 para outras referências sobre a ressurreição no AT)”. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1112. O teólogo e filósofo Americano Russell Norman Champlin em sua obra Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia (Editora Hagnos), escreve o seguinte: As declarações que têm sido extraídas do Pentateuco, apesar de darem a entender um «após-vida», são extremamente duvidosas como evidências da crença na ressurreição, dentro dos livros de Moisés. O trecho de Êx 3.6,16 é usado pelo Senhor Jesus, nas citações, a fim de provar o fato de que os antigos patriarcas continuavam vivendo, mas isso, por si mesmo, dificilmente poderia servir de prova da ressurreição no livro de Êxodo, ainda que possa mostrar que o judaísmo posterior veio a encarar tais passagens desse modo. Sabemos, de fato, que assim aconteceu (Mc 12.18). O rabino Simai argumenta em prol da ressurreição com base em Êx 6.3,4 (a promessa de que a Terra Prometida seria dada aos patriarcas), mas isso provavelmente foi compreendido pelos próprios patriarcas como uma promessa referente aos seus descendentes. A exclamação de Jacó: «A tua salvação espero, ó Senhor! (Gn 49.18), bem como O desejo expresso por Balaio: «Que eu morra a morte dos justos, e o meu fim seja como o dele» (Nm 23.10), apesar de indicarem alguma crença no «após-vida», dificilmente podem ser considerados como uma afirmação da ressurreição naquele período tão remoto. Naturalmente, a famosa passagem da ressurreição, em Jó 19.23-27, é uma declaração expressa dessa crença; e o livro de Jó é o mais antigo volume da coletânea do Velho Testamento. Porém, essa doutrina não se tomou tradicional na fé judaica senão depois que já estava escrito o Pentateuco. Pela época em que foi registrada a história dos reis (I e II Reis), essa doutrina já deveria estar bem estabelecida em Israel, porquanto os Salmos certamente contêm tal pensamento (Sl 17.15), e a literatura daquele período registra várias ressurreições contemporâneas (1Rs 17.17,24; 2Rs 4.18-37; 13.20-25). Nos livros proféticos, a passagem de Is 26.16-19 provavelmente é a passagem isolada mais importante de todo o Antigo Testamento, acerca da ressurreição. A passagem de Ez 37.1-14, apesar de provavelmente ter por - referência primária – a restauração da nação de Israel, igualmente ensina a doutrina da ressurreição, No trecho de Dn 12.2 essa doutrina se faz perfeitamente clara. A igreja cristã primitiva se utiliza dos trechos de Jr 18.3-6 e Sl 88.10 como textos de prova da doutrina da ressurreição (Sl 16.9 mui provavelmente prediz especificamente a ressurreição de Cristo). E o trecho de Os 6.2 é outra profecia acerca da ressurreição de Cristo, ao passo que Os 13.14 fala sobre a ressurreição em geral. A crença na ressurreição foi-se tornando cada vez mais comum após os exílios, sobretudo no período dos Macabeus. E, pelo tempo em que nasceu Jesus Cristo, era uma crença praticamente universal na Palestina e no judaísmo em geral. Os fariseus eram os grandes defensores dessa doutrina, e a isso haviam acrescentado a crença na sobrevivência da alma, nos anjos, nos espíritos e na existência de um mundo sobrenatural. A grande exceção no judaísmo era a tradição dos saduceus. Os saduceus se ufanavam de sua "pureza doutrinária», rejeitando aquilo que reputavam meros mitos. Esses consideravam o Pentateuco como seu «cânon» das Escrituras. Por essa mesma razão rejeitavam eles a ressurreição, a sobrevivência da alma, a existência dos espíritos, etc., porquanto essas doutrinas não são claramente ensinadas no Pentateuco, apesar de haver ali alguns indícios das mesmas (Josefo, Antiq, 18.1.4, onde vemos que os saduceus chegavam até a negar a imortalidade da alma, quanto mais a realidade da ressurreição).CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 675-676.]
