LIÇÃO 12 – NÃO COBIÇARÁS - 1° TRIMESTRE 2015 (Prof. Luciano de Paula Lourenço)
INTRODUÇÃO
Nesta Aula trataremos a respeito do Décimo Mandamento: “não cobiçarás…” (Êx 20:17; Dt 5:21). A cobiça é um desejo forte, constante e insaciável; ela pode levar o homem a pisar no seu próximo para subir na vida, chegando a roubar e matar. Deus estabeleceu limites: Adão poderia comer do fruto de todas as árvores, exceto uma (Gn 2:16,17). Quando desejamos o que Deus proibiu, está caracterizada a cobiça. O Décimo Mandamento assevera: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo” (Ex 20:17). Portanto, o direito do outro é um dos nossos limites.
I. O DÉCIMO MANDAMENTO
1. Abrangência. Este mandamento inibe a cobiça em geral. Especificamente, proíbe a cobiça da mulher, dos empregados, dos animais e de todos os bens materiais e ideais do próximo. A cobiça é um dos piores pecados, o pecado que não se vê, afirma Esequias Soares.
“Enquanto os mandamentos anteriores referem-se ao comportamento exterior e direto da pessoa, o Décimo Mandamento reporta-se ao comportamento subjetivo, íntimo e interior do indivíduo. Ou seja, este mandamento está relacionado ao que a pessoa pensa e sente quando da sua peregrinação existencial” (Ensinador Cristão).
Segundo pr. Esequias Soares, a subjetividade é a característica distintiva deste mandamento em relação aos outros, pois não é possível ser conhecido. Isso mostra que o Legislador divino é onisciente, pois Ele conhece o mais íntimo do coração humano, nossos desejos e intenções (1Rs 8:39; 1Cr 28:9; Jr 17:10; At 1:24). Deus se interessa não só pelos corretos atos concretos, não apenas pelo cerimonialismo na adoração, mas principalmente pela pureza de um coração sincero. Isso mostra o lado espiritual do Decálogo. A ideia central é não desejar aquilo que pertence ao outro.
O Senhor Jesus disse que é do mais íntimo do ser humano que procede todo o tipo de pecado: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7:21-23). Essas palavras mostram a dura realidade: o que o ser humano realmente é, isso afeta o que ele diz (Mt 12:34, 35). Toda ação humana começa no seu coração (Tg 1:14, 15), afirma Esequias Soares.
2. Objetivo. ”O propósito divino é estabelecer limites à vontade humana, para que haja respeito mútuo entre as pessoas e seus bens”. Quando Deus ordenou: “não cobiçarás” - não pretendia inibir os desejos do coração humano, mas, sim, orientar a nossa conduta para o bem. Aliás, os mandamentos não podem ser vistos como proibições, e sim, normas de vida que facilitam e aperfeiçoam a nossa caminhada.
3. Contexto. Quando Moisés passou as santas instruções do Senhor (Êx 20), ele apresentava um programa orientador para o povo que vivia no deserto e haveria de conquistar a terra prometida. Nesta nova terra, o povo enfrentaria situações novas, gente diferente e problemas diversos. Então, vem a Palavra do Senhor - “não cobiçarás” - como se lhes dissesse: “controlem os seus desejos”, principalmente no que envolve os bens do próximo. Isto se aplica, com todas as letras, ao povo de Deus da Nova Aliança.
II. A COBIÇA
1. Significado. Segundo o Rev. Hans Ulrich Reifler, a palavra hebraica bíblica para “cobiça”(chamad), refere-se “aos sentimentos íntimos que revelam como intrigas para se apoderar dos bens do próximo”. Já em grego, segundo o mesmo autor, há três palavras diferentes que traduzem a ideia da cobiça. A primeira é pleonexia, que significa o desejo incontrolável de possuir o mundo e seus bens materiais, poder, influência e prestígio. A segunda palavra é philarguria, que significa amor desordenado pelo mundo. Este termo expressa que o mundo é o objeto da cobiça, o ídolo do qual o homem cobiçoso não se pode separar. A terceira palavra grega no Novo Testamento éepithumia, que pode ser traduzida por cobiça, intenção impura, ambição, desejo intenso, desejo ardente, aspiração. Em síntese, estes termos indicam o desejo incontrolável de possuir o mundo e os seus bens materiais, poder, influência e prestígio, ou “o amor desordenado pelo mundo”, “intenção impura”, “desejo ardente”.
O mundo em que vivemos é orientado por um estilo de vida materialista, hedonista e pragmatista, todavia, o Evangelho demanda de cada um de nós um estilo rigorosamente contrário ao mundano. Gênesis 3:6 descreve as características principais da cobiça. A árvore da vida era boa para comer, agradável aos olhos e desejável para o entendimento. A cobiça estimula o paladar, influencia a vista e afeta a mente humana. Eva, ao receber esses três estímulos, cedeu à tentação e comeu o fruto proibido, dando-o também ao marido. O primeiro pecado do homem foi resultado da cobiça de Eva, por causa da beleza da árvore da vida.A história do dilúvio mostra que o problema da multiplicação da maldade está na cobiça que nasce dos maus desígnios do homem - “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração“ (Gn 6:5).
2. Cobiçar. Originalmente, cobiçar é mais do que simplesmente desejar algo; frequentemente relaciona-se a tomar providências para se apossar de algo, planejando, arquitetando, almejando andar nos caminhos dos outros. É “desejar mais do que é suficiente”. É o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence a outrem. O Décimo Mandamento termina com as palavras: “nem coisa alguma do teu próximo”.
Existe o desejo legítimo e a cobiça. O primeiro refere-se ao suprimento das necessidades e, em alguns casos, um pouco mais, atingindo o nível do conforto; o segundo vai muito além, alcança o excesso e avança rumo ao proibido. Mas onde está a exata fronteira entre uma e outra coisa? É difícil dizer onde o desejo correto se transforma em cobiça, assim como não podemos determinar com certeza a exata quantidade de comida que alguém precisa consumir. Cada indivíduo é capaz de reconhecer que a sua necessidade foi suprida e seu apetite saciado. Depois disso, o desejo torna-se cobiça. Disse o sábio Salomão: “Se achaste mel, come somente o que te basta, para que porventura não te fartes dele, e venhas a vomitar” (Pv 25:16).
3. A versão inibidora e crítica do Décimo Mandamento no Antigo e no Novo Testamento, segundo Hans Ulrich Reifler. (*)
a) No Antigo Testamento. Números 11:4 descreve a cobiça dos israelitas como um grande desejo: “E o populacho, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo das comidas dos egípcios; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar, e também disseram: quem nos dará carne a comer?“. É incrível como a cobiça pode ser tão forte, a ponto de levar as pessoas ao choro.
A queda moral do rei Davi, relatada em 2Samuel 11:1ss., mostra como o Décimo Mandamento afeta também o Sétimo e o Sexto Mandamentos. A cobiça por Bate-Seba levou o rei Davi ao adultério e ao homicídio premeditado.
O profeta Isaías ensina que a cobiça causa indignação a Deus, fazendo-O ferir o povo e se esconder (Is 57:17a). Infelizmente, o povo escolhido optou pelo caminho da cobiça. Contudo, mesmo mantendo essa rebeldia contra Javé, Ele deseja sará-los, guiá-los, consolá-los (Is 57:17b-18).
Jeremias refere-se às multiformes iniquidades de Jerusalém, que a conduzirão à queda (Jr 6:9ss.). Um desses pecados é a ganância generalizada entre crianças e adultos, e até entre líderes espirituais (profetas, sacerdotes). Novamente, a cobiça é vista em combinação com outros deslizes contra a lei moral de Deus. É a ganância que leva à falsidade (Jr 6:13). Mais tarde, o profeta prediz que, em consequência dessa ganância, as mulheres e os campos serão entregues a outros. Esta profecia trágica cumpriu-se literalmente com a invasão de Nabucodonosor, quando as mulheres judias foram violadas e a terra da promissão foi tomada.
Em Jeremias 22:17, o profeta vê como a ganância leva ao derramamento de sangue inocente, à violência e extorsão. Este círculo vicioso é indicado também por Miquéias, quando escreve que a cobiça leva à usurpação de campos e casas (Mq 2:2).
b) No Novo Testamento. Segundo Hans Ulrich, no Novo Testamento, a palavra predominante para cobiça é pleonexia, o desejo incontrolável de possuir o mundo, poder, influência, bens materiais. O apóstolo Paulo segue a tradição de Jesus (Mc 7:22) e encara a cobiça como um vício.
Além de vício (1Co 5:10,11; 6:10: Ef 5:5), a cobiça ou avareza é encarada também como característica dos gentios (Ef 4:19), idolatria (Cl 3:5) e prática herética (1Ts 2:5). Veja também o mesmo ensino confirmado pelo apóstolo Pedro em 2Pedro 2:3,14.
Jesus adverte repetidas vezes contra a cobiça, haja vista que o homem não vive só de seus bens materiais (Mt 5:28; 16:26; Mc 7:22; Lc 12:15).
Em Romanos 7:7, epithumia é o equivalente para a palavra hebraica chamad, usada no Décimo Mandamento. Parece que, para Paulo, a cobiça ou concupiscência é um pecado particularmente ruim (Rm 7:7,8). Ele também diz que o desejo ardente de comer carne, manifestado pelos israelitas no deserto, é um exemplo clássico de cobiça (compare 1Co 10:6 com Nm 11:4).
Para Tiago, a cobiça nasce no coração do homem e gera o pecado que, por fim, acaba levando à morte (Tg 1:14,15). A cobiça nem sempre leva aos resultados desejados: “Cobiçais, e nada tendes” (Tg 4:2).
III. A VINHA DE NABOTE
1. Proposta recusada. Acabe possuía riqueza e todo tipo de bens materiais, mas dirigiu seus olhos e sua cobiça à propriedade de subsistência de Nabote, seu vizinho. Seu desejo incontido desencadeou uma série de pecados: abuso de autoridade, acusação, falso testemunho, homicídio e roubo (1Rs 21). A proposta que Acabe fez a Nabote parecia justa, generosa e irrecusável, pois oferecia em troca uma outra vinha melhor, ou se desejasse, lhe daria em dinheiro o que ela valia. Acontece que o valor da vinha para Nabote ia para além das questões mercantilistas. Ele considerava aquela propriedade uma herança inegociável, e cuja venda implicaria em transgressão ao mandamento do Senhor (cf Lv 25:13-28 e Nm 36:7,9). Nabote procedeu corretamente. De acordo com o livro de Levitico, a terra pertencia ao Senhor (Lv 25:23). Assim sendo, Nabote não poderia vender aquilo que lhe fora dado como uma herança do Senhor. Diante da resposta e posicionamento de Nabote, a reação de Acabe foi de desgosto e indignação, pois o seu capricho não fora alcançado, o que desencadeou no rei uma crise emocional (1Rs 21:4). Mas, Acabe queria aquela propriedade a qualquer custo; aquele espaço de terra, era o seu objeto de maior desejo. Por ser rei, imaginava que podia atropelar a lei de Deus e emplacar injustiça social.
2. O direito de propriedade. A principal causa da cobiça de Acabe: o domínio incontrolado do “ter”, de “possuir”, aquilo que é do outro, neste caso a vinha de Nabote. Esta vinha era próxima ao palácio real, isto é, da casa de verão, e, aparentemente, Acabe, levado por um capricho, desejava transformá-la em um jardim.
“Porém Nabote disse a Acabe: guarda-me o Senhor de que eu te dê a herança de meus pais” (1Rs 21:3). Entendemos pelo texto sagrado que aquela propriedade fora passada a Nabote por herança, o que fortalecia a convicção de Nabote de que ele não deveria vendê-la nem trocá-la por outra propriedade. É provável que Nabote tenha sido criado naquele terreno, dedicando-se com seus pais ao cultivo de uvas. Se Nabote tivesse feita essa venda ou trocada por outra vinha, ele teria transgredido não só uma tradição, como também a sua consciência (cf Lv 25:23-28; Num 36:7ss). Acabe reconhecia isso; ele era cônscio de que Nabote estava religiosamente obrigado a conservar a posse de sua terra e que essa obrigação não poderia ser contrariada. Entretanto, ele ainda assim queria essa área; ele estava totalmente dominado pela cobiça, qual um viciado de drogas; somente a casa de verão não lhe satisfazia, queria agora construir uma horta ao lado dela para que seus desejos pudessem ser realizados; não se importava em quebrar o mandamento divino “não cobiçarás” (Ex 20:17). Desta feita, o que fez Acabe diante da resposta negativa de seu súdito? Ficou entristecido, como uma criança mimada, e não quis se alimentar. O desejo despertado pela cobiça é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do cobiçoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4).
