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LIÇÃO 08– O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS - 2° TRIMESTRE 2015(EBD Tube)

O Quê? DA LIÇÃO 08 - MILAGRES COM HUMANIDADE - 2° TRIMESTRE 2015(EBD Tube)

LIÇÃO 08– O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS - 2° TRIMESTRE 2015(PR. GUILHERMEL)

O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS
Lição 8 - 24 de Maio de 2015
Texto Áureo: Lucas 8.25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?
Leitura Bíblica em Classe: Lucas 8.22-25,35-39

Introdução: Muita gente desconhece ou não quer acreditar que o Diabo tem poder e age tanto no reino físico como no reino espiritual. Enquanto ele permanecer como o deus desse século ou príncipe desse mundo a sua obra maligna estará em pleno andamento, até que ele seja parcialmente neutralizado no final da grande tribulação e totalmente neutralizado no final do reino milenar. As suas ações adversas e oposicionistas continuarão principalmente contra todos que professam o nome de Deus. O seu poder sobre a natureza é visto na provação de Jó quando provocou um vento destruidor derrubando a casa onde estavam os seus filhos que morreram em consequência desta destruição. Jó 1:19. Jesus desde o seu nascimento teve o Diabo como seu opositor e adversário. Ele agiu perseguindo, tentando, usando os religiosos, usando Pedro e muitos outros. Em todo lugar que Jesus se encontrava, ele estava sempre presente para prejudicar o Seu ministério. Antes de Jesus embarcar nessa aventura, Ele havia pregado para uma grande multidão e esta multidão certamente instigada por ações do Diabo queria proclamar Jesus como rei. A intenção do Diabo era que essa notícia chegasse às autoridades romanas, as quais poderiam identificar Jesus como um revolucionário e mandar prende-lo. Para evitar cair nesse laço diabólico Jesus apressou-se em embarcar e retirar-se daquele local com destino a região de Gadara que ficava do outro lado do mar da Galileia. Legiões de demônios dominavam aquela região usando o corpo de um homem que foi possuído por eles. Indo Jesus naquela direção o Diabo temendo que isso acontecesse procurou usar de meios para afundar a embarcação onde todos pereceriam sem chegar ao seu destino. Era a única forma encontrada pelo Diabo para impedir Jesus de chegar a outra margem do mar. 
1 - SE O DIABO ENFURECER A NATUREZA SÓ JESUS TEM PODER DE ACALMAR  
a) Quem segue a Jesus deve saber que há oposições inesperadas - Lucas 8.22 E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num barco com seus discípulos, e disse-lhes: Passemos para o outro lado do lago. E partiram.
Partiram para o outro lado do mar sem saber o que os esperava naquela região de Gadara. Desconheciam também que haveria oposições e impedimentos para que essa travessia transcorresse em calmaria e tivesse sucesso. Como sabemos e quem não sabe deve saber, é que o diabo sempre será um opositor constante para prejudicar e barrar aqueles que estão militando a boa milícia da fé e combatendo o bom combate. Com os preguiçosos, negligentes e irresponsáveis o Diabo não se preocupa e nem persegue, para que eles achem que está tudo bem e continuem seguindo na obra com esse comportamento. Porém com os que fazem diferença procurando estar em obediência ao Senhor, o Diabo vai agir com seus vários modus operantes e assim impedindo que tenhamos sucesso em servir no reino de Deus. 
b) Quem segue a Jesus não é só calmaria, há também tempestades - Lucas 8.23 E, navegando eles, adormeceu; e sobreveio uma tempestade de vento no lago, e enchiam-se de água, estando em perigo.
Jesus como homem também precisava descansar depois de um dia exaustivo e, isso Ele fez com a maior tranquilidade, pois além de ter a presença do Espírito Santo na sua vida. Ele também tinha a promessa de que a sua morte seria na cruz do Calvário, e não afogado no meio do mar. Muitos podem dizer ser Deus que mandou o vento forte, mas será que Deus iria enfurecer a natureza ao ponto de afundar o barco que estava o Seu próprio Filho? É evidente que não. Quem na realidade queria impedir Jesus de chegar ao outro lado do lago era o próprio Diabo, e não o Senhor Deus. Quem era o opositor e adversário de Jesus? É lógico que era o próprio Diabo e não Deus. Quem tinha interesse de manter o domínio em Gadara? É lógico que era o Diabo e por isso ele iria defender o território a qual dominava com todos os meios que pudesse, inclusive usando o seu poder sobre a natureza. 
c) Quem segue a Jesus não pode se intimidar diante dos perigos - Lucas 8.24 E, chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, perecemos. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança.
Como seguidores de Cristo somos sujeitos a enfrentar todos os tipos de adversidades e não podemos nos intimidar em qualquer situação que nos depararmos, pois se nos mostrarmos frouxos no dia da angústia ou das adversidades a nossa força será pequena. Crentes que se intimidam com qualquer situação ou lutas que chegam são presas fácil para o Diabo. Temos que entender que é maior o que está em nós do que aquele que está no mundo. Cristo nos deu autoridade e nos comissionou para usar o seu nome em qualquer situação adversa, e em qualquer enfrentamento com entidades malignas. 
d) Quem segue a Jesus deve estar seguro e crer no seu poder - Lucas 8.25 E disse-lhes: Onde está a vossa fé? E eles, temendo, maravilharam-se, dizendo uns aos outros: Quem é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?
Precisamos entender e tomar posse da promessa feita por Jesus aos seus seguidores. Nesta promessa Ele diz: (Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo). (João 16:33). Jesus venceu e nos deu garantia de vencer também, por essa razão também podemos declarar que somos mais do que vencedores em Cristo Jesus. Ele também garantiu que nunca nos abandonará ou nos deixará só: (e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém. Mateus 28:20). Jesus repreendeu os seus discípulos pela falta de fé, e esse é um ingrediente necessário que não pode faltar na vida daqueles que querem estar envolvidos com a obra de Deus, pois sem fé é impossível agradar a Deus. 