2. As duas ressurreições. O texto de Daniel, versículo 1, nos informa um livro onde constam os nomes dos santos a ressuscitar para a vida eterna e dos ímpios para a vergonha e o desprezo eterno. Entretanto, o versículo 2 não se refere a uma ressurreição geral, isto é, de todos os que já dormem. O texto diz apenas “muitos dos que dormem”. Esta expressão pode se referir aos “mártires da grande tribulação que ressuscitarão” (Ap 7.14,15). O texto sugere também o advento das duas ressurreições conforme vemos no Apocalipse (20.12,13). A primeira ressurreição refere-se aos justos e a segunda, após o Milênio, aos ímpios (Jo 5.29; Mt 25.46; cf. Dn 12.2; Jo 5.28,29; 1Co 15.51,52).[Comentário: Estas duas ressurreições são mais explicadas em Ap 20.4-15. A primeira ressurreição acontece antes do milênio, e a segunda, após o milênio, precisamente antes do julgamento do grande trono branco. Antônio Neves de Mesquita escreve em sua obra Livro de Daniel (Editora JUERP): “Haverá uma ressurreição, que se considera paralela à que terá lugar na segunda volta do Senhor, mas esta será só e unicamente da Igreja. A ressurreição aqui prognosticada será dos convertidos durante a Grande Tribulação, que irão ajuntar-se à Igreja, mas não farão parte dela. O texto parece indicar uma ressurreição geral, de bons e maus. Possivelmente os mortos incrédulos durante a Tribulação também serão ressuscitados, pois a segunda ressurreição só terá lugar depois do Milênio, conforme Apocalipse 20.11-15. Estes incrédulos ressuscitados aparecerão com vergonha e nojo, pois poderiam ter-se convertido como tantos outros, e não o fizeram. Pelo visto, estamos, então, lidando com assuntos referentes à Segunda Vinda do Senhor, pelo que, portanto, este capítulo representa o fecho da grande revelação de Jesus Cristo ao seu povo”. Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Daniel. Editora JUERP.]
3. “A ciência se multiplicará” (v.4). Muitos pensam que esta expressão é uma profecia sobre os avanços do conhecimento científico e da tecnologia. Todavia, precisamos compreender a completude desse versículo. Estamos diante de um texto que menciona uma ordem expressa de Deus para Daniel: guardar a revelação até o tempo do seu cabal cumprimento. O Senhor ainda diz a Daniel que “muitos correrão de uma parte para outra”, em busca da verdade. Entretanto, “a ciência se multiplicará”. O sentido da palavra “ciência”, no texto de Daniel, tem a ver com o saber das coisas, “ser ou estar informado” ou “ter conhecimentos específicos sobre algo”. Por isso, a multiplicação da ciência refere-se ao aumento do conhecimento sobre o conteúdo expresso da profecia de Daniel, não tendo relação alguma com o avanço da ciência formal. Louvado seja Deus! pelos muitos estudiosos que vêm se debruçando sobre estas profecias. Compreendendo o seu contexto histórico e cultural, evitando falsos alardes e preservando a gloriosa esperança de que a profecia de Daniel um dia se cumprirá fielmente: Veremos o advento da plenitude do Reino de Deus no mundo! [Comentário:Características dos últimos dias (12.4). A mensagem final do glorioso Mensageiro a Daniel foi: fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo (4). Que as palavras foram fechadas e o livro está selado fica evidente pela imensa confusão que tem caracterizado a interpretação desse livro nesses mais de dois milênios. Adam Clarke escreve: “A profecia não será entendida até que seja cumprida. Então, a profundidade da sabedoria e da providência de Deus sobre essas questões será claramente percebida”. Mas, fechar o livro não significa o fim das coisas. Haverá um tempo de intensa atividade na área de transporte, educação e comunicação. Então, esses acontecimentos do fim compelirão os sábios a procurar uma sabedoria mais profunda acerca da revelação deste livro. Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 544.]
SINOPSE DO TÓPICO (2)
Os justos e os injustos que foram mortos serão ressuscitados para estar diante do Senhor.