3. O pecado de Acabe e Jezabel. Acabe cobiçou a vinha de Nabote com tanta intensidade que não conseguiu mais comer, de tanto desgosto (1Rs 21:1-7). A mesma cobiça inflamou sua mulher Jezabel, causando o assassinato de Nabote (1Rs 23:8-16). Ao observar o estado em que se encontrava Acabe, Jezabel, sua mulher, procurou tomar conhecimento do que havia acontecido, o que lhe foi relatado pelo rei (1Rs 21.5-6). Diante do que ouviu, Jezabel, que já havia em outros episódios demonstrado a sua influência e força no reino, que tomava decisões sem pedir a aprovação do seu manipulável e omisso marido, possuidora de um temperamento difícil e cruel em suas deliberações, toma para si as dores de Acabe e declara: “governas tu, com efeito, sobre Israel? Levanta-te, come, e alegre-se o teu coração; eu te darei a vinha de Nabote, o jezreelita” (1Rs 21:7). Jezabel se coloca aqui como aquela que satisfará a cobiça de Acabe. Uma esposa sábia não adota tal postura, antes, aconselha o seu marido sobre os princípios do contentamento. Enfim, o desejo exacerbado e maligno de Acabe resultou no assassinato do obediente Nabote, resultando assim na inobediência a outro mandamento da lei moral de Deus: “não matarás” (Ex 20:13).
Novamente vemos que o pecado da cobiça pode conduzir o homem a atos criminosos. A quebra premeditada do Décimo Mandamento leva, mais cedo ou mais tarde, à quebra de outros mandamentos.
Atualmente, muitos líderes e irmãos caprichosos, que não se contentam com aquilo que possuem, e que acham que seus desejos precisam ser atendidos e satisfeitos por todos, estão dominados pela cobiça. Tenhamos cuidado, pois a cobiça é abominação ao Senhor (Dt 7:25); é a raiz de todos os males (Tg 4:15,15).
4. O fruto da cobiça. O fruto da cobiça de Acabe: assassinato do obediente Nabote. O pecado de Acabe envolveu várias pessoas, inclusive os anciãos e os nobres de Israel (1Rs 21:8), os quais sem temor e piedade co-participaram do plano maligno da esposa de Acabe. Como Acabe não se apossou imediatamente da vinha de Nabote, Jezabel continuou com seu plano diabólico. Sem escrúpulos, sem temor a Deus, sem piedade e sem misericórdia, Jezabel articula um plano onde Nabote seria vitimado por uma terrível calúnia. Usando o nome e o sinete de seu marido, ela escreveu cartas aos anciãos e aos nobres da cidade e que habitavam com Nabote, onde dizia o seguinte: “Apregoai um jejum e trazei Nabote para a frente do povo. Fazei sentar defronte dele dois homens malignos, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei. Depois, levai-o para fora e apedrejai-o, para que morra. Os homens da sua cidade, os anciãos e os nobres que nela habitavam fizeram como Jezabel lhes ordenara, segundo estava escrito nas cartas que lhes havia mandado. Apregoaram um jejum e trouxeram Nabote para a frente do povo. Então, vieram dois homens malignos, sentaram-se defronte dele e testemunharam contra ele, contra Nabote, perante o povo, dizendo: Nabote blasfemou contra Deus e contra o rei. E o levaram para fora da cidade e o apedrejaram, e morreu“.
“O maligno plano de Jezabel se reveste de um caráter espiritual, com direito a proclamação de um jejum e com o argumento de que Nabote teria blasfemado contra Deus (e contra o rei). É possível “espiritualizar” até a cobiça. Em nome de Deus, e com a máscara da falsa espiritualidade, muitas barbáries e injustiças foram e são realizadas sob a influência do “espírito de Jezabel”; muitas cobiças são alimentadas à custa da destruição de vidas, casamento e famílias” (pr. Altair Germano).
Nunca foi exposta a falsa acusação de blasfêmia levantada contra Nabote perante a assembleia dos anciãos e dos nobres. Este sincero israelita foi apedrejado de acordo com a lei (cf Lv 24:13-16), sob o testemunho de duas pessoas (falsas testemunhas, claro) que teriam presenciado a suposta ofensa (cf Dt 17:6,7). Com o assassinato de Nabote, Acabe se apropriou indevidamente da sua vinha.
É curioso ver que pessoas malignas não adoram ao Senhor nem o temem, mas não se furtam de usar o nome do Senhor para perverter o juízo e cometer atrocidades. Mas lembremo-nos de que Deus não se deixa escarnecer nem deixa seu nome ser usado em vão.
4. Consequência da cobiça de Acabe e Jezabel. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte (1Rs 21; 2Rs 10:1-14). A sentença do julgamento de Acabe e Jezabel foi transmitida por Elias, o profeta:
“Então, veio a palavra do SENHOR a Elias, o tisbita, dizendo: Levanta-te, desce para encontrar-te com Acabe, rei de Israel, que está em Samaria; eis que está na vinha de Nabote, aonde tem descido para a possuir. E falar-lhe-ás, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porventura, não mataste e tomaste a herança? Falar-lhe-ás mais, dizendo: Assim diz o SENHOR: No lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo. E também acerca de Jezabel falou o SENHOR, dizendo: Os cães comerão Jezabel junto ao antemuro de Jezreel” (1Rs 21:18,19,23).
Acabe ainda se recusou a admitir seu pecado contra Deus; em vez de fazê-lo, acusou Elias de ser seu inimigo (cf 1Rs 21:20). É quase impossível que os que se tornam cegos pela cobiça e pelo ódio, enxerguem seus próprios erros.
“Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isto também ceifará” (Gl 6:7).
CONCLUSÃO
Todo ato de cobiça além de reprovado por Deus, será também duramente punido por Ele. Assim como Nabote, os que são vitimados por causa de sua obediência a Deus, e diante da cobiça alheia, são por Ele devidamente justificados e vingados. Portanto, todos aqueles que de alguma maneira detém o poder e dele abusam para realizar propósitos pessoais e até malignos, sofrerão consequências desastrosas. De Deus ninguém zomba! A quem muito for dado muito será cobrado. Pense nisso!
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Luciano de Paula Lourenço - Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
SOBRE A MENTIRA II (C. H. Spurgeon)
"A mentira dá a
volta ao globo enquanto a verdade calça as botas".(C. H. Spurgeon)
LIÇÃO 11 – NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO - 1° TRIMESTRE (Ev. Isaías de Jesus)
INTRODUÇÃO
Uma pessoa pode prejudicar a boa reputação de alguém, mediante uma calúnia. O Código Penal é severo, quando dispõe sobre os crimes de calúnias, injúria ou difamação. É interessante notar-se que, em muitas igrejas, alguém é excluído por causa do adultério (72 mandamento), mas ninguém é excluído por causa dos pecados contra 9º mandamento. Isso é praticar dois pesos e duas medidas, é juízo contrário a Palavra de Deus.
O NOVO MANDAMENTO
O nono mandamento. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.16). Este mandamento do Senhor trata da nossa honestidade e sinceridade no uso da palavra em relação aos outros. Falso testemunho é falar mal dos outros; acusar e culpar injustamente; difamar; caluniar; mentir (Tg 4.11).
Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judicial. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se o acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as partes, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes. O trecho de Êx 23.1 condena o falso testemunho em nível pessoal. Ver Dt 19.16-20 que requeria juízo apropriado contra falsas testemunhas que perturbavam o sistema judicial.
A linguagem e os fatos devem concordar entre si (Ver Dt 13.14; 17.4; 22.20; Jr 9,5; Sl 9.5; 15.2; Pv 12.19; 14.25; 22.21). A verdade precisa ser dita como tempero do amor (Ef 4.15). Algumas vezes, as meias verdades prejudicam mais do que as mentiras francas. O amor, porém, guarda-nos tanto da mentira aberta quanto das meias verdades. A mentira artística vem sendo aprovada desde os tempos mais antigos, conforme muitos eruditos supõem. Ver o caso de Labão (Gn 29.21-27), e o caso um tanto anterior de Jacó (Gn 27.6-36). Por outro lado, a luz que brilhou por meio de Moisés por certo condenava qualquer tipo de mentira ou abuso de linguagem. (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393).].
PROIBIÇÕES DO NONO MANDAMENTO
>> A mentira
A mentira surgiu bem cedo na história da humanidade. Satanás, pai da mentira (Jo 8.44), no Éden, disse a primeira mentira registrada na Bíblia. Primeiro com uma indução (”É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”, Gn 3.1) e depois com a mentira propriamente dita (”É certo que não morrereis”, Gn 3.4). Os nossos primeiros pais caíram em pecado justamente por não acreditarem nas palavras de Deus e sim nas mentiras proferidas pelo diabo.
A mentira não deve fazer parte da vida dos filhos de Deus. Ele ordenou: “…nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo” (Lv 19.11). “Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR” (Pv 12.22). Temos de abominar e detestar a mentira (Sl 119.163), rogando ao Senhor que a afaste de nós (Pv 30.8).
O nosso compromisso é com a verdade, por isso, “não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos” (Cl 3.9; cf. Ef 4.25).
>> Juízos falsos e calúnias Não devemos prejudicar a boa reputação do nosso próximo com juízos falsos, especialmente em público. Em Levítico 19.15, lemos: “Não farás injustiça no juízo: nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande: com justiça julgarás o teu próximo”. Esse mandamento nos alerta para a cautela com a qual devemos abrir a nossa boca para nos referir ao nosso próximo. Devemos ter cuidado redobrado ao denunciar alguma pessoa, pois não podemos ajudar a condenar alguém levianamente, ainda mais sem o ter ouvido primeiro. Deus não deixará impunes os caluniadores. Essa verdade é reiterada no livro de Provérbios: “A falsa testemunha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa” (Pv 19.5). Deus abomina a “testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.19). O verdadeiro homem de Deus “… não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho” (Sl 15.3).
>> Boatos falsos, fofocas, tagarelices
Todo tipo de boatos sem fundamento, fofocas e conversas infrutíferas sobre alguém que visam prejudicar a reputação do próximo são formas de quebrar o nono mandamento. A Escritura alerta: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros” (Tg 4.11). Em outro lugar, ordena: “não difamem a ninguém, nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens” (Tt 3.2). Salomão disse que “o homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos” (Pv 16.28).
Em Levítico, lemos: “não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo” (Lv 19.16). Não nos enganemos, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co 15.33). Quanto mais a nossa boca se abre para falar coisas contra o próximo, mais destruímos a eles e a nós mesmos. Devemos tomar muito cuidado com as conversas que temos uns com os outros. Quais são as palavras que provém da nossa boca quando estamos falando do nosso próximo?
>> Insultos, xingamentos, maledicências
Outra maneira de destruir a imagem do próximo diante das pessoas é por meio de insultos. Quanto a isso, note as palavras de Jesus no sermão da montanha: “… todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Nesse texto vemos a importância que o nosso Salvador dá a nossa maneira de falar uns com os outros. Ele proíbe o insulto, pois ele é figuradamente uma forma de assassinar um indivíduo.
Jesus faz referência a um insulto comum naquela época, que foi traduzido para o português por “tolo”. A palavra original é racá. Essa expressão traduz todo o espírito do insulto, pois significa dizer que o outro é um “nada”. Pare, pense e analise se todos os palavrões de hoje em dia não se baseiam nesta intenção: dizer que o outro não vale nada. Sem dúvida isso se encaixa no que é conhecido como bullyng, isto é, qualquer ato de violência física ou psicológica intencional e repetido por uma ou mais pessoas gerando dor e sofrimento em outra pessoa.