2 - O DIABO PODE PRENDER UMA ALMA, MAS JESUS TEM O PODER DE LIBERTAR
a) Só Jesus pode quebrar o poder do Diabo e libertar uma alma - Lucas 8.35 E saíram a ver o que tinha acontecido, e vieram ter com Jesus. Acharam então o homem, de quem haviam saído os demônios, vestido, e em seu juízo, assentado aos pés de Jesus; e temeram.
Apesar de toda oposição imposta pelo Diabo, o Senhor Jesus chegou a Gadara onde estava um homem possesso por uma legião de demônios. Esse era o motivo de toda oposição movida pelo Diabo, pois sabia que se Jesus chegasse nessa cidade não haveria força maligna alguma para impedir a libertação desse homem. Assim o Diabo ficou frustrado, pois todo esforço que empregou para impedir o encontro de Jesus com esse jovem foi inútil. Operando o Senhor quem impedirá e isso é uma grande verdade em todo embate com o Diabo, pois em todos eles o Senhor Jesus venceu. A libertação feita por Jesus nesse homem foi algo surpreendente, pois todos dessa cidade jamais poderiam imaginar que isso viesse acontecer. Como diz a palavra: (Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8:36).
b) Quando Jesus liberta alguém não há como negar o seu poder - Lucas 8.36 E os que tinham visto contaram-lhes também como fora salvo aquele endemoninhado.
Naquele tempo nenhuma religião tanto a dos judeus como qualquer outra, tinha poder para libertar um endemoninhado. Qualquer um que tivesse a infelicidade de ser dominado e possuído por demônios ficava numa situação terrível, pois não havia possibilidade de ser liberto por quem quer que seja. Só Jesus tinha essa autoridade sobre os demônios e demonstrou isso em várias ocasiões, principalmente na vida desse homem que estava aprisionado por essas entidades malignas e com o seu destino traçado para a perdição e sofrimento eterno, até que Jesus mudou o quadro da sua vida expulsando todos os demônios que o dominavam. Como o povo não acreditava ou não esperava esse tipo de libertação que Jesus realizou, foi motivo de grande especulação e admiração que eles tiveram pelo ocorrido na vida desse homem, o qual sempre foi visto como um possesso e agora estava totalmente liberto e no seu juízo perfeito. 
c) Jesus não força a sua presença em lugares onde não é aceito - Lucas 8.37 E toda a multidão da terra dos gadarenos ao redor lhe rogou que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande temor. E entrando ele no barco, voltou.
Apesar do maravilhoso feito com a libertação do homem, Jesus se deparou com algo indignante que era a frieza espiritual desse povo, principalmente os que tomaram prejuízo com os porcos que se precipitaram no abismo com a legião de demônios. Deveriam estar felizes com o trabalho de libertação realizado por Jesus na vida do homem, mas a ganância material e prejuízo pela perda dos porcos falaram mais alto na vida deles. Tinham a bênção nas suas terras que era Jesus e o rejeitaram mandando que se retirasse daquela região. Como Jesus não força ninguém a recebê-lo saiu dali sem nada questionar. Se eles rejeitaram a bênção tinha muitos outros que com certeza não rejeitariam. 
d) Quem é liberto por Jesus deseja acima de tudo a sua presença - Lucas 8.38 E aquele homem, de quem haviam saído os demônios, rogou-lhe que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:
O homem liberto por Jesus da sua possessão demoníaca expressou publicamente a sua gratidão ao Mestre, buscando também o desejo e a segurança de estar e caminhar junto com Ele. Certamente também havia o temor de que não estando na presença de Jesus os demônios poderiam voltar a dominá-lo. Porém ele precisava compreender que uma vez liberto e mantendo a sua fé e a sua vida focada em Cristo, nenhuma força ou poder maligno poderia dominá-lo novamente. (Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca. I João 5:18). Isso porque todos que são verdadeiramente de Deus, conta com uma proteção angelical, os quais nos guardam de todas as investidas do inimigo e isso é garantido pela sua palavra que diz: (O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. Salmos 34:7). (Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Salmos 91:11). 
e) É preciso deixar o bom conforto espiritual e ser útil a Jesus - Lucas 8.39 Torna para tua casa, e conta quão grandes coisas te fez Deus. E ele foi apregoando por toda a cidade quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito.
Jesus não permitiu que o homem o seguisse, porém mostrou a ele que a sua permanência nessa cidade seria de grande importância pelo testemunho vivo que poderia dar a todos. Mesmo aqueles que mandaram Jesus se retirar poderiam refletir com mais tempo e enxergar na pessoa desse homem a grande obra de libertação feita na vida dele. É certo que todos os habitantes dessa cidade não davam nada por esse homem, o qual ainda mais os vivia aterrorizando. Agora vendo esse homem apregoar o seu testemunho incontestável o povo teve que enxerga-lo de outra forma, da qual nunca imaginaram ver. Muitos ignoram o poder libertador do Senhor sobre qualquer tipo de pessoa. Há indivíduos que alguns acham ser um caso perdido e que não qualquer possibilidade de ser transformado, e que a sua vida não tem mais jeito. Só que Jesus pode surpreender a muitos que não creem e dizem que determinada pessoa não tem mais jeito. Quando alguém é alcançado pelo seu poder libertador de Jesus, Ele tira lá do charco de lama e lodo e o transforma em nova criatura e mostra que tem jeito. 

Elaborado pelo Pastor Adilson Guilhermel Th.M.

LIÇÃO 08– O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS - 2° TRIMESTRE 2015(Luciano de Paula Lourenço)

INTRODUÇÃO

Durante seu ministério, Jesus mostrou o seu poder sobre a doença, a morte, a natureza e os demônios. Embora Deus tivesse se utilizado de outros profetas para realizar sinais e prodígios que envolveram a agitação das leis naturais, como a passagem do mar vermelho por intermédio de Moisés (Ex 14:15-26), ou a passagem pelo rio Jordão por Elias (2Rs 2:8), ou, ainda, o flutuar do ferro de um machado por Eliseu (2Rs 6:5-7), Jesus a todos superou, a ponto de Seus discípulos, em um destes milagres, ter exclamado: “…quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem? ” (Mc 4:41). Enquanto Moisés passou o mar em seco (Ex 14:22), Jesus andou sobre as águas (João 6:19); enquanto Eliseu fez com que vinte pães satisfizessem cem homens (2Rs 4:42-44), Jesus, partindo poucos pães, por duas oportunidades, saciou a milhares de homens, fora mulheres e crianças (Mt 14:14-21, Mc 6:34-44, Lc 9:11-17, João 6:3-14; Mt 15:32-38: Mc 8:1-9). Vemos, pois, que Jesus demonstrou, com muito maior intensidade, o poder de Deus em sua vida, a comprovar que era distinto de todos os demais profetas, pois além de homem, era também Deus.

I. JESUS E AS FORÇAS SOBRENATURAIS

1. Poder sobre a natureza. O Novo Testamento narra vários episódios que pregam o poder de Jesus sobre a natureza. Um desses episódios encontra-se em Lucas 8:22-25. Mas, quero enfatizar aqui outro episódio que ocorreu, em que Jesus demonstrou o seu poder sobre a natureza. Está registrado em Mt 14:22-33.

Certa feita Jesus compeliu os discípulos que atravessam para o outro lado do Mar da Galileia (Mt 14:22). Os discípulos prontamente obedeceram a Jesus. Agora, o mínimo que eles esperavam era uma viagem segura e uma chegada certa. Todavia, mesmo obedecendo a Jesus, eles são colhidos por uma terrível e ameaçadora tempestade. Aqueles discípulos já haviam enfrentado outra tempestade no mar (Lc 8:22-25), mas Jesus estava com eles. Eles clamaram ao Mestre, que prontamente os socorreu. Mas agora eles estão sozinhos. O mar fica empolado. O vento rijo sopra com fúria. O barco é chicoteado pelas ondas. O pavor começa a inundar o coração deles. Eles remam com toda a virilidade e destreza, mas o barco não segue o rumo desejado. Eles fazem o máximo esforço, mas o barco ainda rodopia no meio do mar, no epicentro do perigo. Eles gritam por socorro, mas só ouvem o barulho da tempestade. Oram, mas só encontram como resposta o silêncio. Você já viveu a experiência de passar por uma tempestade, orar e só ouvir o silêncio de Deus? Você já passou por vales escuros e teve a sensação de que, quanto mais orava, mais as coisas se agravavam? Você já teve a sensação de clamar a Deus com todas as forças da sua alma sem obter resposta alguma? Creio que muitos passaram e estão passando por essa tensão em sua vida. Contudo, o silêncio de Deus não significa distância nem indiferença. Ele não deixa de velar por nós e de nos cercar com o seu cuidado quando está em silêncio. Creia, muitas vezes o silêncio de Deus é pedagógico. Sempre que ele fica em silêncio é porque nos quer ensinar verdades sublimes.

Jesus não estava indiferente ao clamor dos discípulos no mar da Galileia. Ele estava no monte orando por eles. Hoje, Jesus está à destra do Pai intercedendo por nós. Mesmo quando não ouvimos a sua voz, ele está intercedendo em nosso favor junto ao Pai.

E na quarta vigília da noite Jesus aparece caminhando sobre as ondas. A noite era escura. O mar estava bravio. O vento fuzilava com fúria, encrespando as ondas. O naufrágio parecia inevitável. Eles estavam diante de uma catástrofe iminente. De repente, um vulto estranho se movimenta sobre a tormenta, caminha com firmeza e segurança sobre a superfície das águas. Jamais alguém vira algo semelhante. Os discípulos se apavoram e gritam: "É um fantasma!". Os discípulos esperavam Jesus, mas não daquele jeito. Esperavam vê-lo noutro barco, chegando por um caminho convencional. Jesus mostra a sua autoridade e poder sobre aquilo que aflige os seus filhos. As ondas representavam o perigo real que conspirava contra os discípulos. O mar se tornara o grande gigante que os ameaçava. A turbulência das águas era um monstro indomável. Quando Jesus aparece, subjuga aos seus pés aquilo que amedronta os discípulos.

Jesus é maior do que os nossos problemas. Aquilo que é maior do que as nossas forças e nos mete medo, está literal e completamente debaixo dos pés de Jesus. Ele tem toda a autoridade e todo o poder no céu e na Terra. Quem está com Cristo está do lado mais forte, do lado do vencedor. Se Deus é por nós, quem será contra nós?