III. A PROFECIA FOI SELADA (Dn 12.8-11)
1. A profecia está selada. Daniel recebeu a ordem de “fechar” e “selar” o livro da profecia sobre a história do mundo (v.4). O ato de selar o livro, à época do profeta Daniel, dava a garantia da veracidade ao que havia sido lhe revelado. Não tinha mais segredos e nada mais estava escondido que Deus não houvesse trazido à luz. O selo do livro assegurava que a revelação era dada por Deus. A profecia quando dada pelo Senhor, como no livro de Daniel e de todos os santos profetas, não é uma palavra impenetrável, fechada ou restrita a poucas pessoas que se acham “capazes”. Não! A palavra de Deus é a revelação divina para todos os homens. Não foi somente para a nação de Israel, mas a todos quantos temerem a Deus e porfiarem por compreender os desígnios do Senhor para o mundo.[Comentário: Para autenticar um documento e certificá-lo de sua integridade, um rei ou oficial o lacrava com uma aplicação de argila ou cera e estampava essa aplicação com a impressão de seu selo. O documento então carregava a autoridade dessa pessoa e não podia ser aberto sem que o lacre fosse quebrado. As profecias de Daniel eram seladas, simbolicamente (Dn 12.9), indicando sua autoridade e imutabilidade, até que fossem cumpridos. Em Apocalipse 5.1-10, um selo de julgamento é quebrado, indicando que o cumprimento do que está escrito se fez. Russel Norman Champlin, em sua obra já citada anteriormente, afirma o seguinte: “Foi o arcanjo Miguel (provavelmente; ver o vs. 1) quem ordenou que o livro fosse encerrado. Aconteceriam muitas coisas que não seriam reveladas a Daniel, e muitas das coisas reveladas seriam entendidas apenas parcialmente. No fim dos tempos, quando as coisas começarem a acontecer, o selo será retirado do livro, que só então será compreendido por completo. Tradicionalmente, a profecia é mais bem compreendida quando começam a acontecer os eventos preditos, os quais atuam como intérpretes do que havia sido predito. “O anjo ordenou ao vidente que ocultasse as profecias até que o tempo estivesse maduro para elas serem desvendadas... Essas profecias seriam colocadas à disposição dos fiéis, para que eles entendessem a significação dos eventos em meio aos quais estariam vivendo (Ap 22.10)”. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3429.]
2. O “tempo do Fim”. “Qual será o fim dessas coisas?” Foi a pergunta de Daniel. Note a resposta do homem vestido de linho ao profeta: “Vai, Daniel, porque estas palavras estão fechadas e seladas até ao tempo do fim” (v.9). O profeta foi orientado pelo homem vestido de linho a prosseguir a sua peregrinação existencial porque a profecia já fora “fechada” e “selada”. E Daniel tinha de viver a vida sem a informação requerida. [Comentário: Alexander Maclaren sugere uma Mensagem para o Ano Novo com os seguintes pensamentos do versículo 13:1) A Jornada — Vai (“siga o seu caminho”, NVI). 2) O Lugar de Descanso do Peregrino — porque descansarás. 3) O Lar Final — estarás na tua sorte, no fim dos dias. Daniel recebeu a clara confirmação da sua esperança em relação à imortalidade. Séculos, e até milênios, passariam antes do seu cumprimento integral. Mas no fim dos dias, quando a consumação chegar, Daniel estará lá reunido com as multidões dos remidos da terra e do céu. Então ele será, não um espectador de visões, mas um participante dos tremendos acontecimentos na introdução da plena glória do Reino de Deus. No arrebatamento ele observará a glória, a sabedoria e a honra Daquele que desde o princípio determinou o cumprimento da história do Reino de Deus. Ele participará do grande “Aleluia” dos redimidos. Então os “reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo. E ele reinará para todo o sempre” (Ap 11.15). Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 545.]
3. Humildade e finitude. Uma declaração de Daniel chama-nos atenção: “Eu, pois, ouvi, mas não entendi” (v.8). Após o homem vestido de linho afirmar que depois “de tempos e metade de um tempo” e “quando tiverem acabado de destruir o poder do povo santo” virá o fim; Daniel o ouviu, mas não o compreendeu! O profeta havia recebido a visão de Deus, todavia, não a entenderia. Aqui, Daniel demonstrou a sua humildade e reconheceu a sua finitude! Não devemos sentir-nos inferiores a outras pessoas quando não entendermos um assunto bíblico. O que não devemos é inventar teorias que contrariam as Escrituras. E para isso é preciso entender o que a Bíblia diz.