>> Falsidade e falsos profetas
A falsidade é a característica do hipócrita, daquele que finge que algo aconteceu, tanto para o bem como para o mal de alguém. No salmo 12.2, percebemos que realmente existem duas maneiras de praticar a falsidade: “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido”. Neste sentido, Deus condena tanto os que mentem para depreciar a reputação do próximo quanto os bajuladores.
De acordo com a Bíblia, podemos falsificar até a nós mesmos diante de Deus. Um exemplo disso é a oração do fariseu, ilustrada por Jesus em Lucas 18.11: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano”. Esse é um caso no qual há falsidade tanto na oração a Deus quanto na depreciação do próximo.
Por fim, a Bíblia dedica muita atenção para um tipo de testemunho falso, o dos falsos profetas. Eles não apenas estão enganando as pessoas com as suas palavras mentirosas, estão tentando enganar o próprio Deus, falando o que Deus não falou. Observe a conversa que Jeremias tem com Deus sobre os falsos profetas:
Então, disse eu: Ah! SENHOR Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar. Disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam. Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos profetas que, profetizando em meu nome, sem que eu os tenha mandado, dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas (Jr 14.13-15).
III. DEVERES EXIGIDOS PELO NONO MANDAMENTO
>> Amar e falar a verdade
Uma maneira de evidenciar nossa obediência a Deus quanto ao nono mandamento é amar sempre a verdade. A carta aos Coríntios nos lembra de que o amor “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1Co 13.6). Quem ama de fato a Deus e ao próximo como a si mesmo deve ter sua real satisfação em falar a verdade.
Devemos falar a verdade porque somos um único corpo, isto é, membros uns dos outros. Mentir para o próximo é mentir para nós mesmos, é autoengano. Logo, falar a verdade é estar cada vez mais íntimo do meu próximo e mais pessoalmente lúcido. “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).
Temos a responsabilidade de pensar muito bem na hora de escolher nossas palavras. Nenhuma torpeza deve estar em nossa língua, mas sempre palavras que irão transmitir a verdade e a graça de Deus para as pessoas. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef 4.29).
Falar a verdade como um hábito é um sinal de que realmente Jesus Cristo nos salvou dos nossos pecados e o seu Espírito habita em nós, pois ele é a própria Verdade. O apóstolo diz: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9-10). Jesus também diz no sermão do monte que o discípulo deve ter postura e falar sempre a verdade: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Temos glorificado a Deus falando as suas verdades uns com os outros?
>> Zelar pela boa reputação do próximo
Como nós podemos zelar pela reputação do nosso próximo? Parafraseando o Catecismo Maior de Westminster, devemos “amar, desejar e ter regozijo pela reputação deles. Ficarmos tristes pelas suas fraquezas e tentarmos encobri-las.
Devemos sempre reconhecer os seus dons e graças oferecidos por Deus, defender sua inocência e receber prontamente boas informações a seu respeito, rejeitando as que são maldizentes”.
Muitas vezes somos velozes para espalhar as falhas dos outros, mas lentos para promover as suas boas obras. Em Romanos 1.8, lemos que Paulo tomou conhecimento e se alegrou pelo estado da igreja de Roma, porque em todo o mundo era proclamada a fé dos cristãos romanos. Na mesma carta o apóstolo ensina que devemos nos “alegrar com os que se alegram” (Rm 12.15).
Paulo alegrou-se com os tessalonicenses, em como eles se tornaram o modelo de fé para as igrejas da Macedônia e da Acaia, pois “por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus” (1Ts 1.8). Os crentes das regiões citadas proclamavam a fé dos tessalonicenses e isso encheu de alegria o coração de Paulo. Da mesma maneira, nós devemos proclamar as virtudes uns dos outros, pois assim queremos que se faça conosco.
Além disso, defender os irmãos quando sofrem injustiças, é outra maneira de obedecer ao nono mandamento. Somos chamados a defender a verdade de Deus, a defendermos uns aos outros e não nos calarmos diante de mentiras que proferirem contra nós, em especial contra a igreja de Cristo.
Jesus transparece a prática de zelar pela reputação dos nossos irmãos quando nos ensinou a corrigir um irmão em pecado: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15). Não devemos expor os pecados dos irmãos, a menos que eles permaneçam no pecado, impenitentes, e, mesmo assim, somente após duas tentativas sem sucesso. Será que é um hábito nosso falar das boas obras uns dos outros ou apenas das falhas?
Uma pessoa pode prejudicar a boa reputação de alguém, mediante uma calúnia. O Código Penal é severo, quando dispõe sobre os crimes de calúnias, injúria ou difamação. É interessante notar-se que, em muitas igrejas, alguém é excluído por causa do adultério (72 mandamento), mas ninguém é excluído por causa dos pecados contra 9º mandamento. Isso é praticar dois pesos e duas medidas, é juízo contrário a Palavra de Deus.
O NOVO MANDAMENTO
O nono mandamento. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20.16). Este mandamento do Senhor trata da nossa honestidade e sinceridade no uso da palavra em relação aos outros. Falso testemunho é falar mal dos outros; acusar e culpar injustamente; difamar; caluniar; mentir (Tg 4.11).
Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judicial. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se o acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as partes, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes. O trecho de Êx 23.1 condena o falso testemunho em nível pessoal. Ver Dt 19.16-20 que requeria juízo apropriado contra falsas testemunhas que perturbavam o sistema judicial.
A linguagem e os fatos devem concordar entre si (Ver Dt 13.14; 17.4; 22.20; Jr 9,5; Sl 9.5; 15.2; Pv 12.19; 14.25; 22.21). A verdade precisa ser dita como tempero do amor (Ef 4.15). Algumas vezes, as meias verdades prejudicam mais do que as mentiras francas. O amor, porém, guarda-nos tanto da mentira aberta quanto das meias verdades. A mentira artística vem sendo aprovada desde os tempos mais antigos, conforme muitos eruditos supõem. Ver o caso de Labão (Gn 29.21-27), e o caso um tanto anterior de Jacó (Gn 27.6-36). Por outro lado, a luz que brilhou por meio de Moisés por certo condenava qualquer tipo de mentira ou abuso de linguagem. (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393).].
PROIBIÇÕES DO NONO MANDAMENTO
>> A mentira
A mentira surgiu bem cedo na história da humanidade. Satanás, pai da mentira (Jo 8.44), no Éden, disse a primeira mentira registrada na Bíblia. Primeiro com uma indução (”É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”, Gn 3.1) e depois com a mentira propriamente dita (”É certo que não morrereis”, Gn 3.4). Os nossos primeiros pais caíram em pecado justamente por não acreditarem nas palavras de Deus e sim nas mentiras proferidas pelo diabo.
A mentira não deve fazer parte da vida dos filhos de Deus. Ele ordenou: “…nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo” (Lv 19.11). “Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR” (Pv 12.22). Temos de abominar e detestar a mentira (Sl 119.163), rogando ao Senhor que a afaste de nós (Pv 30.8).
O nosso compromisso é com a verdade, por isso, “não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos” (Cl 3.9; cf. Ef 4.25).
>> Juízos falsos e calúnias Não devemos prejudicar a boa reputação do nosso próximo com juízos falsos, especialmente em público. Em Levítico 19.15, lemos: “Não farás injustiça no juízo: nem favorecendo o pobre, nem comprazendo ao grande: com justiça julgarás o teu próximo”. Esse mandamento nos alerta para a cautela com a qual devemos abrir a nossa boca para nos referir ao nosso próximo. Devemos ter cuidado redobrado ao denunciar alguma pessoa, pois não podemos ajudar a condenar alguém levianamente, ainda mais sem o ter ouvido primeiro. Deus não deixará impunes os caluniadores. Essa verdade é reiterada no livro de Provérbios: “A falsa testemunha não fica impune, e o que profere mentiras não escapa” (Pv 19.5). Deus abomina a “testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos” (Pv 6.19). O verdadeiro homem de Deus “… não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho” (Sl 15.3).
>> Boatos falsos, fofocas, tagarelices
Todo tipo de boatos sem fundamento, fofocas e conversas infrutíferas sobre alguém que visam prejudicar a reputação do próximo são formas de quebrar o nono mandamento. A Escritura alerta: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros” (Tg 4.11). Em outro lugar, ordena: “não difamem a ninguém, nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens” (Tt 3.2). Salomão disse que “o homem perverso espalha contendas, e o difamador separa os maiores amigos” (Pv 16.28).
Em Levítico, lemos: “não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não atentarás contra a vida do teu próximo” (Lv 19.16). Não nos enganemos, “as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co 15.33). Quanto mais a nossa boca se abre para falar coisas contra o próximo, mais destruímos a eles e a nós mesmos. Devemos tomar muito cuidado com as conversas que temos uns com os outros. Quais são as palavras que provém da nossa boca quando estamos falando do nosso próximo?
>> Insultos, xingamentos, maledicências
Outra maneira de destruir a imagem do próximo diante das pessoas é por meio de insultos. Quanto a isso, note as palavras de Jesus no sermão da montanha: “… todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt 5.22). Nesse texto vemos a importância que o nosso Salvador dá a nossa maneira de falar uns com os outros. Ele proíbe o insulto, pois ele é figuradamente uma forma de assassinar um indivíduo.
Jesus faz referência a um insulto comum naquela época, que foi traduzido para o português por “tolo”. A palavra original é racá. Essa expressão traduz todo o espírito do insulto, pois significa dizer que o outro é um “nada”. Pare, pense e analise se todos os palavrões de hoje em dia não se baseiam nesta intenção: dizer que o outro não vale nada. Sem dúvida isso se encaixa no que é conhecido como bullyng, isto é, qualquer ato de violência física ou psicológica intencional e repetido por uma ou mais pessoas gerando dor e sofrimento em outra pessoa.
>> Falsidade e falsos profetas
A falsidade é a característica do hipócrita, daquele que finge que algo aconteceu, tanto para o bem como para o mal de alguém. No salmo 12.2, percebemos que realmente existem duas maneiras de praticar a falsidade: “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido”. Neste sentido, Deus condena tanto os que mentem para depreciar a reputação do próximo quanto os bajuladores.
De acordo com a Bíblia, podemos falsificar até a nós mesmos diante de Deus. Um exemplo disso é a oração do fariseu, ilustrada por Jesus em Lucas 18.11: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano”. Esse é um caso no qual há falsidade tanto na oração a Deus quanto na depreciação do próximo.
Por fim, a Bíblia dedica muita atenção para um tipo de testemunho falso, o dos falsos profetas. Eles não apenas estão enganando as pessoas com as suas palavras mentirosas, estão tentando enganar o próprio Deus, falando o que Deus não falou. Observe a conversa que Jeremias tem com Deus sobre os falsos profetas:
Então, disse eu: Ah! SENHOR Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, nem tereis fome; mas vos darei verdadeira paz neste lugar. Disse-me o SENHOR: Os profetas profetizam mentiras em meu nome, nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, adivinhação, vaidade e o engano do seu íntimo são o que eles vos profetizam. Portanto, assim diz o SENHOR acerca dos profetas que, profetizando em meu nome, sem que eu os tenha mandado, dizem que nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome serão consumidos esses profetas (Jr 14.13-15).
III. DEVERES EXIGIDOS PELO NONO MANDAMENTO
>> Amar e falar a verdade
Uma maneira de evidenciar nossa obediência a Deus quanto ao nono mandamento é amar sempre a verdade. A carta aos Coríntios nos lembra de que o amor “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1Co 13.6). Quem ama de fato a Deus e ao próximo como a si mesmo deve ter sua real satisfação em falar a verdade.
Devemos falar a verdade porque somos um único corpo, isto é, membros uns dos outros. Mentir para o próximo é mentir para nós mesmos, é autoengano. Logo, falar a verdade é estar cada vez mais íntimo do meu próximo e mais pessoalmente lúcido. “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).
Temos a responsabilidade de pensar muito bem na hora de escolher nossas palavras. Nenhuma torpeza deve estar em nossa língua, mas sempre palavras que irão transmitir a verdade e a graça de Deus para as pessoas. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef 4.29).