2. Poder sobre os demônios. Além do seu domínio sobre a natureza, Jesus tem poder sobre toda a sua criatura, inclusive sobre os demônios. Estes tremiam de pavor quando Jesus chegava. Veja o caso do endemoninhado gadareno (Lc 8:22-33). Logo que Jesus desembarcou em Gadara, o homem possesso correu cheio de medo, e prostrou-se aos seus pés para adorá-lo (Lc 8:28). Os demônios sabiam quem era Jesus; sabiam que Jesus é o Filho do Deus Altíssimo, que tem todo poder para atormentar os demônios e mandá-los para o abismo. Os demônios creem na divindade de Cristo, na sua total autoridade. Eles creem nas penalidades eternas – “.... Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo? ” (Mt 8:29).

Jesus libertou o homem gadareno da escravidão dos demônios (Lc 8:6-15). Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo (1João 3:8). Até os demônios estão debaixo da sua autoridade. Mediante a autoridade da palavra de Jesus, a legião de demônios bateu em retirada e o homem escravizado ficou livre (Lc 8:33). Cristo é o atormentador dos demônios e o libertador dos homens. Aonde Ele chega, os demônios tremem e os cativos são libertos. Satanás tentou matar Jesus na tempestade quando estava indo em direção a Gadara, e agora tenta impedi-lo de entrar na região de Gadara. Mas em vez de intimidar-se com a legião de demônios, Jesus é quem espalha terror no exército demoníaco, porque Ele tem poder sobre os demônios.

II. JESUS E A REALIDADE DOS DEMÔNIOS

1. Uma realidade bíblica. A realidade dos demônios é ensinada no Novo Testamento. Só no Evangelho de Lucas encontramos dezenas de textos mostrando esta verdade (Lc 4:41; 6:18; 8:26-39; 9:42). Mas, os liberais, os céticos e incrédulos negam a existência e ação dos demônios. Para eles, o diabo é uma figura lendária e mitológica. Negar a existência e ação do diabo é cair nas malhas do mais ardiloso satanismo. Apesar da pura realidade bíblica sobre os demônios não se deve fazer apologia dos seus hábitos. Há segmentos chamados evangélicos que falam mais no Diabo do que anunciam Jesus; pregam mais sobre exorcismo do que arrependimento; vivem caçando demônios, neurotizados pelo chamado movimento de batalha espiritual. Isso não deve acontecer numa igreja que se diz cristã.

2. Uma realidade experimental. Na Palestina do primeiro século, bem como nestes últimos dias de dominação gentílica, a presença de pessoas oprimidas ou possuídas por demônios era e é uma realidade cotidiana. Lucas diz que Jesus libertou muitas pessoas de espíritos demoníacos (Lc 8:26-39; 9:37-43). Descrevo aqui, com mais detalhes, sobre o poder maligno que estava na vida de um jovem, narrado por Lucas (Lc 9:37-43). A casta de demônios fazia esse jovem ranger os dentes, convulsionava-o e lançava-o no fogo e na água, para matá-lo. Os sintomas desse jovem apontam para uma epilepsia, mas não era um caso comum de epilepsia, pois além de estar sofrendo dessa desordem convulsiva, era também um surdo-mudo. O espírito imundo que estava nele o havia privado de falar e ouvir.

A possessão demoníaca é uma realidade dramática que tem afligido muitas pessoas ainda hoje. Os ataques àquele jovem eram tão frequentes e fortes que o menino não crescia, mas ia definhando.

O Diabo não poupa nem mesmo as crianças. Aquele jovem vivia dominado por uma casta de demônios desde a sua infância (Mc 9:21). Há uma orquestração do inferno para atingir as crianças. Se Satanás investe desde cedo na vida das crianças, não deveríamos nós, com muito mais fervor investir na salvação delas? Se as crianças podem ser cheias de demônios, não poderiam ser também cheias do Espírito de Deus?

É válido ainda salientar que o poder demoníaco que estava sobre esse jovem agia com requinte de crueldade – “... o despedaça até espumar; e só o larga depois de o ter quebrantado” (Lc 9:39). Esse jovem era filho único (Lc 9:38). Ao atacar esse rapaz, o diabo estava destruindo os sonhos de uma família. Onde os demônios agem, há sinais de desespero. Onde eles atacam, a morte mostra sua carranca. Onde eles não são confrontados, a invasão do mal desconhece limites. Isso não é mito, é uma triste realidade.

III. JESUS E A OBRA DOS DEMÔNIOS

1. Jesus e a oposição dos demônios. O caso da libertação do endemoninhado de Gadara é um dos muitos relatos que mostra como os demônios se manifestam em oposição a obra de Jesus: “Quem tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço que não me atormentes” (Lc 8:28). As Escrituras Sagradas ensinam quais as obras principais de Satanás e seus demônios:“Matar, roubar e destruir”(João 10:10).

Veja a seguir, uma visão clara sobre o que Satanás pode fazer com as pessoas. Tomemos como base a situação degradante do endemoninhado gadareno (Adaptado do livro “MARCOS – O Evangelho dos Milagres. Hernandes Dias Lopes”).

a) Ele domina as pessoas, através da possessão (Mc 5:2,9). O gadareno estava possuído por espíritos imundos. Havia uma legião de demônios dentro dele - “E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo, o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender”.

(1) uma pessoa possessa tem dentro de si uma entidade maligna (5:2,9). Esse homem não estava no controle de si mesmo. Suas palavras e suas atitudes eram determinadas pelos espíritos imundos que estavam dentro dele. Ele era um cavalo dos demônios, um joguete nas mãos de espíritos assassinos.

(2) uma pessoa possessa manifesta uma força sobre-humana (Mc 5:3,4) - “o qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões, em migalhas, e ninguém o podia amansar”. As pessoas não podiam detê-lo nem as cadeias subjugá-lo. A força destruidora com que despedaçava as correntes não procedia dele, mas dos espíritos malignos que nele moravam.

(3) uma pessoa possessa tem frequentes acessos de raiva (Mt 8:28) - “...tão ferozes eram, que ninguém podia passar por aquele caminho”. O evangelista Mateus, narrando esse episódio, diz que os endemoninhados estavam a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.

(4) uma pessoa possessa perde o amor próprio (Mc 5:3,5) - “o qual tinha a suamorada nos sepulcros. E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros e ferindo-se com pedras”. Esse homem andava nu e feria-se com pedras. Em vez de proteger-se, feria-se a si mesmoEle era o seu próprio inimigo. O ser maligno que estava dentro dele empurrou-o para as cavernas da morte. A legião de demônios que estava nele tirou dele o pudor e queria destruí-lo e matá-lo. O diabo veio para roubar, matar e destruir. Ele é ladrão e assassino. Há muitas pessoas que hoje ceifam a própria vida, quando esses espíritos imundos entram nelas. Foi assim com Judas, Satanás entrou nele e o levou ao suicídio.

b) Satanás arrasta as pessoas para a impureza (5:2,3a). Gadara era uma terra gentílica, onde as pessoas lidavam com animais imundos. O espírito que estava naquele homem era um espírito imundo. Por isso, levou esse homem para um lugar impuro - o cemitério -, para viver no meio dos sepulcros.

Os espíritos malignos levam as pessoas a se envolverem com tudo o que é imundo. Quem pratica o pecado é escravo do pecado. Há pessoas que hoje entram nos cemitérios e desenterram defuntos para fazerem despacho aos demônios. Isso é prática demoníaca.

A promiscuidade está atingindo patamares insuportáveis. A pornografia tornou-se uma indústria poderosa. A promiscuidade dos valores da geração contemporânea faz de Sodoma e Gomorra cidades muito puritanas.

c) Satanás torna as pessoas violentas (Mc 5:3,4) - “...e nem ainda com cadeias o podia alguém prender. Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões, em migalhas, e ninguém o podia amansar”.

O endemoninhado constituiu-se um problema para a família e para a sociedade. O amor familiar e a repressão da lei não puderam domesticar aquela fera indomável. Ele era como um animal selvagem. Resistia a qualquer tentativa de controle externo. Os seus familiares não o suportaram mais e o expulsaram.

Há seres humanos que se transformam em monstros malfeitores, em feras indomáveis. Nem o amor da família nem o rigor da lei têm abrandado a avalanche de crimes violentos em nossos dias: são terroristas que enchem o corpo de bomba e explodem espalhando morte. São os vândalos que incendeiam ônibus nas ruas. São pistoleiros de aluguel que derramam sangue por dinheiro. São traficantes que matam e morrem para alimentar o seu vício abominável.

d) Satanás atormenta as pessoas (Mc 5:5) - e andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes e pelos sepulcros e ferindo-se com pedras”.