As palavras de Daniel são uma grande advertência para quem lida com as profecias e a interpretação da Bíblia em geral. Atentemos para as palavras de Jesus quando foi indagado pelos discípulos a respeito da restauração do reino a Israel: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (At 1.7). [Comentário:Nós nos deparamos com uma situação semelhante no Apocalipse: às vezes a menção de três dias e meio representa três anos e meio, às vezes representa quarenta e dois meses, e às vezes 1260 dias. Agora observe, em relação a essa determinação do tempo: [1] Ela foi confirmada por um juramento. O homem vestido de linho levantou ambas as mãos ao céu, e jurou por Aquele que vive eternamente que isso deveria ser assim. Assim o anjo poderoso que João viu é introduzido, com uma clara referência a essa visão, estando com o seu pé direito sobre o mar e o seu pé esquerdo sobre a terra, e com a sua mão levantada ao céu, jurando que não haverá mais demora (Ap 10.5,6). Esse Poderoso que Daniel viu estava de pé com ambos os pés sobre a água, e jurou com ambas as mãos levantadas. Observe que um juramento serve para confirmação. Devemos sempre falar a verdade diante de Deus, porque Ele é o Juiz adequado a quem devemos apelar. Levantar a mão é um sinal muito adequado e significativo para ser usado em um juramento solene. Deus permitirá que ele prevaleça até que tenha cumprido a destruição do poder do povo santo. Deus permitirá que ele faça o seu pior, e chegue ao seu extremo, e então todas essas coisas estarão terminadas. Observe que o tempo de Deus para socorrer e aliviar o seu povo é quando seus assuntos são trazidos à situação mais extrema. No monte do Senhor Isaque foi salvo exatamente quando estava pronto a ser sacrificado. Pois bem, o evento atendeu a predição. O ministério público de Cristo durou três anos e meio, um período em que Ele suportou a oposição dos pecadores contra si, e viveu em pobreza e dificuldades. E então, quando o seu poder parecia ter sido destruído com a sua morte, e os seus inimigos triunfavam sobre Ele, chegou o momento em que Ele obteve a vitória mais gloriosa, e disse: Está consumado. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 904-905.]
SINOPSE DO TÓPICO (3)
A profecia está selada. Devemos reconhecer a nossa limitação e finitude quanto àquilo que não sabemos.
CONCLUSÃO
Neste trimestre estudamos o livro de Daniel. Vimos como a soberania de Deus age na história. Aprendemos sobre a importância de mantermos um caráter íntegro na presença de Deus e diante dos homens. Vivendo à luz da esperança do arrebatamento da Igreja, é urgente vigiar, orar e dedicar-nos ao estudo da Palavra de Deus. Jesus Cristo voltará! Esta era a esperança dos apóstolos e da Igreja Primitiva. E igualmente era a esperança de muitos cristãos até o século IV. Mas por muitos anos, parte da Igreja se descuidou a respeito desta esperança. Contudo, com o advento da Reforma Protestante, a esperança quanto à vinda de Jesus foi renovada na Igreja. Com o Movimento Pentecostal Clássico deu-se a explosão dessa mensagem. Em nosso país, qual o pentecostal que não conhece a célebre frase: “Jesus Cristo salva, cura, batiza com o Espírito Santo e breve voltará”? Maranata! Ora vem Senhor Jesus! [Comentário: Em todas as variadas aflições da história, os fiéis a Deus devem conservar-se purificados, e embranquecidos, e provados. Esta é a mensagem final de Daniel! Daniel e seus amigos nos fornecem o modelo para o testemunho fiel sob ameaças de tortura e morte. Embora poucos cristãos se encontram em situações de enfrentar a prova pior – a morte -, aqueles, porém, que a enfrentam recebem a maior honra nos registros do céu. Confiemos em Deus para nos dar palavras sábias e apropriadas ao anunciarmos o Evangelho, Ele comissiona, Ele capacita, Ele dará o escape – e se não, saiba o mundo que estamos dispostos a sofrer a morte ao invés de negar a fé no poder de Deus!]
Feliz 2015!
“NaquEle que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8)”,
Graça e Paz a todos que estão em Cristo!
Francisco Barbosa
Cor mio tibi offero, Domine, prompte et sincere!
CampinaGrande-PB
Dezembro de 2014.
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