Falar a verdade como um hábito é um sinal de que realmente Jesus Cristo nos salvou dos nossos pecados e o seu Espírito habita em nós, pois ele é a própria Verdade. O apóstolo diz: “Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.9-10). Jesus também diz no sermão do monte que o discípulo deve ter postura e falar sempre a verdade: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt 5.37). Temos glorificado a Deus falando as suas verdades uns com os outros?
>> Zelar pela boa reputação do próximo
Como nós podemos zelar pela reputação do nosso próximo? Parafraseando o Catecismo Maior de Westminster, devemos “amar, desejar e ter regozijo pela reputação deles. Ficarmos tristes pelas suas fraquezas e tentarmos encobri-las.
Devemos sempre reconhecer os seus dons e graças oferecidos por Deus, defender sua inocência e receber prontamente boas informações a seu respeito, rejeitando as que são maldizentes”.
Muitas vezes somos velozes para espalhar as falhas dos outros, mas lentos para promover as suas boas obras. Em Romanos 1.8, lemos que Paulo tomou conhecimento e se alegrou pelo estado da igreja de Roma, porque em todo o mundo era proclamada a fé dos cristãos romanos. Na mesma carta o apóstolo ensina que devemos nos “alegrar com os que se alegram” (Rm 12.15).
Paulo alegrou-se com os tessalonicenses, em como eles se tornaram o modelo de fé para as igrejas da Macedônia e da Acaia, pois “por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus” (1Ts 1.8). Os crentes das regiões citadas proclamavam a fé dos tessalonicenses e isso encheu de alegria o coração de Paulo. Da mesma maneira, nós devemos proclamar as virtudes uns dos outros, pois assim queremos que se faça conosco.
Além disso, defender os irmãos quando sofrem injustiças, é outra maneira de obedecer ao nono mandamento. Somos chamados a defender a verdade de Deus, a defendermos uns aos outros e não nos calarmos diante de mentiras que proferirem contra nós, em especial contra a igreja de Cristo.
Jesus transparece a prática de zelar pela reputação dos nossos irmãos quando nos ensinou a corrigir um irmão em pecado: “Se teu irmão pecar contra ti, vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15). Não devemos expor os pecados dos irmãos, a menos que eles permaneçam no pecado, impenitentes, e, mesmo assim, somente após duas tentativas sem sucesso. Será que é um hábito nosso falar das boas obras uns dos outros ou apenas das falhas?
>> Domínio próprio
Uma das virtudes cristãs que mais está relacionada ao nono mandamento é o domínio próprio (Gl 5.23). Quando Cristo faz habitação em nós, nosso corpo passa a ser dirigido por ele, principalmente a nossa língua. O novo elemento que o cristão recebe de Deus para lidar com a sua língua é exatamente o poder de autocontrole.
Tiago mostra a dificuldade que o homem tem de dominar a sua língua: “… a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (Tg 3.8). No entanto, ele também diz que não há razão para o cristão desobedecer ao nono mandamento. A figueira não produz azeitonas, a videira não produz figos e a fonte de água doce não jorra água salgada (Tg 3.12). Por meio dessas figuras, ele conclui que o cristão regenerado pode, sim, domar a sua língua. Caso contrário, como é possível com uma boca bendizermos a Deus e com a mesma boca amaldiçoarmos os homens, criação de Deus? Ou fazemos uma coisa ou outra. Vamos pensar sobre isso. Temos conseguido domar a nossa língua?
Como lidar com o nosso próprio testemunho
Este mandamento, implicitamente lida também com nosso próprio testemunho no ambiente social e comunidade em que vivemos. Deus diz que não devemos nunca ser culpado de mentir sobre o nosso semelhante, causando-lhe sofrimento. Somos exortados a ser sempre sincero. “…A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá…” (Provérbios 19:9). A reputação é um bem extremamente valioso, de acordo com a Bíblia, um bom nome, ou reputação, é muito mais valioso do que riquezas e ouro. (cf Pv 22:01). A reputação normalmente determina o nível de respeito que uma pessoa recebe; ninguém põe muita confiança em uma pessoa que tem a reputação de ser desonesta, enganadora, ou que tenha a fama de uma vida vergonhosa e pecaminosa.
Exatamente por este motivo nós como cristãos devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para nunca permitimos que nosso nome esteja associado com algo desrespeitoso e vergonhoso. Isto não somente irá prejudicar o nosso próprio nome, levando as pessoas a perder o respeito por nós, como também macular a imagem da igreja de Cristo na terra; Lembre-se que a vida do cristão deve ser como um farol de integridade e decência para os que estão em sua volta. Disse Jesus: “…Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus…” (Mateus 5:14-16).
Nossa reputação determinará o nível da respeito que receberemos; todo cristão para ser realmente respeitado como um cristão tem que dar um bom testemunho. O tipo de resposta que podemos esperar sempre será determinado pelo tipo de vida que os outros observam-nos viver! Ou seja: Sua própria reputação é valiosa. Portanto, guarde-a com muito zelo, e ore para que outros não levante falso testemunho sobre você. Sem duvida nenhuma você não pode ser responsável por aquilo que os outros falam sobre sua reputação, mas você é totalmente responsável por aquilo que fala sobre os outros. Tenha isso em mente.
DEUS NÃO MENTE
Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, - na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos. Tito 1. 1,2
Aparentemente, a mentira era algo comum em Creta (1.12). Desde o início Paulo deixou claro que Deus não mente. O fundamento de nossa fé é a confiança no caráter de Deus. Ele é a fonte de toda verdade, não pode mentir. Crer em Deus nos leva a viver um estilo de vida que o honra (1.1). A vida eterna que Deus prometeu será nossa porque Ele mantém suas promessas. Edifique uma fé alicerçada em um Deus fidedigno, que nunca mente.
NÃO MINTAMOS AOS OUTROS
Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas. Colossenses 3. 9
Mentir uns aos outros rompe a unidade e destrói a confiança. A mentira destrói os relacionamentos e pode levar a um sério conflito em uma igreja. Então não exagere as estatísticas, não espalhe boatos ou fofocas, nem diga algo a fim de aumentar a sua própria imagem. Comprometa-se em dizer a verdade.
A VERDADE FICARÁ PARA SEMPRE
O lábio de verdade ficará para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento. Provérbios 12. 19
A verdade é sempre oportuna; é aplicável tanto ao presente como ao futuro. Por estar relacionada ao caráter imutável de Deus, também é invariável. Pense por um momento sobre os séculos que se passaram desde que esses provérbios foram escritos.Considere as incontáveis horas que foram cuidadosamente gastas para estudar cada texto das Escrituras. A Bíblia tem resistido à prova do tempo. Pelo fato de Deus ser a verdade, podemos confiar em sua Palavra para nos guiar.
QUEM MENTE ANDA NAS TREVAS
Esta é a mensagem que dEle ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nEle não há treva alguma. - Se afirmarmos que temos comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. 1 João 1.5,6
Andar nas trevas significa viver no pecado e nos prazeres mundanos. Tais pessoas não têm “comunhão com Ele”, i.e., não nasceram de Deus (cf. 3.7-9; Jo 3.19; 2 Co 6.14). Aqueles que têm comunhão com Deus experimentam a sua graça e vivem em santidade na sua presença (v.7; 2.4; 3.10).
QUEM É JUSTO NÃO MENTE
O justo aborrece a palavra de mentira, mas o perverso faz vergonha e se desonra.Provérbios 13. 5
O justo prefere sofrer por falar a verdade do que evitar o sofrimento usando de mentira (Dn 3.16-18). Tais pessoas sabem que mentir por hábito é pecar contra o Senhor (12.22), que viver desse modo é excluir-se do reino de Deus (Jo 8.44) (bep)
ABANDONEMOS A MENTIRA
Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo. Efésios 4. 25A mentira rompe a unidade porque cria conflitos e destrói a confiança. Ela também acaba com os relacionamentos e leva a igreja a um evidente clima de hostilidade e conflito.
OS MENTIROSOS ESTARÃO FORA DO REINO DE DEUS
Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. Apocalipse 22. 15
Note como os dois últimos capítulos da Bíblia destacam o caso da mentira. Os praticantes da mentira são mencionados três vezes: (1) todos os mentirosos, “a sua parte será no lago que arde com fogo” (21.8); (2) os que cometem mentira não entrarão na cidade eterna de Deus (21.27); e (3) os que amam e cometem mentira estarão fora do reino eterno de Deus.A mentira é o pecado final condenado na Bíblia, possivelmente porque foi uma mentira que levou à queda da raça humana (Gn 3.1-5; cf. Jo 8.44). Estas palavras solenes devem servir de advertência a todos que, inclusive na igreja, acham que Deus tolera a mentira e o engano.
COMO A BÍBLIA TRATA OS MENTIROSOS.
1. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor,( Pv 12.22 ) 2. Possuir tesouro com língua falsa é laço de morte, ( Pv 21.6 ). 3. Não há de ficar na minha casa o que profere mentira, (Sl 101.7 ). 4. A parte dos mentirosos será no lago de fogo, ( Ap 12.22). 5. A mentira pode ser a evidência de um coração cheio de malignidade, (At. 5.1-14). 6. A língua do mentiroso é flecha mortífera, ( Jr 9.8 ). 7. Os que mentem admitem ter como pai o diabo, ( Jo8.48). 8. A mentira é uma das marcas do anticristo, ( II Ts. 2.9 ). 9. Mentir é uma característica peculiar do diabo, ( Jo.8.44). 10. Não mintais uns aos outros, ( Cl 3.9 ).
CONCLUSÃO
O nono mandamento deve orientar todas as relações possíveis que tivermos com o nosso próximo, no tocante à verdade e às palavras. Da mesma maneira, como muitos usam a língua para amaldiçoar, Deus deseja usar a nossa boca para alcançarmos as nações com o evangelho. A nossa missão como cristãos é essencialmente executada por meio de palavras. Que as lições aprendidas sobre o nono mandamento nos auxiliem na vida cotidiana, com todas as pessoas ao nosso redor. Que realmente aprendamos a glorificar a Deus e alcançar o coração das pessoas com nossas palavras.
Devemos aborrecer a mentira, em qualquer forma que se apresente, e não nos esquecermos que o primeiro pecado grave, pecado de morte, registrado na igreja, foi uma mentira (Atos 5:1-11). Temos que amar a verdade, a qual está em nós, e estará para sempre (II João 1,2). Procuremos praticar a verdade em nossas vidas, crer na verdade, falar a verdade e amar a verdade. Cristo disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo. 14:6). “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.” (Ef. 4:25).
Uma das virtudes cristãs que mais está relacionada ao nono mandamento é o domínio próprio (Gl 5.23). Quando Cristo faz habitação em nós, nosso corpo passa a ser dirigido por ele, principalmente a nossa língua. O novo elemento que o cristão recebe de Deus para lidar com a sua língua é exatamente o poder de autocontrole.
Tiago mostra a dificuldade que o homem tem de dominar a sua língua: “… a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero” (Tg 3.8). No entanto, ele também diz que não há razão para o cristão desobedecer ao nono mandamento. A figueira não produz azeitonas, a videira não produz figos e a fonte de água doce não jorra água salgada (Tg 3.12). Por meio dessas figuras, ele conclui que o cristão regenerado pode, sim, domar a sua língua. Caso contrário, como é possível com uma boca bendizermos a Deus e com a mesma boca amaldiçoarmos os homens, criação de Deus? Ou fazemos uma coisa ou outra. Vamos pensar sobre isso. Temos conseguido domar a nossa língua?
Como lidar com o nosso próprio testemunho
Este mandamento, implicitamente lida também com nosso próprio testemunho no ambiente social e comunidade em que vivemos. Deus diz que não devemos nunca ser culpado de mentir sobre o nosso semelhante, causando-lhe sofrimento. Somos exortados a ser sempre sincero. “…A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá…” (Provérbios 19:9). A reputação é um bem extremamente valioso, de acordo com a Bíblia, um bom nome, ou reputação, é muito mais valioso do que riquezas e ouro. (cf Pv 22:01). A reputação normalmente determina o nível de respeito que uma pessoa recebe; ninguém põe muita confiança em uma pessoa que tem a reputação de ser desonesta, enganadora, ou que tenha a fama de uma vida vergonhosa e pecaminosa.