O gadareno estava perturbado mentalmente. Ele andava sempre, de noite e de dia gritando por entre os sepulcros. Não havia descanso para sua mente nem para seu corpo. Além da perturbação mental, ele golpeava-se com pedras. Vivia nu e ensanguentado, correndo pelos montes escarpados. Seu corpo emagrecido refletia o estado deprimente a que um ser humano pode chegar quando está sob o domínio de Satanás.

Há muitas pessoas hoje atormentadas, inquietas e desassossegadas, vivendo nas regiões sombrias da morte, sem família, sem liberdade, sem dignidade, sem amor próprio, ferindo-se a si mesmas e espalhando terror aos outros.

2. Jesus e a libertação de endemoninhados. Jesus veio para destruir as obras do Diabo (1João 3:8). Ele veio para que as pessoas tenham vida, e a tenham em abundância (João 10:10). Veja o exemplo do gadareno.

a) Jesus libertou esse homem da escravidão dos demônios (Mc 5:6-15). Diante de Jesus, todo joelho precisa se dobrar; até os demônios estão debaixo da autoridade de Jesus. Mediante a autoridade da palavra de Jesus a legião de demônios bateu em retirado e o homem escravizado ficou livre. Aonde Jesus chega, os demônios tremem e os cativos são libertos.

b) Jesus devolveu a esse homem a dignidade da vida (Mc 5:15) - e foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram”.

Jesus restituiu a esse homem sua sanidade mental. Aonde Jesus chega, ele restaura a mente, o corpo, a alma. Esse homem não é mais violento. Ele não oferece mais nenhum perigo à família nem à sociedade. Não há outro poder que transforma além do poder de Jesus. Só Ele cura; só Ele restaura; só Ele salva. Ele continua transformando monstros em homens santos; escravos de Satanás em homens livres; abortos vivos da sociedade em vasos de honra. Glórias sejam dadas ao Seu santo nome!

CONCLUSÃO

Os demônios e sua força destrutiva é uma realidade. Todavia, o cristão que é cheio do Espírito Santo, que está em contínua comunhão com Deus, está guardado e não há porque temer as forças do mal (Rm 8:38,39; Lc 10:18,19; Ef 6:10-18). Temos plena confiança que Deus está no controle de tudo, e que Satanás não agirá sem a devida permissão de Deus. Creia nisso!

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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

LIÇÃO 08– O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS - 2° TRIMESTRE 2015(Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa)

O PODER DE JESUS SOBRE A NATUREZA E OS DEMÔNIOS
       Texto Áureo Lc. 8.25  – Leitura Bíblica  Lc. 8.22-39


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Em sequência ao assunto estudado na aula passada, destacaremos hoje a atuação de Jesus sobre a natureza e os demônios. A princípio, mostraremos que as forças sobrenaturais existem, não são apenas invenções humanas, conforme defende a filosofia moderna. Em seguida, enfatizaremos que Jesus, o Senhor dos senhores, tem poder sobre os principados e potestades, e que Ele é Aquele a quem a natureza obedece.

1. AS FORÇAS SOBRENATURAIS
O mundo moderno está marcado pelas teorias cientificas, algumas delas decorrentes do racionalismo, produto da mente iluminista. Por causa disso, há aqueles que negam a existência da realidade sobrenatural, até mesmo de Deus. O ateísmo está na moda, as academias tentam dar explicações materialistas para todos os fenômenos. O mundo da Bíblia se tornou estranho para o homem distanciando da revelação. Em seu coração, o néscio diz que Deus não existe (Sl. 14.1), e por causa dessa incredulidade, muitos se entregam à devassidão. Reconhecemos, com base em Os Irmãos Karamazov de Dostoievsky, que nem todos os ateus são imorais, mas suas crenças podem conduzir outros à brutalidade. Não podemos reduzir a realidade à matéria, a natureza não é a única criação de Deus. Ele criou também os anjos, que são espíritos ministradores (Hb. 1.14). Na verdade o mundo visível surgiu do que não é visível, isso é o que nos revela a Palavra de Deus (Hb. 11.1). Em sua Epístola aos Efésios, Paulo adverte os crentes para que estejam preparados para enfrentar uma batalha espiritual, não contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades das regiões celestiais (Ef. 6.12). Essa luta tem implicações cosmológicas, e teve seu princípio na rebelião de Satanás contra Deus (Is. 14.14), antes da criação da humanidade. Quando Jesus veio para terra, Ele enfrentou os demônios, alguns deles associados a algumas enfermidades (Lc. 4.31-44). O Senhor expulsou muitos demônios que oprimia a vida das pessoas (Lc. 11.14).

2. OS DEMÔNIOS SÃO UMA REALIDADE
Os demônios continuam atuando neste planeta, as pessoas parecem esquecer essa realidade. Como Jesus fez no deserto (Lc. 4.1-13), precisamos também estar preparados para enfrentar as hostes da maldade. Não podemos esquecer que este mundo jaz no maligno (I Jo. 5.19), e que o Deus deste século cegou o entendimento das pessoas (II Co. 4.4). Precisamos, portanto, nos munir com todas as armas espirituais, para resistir no dia mau (Ef. 6.10-12). No Evangelho segundo Lucas a autoridade de Jesus sobre os demônios é atestada em várias passagens (Lc. 4.41; 6.18; 9.42; 10.17,18). Não apenas esse Evangelho, mas toda a Bíblia, confirma a existência de forças sobrenaturais que se opõem ao Reino de Deus (Lc. 11.18). Por outro lado, não podemos fazer apologia ao Diabo, algumas igrejas ditas evangélicas exploram demasiadamente a doutrina dos demônios. Os demônios devem ser expulsos, tal como fez Jesus (Lc. 8.28), a Igreja continua tendo a missão de destruir as obras do Diabo (I Jo. 3.8; Mt. 10.1; Lc. 9.1). Mas nenhuma igreja foi chamada para fazer espetacularização das forças demoníacas. Ainda que essas atitudes deem ibope, não têm respaldo das Escrituras, os excessos podem resultar em escândalo para o Evangelho. Há igrejas que falam mais a respeito do Diabo do que de Jesus. Alguns pregadores, para causar frenesi na audiência, se referem ao demônio nove vezes, a cada dez palavras que pronunciam. A glória deve ser dada a Cristo, Sua cruz deve ser o assunto na pregação (I Co. 2.1-5), diante dEle as hostes satânicas se rendem (Lc. 8.28).

3. O PODER SOBRENATURAL DE JESUS
O poder sobrenatural de Jesus não foi demonstrado apenas sobre os demônios, mas também sobre a natureza. Isso mostra que o Senhor não está limitado às leis físicas, por isso pode ir além delas, não necessariamente contra elas. Um dos seus primeiros milagres, conforme registrado no Evangelho segundo João, foi o de transformar água em vinho (Jo. 2.1-11). Esse episódio não foi uma mágica, ou mesmo um truque como querem suspeitar alguns céticos, mas a atuação do poder do Espírito Santo no ministério de Jesus. Ele também acalmou uma tempestade, causando espanto aos  Seus discípulos para essa manifestação poderosa (Lc. 8.22-25). O poder de Jesus sobre a natureza deve nos tranquilizar em relação ao futuro, sabemos que Ele está no comando das situações, mesmo que não compreendamos. É importante esclarecer que a natureza, no estado atual em que se encontra, depois do pecado de Adão e Eva, carece de redenção (Rm. 8.22). Por esse motivo, testemunhamos de vez em quando algumas catástrofes, que revelam essa condição da natureza. No futuro, quando Cristo vier reinar, a natureza será reestabelecida ao seu estado, não havendo mais terremotos ou enchentes (Is. 11). Jesus demonstrou também aos Seus discípulos o Seu poder sobre a natureza quando andou sobre as águas (Mc. 6.45-52). Na ocasião chamou a atenção dos discípulos para que tivessem fé a fim de que os milagres acontecessem. Os dons espirituais, inclusive o da fé para realizar maravilhas está à disposição dos crentes, faz-se necessário que eles deem o devido valor.

CONCLUSÃO


Poderíamos elencar muitos outros milagres realizados por Jesus, que comprovam sua messianidade, sobretudo o domínio sobre a natureza. Ele multiplicou pães (Mt. 15.32-38), secou uma figueira (Mc. 11.11-14,20-25), possibilitou uma pesca maravilhosa (Lc. 5.1-11), entre outros. A realização desses milagres, e o poder de Jesus sobre os demônios, inspiram nossa confiança, e reconhecimento que Ele tem todo o poder no céu e na terra (Mt. 28.18). Podemos então descansar diante das adversidades da vida, sabendo que o Senhor está no comando do barco.

LIÇÃO 08 – NÃO MATARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (Professor Luciano de Paula Lourenço)

INTRODUÇÃO
Dando sequência ao estudo do Decálogo, vamos estudar nesta Lição o Sexto Mandamento. Este Mandamento é imperativo: “não matarás” (Êx 20:13; Dt 5:17). O homicídio doloso, pérfido, insulta a Deus, o doador da vida. A existência do ser humano é a Sua mais importante possessão. Por isso, o Senhor expressa Seu desejo de que ela seja honrada, respeitada e preservada.
I. O SEXTO MANDAMENTO
1. Abrangência. ”Não matarás.” Muitos especialistas em língua hebraica dizem que este texto seria melhor traduzido por “não assassinarás“. Isto explicaria algumas passagens difíceis do Antigo Testamento em que o próprio Deus permite ou mesmo ordena que algumas pessoas sejam mortas (Ex 17:14; 1Sm 15:1-3, etc).
Este mandamento proíbe o homicídio, o assassinato premeditado e o não premeditado. Temas como eutanásia, feticídio, suicídio, infanticídio, genocídio, são pertinentes ao sexto mandamento. Todavia, este mandamento não proíbe a pena capital, visto que a própria lei estipulava a pena de morte. Também se permitia a guerra, visto como o soldado atua como agente do estado. Há uma análise, a seguir, sobre estes temas.
2. Objetivo. O objetivo do Sexto Mandamento: a preservação da vida e a proibição do assassinato premeditado, ou seja, o homicídio doloso. O povo da Nova Aliança, que faz a Igreja do Senhor Jesus, que vive em um contexto completamente diferente daquele vivido pelos fiéis da Antiga Aliança, deve lutar pela defesa da vida.
Na Nova Aliança o Sexto Mandamento inclui “pensamentos e palavras, ira e insultos”. Segundo o Rev. John Stott, “os escribas e fariseus estavam evidentemente procurando restringir a aplicação do Sexto Mandamento apenas ao ato do homicídio, isto é, ao derramamento de sangue humano, mas Jesus discordou deles. A verdadeira aplicação da proibição era muito mais ampla: incluía pensamentos e palavras, além de atos; cólera e insultos, além do homicídio”.
Há, então, um aspecto existencial, isto é, relacionado com o mundo interior da pessoa. Mata-se alguém não só literalmente, mas também no coração. O apóstolo João diz que é homicida quem odeia a seu irmão (1Jo 3:15). Se alguém tem ódio de uma pessoa, é como se a tivesse assassinado em seu coração. Jesus ensina que para Deus isto é tão errado e condenável como um assassinato.
É possível que haja crentes que frequentem regularmente a igreja e participam de suas atividades, mas tenham ódio de outras pessoas, quem sabe até mesmo dentro da própria igreja. Crentes que se reúnem em torno da mesa do Senhor, participam da Santa Ceia, mas com o coração carregado de ódio. Estas atitudes devem ser abandonadas pelos que pretendem ser fiéis a Jesus. A Bíblia recomenda a todos que tenham um esforço especial para viver em paz com todos os homens (Rm 12:18).
Também, a defesa da vida, que é o objetivo do Sexto Mandamento, abrange o aspecto social. Um dos deveres exigidos é confortar e socorrer os aflitos e proteger e defender os inocentes (Mt 25:35,36; Pv 31:8,9; Is 58:7). Isto é dever do Estado, mas, também da Igreja. Todo esforço cristão nesta área é válido, pois levará os não cristãos a glorificar ao Pai que está nos céus (Mt 5:16).
3. Contexto. “Não matarás“, já era um mandamento gravado na consciência de toda a humanidade, desde o primeiro ser humano, e estará gravado na consciência do último ser humano que restar na terra. Todo homem normal, sempre foi e será capaz de discernir entre ocerto e o errado, entre o ético e o antiético, entre o bem e o mal. Milhares de anos antes da Lei Moral ter sido escrita para Israel, lá no Sinai, não foi preciso Deus falar para Adão que ele tinha pecado, que ele havia cometido um ato antiético para com o seu Criador. Dentro de Adão, a sua própria consciência o acusava. Então, ouvindo a voz de Deus, escondeu-se - “E chamou Deus a Adão, e disse-lhe: onde estás? E ele disse: ouvi a tua voz soar no jardim e temi, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3:9-10).
Aconteceu, também, com Caim quando matou Abel. Em nenhum lugar estava escrito “não matarás”, todavia, Deus não o teve por inocente, porque a Lei Moral estava gravada em sua consciência e, por ela, o homem sabia da necessidade de valorizar a sua vida, ou do próximo. Tirar a vida de alguém é um direito tão somente do doador da vida. Assim, Deus não teve Caim por inocente - “E disse Deus: que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra, que abriu a sua boca para receber o sangue do teu irmão ”(Gn 4:10).
Portanto, a Lei Moral não estava escrita, no papel, porém, já estava gravada na consciência do primeiro ser humano e na consciência dos seus descendentes (Rm 1:19; 2:14,15).
II. IMPORTÂNCIA
1. Da vida. Biblicamente a vida pertence a Deus (Dt 30:15; Sl 36:9; Lc 12:20). Deus criou, santificou e abençoou a vida humana. Ele é, pois, o Criador, o doador e o Senhor da vida. Só Ele pode tirá-la. Ao homem Ele ordenou: “Não Matarás“. Portanto, tirar a vida própria ou alheia é ofender a Deus e depreciar o Criador.
O valor da vida não depende dos anos acumulados, nem da capacidade física ou intelectual da pessoa. Antes, a vida é um bem pessoal intransferível e incalculável. Por isso, nenhum indivíduo, nenhuma organização ou sociedade, nenhum grupo de médicos e nem o próprio Estado secular podem arrogar a si o direito de legalizar a matança de seres indefesos ou classificar as pessoas, separando as que devem morrer das que podem viver.
A vida do homem é um bem inalienável. A vida pertence a Deus. Está escrito: ”Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24:1); “…pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas” (Atos 17:25). Desta feita, ninguém pode dizer que a “vida é minha, eu faço dela o que quero“.
2. Não matar. O que significa não matar? O Sexto Mandamento é aplicável em situações de guerra? Qual a resposta bíblica diante da crescente criminalidade? O homem tem direito de morrer com dignidade e sem dores? Até quando é justo prolongar a vida por meios artificiais?
O termo hebraico, de onde se origina a palavra “matar”, expressa pela primeira vez em Êx 20:13, dá a ideia de assassinar, matar com violência, de maneira injusta e cruel. Assassinar alguém é o pior crime que uma pessoa pode cometer, e isso é um golpe contra o próprio Deus, visto que o ser humano foi feito à sua imagem (Gn 1:26,27).
O “Não matarás” é a proteção da vida. Observe que este mandamento é ratificado no Novo Testamento pelo Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos (Mt 19:18,19; Rm 13:9; Tg 2:11; 1Jo 3:15).
A valorização e proteção da vida como bem pessoal proíbe de forma categórica qualquer forma de assassinato. O “não matarás” inclui de maneira direta a proibição dos seguintes crimes: a eutanásia, o feticídio, o suicídio, o infanticídio e o genocídio. Para uma melhor compreensão vamos tecer algumas considerações gerais e individualizadas para estas situações.
a) Eutanásia e feticídio(aborto). Num primeiro momento pode parecer tratar-se de dois assuntos totalmente diferentes, porém ao se identificar cada um deles vê-se que são dois extremos de um elo comum, ou seja, dois acontecimentos que podem ocorrer um no início e outro no final de uma vida. Os dois possuem um só objetivo, a saber, a supressão ou interrupção de uma vida.
Pelo Aborto, procura-se impedir que um ser humano venha ao mundo, enquanto que pelaEutanásia, tirá-la deste mundo, sem que, pelo processo normal, se tenha chegado o tempo de Deus nos termos descritos por Salomão:” Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer…” (Ec 3:1-2). Contudo, oPós-Modernismo ignora o que diz a Palavra de Deus, defendendo, em todo o mundo, a legalização da intervenção do homem, quer para selecionar quem pode nascer, quer para determinar quem deve morrer. Em muitos países esses dois tipos de assassinatos estão legalizados, contrariando o Sexto Mandamento.
A Eutanásia é conhecida como homicídio piedoso. A Bíblia, porém, não faz diferença entre homicídio piedoso e homicídio maldoso. O que ela diz é “não matarás”. Quanto ao homicida, a Bíblia diz: “…Mas, quanto…aos homicidas…a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte” (Ap 21:8). Esta é a verdade bíblica!