Exatamente por este motivo nós como cristãos devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para nunca permitimos que nosso nome esteja associado com algo desrespeitoso e vergonhoso. Isto não somente irá prejudicar o nosso próprio nome, levando as pessoas a perder o respeito por nós, como também macular a imagem da igreja de Cristo na terra; Lembre-se que a vida do cristão deve ser como um farol de integridade e decência para os que estão em sua volta. Disse Jesus: “…Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus…” (Mateus 5:14-16).
Nossa reputação determinará o nível da respeito que receberemos; todo cristão para ser realmente respeitado como um cristão tem que dar um bom testemunho. O tipo de resposta que podemos esperar sempre será determinado pelo tipo de vida que os outros observam-nos viver! Ou seja: Sua própria reputação é valiosa. Portanto, guarde-a com muito zelo, e ore para que outros não levante falso testemunho sobre você. Sem duvida nenhuma você não pode ser responsável por aquilo que os outros falam sobre sua reputação, mas você é totalmente responsável por aquilo que fala sobre os outros. Tenha isso em mente.
DEUS NÃO MENTE
Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para promover a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade, - na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes dos tempos eternos. Tito 1. 1,2
Aparentemente, a mentira era algo comum em Creta (1.12). Desde o início Paulo deixou claro que Deus não mente. O fundamento de nossa fé é a confiança no caráter de Deus. Ele é a fonte de toda verdade, não pode mentir. Crer em Deus nos leva a viver um estilo de vida que o honra (1.1). A vida eterna que Deus prometeu será nossa porque Ele mantém suas promessas. Edifique uma fé alicerçada em um Deus fidedigno, que nunca mente.
NÃO MINTAMOS AOS OUTROS
Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas. Colossenses 3. 9
Mentir uns aos outros rompe a unidade e destrói a confiança. A mentira destrói os relacionamentos e pode levar a um sério conflito em uma igreja. Então não exagere as estatísticas, não espalhe boatos ou fofocas, nem diga algo a fim de aumentar a sua própria imagem. Comprometa-se em dizer a verdade.
A VERDADE FICARÁ PARA SEMPRE
O lábio de verdade ficará para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento. Provérbios 12. 19
A verdade é sempre oportuna; é aplicável tanto ao presente como ao futuro. Por estar relacionada ao caráter imutável de Deus, também é invariável. Pense por um momento sobre os séculos que se passaram desde que esses provérbios foram escritos.Considere as incontáveis horas que foram cuidadosamente gastas para estudar cada texto das Escrituras. A Bíblia tem resistido à prova do tempo. Pelo fato de Deus ser a verdade, podemos confiar em sua Palavra para nos guiar.
QUEM MENTE ANDA NAS TREVAS
Esta é a mensagem que dEle ouvimos e transmitimos a vocês: Deus é luz; nEle não há treva alguma. - Se afirmarmos que temos comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. 1 João 1.5,6
Andar nas trevas significa viver no pecado e nos prazeres mundanos. Tais pessoas não têm “comunhão com Ele”, i.e., não nasceram de Deus (cf. 3.7-9; Jo 3.19; 2 Co 6.14). Aqueles que têm comunhão com Deus experimentam a sua graça e vivem em santidade na sua presença (v.7; 2.4; 3.10).
QUEM É JUSTO NÃO MENTE
O justo aborrece a palavra de mentira, mas o perverso faz vergonha e se desonra.Provérbios 13. 5
O justo prefere sofrer por falar a verdade do que evitar o sofrimento usando de mentira (Dn 3.16-18). Tais pessoas sabem que mentir por hábito é pecar contra o Senhor (12.22), que viver desse modo é excluir-se do reino de Deus (Jo 8.44) (bep)
ABANDONEMOS A MENTIRA
Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdade ao seu próximo, pois todos somos membros de um mesmo corpo. Efésios 4. 25A mentira rompe a unidade porque cria conflitos e destrói a confiança. Ela também acaba com os relacionamentos e leva a igreja a um evidente clima de hostilidade e conflito.
OS MENTIROSOS ESTARÃO FORA DO REINO DE DEUS
Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. Apocalipse 22. 15
Note como os dois últimos capítulos da Bíblia destacam o caso da mentira. Os praticantes da mentira são mencionados três vezes: (1) todos os mentirosos, “a sua parte será no lago que arde com fogo” (21.8); (2) os que cometem mentira não entrarão na cidade eterna de Deus (21.27); e (3) os que amam e cometem mentira estarão fora do reino eterno de Deus.A mentira é o pecado final condenado na Bíblia, possivelmente porque foi uma mentira que levou à queda da raça humana (Gn 3.1-5; cf. Jo 8.44). Estas palavras solenes devem servir de advertência a todos que, inclusive na igreja, acham que Deus tolera a mentira e o engano.
COMO A BÍBLIA TRATA OS MENTIROSOS.
1. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor,( Pv 12.22 ) 2. Possuir tesouro com língua falsa é laço de morte, ( Pv 21.6 ). 3. Não há de ficar na minha casa o que profere mentira, (Sl 101.7 ). 4. A parte dos mentirosos será no lago de fogo, ( Ap 12.22). 5. A mentira pode ser a evidência de um coração cheio de malignidade, (At. 5.1-14). 6. A língua do mentiroso é flecha mortífera, ( Jr 9.8 ). 7. Os que mentem admitem ter como pai o diabo, ( Jo8.48). 8. A mentira é uma das marcas do anticristo, ( II Ts. 2.9 ). 9. Mentir é uma característica peculiar do diabo, ( Jo.8.44). 10. Não mintais uns aos outros, ( Cl 3.9 ).
CONCLUSÃO
O nono mandamento deve orientar todas as relações possíveis que tivermos com o nosso próximo, no tocante à verdade e às palavras. Da mesma maneira, como muitos usam a língua para amaldiçoar, Deus deseja usar a nossa boca para alcançarmos as nações com o evangelho. A nossa missão como cristãos é essencialmente executada por meio de palavras. Que as lições aprendidas sobre o nono mandamento nos auxiliem na vida cotidiana, com todas as pessoas ao nosso redor. Que realmente aprendamos a glorificar a Deus e alcançar o coração das pessoas com nossas palavras.
Devemos aborrecer a mentira, em qualquer forma que se apresente, e não nos esquecermos que o primeiro pecado grave, pecado de morte, registrado na igreja, foi uma mentira (Atos 5:1-11). Temos que amar a verdade, a qual está em nós, e estará para sempre (II João 1,2). Procuremos praticar a verdade em nossas vidas, crer na verdade, falar a verdade e amar a verdade. Cristo disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo. 14:6). “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros.” (Ef. 4:25).
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS
http://rxisaias.blogspot.com
LIÇÃO 11 – NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO - 1° TRIMESTRE (Pr. Guilhermel)
Texto Áureo: Êxodo 23.1 “Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão como o ímpio, para seres testemunha falsa.”
Leitura Bíblica em Classe:Êxodo 20.16; Deuteronômio 19.15-20
Leitura Bíblica em Classe:Êxodo 20.16; Deuteronômio 19.15-20
QUEM DÁ FALSO TESTEMUNHO É CÚMPLICE DE SATANÁS O PAI DA MENTIRA
Introdução: O falso testemunho é fazer uma afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, sendo considerado crime pelo código penal brasileiro. O nono mandamento que proíbe esse crime foi promulgado por Deus no sentido de impedir que cometam esse crime hediondo que pode prejudicar uma vida inocente de forma terrível. Um cristão autêntico jamais poderá usar a sua fala falsamente sobre qualquer assunto, com mentiras, com segundas intenções, ou qualquer outro meio para enganar ou prejudicar o próximo. Falar injustamente contra o nosso próximo, caluniando, difamando, inventando estórias poderá fazer uma grande ruína numa vida inocente. Se um cristão vier a sofrer qualquer tipo de invenções mentirosas, caluniosas que venham prejudicá-lo ou até mesmo declinar da fé, o infrator além de incorrer no pecado de falso testemunho também incorrerá no pecado de homicídio. Caso haja arrependimento e conserto de todo estrago causado, ainda poderá alcançar o perdão divino, caso não haja como reparar o estrago que causou a vida que prejudicou, já poderá se considerar réu de juízo para o lago de fogo e enxofre. Essa é uma razão muito forte para o cristão vigiar o seu comportamento e a sua fala com o seu próximo. É bom lembrar que usar a verdade da Palavra de Deus para o lado da mentira no intuito de tirar proveito da fé alheia também é um falso testemunho da Palavra e um pecado gravíssimo diante de Deus, que não ficará sem punição severa.
I. O NONO MANDAMENTO É A PROTEÇÃO PARA IMPEDIR A MENTIRA
1- O Deus da verdade só reconhece crentes que falem só a verdade - Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite. Provérbios 12:22
A mentira é abominação para o Senhor, e se torna abominável aos seus olhos aqueles que se dão a mentir. Isto porque é uma transgressão ao nono mandamento, como também é algo destrutivo à uma alma. Todo crente deve odiar a mentira, e manter grande distância dela, pois fazendo assim se livrará de grandes prejuízos a sua própria vida, como a vida de outrem. O crente deve se empenhar com a verdade, não somente com palavras, mas também com as suas atitudes, porque isso é uma forma de alegrar ao Senhor e aqueles que convivem conosco. É muito bom conviver com pessoas honestas e em quem podemos confiar.
2 - O Senhor não aceita no meio dos seus, crentes que sejam falsos - E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio diz o Senhor. Zacarias 8:17
Nenhum homem deve pensar mal em seu coração contra o seu irmão de fé em nenhuma circunstância. Devemos nos manter distantes de fazer o mal a quem quer que seja, vigiando o nosso coração, para não maquinar nenhum mal contra o nosso próximo. Nosso pensamento deve estar limpo de toda a maldade e ofensa. Quem faz um juramento como testemunha num julgamento deve ter consciência do que implica as suas conseqüências no caso de falso testemunho. Não aceite que alguém faça um juramento falso em teu próprio benefício para escapar de uma situação culposa. Devemos evitar o pecado a qualquer custo, não somente porque provoca a ira de Deus, mas também porque ele é perigoso para nós porque é abominável diante dele. Aprenda sempre a fugir de toda a aparência do mal.
3 - Algo que Deus repudia é que os crentes dêem falso testemunho - A falsa testemunha não ficará impune e o que respira mentiras não escapará. Provérbios 19:5
Um nível de impiedade degradante é alguém dar um falso testemunho em juízo ou mentir em conversação normal. Crente não pode usar a sua língua para falar mentiras, pois quem se atreve a fazer isso são culpados da maior iniqüidade que é o falso testemunho. O crente quando for tentado a isso, mesmo ameaçado por alguém, não deve ceder e cair nesse pecado terrível. Não ficarão impunes e não escaparão do juízo divino quem tal ato pratica, pois com Deus ninguém pode ter qualquer esperança de impunidade. Deus é zeloso e não permitirá que o culpado seja inocente e o destino dos mentirosos é a eternidade no inferno.
II. É O CARÁTER DAS TESTEMUNHAS QUE PODE CONDENAR OU ABSOLVER
1. Quem é levado a responder em juízo estará nas mãos das testemunhas - Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo; e não enganes com os teus lábios. Provérbios 24:28
O crente jamais pode ser testemunha sem causa contra o próximo, a menos que tenha certeza daquilo que vai falar é a pura verdade e também ter um motivo forte para testemunhar numa causa. Quando falarmos do nosso próximo, somente devemos falar aquilo que é a verdade, sem qualquer insinuação, enganos ou exageros. Não podemos deixar que o espírito de vingança nos domine para pagar na mesma moeda. Quando isso acontecer devemos saber que a vingança pertence a Deus e não podemos julgar a nossa própria causa, querendo tomar o lugar de Deus.