b) O suicídio. O suicídio nada mais é que um autoassassinato. A Palavra de Deus não distingue entre matar a si próprio ou ao semelhante. Diz apenas o mandamento que não se deve matar, entendido aqui um ser humano, seja ele quem for, inclusive o próprio matador. A Palavra de Deus diz que os homicidas não se salvarão (Ap 21:8; 22:15).
No suicídio, o homem, além de se fazer juiz sobre a sua própria vida, o que lhe é vedado, pois já vimos que só Deus é o dono da vida - “O SENHOR é o que tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz tornar a subir dela” (1Sm 2:6) -, além do mais demonstra total falta de confiança e de esperança em Deus, porquanto busca resolver seus problemas e dificuldades pondo fim à sua vida, demonstrando, com isso, que não confia em Deus. O verdadeiro cristão, pelo contrário, ainda que esteja a passar problemas e dificuldades, não vai buscar a solução no suicídio, mas em Deus. A Palavra de Deus está repleta de promessas de que o Senhor sempre estará ao nosso lado, se nos mantivermos fiéis (Is 43:1-5; Sl 91:1; Mt 28:20).
Sempre se terá no suicídio um gesto de falta de fé em Deus, uma verdadeira manifestação de orgulho e de autossuficiência do suicida. Fazendo-se semelhante a Deus, o suicida recusa ser ajudado e orientado pelo Senhor e resolve pôr fim à sua vida, dando a si uma solução que, entretanto, somente lhe criará um problema eterno - a morte eterna, a eterna separação de Deus. Com efeito, o suicida morre no seu pecado e, portanto, estará irremediavelmente perdido (Ez 18:24), a menos que tenha tempo para se arrepender, o que é difícil de acontecer. c) Infanticídio. O infanticídio é a matança consciente e deliberada de crianças. O termo técnico não tem nada a ver com o estado da criança - se está consciente, doente, é recém-nascida, deformada ou foi judicialmente declarada morta. A Bíblia cita exemplos trágicos de infanticídio sacrificial ao deus Moloque. Moloque era venerado no vale de Cedron, e crianças eram “passadas pelo fogo” (2Rs 16.3; 17.7, 31: 21.6; 2Cr 33.6; Ez 16.21; 20.26,31). O rei Acaz (2Cr 28.3), por volta de 730 a.C, e o rei Manasses (2Rs 21.6) sacrificaram seus próprios filhos. A lei mosaica proibia essa prática severamente e prescrevia até a pena capital a quem oferecesse seu filho a Moloque (Lv 18.21; 20.2-5).
O infanticídio continua sendo praticado na modernidade com toda fúria diabólica. No Brasil, de vez em quando, vê-se nos jornais sobre crianças sacrificadas em práticas de magias negras. Embora a opinião pública e a lei condenem tais práticas, até hoje não foi possível eliminá-las totalmente.
Segundo Hans Ulrich Reifler, nos Estados Unidos, o infanticídio é praticado principalmente com crianças que sobrevivem ao aborto. Aliás, o aborto é apenas a ponta de um “iceberg”, cuja profundidade ninguém pode prever. Já se tornou evidente na história humana recente que assassinato de bebês antes de seu nascimento leva ao assassinato de criancinhas depois de nascidas. Infelizmente, isto é uma realidade em nossos dias. Um dos métodos aprovados de aborto é a histerectomia, em que o embrião é abortado com vida e morto depois de nascido por afogamento, fome ou corte do fluxo de oxigênio.
Isso é uma clara transgressão do Sexto Mandamento. Certamente, aqueles que praticam tão brutal assassinato não ficarão impunes. Pagarão aqui na Terra ou no inferno, num sofrimento eterno (Ap 21:8).
d) GenocídioSegundo Hans Ulrich Reifler, genocídio é a matança consciente e deliberada de uma raça ou um povo considerado “inimigo” pelo resto da sociedade majoritária. O genocídio sempre é o resultado trágico de racismo político, fanatismo religioso, discriminação social ou preconceito econômico, moral ou até biológico.
Moisés foi salvo do genocídio decretado por Faraó contra Israel (Ex 1.22; 2.1-6). A rainha Ester salvou seu povo do genocídio planejado por Artaxerxes (Et 1-10). O terceiro exemplo de genocídio relatado na Bíblia é o massacre dos meninos com menos de dois anos ordenado por Herodes (Mt 2:16-18).
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mais de 6 milhões de judeus foram massacrados em câmaras de gás e campos de concentração como resultado da campanha antissemita de Hitler. Outros inúmeros genocídios recentes foram notícias. Uma clara afronta ao Sexto Mandamento.
e) Pena de Morte. Este é um dos temas mais controvertidos da atualidade. Segundo o pr. Esequias Soares, a pena capital não viola o sexto mandamento porque não se trata de assassinato malicioso e violento de um inimigo pessoal. É uma exigência da justiça para manter o bem-estar e a segurança do povo e preservar a sociedade. Seu objetivo não era restaurar a vida do assassinado ou reparar o prejuízo, pois somente Deus pode dar a vida; era conter o crime. Deus delegou aos governantes a autoridade de dirigir legitimamente o Estado. A execução de uma pena capital é determinada pelo Estado, depois de julgamentos e de todo processo legal, tendo o réu amplos direitos de defesa. A lei de Moisés exige pelo menos duas testemunhas, sem as quais o processo não terá validade legal (Nm 35.30; Dt 17.6).
Segundo Hans Ulrich Reifler, na lei de Moisés percebemos uma radicalização da pena de morte. O princípio básico era “vida por vida, olho por olho, dente por dente” (Êx 21:23,24). A pena máxima foi permitida e sancionada por Deus nos seguintes casos: assassinato premeditado (Êx 21:12-14); sequestro (Êx 21:16; Dt 24:7); adultério (Lv 20:10-21, Dt 22:22); homossexualismo (Lv 20:13); incesto (Lv 20:11,12,14); desobediência aos pais (Dt 17:12; 21:18-21); ferir ou amaldiçoar os pais (Êx 21:15; Lv 20:9); falsas profecias (Dt 13:1-10); blasfêmia (Lv 24:11-14); profanação do sábado (Êx 35:2; Nm 15:32-36); sacrifícios aos falsos deuses (Êx 22:20).
O Novo Testamento reconhece a pena de morte, mas não se trata de um mandamento cristão.Hans Ulrich Reifler cita os seguintes argumentos a favor da pena de morte no Novo Testamento, apesar de ferir o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo:
Ø  O ensino de Jesus. Temos a tendência de esquecer que Jesus reafirmou o princípio da pena máxima no sermão do monte: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir… Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: quem matar estará sujeito a julgamento [à pena de morte]. Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento” (Mt 5:17, 21,22).
Ø  Ananias e Safira. Esse casal foi condenado à morte pelas palavras apostólicas de Pedro. Eles tiveram morte imediata porque mentiram (At 5:13). Encontramos, então, claras evidências de que o Novo Testamento, mesmo na dispensação da graça, permite que homens condenem homens à morte.
Ø  O ensino de Paulo. Em Romanos 13:1,2 vemos que Deus deu a espada às autoridades humanas para protegerem a vida. O uso da espada para o bem da sociedade logicamente inclui a pena de morte em casos especiais. Mas é importante observar que a espada foi dada para o bem da sociedade e não deve ser empregada indiscriminadamente.
Ø  A morte de Jesus Cristo. Pilatos realmente teve autoridade para prescrever a pena máxima a Jesus, e Cristo Se submeteu a ela (João 19:11). Sem essa pena não gozaríamos de tão grande salvação.
Diante de todos esses argumentos, concluímos que realmente existem exemplos morais concludentes no Antigo e no Novo Testamentos, que mostram que Deus ordenou, e os homens exerciam a pena capital para delitos específicos.
“Todos reconhecem que a pena de morte é uma lei que fere o espírito de perdão, amor e misericórdia, que formam a essência do cristianismo; no entanto, ela está presente no Novo Testamento. A diferença do Antigo Testamento é que ali a lei prescreve como parte de um sistema legal, e aqui não é mandamento, conselho ou incentivo. O Novo Testamento apenas reconhece que a pena capital existe” (Esequias Soares).
Sou partidário dos que preferem apoiar penas alternativas, como o caso da prisão perpétua, onde o criminoso tem a oportunidade de se recuperar, e até de se tornar um crente salvo em Cristo Jesus.
f) Guerras e defesa pessoal. Segundo Hans Ulrich Reifler, a questão da guerra é o segundo exemplo clássico que não se enquadra necessariamente no sexto mandamento. O povo de Israel jamais considerou que este mandamento proibisse guerras, mesmo porque o próprio Deus ordenou várias guerras: contra Amaleque (Êx 17.8-16; 1Sm 15.1-9), contra os filisteus (1Sm 7.1-14), contra os amonitas (1Sm 11:1-11), contra Jericó (Js 6.2ss.), contra a cidade de Ai (Js 8:1ss.), contra os cananeus (Js 11.19,20) e muitas outras, mencionadas principalmente nos livros históricos do Antigo Testamento.