2. Se as testemunhas não falarem a verdade o réu pagará como inocente - Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao Senhor, tanto um como outro. Provérbios 20:10
Deus odeia aqueles que violam a fé usando de mentiras para se apropriar ou tirar vantagens dos bens alheios em proveito próprio. Muitos estão pregando uma prosperidade falsa à custa de mentiras e manipulação da palavra de Deus para tirar vantagens próprias. Tudo que envolve mentiras e enganos contra o próximo é abominável aos olhos de Deus. Os olhos do Senhor estão sobre toda a terra, tanto sobre os bons como os maus e ninguém escapam do seu angulo de visão. Por esta razão todos que usam de habilidades para enganar os outros, motivado pelo seu amor ao dinheiro deve se refrear e se arrepender. Só que existe um, porém muito sério: quando se trata de crente este para ser perdoado deve devolver tudo o que conquistou a custa de enganos.
3. O falso testemunho ao próximo pode desgraçar uma vida para sempre - Martelo, espada e flecha aguda é o homem que profere falso testemunho contra o seu próximo. Provérbios 25:18Quem dá falso testemunho vai contra o nono mandamento, e nesse pecado; ele tem o poder de arruinar; não somente a reputação de um inocente, mas as sua vidas, propriedade, famílias, tudo que é precioso para eles. Por isso o falso testemunho é algo muito perigoso porque pode destruir toda uma vida de alguém. Sempre que formos tentados a esse tipo de pecado devemos orar para que o Senhor livre a nossa alma dos lábios mentirosos, porque a mentira implica na nossa salvação.
III. O RECONHECIMENTO DE UM CRISTÃO GENUÍNO ESTÁ NA VERDADE
1- A verdade é um atributo divino, quem o segue deve imitar esse atributo - Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento. Provérbios 23:23
O coração do crente para ser limpo deve ser guiado pela verdade, pois sem a verdade não há gestos de bondade; não há sinceridade; como também não há princípios corretos. O crente se identifica pelo poder da verdade e, é isso que o mantém distante do pecado. Quando nos empenhamos na busca pela verdade, para que nos aprofundemos no conhecimento dela, então passamos a ter a confiança de distinguir o certo do errado para vivermos uma vida justa diante de Deus. A verdade é algo que nunca pode ser negligenciado, pois é uma coisa que nunca devemos nos separar em qualquer situação.
2- O verdadeiro servo de Deus permanece sempre em oposição a falsidade - Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Salmos 15:2
A sinceridade e a integridade são características exigidas por Deus para que o homem ande em sua presença. Deus disse isso a Abraão: anda na minha presença e se perfeito. Essa é uma forma na qual podemos estreitar a nossa comunhão com Deus. Temos que ser idôneo em nosso coração para aprovarmos a nós mesmos diante de Deus. Temos que ser fieis e justos em todos os nossos assuntos e andar segundo todas as ordenanças e mandamentos do Senhor, sendo justo para com Deus e para com os homens. Devemos andar segundo as regras da integridade e da verdade, desprezando e abominando os lucros da injustiça e da fraude.
3- A verdade é a exatidão do relato, se distorcida pode destruir uma alma - O hipócrita com a boca destrói o seu próximo, mas os justos se libertam pelo conhecimento. Provérbios 11:9
A vida e a morte estão no poder da língua e isso é tão igual ou pior que um assassino armado, pois com a língua não sua boca sendo enganosa é uma coisa fatal. O crente precisa estar atento aos esquemas engendrados por Satanás para não cair nos seus desígnios e apanhado em suas armadilhas. É conhecendo os seus esquemas que evitamos cair em suas armadilhas que ele prepara com grandes habilidades. É preciso ter conhecimento de Deus e das Escrituras para evitar todos os enganos e ciladas que nos preparam.
IV. O FALSO TESTEMUNHO É TOTALMENTE DEGRADANTE E PECAMINOSO
1. Para um julgamento ser justo é necessário testemunhas não combinada - Deuteronômio 19.15 Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato.
Uma testemunha poderia eliminar um adversário prestando um testemunho falso. Assim foi estabelecida a exigência de duas ou três testemunhas para impedir tão terrível injustiça para com o próximo. Os juízes e os tribunais locais não deveriam aceitar qualquer depoimento das testemunhas sem uma investigação profunda dos fatos. Caso descobrissem que o testemunho era falso os infratores seriam executados, pois era uma forma de lançar temor em todos a fim de evitar esse tipo de pecado.
2. Se houver combinação das testemunhas seus efeitos maléficos são graves - Ainda que junte as mãos, o mau não ficará impune, mas a semente dos justos será liberada. Provérbios 11:21
Quem faz aliança de conivência para participarem do pecado de dar falso testemunho, evidentemente que não irá muito longe nos seus desígnios. Eles podem até conseguir os seus intentos e ficarem livres da justiça dos homens, porém da justiça e dos juízos divinos ninguém pode escapar. Por mais aliados que estejam em compactuar mentiras em prejuízo de outrem, nada disso os protegerá da justiça de Deus. Embora a justiça possa vir lentamente para punir os ímpios infratores ela não falhará.
3. O pecado da mentira poderá levar o mentiroso a ser excluído do reino - A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá. Provérbios 19:9.
O que profere mentiras não escapará da sua punição. A indicação é que esta punição por esse pecado tão hediondo será tal que será a sua destruição: a mentira que ele forjou contra o seu próximo se reverterá em sua própria ruína, pois se trata de um pecado incriminador e destruidor de vidas. Uma perversão dessa natureza seria radical demais para ser ignorada, pois é um pecado gravíssimo perverter as faculdades da fala em prejuízo de outrem. A punição para a falsa testemunha seria exatamente sobre o que acusava o individuo inocente. Era algo tão grave que no tempo da lei havia pena de morte para a falsa testemunha, e agora no tempo da graça é ainda mais grave, pois pode sofrer a pena de morte espiritual.
I. O NONO MANDAMENTO É A PROTEÇÃO PARA IMPEDIR A MENTIRA
1- O Deus da verdade só reconhece crentes que falem só a verdade - Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite. Provérbios 12:22
A mentira é abominação para o Senhor, e se torna abominável aos seus olhos aqueles que se dão a mentir. Isto porque é uma transgressão ao nono mandamento, como também é algo destrutivo à uma alma. Todo crente deve odiar a mentira, e manter grande distância dela, pois fazendo assim se livrará de grandes prejuízos a sua própria vida, como a vida de outrem. O crente deve se empenhar com a verdade, não somente com palavras, mas também com as suas atitudes, porque isso é uma forma de alegrar ao Senhor e aqueles que convivem conosco. É muito bom conviver com pessoas honestas e em quem podemos confiar.
2 - O Senhor não aceita no meio dos seus, crentes que sejam falsos - E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio diz o Senhor. Zacarias 8:17
Nenhum homem deve pensar mal em seu coração contra o seu irmão de fé em nenhuma circunstância. Devemos nos manter distantes de fazer o mal a quem quer que seja, vigiando o nosso coração, para não maquinar nenhum mal contra o nosso próximo. Nosso pensamento deve estar limpo de toda a maldade e ofensa. Quem faz um juramento como testemunha num julgamento deve ter consciência do que implica as suas conseqüências no caso de falso testemunho. Não aceite que alguém faça um juramento falso em teu próprio benefício para escapar de uma situação culposa. Devemos evitar o pecado a qualquer custo, não somente porque provoca a ira de Deus, mas também porque ele é perigoso para nós porque é abominável diante dele. Aprenda sempre a fugir de toda a aparência do mal.
3 - Algo que Deus repudia é que os crentes dêem falso testemunho - A falsa testemunha não ficará impune e o que respira mentiras não escapará. Provérbios 19:5
Um nível de impiedade degradante é alguém dar um falso testemunho em juízo ou mentir em conversação normal. Crente não pode usar a sua língua para falar mentiras, pois quem se atreve a fazer isso são culpados da maior iniqüidade que é o falso testemunho. O crente quando for tentado a isso, mesmo ameaçado por alguém, não deve ceder e cair nesse pecado terrível. Não ficarão impunes e não escaparão do juízo divino quem tal ato pratica, pois com Deus ninguém pode ter qualquer esperança de impunidade. Deus é zeloso e não permitirá que o culpado seja inocente e o destino dos mentirosos é a eternidade no inferno.
II. É O CARÁTER DAS TESTEMUNHAS QUE PODE CONDENAR OU ABSOLVER
1. Quem é levado a responder em juízo estará nas mãos das testemunhas - Não sejas testemunha sem causa contra o teu próximo; e não enganes com os teus lábios. Provérbios 24:28
O crente jamais pode ser testemunha sem causa contra o próximo, a menos que tenha certeza daquilo que vai falar é a pura verdade e também ter um motivo forte para testemunhar numa causa. Quando falarmos do nosso próximo, somente devemos falar aquilo que é a verdade, sem qualquer insinuação, enganos ou exageros. Não podemos deixar que o espírito de vingança nos domine para pagar na mesma moeda. Quando isso acontecer devemos saber que a vingança pertence a Deus e não podemos julgar a nossa própria causa, querendo tomar o lugar de Deus.
2. Se as testemunhas não falarem a verdade o réu pagará como inocente - Dois pesos diferentes e duas espécies de medida são abominação ao Senhor, tanto um como outro. Provérbios 20:10
Deus odeia aqueles que violam a fé usando de mentiras para se apropriar ou tirar vantagens dos bens alheios em proveito próprio. Muitos estão pregando uma prosperidade falsa à custa de mentiras e manipulação da palavra de Deus para tirar vantagens próprias. Tudo que envolve mentiras e enganos contra o próximo é abominável aos olhos de Deus. Os olhos do Senhor estão sobre toda a terra, tanto sobre os bons como os maus e ninguém escapam do seu angulo de visão. Por esta razão todos que usam de habilidades para enganar os outros, motivado pelo seu amor ao dinheiro deve se refrear e se arrepender. Só que existe um, porém muito sério: quando se trata de crente este para ser perdoado deve devolver tudo o que conquistou a custa de enganos.
3. O falso testemunho ao próximo pode desgraçar uma vida para sempre - Martelo, espada e flecha aguda é o homem que profere falso testemunho contra o seu próximo. Provérbios 25:18Quem dá falso testemunho vai contra o nono mandamento, e nesse pecado; ele tem o poder de arruinar; não somente a reputação de um inocente, mas as sua vidas, propriedade, famílias, tudo que é precioso para eles. Por isso o falso testemunho é algo muito perigoso porque pode destruir toda uma vida de alguém. Sempre que formos tentados a esse tipo de pecado devemos orar para que o Senhor livre a nossa alma dos lábios mentirosos, porque a mentira implica na nossa salvação.
III. O RECONHECIMENTO DE UM CRISTÃO GENUÍNO ESTÁ NA VERDADE
1- A verdade é um atributo divino, quem o segue deve imitar esse atributo - Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento. Provérbios 23:23
O coração do crente para ser limpo deve ser guiado pela verdade, pois sem a verdade não há gestos de bondade; não há sinceridade; como também não há princípios corretos. O crente se identifica pelo poder da verdade e, é isso que o mantém distante do pecado. Quando nos empenhamos na busca pela verdade, para que nos aprofundemos no conhecimento dela, então passamos a ter a confiança de distinguir o certo do errado para vivermos uma vida justa diante de Deus. A verdade é algo que nunca pode ser negligenciado, pois é uma coisa que nunca devemos nos separar em qualquer situação.
2- O verdadeiro servo de Deus permanece sempre em oposição a falsidade - Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Salmos 15:2
A sinceridade e a integridade são características exigidas por Deus para que o homem ande em sua presença. Deus disse isso a Abraão: anda na minha presença e se perfeito. Essa é uma forma na qual podemos estreitar a nossa comunhão com Deus. Temos que ser idôneo em nosso coração para aprovarmos a nós mesmos diante de Deus. Temos que ser fieis e justos em todos os nossos assuntos e andar segundo todas as ordenanças e mandamentos do Senhor, sendo justo para com Deus e para com os homens. Devemos andar segundo as regras da integridade e da verdade, desprezando e abominando os lucros da injustiça e da fraude.
3- A verdade é a exatidão do relato, se distorcida pode destruir uma alma - O hipócrita com a boca destrói o seu próximo, mas os justos se libertam pelo conhecimento. Provérbios 11:9
A vida e a morte estão no poder da língua e isso é tão igual ou pior que um assassino armado, pois com a língua não sua boca sendo enganosa é uma coisa fatal. O crente precisa estar atento aos esquemas engendrados por Satanás para não cair nos seus desígnios e apanhado em suas armadilhas. É conhecendo os seus esquemas que evitamos cair em suas armadilhas que ele prepara com grandes habilidades. É preciso ter conhecimento de Deus e das Escrituras para evitar todos os enganos e ciladas que nos preparam.