O próprio Deus é conhecido como “homem de guerra” (Êx 15.3; Is 42.13). O título “Senhor dos Exércitos” (Êx 12.41; 1Sm 17.5; Sl 46) indica que Deus luta contra os inimigos ao lado de Seu povo. Em Números 21:14 lemos: “livro das Guerras do Senhor”. O próprio Deus, na qualidade de capitão, chefiava o exército (2Cr 13.12). Na oração do rei Salomão, temos uma forte indicação de que o Senhor envia Seu povo contra os inimigos (2Cr 6.34). Ele armou emboscadas (2Cr 20.22) e ensinou o salmista a combater (Sl 144.1). Algumas vezes, Deus assumiu a batalha e combateu sozinho, enquanto o exército de Israel ficava quieto (2Cr 20.17). Qualquer guerra “convocada por Deus” estava fadada a ser vencida pelos israelitas.
Assim, qual a posição dos cristãos com respeito à guerra? Até que ponto o cristão pode envolver-se em conflitos bélicos? Existem normas ou diretrizes bíblicas para nos orientar nesta questão?
Quanto a esse problema, o cristianismo divide-se em pelo menos três correntes de pensamento, segundo Hans Ulrich.
- Primeira corrente: o ativismo. O ativismo sustenta que o cristão deve ir para todas as guerras em submissão e obediência ao governo instituído e ordenado por Deus (Rm 13.1-7). Para justificar sua posição, essa linha de pensamento opera com as seguintes referências bíblicas: Gênesis 1.28; 9.5,6; Êxodo 21.23-25; Mateus 22:21; Romanos 13.1-7; 1Timóteo 2.2; Tito 3.1; 1Pedro 2.13,14.
Como podemos justificar guerras entre nações pagãs de hoje baseados em guerras ordenadas pelo Senhor no Antigo Testamento? Nenhuma dessas nações é o povo escolhido por Deus. Diz mais Hans: o problema é a tendência de idolatrar o Estado, considerando-o infalível ou, até, idêntico à vontade de Deus. E isso, evidentemente, está muito longe da realidade.
- Segunda corrente: o pacifismo. O pacifismo argumenta que o homem nunca deve participar de guerras; ele deve poupar a vida dos outros, visto que Deus ensina que é proibido matar. Os principais argumentos do pacifismo podem ser resumidos assim: matar é sempre errado; também é errado usar a força para resistir ao mal, porque a vingança pertence a Deus (Mt 5.39; Dt 32.35); a guerra é baseada no mal da ganância; a guerra sempre resulta em muitos males; a violência gera mais violência e a guerra cria mais guerras. O pacifismo moderado (ou pacifismo cristão) opõe-se ao serviço militar armado.
- Terceira corrente: o seletivismo. O seletivismo afirma que é necessário fazer uma diferença entre guerras justas e guerras injustas, e que se deve participar de algumas delas, visto que agir de outra forma seria recusar-se a fazer o bem maior ordenado por Deus.
Os argumentos do seletivismo são:
ü  Deus sancionou a pena máxima após o dilúvio (Gn 9.6);
ü  Está de acordo com a lei de Moisés (Êx 21-26), reafirmada por Pedro (1Pe 2.13);
ü  Paulo ensina que toda autoridade procede de Deus (Rm 13.1-7);
ü  Jesus Cristo se submeteu à pena capital (Jo 19.11);
ü  Está implícito no fato de o apóstolo Paulo buscar a proteção do exército romano (At 22.25-29; 23.23): e
ü  É estimulado em Tiago 4.17: “… aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando“.
Finaliza Ulrich: o seletivisia não cai num ativismo cego nem foge à responsabilidade cívica nos momentos cruciais de seu país. Ele avalia a situação, ora e depois se posiciona como ser livre e responsável.
Concordo com o Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco, quando diz que um papel que Deus requer do cristão é a de ser pacificador. Muito mais do que ativistas do pacifismo que estão surgindo nos últimos tempos pelo mundo. Pacifista é alguém que é a favor da paz e que, para que esta paz venha, muitas vezes, recorre a métodos tão condenáveis quanto a política de guerras das autoridades, como se verifica, comumente, nas chamadas “manifestações antiglobalização” em que depredações, invasões, agressões são corriqueiras e nada têm a ver com a paz. Recorrem à violência para pregar a paz. Já os pacificadores, muito pelo contrário, são contundentes, firmes em suas atitudes e convicções, mas não recorrem jamais à violência. Jesus disse no sermão do monte: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”(Mt 5:9).
Mas, para sermos pacificadores de uma nação que está envolta na violência e na criminalidade, como o Brasil, é preciso, antes, sermos pacificadores no nosso lar, na nossa sala de aula, no nosso local de serviço, na nossa igreja local. Temos sido pacificadores, ou somos criadores de contenda entre os irmãos? Lembremo-nos de que o que cria contendas entre irmãos é abominado pelo Senhor! (Pv 6:16-19).
Só o cristão pode levar aos homens a verdadeira paz, que lhes foi deixada por Cristo (João 14:27), pois a paz não é a simples ausência de conflitos humanos, ausência esta que é assaz enganadora (1Ts.5:3), mas a comunhão com Deus, a única fonte de paz.
III. PROCEDIMENTO JURÍDICO
A Bíblia salienta e sustenta a inviolabilidade da vida humana. Deus proibiu de forma cabal o assassinato do ser humano, desde o limiar da raça humana. Está escrito: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem” (Gn 9:6).
A lei de Moisés traz instruções específicas sobre o procedimento jurídico do homicídio doloso, quando há intenção de matar, e do homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O capítulo 35 de Números aborda exclusivamente esse tema.
1. Homicídio doloso (Nm 35:16-21). Aqui, são dadas as instruções especificas aceca do procedimento jurídico sobre o homicídio doloso. Se alguém ferir de morte seu próximo, de forma intencional, premeditada e deliberada, e a pessoa golpeada morrer, o autor da ação é considerada homicida. Neste caso, de homicídio doloso; nem mesmo o altar de Deus serviria de refúgio para este tipo de assassino (vide o caso de Joabe - 1Rs 2:28-33).
2. Homicídio culposo (Nm 35:22-25). Se o indivíduo não armou cilada (Êx 21:13) para a vítima, então o assassino poderia fugir e se refugiar no altar de Deus; mais tarde, seriam criadas cidades de refúgio com esse propósito (Nm 35:22-28), e ali o assassino estaria seguro até que a questão fosse julgada e a verdade determinada por tribunal apropriado. Essas cidades apontavam para o refúgio que só Jesus oferece. Através do seu sangue, Ele nos mostra um lugar seguro, onde todos os que quiserem estarão protegidos para sempre do pecado e da morte. “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmo 46:1).
Vejamos, em resumo, alguns aspectos significativos sobre as cidades de refúgio:
a) O que as cidades de refúgio representavam? As cidades de refúgio representavam, em linguagem jurídica de hoje, um “habeas corpus” a favor do homicida involuntário (crime culposo), ou cujo crime não tivesse sido apurado adequadamente. Em caso de homicídio, pela lei, caberia ao parente mais próximo do falecido a responsabilidade de aplicar a “Lei de Talião” ao homicida, e isto poderia ser feito a qualquer hora e em qualquer lugar, exceto na cidade de refúgio, onde o homicida que não matara intencionalmente poderia aguardar seu julgamento em segurança (Nm 35:11,12). O refugiado não poderia sair da cidade. Se o fizesse, correria por sua conta o que acontecesse, pois o vingador o apanharia, e não haveria apelo para ele. As cidades de refúgio eram bem fortificadas e muradas, com portas nas extremidades, que podiam ser fechadas para impedir a chegada do vingador.
b) A cidade de refúgio é um tipo perfeito de Cristo. A cidade de refúgio protegia tanto aos filhos de Israel quanto ao estrangeiro (Nm 35:15), pois se levava em consideração o princípio da inocência e não da nacionalidade, e representava para o homicida perseguido e fugitivo, segurança e descanso ao mesmo tempo, tornando-se assim um tipo perfeito de Jesus Cristo, que recebe todos quantos tiverem acesso a Ele (João 6:37). Somente estando em Jesus Cristo, o refúgio eterno, o pecador estará para sempre livre da sentença mortífera do pecado (João 5:24).
Ao determinar a construção das seis cidades de refugio, Deus Pai não estava querendo com isso proteger o assassino, mas dar um lugar de refugio àquele que cometia homicídio involuntário. Jesus é muito mais que aquelas cidades: é o refúgio para os culpados.
CONCLUSÃO
O Sexto Mandamento foi dado por Deus para proteger a vida. Por mais que sejamos tentados a defender o “olho por olho e dente por dente”, diante de uma tremenda injustiça, precisamos fazer o exercício diário de olharmos para Jesus e nos lembrarmos de que, mesmo a sua vida esvaindo-se, o nosso Senhor exalava o perdão contra os seus algozes.
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Luciano de Paula Lourenço 
http://luloure.blogspot.com