IV. O FALSO TESTEMUNHO É TOTALMENTE DEGRADANTE E PECAMINOSO
1. Para um julgamento ser justo é necessário testemunhas não combinada - Deuteronômio 19.15 Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniqüidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato.
Uma testemunha poderia eliminar um adversário prestando um testemunho falso. Assim foi estabelecida a exigência de duas ou três testemunhas para impedir tão terrível injustiça para com o próximo. Os juízes e os tribunais locais não deveriam aceitar qualquer depoimento das testemunhas sem uma investigação profunda dos fatos. Caso descobrissem que o testemunho era falso os infratores seriam executados, pois era uma forma de lançar temor em todos a fim de evitar esse tipo de pecado.
2. Se houver combinação das testemunhas seus efeitos maléficos são graves - Ainda que junte as mãos, o mau não ficará impune, mas a semente dos justos será liberada. Provérbios 11:21
Quem faz aliança de conivência para participarem do pecado de dar falso testemunho, evidentemente que não irá muito longe nos seus desígnios. Eles podem até conseguir os seus intentos e ficarem livres da justiça dos homens, porém da justiça e dos juízos divinos ninguém pode escapar. Por mais aliados que estejam em compactuar mentiras em prejuízo de outrem, nada disso os protegerá da justiça de Deus. Embora a justiça possa vir lentamente para punir os ímpios infratores ela não falhará.
3. O pecado da mentira poderá levar o mentiroso a ser excluído do reino - A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá. Provérbios 19:9.
O que profere mentiras não escapará da sua punição. A indicação é que esta punição por esse pecado tão hediondo será tal que será a sua destruição: a mentira que ele forjou contra o seu próximo se reverterá em sua própria ruína, pois se trata de um pecado incriminador e destruidor de vidas. Uma perversão dessa natureza seria radical demais para ser ignorada, pois é um pecado gravíssimo perverter as faculdades da fala em prejuízo de outrem. A punição para a falsa testemunha seria exatamente sobre o que acusava o individuo inocente. Era algo tão grave que no tempo da lei havia pena de morte para a falsa testemunha, e agora no tempo da graça é ainda mais grave, pois pode sofrer a pena de morte espiritual.
Elaborado pelo Pr Adilson Guilhermel
http://www.pastorguilhermel.com.br/escola.php
LIÇÃO 11 – NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO - 1° TRIMESTRE 2015 (IEAD/PE)
Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Recife / PE
Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 11 - NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO - 1º TRIMESTRE 2015
(Êx 20.16; Dt 19.15-20)
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o Nono Mandamento “Não dirás falso testemunho[...]”. Veremos que a obediência a
esta orientação bíblica está relacionada diretamente com o uso da língua. Analisaremos ainda, o que a Bíblia tanto no AT
como no NT nos diz sobre este assunto, bem como, quais os pecados que estão relacionados com a quebra deste
Mandamento e ainda verificaremos diversos ensinamentos sobre como evitar a desobediência desta instrução divina.
I – O NONO MANDAMENTO: DEFINIÇÃO EXEGÉTICA E INTERPRETAÇÃO
1.1 Definição exegética. O verbo “dizer” em “Não DIRÁS falso testemunho contra teu próximo” (Êx 20.16; Dt 5.20) no
AT hebraico é “anah” que significa “responder, testemunhar, falar”, usado também em um processo jurídico, tanto nos
tribunais humanos (Dt 19.16) como no tribunal divino (Is 3.9; 59.12; Jr 14.7). O termo hebraico “ed shaqer” significa
“falso testemunho, falsa acusação” (Sl 27.12; Pv 6.19; 14.5; 19.5, 9; 25.18). A palavra “ed” “declaração, testemunho”
indica alguém com conhecimento de primeira mão acerca de uma acontecimento ou que pode testemunhar com base num
relato que ouviu... Já a palavra hebraica “sheqer” significa “mentira, falsidade, engano”, diz respeito a qualquer atividade
falsa, tudo aquilo que não se baseia em fatos ou realidades... A expressão “shaw” quer dizer “fraude, engano, falsidade,
desonestidade (HARRIS et al, 1998, p. 1083 apud SOARES, 2015, p. 123 – acréscimo nosso).
1.2 Interpretação. O Nono Mandamento: “Não Darás Falso Testemunho...” (Êx 20.16), nos mostra que a conduta da
falsa testemunha nos rouba a boa reputação. Seja no tribunal ou em outro lugar, nossa palavra sempre deve ser verdadeira.
A repetição da fofoca é imoral. Quando falarmos, até onde sabemos, sempre devemos dizer a verdade. Esse mandamento
também proíbe a maledicência (Êx 23.1; Pv 10.18; 12.17; 19.9; 24.28; Tt 3.1,2; Tg 4.11; 1Pe 2.1) (BEACON, 2012, vol. 1,
p. 192). A língua é um órgão do corpo humano, cuja função principal está relacionada a fala. É em face dessa atribuição
que esse membro do corpo aparece na Bíblia como uma poderosa força. Afirma-se que a morte e a vida estão no seu poder
(Pv 18.21). Tiago compara a língua como uma fera indomável e um mal incontido, cheio de veneno mortal (Tg 3.8) e
como fogo, um mundo de iniquidade (Tg 3.6). Paulo, por sua vez, refere-se à língua como um instrumento de engano (Rm
3.13), caracterizando o homem não regenerado. Jesus ensinou que os homens terão de prestar contas de sua vida na terra,
incluindo “toda palavra frívola que proferirem” (Mt. 12.36). (MERRILL, sd, vol. 3. p. 933).
II – A BÍBLIA E O USO DA LÍNGUA
A Bíblia nos mostra que a língua pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Salomão, em Provérbios
6.16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um que abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da
língua: “a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”. Devemos
ter muito cuidado com isso, pois as palavras podem dar vida ou matar: “A morte e a vida estão no poder da língua...” (Pv
18.21); "A língua deles é uma flecha mortal" (Jr 9.8). Jesus disse que é a língua que revela tudo que há no coração (Mt
12.34-37), e ainda ensinou que o que sai da boca contamina o homem (Mt 15.11), e reflete o conteúdo do coração (Mt
15.18-19). Nas páginas do AT encontramos sérias advertências quanto a pecados que podem ser cometidos através da
língua (Êx 20.16; Lv 19.11,16; Pv 6.16-19; 15.1,2,23; 16.21,24; 12.19; 17.20; 18.21; 21.23). O apóstolo Tiago em sua
epístola trata de forma severa esse tema (Tg 3.1-12), bem como Pedro e João (I Pe 3.10; I Jo 3.18).
III – PECADOS RELACIONADOS AO NONO MANDAMENTO
A lei condenava o falso testemunho através de punição como a pena capital (Êx 23.1; Dt 19.16-21). A fala e os
fatos devem concordar entre si. (Dt 13.14; 17.4,5; 22.20,21; Jr 9,5; Pv 12.19; 14.25; 22.21) (CHAMPLIN, 2001, vol. 1, p.
393). Em toda a Escritura encontramos a reprovação de Deus quanto ao mal uso da língua. Vejamos:
EXEMPLOS DE: DEFINIÇÃO REPROVAÇÃO BÍBLICA
MENTIRA
(Ananias e Safira)
“Ato de mentir; engano, impostura, fraude,
falsidade”.
Lv 19.11; Sl 5.6; Sl 101.7; Pv 6.16-19;
19.5,9; Jo 8.44; Ef 4.25; Ap 21.27; 22.15
MALEDICÊNCIA
(Israel no deserto) “Detratação, difamação, murmuração” Sl 62.4; Sl 139.20; Pv 24.2; I Co 5.11;
6.10; Cl 3.8; Tg 4.11
MEXERICO
(A mulher de Potifar) “Enredo, intriga, fofoca, bisbilhotice” Lv 19.16; Pv 11.13; Pv 18.8;
II Co 12.20; I Tm 5.13
CALÚNIA
(Jezabel a mulher de Acabe)
“Difamação por meio de acusações
conscientemente falsas”
Êx 20.16; Dt 5.20; Pv 25.18;
II Tm 3.1-3; Tt 2.3
IV – O NONO MANDAMENTO E O USO DA VERDADE
4.1 O Nono Mandamento ressalta que as relações humanas devem ser baseadas na honestidade e verdade. Aqui,
Deus pede honestidade com respeito à reputação de nosso próximo. O falso testemunho (Êx 20.16) ocorre sempre que
difamamos ou mentimos sobre alguém. Esse tipo de discurso é moralmente errado, pois abala a integridade do mentiroso
como também a reputação do indivíduo que é alvo da mentira. As palavras mentirosas têm consequências sérias; além de
destruir relacionamentos. Mais adiante, Deus expande esse mandamento: “Não espalharás notícias falsas, nem darás
mão ao ímpio [...] nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito” (Êx 23.1-2).
Devemos nos lembrar de que testemunhas falsas foram usadas até no julgamento injusto de nosso Senhor (Mt 26.59-62; Jo
19.12) (ADEYEMO, 2010, p. 114).
4.2 O Nono Mandamento tem uma íntima conexão com o terceiro visto que ambos enfocam o falar a verdade. Em
linhas gerais, temos aqui a defesa da honra (SOARES, 2015, p. 121). Os dez mandamentos terminam com uma ênfase no
bom relacionamento com nosso próximo, pois o segundo maior mandamento é amar ao próximo como a si mesmo (Mt
22.34-40; Lv 19.18). Se amamos nosso próximo, não cobiçamos o que ele tem, não roubamos o que é dele, não mentimos
sobre ele nem fazemos qualquer uma das coisas que Deus proíbe em sua Palavra (WALTON, 2003, p. 96).
4.3 O Nono Mandamento não é somente válido nas cortes de justiça, mas em qualquer situação. Se bem que inclui
perjúrio (jurar falsamente), também estão implícitas todas as formas de escândalos e maledicência, toda a conversação
ociosa e charlatanice, todas as mentiras e os exageros deliberados que distorcem a verdade. Estamos proferindo falso
testemunho quando aceitamos certos rumores maliciosos e logo os transmitimos, ou quando os usamos para outra pessoa
para a prejudicar criando impressões falsas, tanto no nosso silêncio como por nosso discurso” (STOTT, 2002, p. 69 apud
SOARES, 2015, p. 122).
4.4 O Nono Mandamento diz respeito ao nosso próprio bom nome, e ao do nosso próximo. Este Mandamento proíbe:
(a) Falar falsamente sobre qualquer assunto, com mentiras, com equívocos intencionais, e de qualquer maneira planejada
para enganar o nosso próximo. (b) Falar injustamente contra o nosso próximo, para o prejuízo da sua reputação. (c) Dar
falsos testemunhos contra o próximo, acusando-o de coisas de que ele não tem conhecimento, seja judicialmente, sob
juramento (com o que são infringidos o terceiro e o sexto mandamento, além deste). Ou extrajudicialmente, em
conversação comum, caluniando, difamando, inventando estórias, piorando o que é feito erroneamente e tornando-o pior
do que já é, e de alguma maneira empenhando-se em aumentar a sua própria reputação sobre a ruína da do seu próximo
(HENRY, 2010, vol. 1, p. 296).
V - A PERSPECTIVA DE TIAGO A RESPEITO DO USO DA LÍNGUA
A epístola de Tiago, irmão do Senhor, apresenta a sua mensagem seguindo o modelo do Senhor Jesus, recheada de
ilustrações. Suas exortações e repreensões se tornam mais claras, a partir da linguagem que faz das comparações. Eis
abaixo algumas figuras de linguagem que o apóstolo faz em (Tg 3.1-12) para falar da língua:
COMPARAÇÃO INTERPRETAÇÃO
LEME
“um bem pequeno leme”
(Tg 3.4)
Um pequeno leme de um grande navio ajuda a dirigir o curso da navegação. A língua
é apenas um pequeno membro, mas muitas vezes se orgulha do que pode fazer. A
língua tanto dirige o navio (nosso corpo) no curso certo, como pode levá-lo ao
desastre (Tg 3.4).