LIÇÃO 08 – NÃO MATARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa)

NÃO MATARÁS
Texto Áureo Ex. 23.7 – Leitura Bíblica  Ex. 20.13; 35.16-25


Prof. Ev. José Roberto A. Barbosa
Twitter: @subsidioEBD

INTRODUÇÃO
Dando continuidade aos estudos dos Dez Mandamentos, nos deteremos na aula de hoje no sexto mandamento: Não matarás. Inicialmente faremos uma análise da expressão, a fim de dirimir dúvidas teológicas, a partir do hebraico bíblico. Em seguida, ressaltaremos o valor desse mandamento, considerando a natureza sagrada da vida. Ao final, apontando os riscos de deixar de levar a sério esse importante mandamento.

1. NÃO MATARÁS
Esse mandamento é um dos mais curtos, a expressão hebraica é lo ratzach, ou simplesmente: “não mate”. O verbo hebraico ratzach tem a especificidade de se referir “ao assassinato de um ser humano”. Nada tem a ver com a pena de morte no sistema jurídico, ou em um confronto de guerra, ou até mesmo à morte de um animal. Essa expressão, em Ex. 20.13, se refere ao homicídio culposo, no qual há intenção de matar. Os casos de mortes acidentais eram previstos no sistema mosaico, que preservava a vida daquele que as ocasionasse (Dt. 4.42). Isso porque no sistema jurídico de Israel a pena capital era permitida, além da morte resultante em confrontos bélicos. Essa possibilidade é concebida também no Novo Testamento, o apóstolo Paulo não recomenda, mas atesta que o governo “não traz debalde a espada” (...) e que esse “é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal” (Rm. 13.4). De acordo com esse texto, não compete a qualquer pessoa realizar a vingança (Rm. 12.19), mas o governo pode ter a responsabilidade de julgar, dependendo das leis do país, com a pena capital. Mesmo com essa possibilidade, os cristãos costumam adotar um posicionamento favorável à vida, dando ao transgressor a oportunidade para o arrependimento. Além disso, faz-se necessário reconhecer que o Estado também é falho, e pode incorrer no risco de julgar indevidamente as pessoas. Em um contexto de corrupção, é possível que os condenados à morte sejam justamente aqueles que se encontram em posição de vulnerabilidade. O evangelho de Jesus Cristo garante ao pecador a possibilidade de arrependimento, e esse deve ser o posicionamento da igreja (At. 3.19).

2.  A VIDA É UMA DÁDIVA
O sexto mandamamento ressalta a dignidade da vida humana, infelizmente essa geração tem sido marcada pela cultura da morte. A morte está se alastrando por todos os lados, e as vidas das pessoas estão sendo coisificadas. A morte do ser humano está sendo banalizada, as produções cinematográficas e os programas de TV atestam essa realidade. Os atentados à vida também são comuns, empreitadas terroristas que assustam as pessoas, chacinas de menores nas ruas e nas escolas. A cultura da violência está se propagando de tal modo que estamos deixando de nos escandalizar com os assassinatos. Cada ser humano que morre é contado com números frios, sem atentar para a dignidade da vida nas Escrituras (Gn. 4.8; Lv. 24.21; , e que nos é reafirmada nas palavras de Jesus (Jo. 10.10). Atentados contra a vida podem ser constatados também nas práticas do aborto e da eutanásia (Jó. 12.10). Comumente os evangélicos são rotulados de conservadores, em virtude do seu posicionamento contra essas práticas. Na verdade, os cristãos se posicionam em favor da vida, ao defenderem que o feto é vida (Sl. 139.13-16; Jr. 1.5), e que a vida das pessoas não são descartadas, quando essas adoecem (Sl. 139.13-16), ou estão nos dias da velhice (Sl. 92.14). A igreja deve manter seu posicionamento firme em relação a esses assuntos, mas também dar o exemplo através de práticas sociais que auxiliem pessoas marginalizadas, ou que se tornaram vítimas de um sistema que descarta a vida humana. Como o samaritano da parábola de Jesus, devemos ajudar os mais necessitados, aqueles que são desconsiderados pela sociedade utilitarista (Lc. 10.31-37).

3. CUIDADO
Não é difícil transgredir o sexto mandamento, isso se atentarmos para o conceito bíblico mais amplo de assassinato. Muitas pessoas estão matando a fé uma das outras através de atitudes escandalosas. Além disso, a agressão não se dá apenas pelos meios físicos, mas também pelo verbal (Mt. 5.21,22). A ofensa é uma forma de manifestar esse mandamento, na medida em que denigre a imagem da pessoa humana. Deus abomina o cerne do assassinato, onde esse se origina, no ódio alimentado, e no desejo de vingança. Há pessoas que não matam fisicamente, mas desejam que seus inimigos morram. Por esse motivo João adverte que “todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (I Jo. 3.15). O coração de algumas pessoas está repleto de ódio, por isso utilizam a língua para disseminar a maldade, e destruir a vida das pessoas (Mt. 12.34). O autor dos Provérbios destacou que existem pessoas cujas palavras são como pontas de espada (Pv. 12.18). Há pessoas que agridem os outros verbalmente, e não se ressentem de suas palavras, isso também é assassinato. As palavras têm o poder de matar, existem muitas pessoas nas igrejas adoecidas por causa de uma agressão verbal. Lembramos que um dos motivos do assassinato pode ser a inveja, por causa dela Caim matou seu irmão Abel (Gn. 4.8). Esse sentimento tôxico tem causado muitos males à sociedade, inclusive às igrejas, pessoas adoecidas que querem se colocar acima das outras. Por causa da inveja muitos estão sendo assassinatos diariamente, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. 

CONCLUSÃO
Em meio à cultura da morte, a igreja da responsabilidade de levar adiante a mensagem da vida. Não podemos esquecer que Jesus é a Vida (Jo. 11.25; 14.6). E porque estamos a serviço do Autor da Vida, devemos investir na vida, se opondo à cultura da morte. Para tanto, precisamos pregar, usando as palavras e atitudes que façam a diferença na sociedade. A vida de Cristo deve contagiar as pessoas, devemos ser canais de vida, em um mundo no qual cada vez mais se propaga a morte