FOGO
“A língua também é um fogo...”
(Tg 3.6)
Uma pequena faísca pode incendiar uma floresta inteira, o que resulta num grande
estrago. Era justamente isso que Tiago tinha em mente quando comparou a língua
com um fogo “vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tg 3.5).
MANANCIAL
“...alguma fonte...”
(Tg 3.9-12)
O mesmo manancial não pode jorrar água doce e amarga. Terá de ser um ou outro
tipo. Assim é com a língua. Dela vem o mal ou o bem, veneno ou bálsamo curador,
maldição ou benção, frutas bravas ou figos, água salobra ou potável (Tg 3.10-12).
CONCLUSÃO
Nessa lição aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Por causa dessa tendência da natureza
humana de pecar com a língua, a Bíblia exorta a “todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...” (Tg 1.19).
Antes de abrirmos a boca, precisamos avaliar se a nossa palavra é verdadeira, amorosa, boa e edificante “Não saia da
vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a
ouvem” (Ef 4.29).
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Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais
Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 – Santo Amaro – CEP. 50040 – 000 Fone: 3084 1524
LIÇÃO 11 - NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO - 1º TRIMESTRE 2015
(Êx 20.16; Dt 19.15-20)
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o Nono Mandamento “Não dirás falso testemunho[...]”. Veremos que a obediência a
esta orientação bíblica está relacionada diretamente com o uso da língua. Analisaremos ainda, o que a Bíblia tanto no AT
como no NT nos diz sobre este assunto, bem como, quais os pecados que estão relacionados com a quebra deste
Mandamento e ainda verificaremos diversos ensinamentos sobre como evitar a desobediência desta instrução divina.
I – O NONO MANDAMENTO: DEFINIÇÃO EXEGÉTICA E INTERPRETAÇÃO
1.1 Definição exegética. O verbo “dizer” em “Não DIRÁS falso testemunho contra teu próximo” (Êx 20.16; Dt 5.20) no
AT hebraico é “anah” que significa “responder, testemunhar, falar”, usado também em um processo jurídico, tanto nos
tribunais humanos (Dt 19.16) como no tribunal divino (Is 3.9; 59.12; Jr 14.7). O termo hebraico “ed shaqer” significa
“falso testemunho, falsa acusação” (Sl 27.12; Pv 6.19; 14.5; 19.5, 9; 25.18). A palavra “ed” “declaração, testemunho”
indica alguém com conhecimento de primeira mão acerca de uma acontecimento ou que pode testemunhar com base num
relato que ouviu... Já a palavra hebraica “sheqer” significa “mentira, falsidade, engano”, diz respeito a qualquer atividade
falsa, tudo aquilo que não se baseia em fatos ou realidades... A expressão “shaw” quer dizer “fraude, engano, falsidade,
desonestidade (HARRIS et al, 1998, p. 1083 apud SOARES, 2015, p. 123 – acréscimo nosso).
1.2 Interpretação. O Nono Mandamento: “Não Darás Falso Testemunho...” (Êx 20.16), nos mostra que a conduta da
falsa testemunha nos rouba a boa reputação. Seja no tribunal ou em outro lugar, nossa palavra sempre deve ser verdadeira.
A repetição da fofoca é imoral. Quando falarmos, até onde sabemos, sempre devemos dizer a verdade. Esse mandamento
também proíbe a maledicência (Êx 23.1; Pv 10.18; 12.17; 19.9; 24.28; Tt 3.1,2; Tg 4.11; 1Pe 2.1) (BEACON, 2012, vol. 1,
p. 192). A língua é um órgão do corpo humano, cuja função principal está relacionada a fala. É em face dessa atribuição
que esse membro do corpo aparece na Bíblia como uma poderosa força. Afirma-se que a morte e a vida estão no seu poder
(Pv 18.21). Tiago compara a língua como uma fera indomável e um mal incontido, cheio de veneno mortal (Tg 3.8) e
como fogo, um mundo de iniquidade (Tg 3.6). Paulo, por sua vez, refere-se à língua como um instrumento de engano (Rm
3.13), caracterizando o homem não regenerado. Jesus ensinou que os homens terão de prestar contas de sua vida na terra,
incluindo “toda palavra frívola que proferirem” (Mt. 12.36). (MERRILL, sd, vol. 3. p. 933).
II – A BÍBLIA E O USO DA LÍNGUA
A Bíblia nos mostra que a língua pode ser um instrumento de bênção ou de destruição. Salomão, em Provérbios
6.16-19, elenca seis pecados que Deus aborrece e um que abomina. Dos sete pecados, três estão ligados ao pecado da
língua: “a língua mentirosa, a testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos”. Devemos
ter muito cuidado com isso, pois as palavras podem dar vida ou matar: “A morte e a vida estão no poder da língua...” (Pv
18.21); "A língua deles é uma flecha mortal" (Jr 9.8). Jesus disse que é a língua que revela tudo que há no coração (Mt
12.34-37), e ainda ensinou que o que sai da boca contamina o homem (Mt 15.11), e reflete o conteúdo do coração (Mt
15.18-19). Nas páginas do AT encontramos sérias advertências quanto a pecados que podem ser cometidos através da
língua (Êx 20.16; Lv 19.11,16; Pv 6.16-19; 15.1,2,23; 16.21,24; 12.19; 17.20; 18.21; 21.23). O apóstolo Tiago em sua
epístola trata de forma severa esse tema (Tg 3.1-12), bem como Pedro e João (I Pe 3.10; I Jo 3.18).
III – PECADOS RELACIONADOS AO NONO MANDAMENTO
A lei condenava o falso testemunho através de punição como a pena capital (Êx 23.1; Dt 19.16-21). A fala e os
fatos devem concordar entre si. (Dt 13.14; 17.4,5; 22.20,21; Jr 9,5; Pv 12.19; 14.25; 22.21) (CHAMPLIN, 2001, vol. 1, p.
393). Em toda a Escritura encontramos a reprovação de Deus quanto ao mal uso da língua. Vejamos:
EXEMPLOS DE: DEFINIÇÃO REPROVAÇÃO BÍBLICA
MENTIRA
(Ananias e Safira)
“Ato de mentir; engano, impostura, fraude,
falsidade”.
Lv 19.11; Sl 5.6; Sl 101.7; Pv 6.16-19;
19.5,9; Jo 8.44; Ef 4.25; Ap 21.27; 22.15
MALEDICÊNCIA
(Israel no deserto) “Detratação, difamação, murmuração” Sl 62.4; Sl 139.20; Pv 24.2; I Co 5.11;
6.10; Cl 3.8; Tg 4.11
MEXERICO
(A mulher de Potifar) “Enredo, intriga, fofoca, bisbilhotice” Lv 19.16; Pv 11.13; Pv 18.8;
II Co 12.20; I Tm 5.13
CALÚNIA
(Jezabel a mulher de Acabe)
“Difamação por meio de acusações
conscientemente falsas”
Êx 20.16; Dt 5.20; Pv 25.18;
II Tm 3.1-3; Tt 2.3
IV – O NONO MANDAMENTO E O USO DA VERDADE
4.1 O Nono Mandamento ressalta que as relações humanas devem ser baseadas na honestidade e verdade. Aqui,
Deus pede honestidade com respeito à reputação de nosso próximo. O falso testemunho (Êx 20.16) ocorre sempre que
difamamos ou mentimos sobre alguém. Esse tipo de discurso é moralmente errado, pois abala a integridade do mentiroso
como também a reputação do indivíduo que é alvo da mentira. As palavras mentirosas têm consequências sérias; além de
destruir relacionamentos. Mais adiante, Deus expande esse mandamento: “Não espalharás notícias falsas, nem darás
mão ao ímpio [...] nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito” (Êx 23.1-2).
Devemos nos lembrar de que testemunhas falsas foram usadas até no julgamento injusto de nosso Senhor (Mt 26.59-62; Jo
19.12) (ADEYEMO, 2010, p. 114).
4.2 O Nono Mandamento tem uma íntima conexão com o terceiro visto que ambos enfocam o falar a verdade. Em
linhas gerais, temos aqui a defesa da honra (SOARES, 2015, p. 121). Os dez mandamentos terminam com uma ênfase no
bom relacionamento com nosso próximo, pois o segundo maior mandamento é amar ao próximo como a si mesmo (Mt
22.34-40; Lv 19.18). Se amamos nosso próximo, não cobiçamos o que ele tem, não roubamos o que é dele, não mentimos
sobre ele nem fazemos qualquer uma das coisas que Deus proíbe em sua Palavra (WALTON, 2003, p. 96).
4.3 O Nono Mandamento não é somente válido nas cortes de justiça, mas em qualquer situação. Se bem que inclui
perjúrio (jurar falsamente), também estão implícitas todas as formas de escândalos e maledicência, toda a conversação
ociosa e charlatanice, todas as mentiras e os exageros deliberados que distorcem a verdade. Estamos proferindo falso
testemunho quando aceitamos certos rumores maliciosos e logo os transmitimos, ou quando os usamos para outra pessoa
para a prejudicar criando impressões falsas, tanto no nosso silêncio como por nosso discurso” (STOTT, 2002, p. 69 apud
SOARES, 2015, p. 122).
4.4 O Nono Mandamento diz respeito ao nosso próprio bom nome, e ao do nosso próximo. Este Mandamento proíbe:
(a) Falar falsamente sobre qualquer assunto, com mentiras, com equívocos intencionais, e de qualquer maneira planejada
para enganar o nosso próximo. (b) Falar injustamente contra o nosso próximo, para o prejuízo da sua reputação. (c) Dar
falsos testemunhos contra o próximo, acusando-o de coisas de que ele não tem conhecimento, seja judicialmente, sob
juramento (com o que são infringidos o terceiro e o sexto mandamento, além deste). Ou extrajudicialmente, em
conversação comum, caluniando, difamando, inventando estórias, piorando o que é feito erroneamente e tornando-o pior
do que já é, e de alguma maneira empenhando-se em aumentar a sua própria reputação sobre a ruína da do seu próximo
(HENRY, 2010, vol. 1, p. 296).
V - A PERSPECTIVA DE TIAGO A RESPEITO DO USO DA LÍNGUA
A epístola de Tiago, irmão do Senhor, apresenta a sua mensagem seguindo o modelo do Senhor Jesus, recheada de
ilustrações. Suas exortações e repreensões se tornam mais claras, a partir da linguagem que faz das comparações. Eis
abaixo algumas figuras de linguagem que o apóstolo faz em (Tg 3.1-12) para falar da língua:
COMPARAÇÃO INTERPRETAÇÃO
LEME
“um bem pequeno leme”
(Tg 3.4)
Um pequeno leme de um grande navio ajuda a dirigir o curso da navegação. A língua
é apenas um pequeno membro, mas muitas vezes se orgulha do que pode fazer. A
língua tanto dirige o navio (nosso corpo) no curso certo, como pode levá-lo ao
desastre (Tg 3.4).
FOGO
“A língua também é um fogo...”
(Tg 3.6)
Uma pequena faísca pode incendiar uma floresta inteira, o que resulta num grande
estrago. Era justamente isso que Tiago tinha em mente quando comparou a língua
com um fogo “vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tg 3.5).
MANANCIAL
“...alguma fonte...”
(Tg 3.9-12)
O mesmo manancial não pode jorrar água doce e amarga. Terá de ser um ou outro
tipo. Assim é com a língua. Dela vem o mal ou o bem, veneno ou bálsamo curador,
maldição ou benção, frutas bravas ou figos, água salobra ou potável (Tg 3.10-12).
CONCLUSÃO
Nessa lição aprendemos sobre o cuidado que devemos ter com o ouvir e o falar. Por causa dessa tendência da natureza
humana de pecar com a língua, a Bíblia exorta a “todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...” (Tg 1.19).
Antes de abrirmos a boca, precisamos avaliar se a nossa palavra é verdadeira, amorosa, boa e edificante “Não saia da
vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a
ouvem” (Ef 4.29).
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